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Å finne nye måter å løse et behov, ikke bare skape behov

4. Analysekapittel - En reise inn i et felt i utvikling

4.1 Et behov for å definere

4.1.4 Å finne nye måter å løse et behov, ikke bare skape behov

No final do século XVIII iniciou-se o cultivo da cana-de-açúcar na região de Limeira, datando efetivamente do início do século XIX a intensificação desta cultura e das culturas de subsistência, em paralelo ao crescimento da população local.

Segundo Busch (1967), no ano de 1815, o senador Nicolau de Campos Vergueiro fez a primeira derrubada e iniciou na região de Limeira as primeiras lavouras para a cultura da cana- de-açúcar.

A partir de 1830 apresentaram-se os primeiros indícios da cultura do café, que seguiu sua expansão rumo ao oeste paulista. O desenvolvimento da atividade dos cafeicultores foi rápido, acarretando sensível valorização do solo e introdução do arado no cultivo. Em 1850 as lavouras cafeeiras predominavam como produção agrícola no município.

A evolução da economia limeirense está relacionada, como em outros municípios do Estado de São Paulo, à expansão da cafeicultura.

Alguns fatores que influenciaram esta condição são a acumulação e conseqüente aplicação dos capitais decorrentes do desenvolvimento da cafeicultura, a imigração européia incentivada pelo trabalho na cafeicultura, trazendo conhecimentos técnicos que permitiram direta ou indiretamente o estabelecimento e a evolução posterior das atividades industriais e, a instalação da infra-estrutura rodoviária e ferroviária no município, que permitiram acesso aos centros consumidores e produtores na capital e interior do Estado, bem como até os pontos de saída para o mercado internacional.

Em 1870 o primeiro pomar de laranja foi cultivado na fazenda Itapema. O período final do século XIX marcou também o início do processo de industrialização através da produção de máquinas e equipamentos destinados às atividades agrícolas.

Apesar do cultivo da laranja ter se iniciado no final do século XIX, o passo para a evolução da citricultura em Limeira se deu na década de 1920, com a instalação de uma escola de enxertia.

Naquele momento, embora predominassem as culturas do café e da cana-de-açúcar, a lavoura de citrus começou a se apresentar como opção para a agricultura no município.

A respeito desta implantação e expansão citrícola a Fundação SEADE traz as seguintes informações:

Com a introdução da espécie de laranja “Bahia”, cujas primeiras mudas foram destinadas à família Franco, o município passou a conhecer nova fonte de riqueza. Deve-se a Mario de Souza Queiroz a grande expansão da cultura da laranja, porque sua chácara foi o centro irradiador e expansionista da principal riqueza do município. (SEADE, 2005).

Em 1929, a quebra da Bolsa de Nova York afetou diretamente a cafeicultura no Brasil. Em Limeira, a citricultura e a cana-de-açúcar apoiadas na demanda do mercado internacional passaram a dividir o espaço agrícola antes ocupado pelo café.

Contudo, durante a II Guerra Mundial a produção de citrus sofreu a primeira crise, provocada pela redução da demanda no comércio exterior e ocorrência de doença nos pomares. Com o final da II Guerra e a diversificação nos processos de enxerto ocorreu retomada da produção no setor citrícola. Esta ocorrência levou a produção a evoluir e ampliar seus espaços no campo, até os anos 1970, quando uma segunda crise na cultura foi provocada por fatores externos e internos, quer sejam, as doenças que afetaram os pomares e queda no preço das frutas no mercado internacional.

Em contrapartida ao desaquecimento da citricultura ocorreu, nos idos de 1970, impulso à cultura canavieira apoiada principalmente na implantação do Programa Nacional do Álcool (PROÁLCOOL).

Segundo dados do Plano Diretor, em 1998 Limeira contava com cerca de 2.000 propriedades agrícolas e a produção rural continuava marcada pelas culturas da cana-de-açúcar, com mais de um milhão de toneladas por ano e mais de 1,4 bilhões de unidades anuais de citrus

(laranja, limão e tangerina). Em menores escalas estavam as produções de abacate, milho, arroz e feijão (LIMEIRA, 1998, p. 12).

Atualmente, o município possui capacidade produtiva e capacitação técnica profissional voltada à produção de mudas frutíferas variadas, com destaque para as cítricas, sendo um dos fornecedores nesta modalidade para os produtores no entorno de Limeira e no Estado de São Paulo.

A agricultura marcada pelo binômio cana-de-açúcar / citricultura tem permanecido ao longo das últimas décadas praticamente inalterada, apresentando ligeiro declínio na área ocupada pela produção de citrus em relação à área ocupada pela cana-de-açúcar.

O Plano Diretor em suas diretrizes para a agricultura abordou que esta situação propiciava problemas como a falta de espaço e apoio para o desenvolvimento de outros tipos de plantio - insignificantes no contexto do município - contribuindo para a expulsão do trabalhador rural do campo, uma vez que eram cada vez menores as chances de sobrevivência deste na área rural (LIMEIRA, 1998, p.25).

Tratando da relação entre a migração da população do campo e a redução da produção agrícola de subsistência, há que ser considerado outros fatores como a violência que se reproduz no campo, a escassez de recursos para financiamento do pequeno produtor e as exigências técnicas advindas das normas estaduais e federais para a produção, que envolvem aplicação de recursos financeiros de difícil acesso para parte dos agricultores.

As modificações no uso do solo agrícola ocasionada pela proliferação de chácaras de recreio clandestinas em Limeira, ocorridas até 1997 também influenciaram na produção, promovendo ocupação do solo com características urbanas na zona rural.

Loteamentos com terrenos de 500 a 2000 metros quadrados em média foram implantados com carência de infra-estrutura, principalmente de abastecimento de água e esgoto

sanitário ocasionando, por exemplo, a contaminação de mananciais para irrigação e diminuição na área cultivável para subsistência.

Deste modo, o setor rural em Limeira não se conformou, com relação aos problemas e interfaces deste com as áreas urbanas diferentemente das demais cidades da região, contudo, nota-se certa preocupação por parte da municipalidade na manutenção e gerenciamento do manejo ambiental e distribuição das atividades, de modo a preservar os mananciais de água potável, equilibrar a instalação habitacional já instalada com o entorno e, em contrapartida permitir que a evolução das atividades do setor agrícola traga benefícios para o município, sem interferir com as questões da preservação dos recursos naturais.

Esta preocupação encontra-se explícita, na Lei Municipal nº 222 de 15 de Dezembro de 1999, que dispõe sobre a Política Municipal de Recursos Hídricos determinando as diretrizes e normas para a preservação, proteção e recuperação da Zona de Proteção dos Mananciais (ZPM), bem como na Lei Municipal nº 3.653, de 21 de Novembro de 2003, que trata da regularização de chácaras de recreio clandestinas e no Plano Diretor Rural, que ainda não foi elaborado, mas cuja obrigatoriedade de criação consta do Plano Diretor Urbano de 1998.

Há que se considerar, entretanto, que estudos mais aprofundados com relação ao contexto rural no município poderão demonstrar a situação real deste espaço, talvez diferenciada do pensamento expresso pelos agentes públicos demonstrando, por exemplo, as dificuldades na aplicação das leis e fiscalização do setor por parte da municipalidade e do estado, o que por sua vez se traduz uma ineficiência atual na transição entre a espacialidade rural e urbana, o que acaba por promover no campo, ocorrências que em tempos passados eram características das cidades.