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Etikk i forskning

4. Forskningsdesign og metode

4.7 Etikk i forskning

Pessoas Propósito

Potencialidade Trabalho

Nem todos precisam de um desafio ou propósito mais transcendental para obter realização no trabalho. Tomemos o exemplo de uma pessoa que pode ter um trabalho entediante, mas que, com ele, sustente sua família. Nesse caso o propósito maior é sustentar os seus entes queridos, oferecer segurança e conforto para que eles possam desenvolver-se com tranquilidade. Encontra, aí, sua realização.

Pode-se achar propósito em fazer parte da produção de um único produto que contribua para o bem-estar da população, participar da cadeia de produção de um alimento que sacie a fome de outras pessoas ou mesmo servir de apoio para que outras pessoas possam desenvolver seus trabalhos com tranquilidade, como é o meu caso atualmente.

Nos dias 18 e 19 de agosto de 2011 estive na plateia da Conferência Choice de negócios sociais para jovens universitários, organizada pela

Artemisia36. Fiquei muito emocionado durante a conferência por ver

aquelas centenas de jovens entusiasmados com a ideia de mudarem o mundo por meio do empreendedorismo social. Foram apresentados vários projetos para resolver a questão da fome em uma determinada localidade, prover saneamento básico por meio de uma engenhoca, energia fotovoltaica para a camada mais pobre, entre outros. A energia era tão contagiante que lágrimas de felicidade misturada com esperança escorriam de meus olhos em vários momentos. Tomei algumas notas em meu livro de outro para tentar registrar aquele momento:

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Percebo   em   mim   uma   possibilidade   de   aquietar   a   alma,   como   se   fosse  um  antídoto  à  falta  de  paciência  com  as  coisas  da  vida  que  não   estejam   ligadas   ao   velho   modelo   ou   velhas   atitudes.   Esse   ambiente   faz-­‐me  tão  bem  ao  coração! ;

Preciso   ter   um   olhar   mais   amoroso   e   compreensível   sobre   o   tema  

[novos negócios sociais] e  os  jovens  aqui  presentes.  Percebo  em  mim   uma  possibilidade  de  ser  transmissor  de  conhecimento  para  que  eles   consigam  mudar  o  mundo;

Ouço   as   apresentações   dos   jovens   dessa   conferência   e   vejo   claramente  que  eles  diferenciam-­‐se  dos  velhos  discursos  pela  incrível   emoção  e  crença  naquilo  que  estão  dizendo  sobre  o  novo  modelo.  São   100%  coração,  sem  medos  ou  egos.  Me  sinto  muito  bem  aqui;

Entendi   que   grande   parte   do   meu   cansaço   e   falta   de   paciência   nos   ambientes   com   pessoas   desconectadas   dessa   nova   forma   de   olhar   vem   do   fato   de   elas   ainda   não   estarem   sintonizadas   no   novo.   Uma   sensação  maravilhosa  enche-­‐me  o  peito  e  minha  alma  anuncia:  Esse   é   o   caminho!   Todos   esses   jovens   estão   sendo   convocados   para   a   construção   do   novo   caminho.   Palavras   como   propósito,   impacto,   alegria  enchem  meu  coração.  Sinto-­‐me  inteiro,  completo,  emotivo;

Que   benção   e   privilégio   poder   inserir-­‐me   nesse   cenário,   com   essa   gente  dinâmica;

Vários empreendedores sociais que já haviam conseguido estabelecer-se com seus negócios falaram no congresso. quem mais impressionou-me foi o Wellington Nogueira, fundador do Doutores da

Alegria37. Fiquei encantado com sua historiobiografia.

Em 2014 tive o prazer e privilégio de conhecer pessoalmente o

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Organização sem fins lucrativos que, desde 1991 atua junto a crianças hospitalizadas procurando levar alegria no intuito de contribuir para a melhora da condição de saúde das mesmas. Em 2014 efetuaram 68 mil visitas a crianças hospitalizadas. Para maiores informações acesse http://www.doutoresdaalegria.org.br. Último acesso em 18/01/2015.

Wellington. Conversamos algumas vezes sobre nossas trajetórias e ensaiamos algumas atividades em conjunto. Bastam poucos minutos com ele para entender porque considero o “Doutores da Alegria” o melhor exemplo de alinhamento entre propósito e potencialidade do trabalho, fora o caráter revigorante que seu abraço proporciona. É uma limpeza de espírito.

Segundo o Dalai-Lama, quando da escolha de um trabalho, se houver a possibilidade, devemos considerar o benefício ou dano provocado pelo trabalho que se faz. É o que o budismo chama de “meio de vida correto”, ou seja, esforçar-se para envolver-se em uma atividade que não prejudique, direta ou indiretamente, os outros ou a natureza. É o conceito

de Economia Verde38. É preocupar-se mais com a forma de se ganhar

dinheiro do que com a quantidade.

Entendo que as empresas que estão na contramão desses conceitos terão sérios problemas para sobreviver em um novo modelo sócio-econômico-ambiental que se avizinha. Haverá restrições cada vez maiores da sociedade para os produtos ou serviços que causem algum dano socioambientalcultural na medida em que evolui-se para um modelo mais consciente de justiça social, preservação ambiental e promoção cultural. Do ponto de vista de atração de talentos vislumbro que quem não estiver alinhado com uma Economia Verde atrairá, cada vez mais, pessoas interessadas na realização financeira, ou seja, do primeiro grupo identificado pela doutora Amy Wrzesniewwski (aqueles que consideram o trabalho apenas um emprego pelo qual obtém-se a remuneração necessária à sobrevivência). Estou seguro que os melhores talentos não estarão concentrados nesse grupo, o que pode acarretar na insustentabilidade do modelo de negócio dessas organizações no longo prazo.

Dalai-Lama sugere, ainda: “Se  puder,  sirva  aos  outros.  Se  não  puder,  

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O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA caracteriza Economia Verde como sendo aquelas atividades econômicas que resultam em melhora do bem-estar das pessoas e da igualdade social ao mesmo tempo em que reduz os riscos ambientais. Possui três pilares: Baixa emissão de carbono, eficiência no uso de recursos

Lynda Gratton* Defende que mudou a lógica de trabalhar apenas para ganhar dinheiro. Diz que a geração Y (nascida após 1980) não vê o dinheiro como o centro da vida. “Esses   jovens   falam   em   ser   bons   pais,   em   ajudar  a  construir  um  mundo  melhor”. Afirma que há uma preocupação das pessoas em saber se as empresas estão fazendo o bem, pagando os impostos ou poluindo. Com relação aos funcionários, diz que a ligação entre a organização e o individuo migrou de uma relação de pai para filho para uma relação de adultos. Acredita que haverá uma oportunidade, nas próximas décadas, para formatar o trabalho e a vida para permitir que as pessoas se reconectem com o que as torna felizes e com o que cria alta qualidade de experiências.

* Professora de administração na London Business School em Londres e especializada

em evolução do trabalho e das corporações.

Fonte: Dinheiro não é tudo. CEO Exame – Ideias para quem decide, São Paulo, n.15, p. 29 - 31, Agosto 2013.

pelo   menos   abstenha-­‐se   de   fazer   mal   a   eles.” (DALAI-LAMA e CUTLER, Howard C., 2004, p.193).

O trabalho não é somente uma forma concreta e direta que o homem possui para construir suas relações de objetividade com o mundo material. Ele desempenha, também, importante papel na apresentação de oportunidades de relações sociais e culturais necessárias para o desenvolvimento da potencialidade humana.

O trabalho fragmentado em suas especializações que vise apenas o lucro apresenta obstáculos ao desenvolvimento da potencialidade dos trabalhadores pela redução dos desafios morais e intelectuais. Inibe a criatividade de construção de uma sociedade melhor. São eficientes na equação financeira, mas não sabem lidar com o ser humano integral.

Decorre, daí, que o desafio das organizações é estruturarem-se para criar ambientes de trabalho onde seja possível casar a cadeia produtiva com as necessidades de fomento às potencialidades de seus trabalhadores. O trabalho deixaria de ser alienado e passaria a ser integrado com o desenvolvimento das pessoas de forma ontológica, baseado em um propósito cada vez maior. Nasceria a função do CPO - Chief Purpose Officer. Propósito (positivo) e boa conduta moral andam de mãos dadas.

Todas as organizações que conheci possuem código de conduta. Algumas incluem a palavra ética em seus códigos. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC considera o código de conduta como uma das melhores práticas de governança corporativa. Entendo que precisamos ir além da ética. Devemos criar códigos (ou estatutos) que apresentem propostas concretas de valorização do elemento humano holístico, códigos que busquem a felicidade, que proporcionem a realização e promovam o propósito socioambientalcultural.

A espontaneidade das pausas para o cafezinho nas copas das empresas constrói mais cultura e valores do que o código de conduta formalizado na parede dos escritórios, mas raramente são levados em conta na preparação do documento formal. Via de regra, esse é um documento que é feito de cima para baixo.

Até mesmo a declaração universal dos direitos humanos precisa de uma atualização para contemplar as necessidades do ser humano de forma ontológica. O artigo XXIII diz que toda pessoa tem direito ao trabalho, livre escolha do emprego, condições justas e favoráveis, proteção contra o desemprego, igual remuneração por igual trabalho, uma remuneração justa e satisfatória que lhe assegure, para si e para sua família, uma existência compatível com a dignidade humana. Nivela os direitos humanos pelo mínimo necessário à dignidade humana. Carece de uma ambição maior, que garanta, por exemplo, a realização pessoal do trabalhador, seu desenvolvimento material, emocional e espiritual. Aumentando-se os direitos humanos é justo que aumente-se também as obrigações humanas. Devemos ser responsáveis por nossas ações sociais,

ambientais e culturais. Victoria Camps39 pensa de forma semelhante;

chama os deveres do individuo em uma democracia de “virtudes cívicas”, cujo conjunto de obrigações consiste na ética pública (CAMPS, 2011, P. 32).

As novas gerações buscam sentido em suas atividades profissionais. Desejam fazer parte de uma equipe que contribua com o

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Até 1990 havia no Brasil 105 mil Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos - FASFIL no Brasil que empregavam 1,1 milhão de pessoas. Em 2010 esse número aumentou para 291 mil* entidades que passaram a empregar 2,1 milhões de pessoas.

Fonte: Estudo realizado em 2010 pelo IBGE e pelo IPEA em parceria com a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais – Abong e pelo Grupo de Instituições, Fundações e Empresas – GIFE

* 72% deste total não possuíam sequer um empregado, usufruindo da qualidade do trabalho voluntário para realizar suas obras.

desenho de um mundo melhor, como a busca para soluções sociais e ambientais. Querem ser protagonistas de uma história provida de propósito. Vai ficar cada vez mais difícil encontrar essas ambições em uma empresa voltada, exclusivamente, para o lucro de seus acionistas. Alinhar propósito com retorno aos acionistas é o maior desafio para organizações globais que querem perenizar-se. A proliferação de ONGs pode esclarecer esse movimento. Essas entidades, quando constituídas com objetivos lícitos, trazem um senso de ética, propósito e valor intrínseco em suas atividades. A grande maioria está empenhada no preenchimento dos buracos do capitalismo que o Estado não dá conta de cobrir. Oferecem grandes oportunidades para se fazer a diferença. Em menor quantidade os

negócios sociais e as B corps40 também. Buscam trocar a mais-valia pelo

vale mais a pena. Parece haver cada vez mais pessoas buscando isso.

O mundo corporativo-executivo que participei pode facilmente apresentar angustias, insatisfações, intranquilidades, descrenças e sofrimentos da alma que precisamos lidar no dia a dia. Isso é mais verdadeiro quanto mais se galga na hierarquia e quanto mais o negócio da organização se distancia de um propósito socioambientalcultural. Talvez por esse motivo as grandes organizações do mundo todo paguem seus principais executivos com remunerações estratosféricas. Nunca os

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Benefit Corporation são empresas com fins lucrativos que consideram os impactos sociais e ambientais tão importantes quanto o lucro. Para ser certificadas como tal precisam comprovar significativo benefício social ou ambiental. Ver mais em www.bcorporation.net. Última visualização em 22/02/2014.

executivos dessas organizações ganharam tanto dinheiro quanto agora. Há uma compensação de valores. Compensam-se enormes quantidades de horas trabalhadas, exposição à egocentrismos e tensão inerente oriunda da responsabilidade pela salvaguarda e crescimento da quantidade de dinheiro de terceiros com polpudos bônus financeiros. A retenção desses executivos se dá, principalmente, por meio de equação financeira. É muito difícil achar propósito nessa relação material diminuta. Parece haver uma relação entre propósito e remuneração. Quanto menor o propósito maior deve ser a remuneração, e se não há propósito organizacional claro e definido, qualquer caminho serve.

Assim como para encontrar a solução é preciso entender o problema, para encontrar o propósito é preciso entender a ausência do mesmo (Ex.: a desmotivação). Toda atividade tem um propósito. Descobrir, valorizar e reconhecê-lo é o desafio. Quanto mais alguém adquire consciência de si, dos outros e do ambiente em que a organização encontra-se, mais perto do propósito faz-se necessário para desencadear ou manter a motivação. É a partir da compreensão do sentido que definimos nossas ações. Sem essa compreensão nossas escolhas possuem uma tendência aleatória.

(CRITELLI, 2013, P.31) Nenhum homem foi feito para lidar

com os fatos da vida de forma fragmentada e aleatória. Os fatos precisam ser costurados com um fio de sentido que lhes dê alguma razoabilidade para serem compreendidos. depois de compreendê-los podemos definir nossas ações e tocar a vida.

Resolvida a equação fisiológica, o desafio na busca do propósito talvez seja encontrar a atividade laboral que melhor alinhe-se às necessidades de desenvolvimento intelectual, moral e/ou espiritual, que restaure a integralidade, que nos potencialize enquanto homo integratum e nos distancie das necessidades apenas fisiológicas do animal laborans.

Talvez nenhum outro fator seja tão crucial quanto o propósito.

O olhar da criança O pensamento macio Que faz da vida O copo vazio

O tempo que passa A vida que sente O amor na raça Que a fé consente A dor latente O sorriso contido Dentro da gente Qual o sentido? A dúvida, a incerteza Daquilo que sente Confunde a pureza Do coração e da mente O esforço seguro O trabalho, a disputa O caminho duro O suor de fato A alma inquieta A tristeza profunda O desejo desperta A crença que afunda

O amor que recebe O exemplo marcante A fé que persegue A bondade constante

A paz que almeja Abraça o mundo Que assim seja O amor profundo

Conclusão

Uma empresa que não produz valor social está morta.

Emmanuel Faber

(CEO da Danone)

A explosão demográfica no planeta nos últimos 60 anos41 veio

acompanhada de problemas sociais e ambientais. Quanto mais gente, mais problemas. O modelo econômico hegemônico desenvolvido pelo homo sapiens e praticado pelo animal laborans evidenciou a (e não dá sinais de dar conta da) miséria causada pela desigualdade social e a degradação ambiental que atinge níveis que colocam em risco a sobrevivência das espécies. Vivemos tempos difíceis. Entramos nesse início do século XXI em crise de identidade planetária.

O modelo capitalista deste início de século XXI vem apresentando sinais de exaustão ao mesmo tempo que exaure seu principal recurso, o humano. Trabalha-se cada vez mais para produzir um pouco mais para competir com mais vigor. Dedicamos mais tempo ao trabalho e ao estudo das especializações para mantermo-nos dentro do jogo. O modelo é instável e desconfortável. Exceto em alguns rincões do funcionalismo público brasileiro, não há mais estabilidade de emprego. Como bem diagnosticado por Pedro Mandelli, estamos sempre devedores de desempenho e competência perante as organizações que nos empregam (CORTELLA, 2011, p.9). É iminente a alteração de rumo. A perenização dos negócios já não se dá apenas pelo viés econômico. Cuidar das pessoas passa a ser tão importante em uma organização como a busca pela viabilidade econômica do negócio e precaução com o meio ambiente.

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Quanto mais tornamo-nos sociedade-mundo via globalização, mais afundamos os valores morais e éticos. Quase já não temos tempo para eles. Vivemos uma era de inquietações constantes. A energia despendida é concentrada na manutenção de nossos empregos, o qual nos propicia uma remuneração com a qual asseguramos nossa sobrevivência. Não ter um emprego é não ter renda, o que significa ficar de fora da sociedade materialista atual. Com isso, praticamos e cultuamos o materialismo, primeiro para sobreviver, depois para consumir o supérfluo. Cultivamos a cultura de massa e afastamo-nos da espiritualidade. Em plena era do conhecimento vivemos uma era de medos, incertezas e inseguranças.

Alocamos tempo, energia e recursos para lidar com esses sentimentos42.

No sistema econômico consumista Deus está ausente, ao menos

para mim e para Edgar Morin43. Há pouco tempo atrás era cada um por si e

Deus por todos. Hoje, sem Deus, é cada um por si. Em “A via para o futuro da humanidade” Morin sugere alguns caminhos de correção de rota. A de

maior envergadura, mas necessária, ao meu ver é reinserir  a  economia  no  

social,   no   cultural,   no   humano,   ou   seja,   colocar   a   economia   no   seu   devido   lugar   como   meio,   e   não   como   fim   último   da   atividade   humana (MORIN, 2013, p.155).

Em um primeiro zoom observamos a importância que as organizações (empresas, bancos, repartições públicas, ONGs, etc.) desempenham. São atores protagonistas no teatro planetário. Sua atuação vai muito além dos muros das fábricas, das portas giratórias dos bancos ou dos escritórios em estilo open-office. Vinculam-se com os capitais humano,

natural, financeiro, intelectual e social44. Envolvem vários stakeholders

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Em 2013, a maior economia do planeta destina mais recursos discricionários de seu orçamento (55%) para gastos com a área militar do que para qualquer outro benefício social e é tida como benchmark para os emergentes. Vide https://www.sdvfp.org/us- military-spending/proposed-dicretionary-fy2013-np/.

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MORIN, Edgar. O método 6: ética. Tradução Juremir Machado da Silva. 4 ed. – Porto Alegre: Sulina, 2011 (p. 27).

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(clientes, fornecedores, governo, comunidade, sindicatos). São atores sociais por princípio, necessidade e conveniência.

Aproximando um pouco mais a lente vemos que lidam, primordialmente, com pessoas, embora isso não esteja em evidência como deveria, talvez porque já não saibam como lidar com a complexidade das novas gerações. Quando muito, vejo uma tendência em enquadrá-los em padrões de comportamento, um sinal de não compreendê-los ontologicamente. Talvez esse seja um vício da minha geração (X).

Percebo uma tentativa da academia voltada ao business as usual em criar ciências exatas para gerir pessoas (behaviorismo). Aplicar métodos exatos sobre a natureza humana é reduzi-la a recursos produtivos. Isso já não se sustenta mais. As novas gerações já não aceitam isso passivamente. O desenvolvimento da relação entre capital e trabalho tende a ser sustentável à medida que o primeiro reconhecer a natureza complexa de seu ‘recurso humano’ e tiver interesse legítimo em prover um mínimo de segurança fisiológica para que haja espaço e tempo para seu progresso intelectual, moral e espiritual.

A ascensão da vita activa sobre a vita contemplativa descrita por Hannah Arendt em a “Condição Humana” promove a atividade do trabalho à mais alta posição entre as capacidades humanas. Aponta que para Adam Smith o trabalho torna-se a fonte de toda a riqueza e que para Marx ele passa a ser a fonte de toda produtividade e expressão da humanidade do homem. Acrescente-se à esses fatos a perda de fé e a instabilidade do mundo (menos permanente e menos confiável) e temos os ingredientes para a vitória do animal laborans, ser dedicado ao labor rotineiro, solitário, com o propósito raso de sobrevivência da espécie e da produção abundante de bens de consumo. Arendt entende que o trabalho reduz-se ao incessante e repetitivo metabolismo da vida. De fato, vivemos em uma sociedade de consumo de bens produzidos por uma sociedade de trabalhadores que, em função da necessidade do trabalho enquanto ferramenta de sobrevivência, transforma-nos em uma sociedade de

empregados. Essa realidade é materializada com a passagem da vida “egoística” do indivíduo para a ênfase na vida “social”, o homem socializado de Marx (ARENDT, 2010, p.400 – 401).

Já não somos mais apenas “eu” e sim “nós”. Estamos conectados e nossas atitudes individuais afetam a sociedade o tempo todo. Nunca os interesses próprios afetaram tanto os interesses comuns como agora. A

título de exemplo, o cientista Antônio Nobre45 vinculou, recentemente, o

desmatamento na Amazônia com a seca na região Sudeste. Coloca que a supressão da floresta Amazônica afeta a formação dos chamados rios voadores (nuvens de umidade) que são transportados para as regiões centro-oeste, sudeste e sul do Brasil. Ironicamente, o resultado do trabalho do animal laborans necessário à sua sobrevivência individual e enquanto espécie, pode estar contribuindo para o fim dessa própria espécie na medida que ameaça e destrói o meio ambiente. O modelo de trabalho em