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5 Data collection and analysis

5.2 Ethical considerations

A importância dos programas governamentais, na economia, tem gerado pesquisas que refletem diferentes efeitos, dependendo das peculiaridades de cada Sistema Nacional de Inovação (SNI).

Em uma perspectiva macro, os programas governamentais são direcionados para incentivar o P&D, diminuindo os riscos de incerteza e podendo gerar atrativas taxas de retornos, inclusive benefícios sociais superiores. O objetivo dos programas é aumentar a comercialização das inovações derivadas por fundos de pesquisas federais (WALLSTEN, 2000).

Para mensurar os efeitos dos programas governamentais, a literatura apresenta várias fontes quantificando o impacto no contexto do crescimento econômico, podendo gerar efeitos positivos (CZARNITZKI; EBERSBERGER; FIER, 2007), negativos (BUSOM, 2000) e ambos (LACH, 2002). Estas pesquisas utilizam diferentes modelos para avaliar estes efeitos que, de acordo com David, Hall e Toole (2000), diferenciam-se no tamanho da amostra e na metodologia.

A literatura apresenta, como principais marcos sobre este tema, trabalhos como os de Lerner (1999) e Wallsten (2000), que mensuram a realidade americana. Outras pesquisas empíricas são realizadas para delinear o panorama sobre o programa do SBIR e ATP com Audretsch, Link e Scott (2002); Feldman e Kelly (2006); Van der Vlist, Gerking e Folmer (2004); Link e Scott (2009). Ampliando o escopo para o cenário mundial, é possível identificar Busom (2000) e Callejón e Garcia-Quevedo (2005) para Espanha; Ozçelik e Taymaz (2008) na Turquia; Lach (2002) em Israel; Kaufmann e Tödtling (2002) na Áustria; Sakakibara (1997) e Lynskey (2004) no Japão; Czarnitzki, Ebersberger e Fier (2007), na Alemanha e Finlândia; Alvarez e Crespi (2003) no Chile.

Em um dos principais textos, Lerner (1999), avalia impactos, ao longo prazo, do programa SBIR sobre as vendas das empresas e o emprego. Como resultado, a pesquisadora observa que as concessões governamentais têm somente um limitado impacto positivo, exceto nas áreas que exigem atividades de venture capital.

Para encontrar a correta potencialidade nas decisões dos fundos públicos, Wallsten (2000) usa três equações na modelagem do processo de concessão do programa e das firmas. Usando a base de dados original, os subsídios em P&D e emprego são variáveis correlacionadas na pesquisa do autor, o qual revela que as firmas com mais funcionários recebem subsídios, mas o subsídio governamental não conduz ao aumento de emprego. Em

sua totalidade amostral, este autor identifica que empresas maiores e com mais experiência

tem uma probabilidade maior para serem subvencionadas. Em outra análise, consta que o

número de concessões do SBIR tem reduzido os gastos de P&D da firma, porém, nesta análise específica, a amostra foi reduzida para 81 observações.

Com uma similar pesquisa, Audrestech, Link e Scott (2002) corroboram os efeitos assinalados na pesquisa anterior. Em outra abordagem, apenas Link e Scott (2009) avaliam a melhoria do desempenho do programa SBIR, com a intervenção do investidor privado, tanto nas taxas de comercialização quanto no desenvolvimento da pesquisa. Em parâmetros de comercialização, Link e Scott (2009) determinam a probabilidade de sucesso de 0,47 para os projetos aprovados na Fase II do programa do SBIR.

A partir deste contexto, pode-se observar que cada trabalho apresenta procedimentos com níveis de dados e análises distintas: (a) pelo uso de dados nacionais (OZÇELIK; TAYMAZ, 2008); (b) com dados estaduais (VAN DER VLIST; GERKING; FOLMER, 2004); (c) pelo uso de dados agregados por região (KAUFMANN; TÖDTLING, 2002); (d) por cluster setorial (SAKAKIBARA, 1997).

A magnitude e a significância destas contribuições têm, portanto, sido assunto para muitas controvérsias, porque a literatura apresenta os fatores essenciais de influência como sendo decorrentes: (a) do alinhamento da universidade; (b) do nível de colaboração (CZARNITZKI; EBERSBERGER; FIER, 2007); (c) da formação de redes; (d) do agrupamento dos clusters.

Em uma visão micro, o impacto dos programas governamentais pode apresentar dois tipos de resultados (efeitos): (1) complementares aos investimentos privados (CALLEJÓN; GARCIA-QUEVEDO, 2005; KOGA, 2005) e (2) substitutos aos investimentos privados (OZÇELINK; TAYMAZ, 2008).

No debate contemporâneo, os efeitos dos programas governamentais em países desenvolvidos e em desenvolvimento têm resultado em diferentes análises, o mesmo ocorrendo com intervenções indiretas, como os subsídios na forma de incentivos fiscais (HSU; HSUEH, 2009).

Em uma pesquisa na Turquia, Ozçelink e Taymaz (2008) avaliam como insignificantes os efeitos das subvenções em P&D no estímulo ao investimento privado em P&D, o mesmo ocorrendo com as firmas favorecidas com incentivo fiscais. Este resultado coincide com a realidade exposta por Busom (2000), quando executa as mesmas análises para a Espanha. Para o caso de Israel, Lach (2002) avalia os efeitos positivos com os gastos públicos em P&D para empresas de pequeno porte, porém, pontua que os mesmo gastos provocam efeito

negativo sobre o P&D nas grandes empresas. Como resultado, este autor constata que existem evidências de que, ao aumentar o subsídio em P&D, proporcionalmente, aumentam os gastos privados, no longo prazo, apresentando 0,23 de elasticidade para empresas subsidiadas.

Observando a realidade dos países emergentes, Malik e Kotabe (2009) desenvolvem um estudo para verificar se as políticas de suporte para o mercado e de inovação afetam o desempenho no que tange aos conhecimentos organizacionais, na engenharia e na flexibilidade da manufatura para Índia e Pakistão. Estes autores obtêm resultados, para uma

amostra com 155 firmas (65 – Índia; 50 – Pakistão), que apontam para insignificante

influência destas políticas, no desempenho das empresas.

Nos países emergentes, de uma maneira geral, os suportes governamentais de P&D auxiliam na superação dos críticos obstáculos das empresas iniciantes. Em Taiwan, de acordo

com os estudos de Hsu e Hshen (2009), este apoio à falta de fundos para construção de infra-

estrutura adequada se dá com vantagens para ajudar as firmas na formação de venture. Callejón e Garcia-Quevedo (2005) acrescentam que os investimentos públicos têm sido complementares aos investimentos privados.

Para um panorama de países mais industrializados, Czarnitzki, Ebersberger e Fier

(2007) analisam os impactos das políticas de inovação e colaboração na Alemanha e Finlândia. Este tipo de subsídio tem um impacto positivo sobre os outputs da inovação. Koga (2005) avalia os efeitos dos subsídios governamentais para uma amostra com 233 pequenas e médias empresas nascentes de alta tecnologia, com dados em painel, no Japão. Dada sua interpretação, empresas em fase de crescimento demandam mais fomento que empresas imaturas, o que torna os programas de P&D uma ferramenta efetiva para financiar empresas.

Autores Tipo de

dados Abordagem

Numero de

observações Variáveis Método

Período da

análise Programa/Fonte Local

Van der Vlist; Gerking;

Folmer (2004) Cross-section Macro (projetos)

Valor monetário (ou numero de concessão);Assistência, Extensão

OLS (Modelos dos

efeitos fixos) 1984-1994 SBIR EUA

Wallsten (2000)

Cross-section Macro (projetos) 481 Log Idade, log funcionários, fundos,

patentes

OLS (Modelos dos

efeitos fixos) ; 1990-1992 SBIR EUA

Transversal Macro (firmas) 81 Log Idade, log funcionários, fundos,

patentes e gastos P&D OLS 1992 SBIR EUA

Link e Scott (2009) Cross-section Macro (firma) 762

Participação de investidores; comercialização, idade do projeto, receita total, quantidade concessão

OLS -Modelo de probabilidade

linear/ probit

1992-2001 SBIR EUA

Lerner (1999) Cross-section Firmas 541 Taxa de emprego, Vendas, Ativos

intangíveis, Lucratividade OLS 1983-1997 SBIR EUA Feldman e Kelly (2006) Transversal Projetos 240 Novas parcerias, novo direcionamento

P&D, Link universidades, clientes Logit 1998 ATP EUA Ozçelik e Taymaz (2008) Cross-section Projetos 983666

Custos de P&D, custos dos inputs; Taxa de salário; Output; transferência

de tecnologia, intensidade setorial

Tobit; Efeitos fixos; modelos

dinâmicos

1993-2001 TTGC e TIDEB Turquia

Audretsch, Link e Scott

(2002) Transversa Firmas 112

Idade da companhia, os fundadores são de outras empresas, taxa das

receitas, plano de mercado

OLS - Tobit 1992 SBIR EUA

Lach (2002) Cross-section Firmas 322 Gastos P&D, Subsídio, Funcionário e

Vendas OLS 1990-1995 OSC Israel

Koga (2005) Cross-section

e transversal Firmas 233

Subsidio imposto por venda, número de pesquisadores, número de

empregados

Modelos efeitos

fixos 1995-1998 JASMEC Japão Czarnitzki, Ebersberger e

Fier (2007) transversal Firmas

1043 (Alemanha) 1459 (Filândia)

Intensidade de P&D, patente, N.

funcionário por patente; colaboração OLS 1996 e 2000

CIS; Eurostat e o innovation and SME

program

Alemanha e Finlândia