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6 Presenting the empirical material

6.1 Chloe and Maeve

O desenvolvimento de atividades inovativas no cenário brasileiro exige das empresas, sobretudo das pequenas, um volume de recursos que, em geral, não está disponível em seus orçamentos. Visando suprir as necessidades das empresas, observa-se, a partir da década de 1950, o surgimento de políticas públicas para intervir na economia, de modo que a combinação dos fatores estimulasse a geração de suportes financeiros ao desenvolvimento tecnológico.

Nesse sentido, foram criados importantes órgãos de fomento nas esferas federal, estadual e municipal. Dentre os federais, destacam-se: CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, ambos criados em 1951; e a FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos, de 1967, a qual dispõe de adequada infra-estrutura para direcionar recursos às universidades, laboratórios e centros de pesquisa.

No âmbito estadual, o estado de São Paulo criou a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em 1960. Inspirado pelo programa Small Business Innovation

Resource (SBIR), o Programa de Inovação Tecnológica em Pequena Empresa (PIPE) foi

desenvolvido em 1997 pela FAPESP (PEREZ, 1999) e tem como função apoiar pesquisas de inovação tecnológica nas pequenas empresas por meio da concessão de financiamento ao pesquisador vinculado ou associado à empresa (BRITO CRUZ, 2000).

Para participar do programa, as pequenas empresas precisam atender alguns critérios estruturais estabelecidos pela instituição (FAPESP, 2009):

1. Contemplar um quadro de funcionários com até 100 colaboradores;

2. Apresentar um projeto de pesquisa para investir em novos produtos ou processos

produtivos de alto conteúdo tecnológico;

3. Apresentar um pesquisador para coordenar o projeto durante o período vigente no

O desenvolvimento das pesquisas inovadoras pode ser executado para solucionar problemas em 9 grandes áreas do conhecimento. Para a Fapesp (2009), as grandes áreas estão subdivididas em 51 áreas. O Quadro 3.6 apresenta as áreas de conhecimento, correlacionando com as subáreas adotadas pela instituição governamental.

GRANDES ÁREAS ÁREA DO CONHECIMENTO

Ciências agrárias (7)

Agronomia, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Engenharia agrícola, Engenharia veterinária Recursos florestais, Recursos pesqueiros, Zootecnia

Ciências biológicas (8)

Bioquímica, Ecologia, Morfologia, Biologia Geral, Imunologia, Farmacologia, Microbiologia, Genética

Ciência da saúde (8) Odontologia, Farmácia, Medicina, Fonoaudiologia, Saúde coletiva, Educação física, Fisioterapia e Terapia ocupacional

Ciências Exatas e da terra (7) Ciência da Computação, Química, Física, Geociência, Matemática, Oceanografia e Probabilidade de Estatística Ciências humanas (2) Educação e psicologia

Ciências sociais aplicadas (7) Administração, Arquitetura e Urbanismo, Desenho industrial, Economia, Comunicação, Turismo e Ciências sociais aplicadas

Engenharias (10) Materiais e Metalúrgica, Elétrica, Sanitária, Aeroespacial, Química, Biomédica, Produção, Minas, Mecânica, Naval e Oceânica

Interdisciplinar Interdisciplinar Lingüística letras e artes (1) Artes

Quadro 3.6 – Grandes áreas de conhecimento da FAPESP.

O programa PIPE tem como proposta fundamental compartilhar o risco na execução do projeto por meio do financiamento (PEREZ, 1999) e aumentar a competitividade das pequenas empresas brasileiras no âmbito nacional e internacional, com enfoque dado ao estado de São Paulo (BRITO CRUZ, 2000).

A FAPESP segmenta o procedimento de desenvolvimento dos projetos em três fases, com características específicas: (a) Fase I; (b) Fase II e (c) Fase III (PEREZ,1999; BRITO CRUZ,2000).

A Fase I é a fase inicial do projeto de inovação tecnológica, com seis meses de duração. Nesta fase, declara-se a idéia da proposta e se definem os parâmetros de viabilidade técnica do projeto, visto que os resultados se tornam critérios qualificadores para a próxima fase do

programa. Como alternativa, para auxiliar o desenvolvimento, é possível utilizar recursos financeiros para subcontratar um terço das atividades, necessárias ao desenvolvimento do projeto, de outras empresas, consultores ou instituições de pesquisa e dois terços das atividades devem ser realizadas na empresa.

A Fase II desencadeia o desenvolvimento do projeto no período de vinte e quatro (24) meses, sendo considerada a fase mais importante. Nesta fase, a empresa deve desenvolver pelo menos metade das atividades inovativas e as demais podem ser subcontratadas junto a consultores e instituições de pesquisas.

Cada fase tem um limite máximo de recursos que pode ser concedido ao coordenador do projeto. Ao longo dos anos, este valor foi alterado para atender melhor as necessidades da demanda, conforme o Quadro 3.7. Em 2000, a estimativa seria atender vinte (20) concessões, afirmam os autores Perez (1999) e Cruz (2000).

Em termos de estrutura financeira, o fomento deste programa é caracterizado por duas vertentes: (1) projetos fase I – desenvolver estudo de viabilidade técnica e comercial, com o limite de R$ 120 mil e (II) projetos fase II – desenvolver projetos de concepção de produto/processo inovativo, com o limite de R$ 500 mil. Vale ressaltar que os projetos fase II são decorrentes do sucesso da fase I, porém, existem projetos no PIPE aprovados diretamente para fase II, sem terem passado pela fase I.

Evolução dos fomentos ao longo do período

Período 97-99 2002 2004 05-09

Fase I 50 mil 75mil 100 mil 125 mil

Fase II 200 mil 300 mil 400 mil 500 mil

Fase III - - 500 mil -

Quadro 3.7 – Evolução dos limites de fomento de 1997- 2009

A FAPESP prevê que um terço dos projetos beneficiados na fase I recebe auxílio para desenvolver os projetos na fase II (PEREZ, 1999) e, a partir do resultado desta segunda fase, as empresas precisam viabilizar outro apoio financeiro para subsidiar a fase III.

A Fase III é representada como a etapa de comercialização dos novos produtos desenvolvidos nas fases I e II, sendo denominado Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (PAPPE). Nesta fase, a Fapesp não disponibiliza apoio financeiro, porém, auxilia na obtenção de outras fontes de recursos caso a pesquisa comprove viabilidade técnica, social e econômica na formulação do projeto. Este programa foi concebido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) para ser executado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em parceria com agências de apoio à pesquisa dos estados brasileiros (FAPESP, 2009).

A partir do panorama de programas governamentais em inovação tecnológica, os incentivos proporcionam estímulos que desencadeiam vantagens competitivas para as firmas no nível micro, representadas por diferentes saídas relativas às entradas de recursos. A conclusão final de Wallsten (2000) é que os subsídios governamentais podem ser decisivos para atividades de P&D e a produtividade da empresas.

Na visão sistêmica, os programas governamentais possibilitam às empresas desenvolver os projetos mais rapidamente, com aumento da escala e desenvolvimento do protótipo, para alcançar os níveis comerciais. Ao permitir maior rapidez, Falk (2007) declara que as empresas podem diminuir o tempo de desenvolvimento.

Os resultados consistem em avanço no desempenho tecnológico das empresas. Alguns exemplos de resultado para estes programas de subsídios são: geração de patentes; efeitos do P&D sobre as vendas de novos produtos; aumento da capacidade de conhecimento; benefícios na capacidade comercial; aumento da participação de mercado gerada pelos projetos (GEORGHIOU

et. al., 2004; FALK, 2007).

A Figura 3.3 ilustra os três períodos evolutivos de uma organização, associados aos fenômenos que influenciam cada fase, no processo de desenvolvimento da inovação tecnológica.

As entradas são definidas por Falk (2007, p.205) como ―inputs adicionais para o aumento

das atividades de P&D, que podem ser mensuradas, particularmente, pelo auxílio do programa, os

quais aumentam o nível de P&D e a qualidade da indústria‖. Cada firma advoga estratégias

alinhamento dos fatores internos (gerenciamento) e externos (colaboração externa), resultando em saídas.

Figura 3.3 – Efeitos dos programas governamentais

Na parte superior da Figura 3.3 estão representadas as fases de desenvolvimento dos projetos e os atores diretamente envolvidos. Na parte central estão as fases do processo de desenvolvimento tecnológico, iniciando com a entrada, Invenção, o ciclo de vida da empresa para a tecnologia e as saídas, na forma de Patentes, Vendas e Spin-off. Cada uma das fases do processo de desenvolvimento tecnológico está alinhada com as fontes de financiamento inerentes, logo abaixo, na Figura 3.3. E, finalmente, o processo de avaliação sistêmica a que se propõe o presente trabalho, com o intuito de medir a competitividade resultante do desenvolvimento dos projetos de inovação tecnológica.

Em síntese, são flagrantes três estágios distintos:

Colaboração Protótipo - Escala Mercado

Processo de Inovação COMPETITIVIDADE Difusão Spin-off Patentes Vendas Fase da execução

Entradas Processo Saídas

Invenção

Empresa - Ciclos de vida da organização

Empresa período t+2 Empresa período t+1 (Vale da morte) Empresa período t Venture Capital Investidores (Anjos)

Avaliação Sistêmica - Indicadores Financeiro Subvenção governamental Investimentos próprios Terceiros Marketing Concorrentes Interno Externo Fornecedores Universidades Clientes Centros de pesquisas

 período t – a empresa demanda uma quantidade de investimentos, que podem ser

próprios, de terceiros e, principalmente de origem governamental, para obter infra- estrutura adequada que propicie o desenvolvimento da idéia; este estágio é marcado pelo relacionamento colaborativo com Universidades, Fornecedores, Clientes e Centros de Pesquisa.

 período t+1 – a partir da constatação da viabilidade do projeto, o ciclo de

desenvolvimento é caracterizado pela transposição do protótipo para a produção em escala, considerado como sendo um período crítico, pois necessita de investidores – Anjos - para a posta em marcha da produção; é neste estágio que muitas empresas perdem força, o que alguns autores chamam de Vale da Morte.

 período t+2 – representa o início do possível ciclo de desenvolvimento, quando as

empresas necessitam avaliar o mercado (número de concorrentes, o direcionamento dos produtos no mercado interno e externo, a política de preço) e promover a Difusão; uma fonte comum de recursos para este estágio é a formação de alianças do tipo venture

capital.

A análise de todo este processo, aliada aos atores envolvidos e às fontes de financiamento específicas propiciam a mensuração do efeito de longo prazo dos investimentos em inovação tecnológica, aqui representada pela competitividade. A competitividade é, por essência, a concretização dos esforços de inovação da empresa, quer estes esforços incidam sobre os produtos (responsabilidade da função estudos e desenvolvimentos), os procedimentos (responsabilidade da função comercial) ou a gestão (responsabilidade da função controle).

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AVALIAÇÃO DE EFICIÊNCIA - ANÁLISE ENVOLTÓRIA DE