7 Phenomenological exploration
7.3 Summary of the phenomenological exploration
A amostra é composta por 137 projetos, pois os demais 10 componentes da amostra inicial de 148 não haviam sido finalizados, impossibilitando a obtenção dos dados referentes à variável tempo de desenvolvimento para ser utilizada no modelo.
A Tabela 6.18 apresenta uma sistematização da taxa de eficiência total e da taxa de eficiência técnica dos projetos do programa de inovação tecnológica para pequenas empresas (PIPE).
Tabela 6.18 – Avaliação de eficiência para os projetos governamentais PIPE
Avaliação global dos projetos
Análises CCR (total) BCC (técnica)
Média 0,5436 0,5821 Desvio padrão 0,3465 0, 3428 Mínimo 0,015 0,025 Máximo 1,00 1,00 Freqüência tx. Eficiência 1 41 (29, 92%) 45 (32,85%) 0.90 – 0.999 1 (0,73%) 1 (0,73%) 0.80 – 0.899 0 (0,00%) 1 (0,73%) 0.70 – 0.799 5 (3,65%) 5 (3,65%) 0.60 – 0.699 6 (4,38%) 7 (5,11%) 0.50 – 0.599 10 (07,30%) 14 (10,22%) 0.40 – 0.499 14 (10,22%) 16 (11,68%) 0.30 – 0.399 20 (14,60%) 13 (9,49%) Abaixo de 0.299 40 (29,20%) 35 (25,55%) Total dos projetos analisados 137 137
Pelo modelo clássico CCR, orientado para output, calculou-se eficiência total média de 0,5436 (54,36%) com taxa mínima de 0,0156 (1,56%) de eficiência, no âmbito dos projetos, com 41 (29,92%) projetos eficientes..
O modelo CCR apenas indica o nível de eficiência de uma maneira total, enquanto o modelo BCC reporta a eficiência técnica, o que possibilita a obtenção de mais informações.
Quanto à eficiência técnica, a pontuação média dos projetos foi 0,5821 com uma eficiência mínima de 0,025. Como resultado final, 45 (32,85%) dos 137 projetos analisados foram considerados tecnicamente eficientes, resultado superior ao calculado para eficiência total. Isso equivale a dizer que mais projetos, de maneira global, foram eficientes quando se retiraram da análise os efeitos da escala no modelo. Conforme sinalizam Wang e Huang (2007) e Hsu e Hsueh (2009), os fatores técnicos e locacionais influenciam o nível de eficiência dos projetos. Sendo assim, a partir dos resultados DEA buscou-se as características principais dos projetos eficientes, nas diversas dimensões, de maneira a identificar vetores positivos para a eficiência, conforme segue:
A dimensão empresa caracteriza os fatores técnicos da organização. Conforme
mencionam Banwet e Deshmukh (2008), o tamanho da equipe de projetos de P&D e a experiência dos cientistas e técnicos envolvidos são variáveis importantes para serem
avaliadas no contexto do desempenho de programas desta natureza. Dentre os projetos eficientes, a equipe foi composta, em média, por 4 colaboradores e o tempo de experiência dos coordenadores, 44,4% dos quais são intitulados doutores, foi aproximadamente de 14 anos.
A dimensão colaboração considera as variáveis número de clientes, número de
fornecedores e assistência das universidades nacionais e internacionais. Para o grupo dos 45 projetos eficientes, observou-se a participação de, em média, 5 clientes e 3 fornecedores no processo de desenvolvimento. Desta maneira, comprova-se que os projetos tecnicamente eficientes estão inseridos em redes de relacionamento que influenciam positivamente o desenvolvimento. Esse fato é justificado por Alvarez, Marin e Fonfría (2009) quando prioriza o nível de relacionamento na conformação do ambiente para desenvolvimento inovativo. Ainda, os projetos eficientes receberam, em média, a colaboração de 1 instituição universitária durante o desenvolvimento. Os resultados revelados corroboram com o recente trabalho publicado de Zeng, Xie e Tam (2010) em pequenas empresas, no qual se evidencia a importância de parcerias com universidades e centros de pesquisas. Independente de qual tipo de colaboração, Nieto e Santamaría (2007) consideram redes de colaboração como fatores cruciais para alcançar sucesso com relação à inovação do produto.
Na perspectiva da dimensão financeira, para os projetos eficientes, a taxa de
investimento de capital próprio é um pouco inferior à taxa dos recursos obtidos por fundos governamentais, fato este justificado pela falta de recursos das pequenas empresas, principal obstáculo no processo de inovação. Os recursos de capital próprio totalizaram R$ 212.474,74 e os recursos concedidos pela FAPESP R$ 253.471,83 para os projetos eficientes.
A dimensão difusão considera a divulgação nas diferentes áreas do conhecimento. Lee,
Park e Choi (2009) mostram diferentes indicadores para avaliar os seis programas nacionais de P&D nas áreas do conhecimento da Coréia. Dependendo da área de conhecimento, os coordenadores e/ou os proprietários têm receio em publicar os resultados dos projetos antes que a invenção seja patenteada, porém este processo é considerado lento no Brasil. No grupo dos projetos eficientes, o retorno médio proporcionado para a comunidade científica foi de 4 artigos publicados e, aproximadamente, 2 patentes por projeto. Ao comparar com a realidade da Coréia apresentada por Lee, Park e Choi (2009), o programa D (com enfoque para pesquisas em engenharia) detém a maior média de patentes com 24,21 por projeto. Já quando se parte
para a análise dos demais programas de P&D sob avaliação desses autores, o intervalo de patentes geradas varia de 0,21 a 6 em média. No que se refere à amostra dos programas governamentais de Taiwan, Hsu e Hsueh (2009) apontam que o valor máximo de patentes obtido em um projeto foi 33, fato que reforça as idéias de Moser (2005) sobre o descompasso de patente geradas para as várias áreas de conhecimento.
Na perspectiva da avaliação dos projetos, a dimensão do mercado e a dimensão da capacidade produtiva não foram contempladas, pois as variáveis destes grupos não se mostraram pertinentes para avaliação nesta etapa.
Com base na análise conjunta dos resultados advindos das eficiências total (modelo CCR) e técnica (modelo BCC), uma importante contribuição é o cálculo da influência da eficiência de escala nos projetos governamentais (WANG; HUANG, 2007; HSU; HSUEH, 2009). O modelo categoriza as unidades avaliadas em diferentes fases de escala: decrescente, constante e crescente, conforme a Tabela 6.19.
Tabela 6.19 – Retorno de escala para os projetos governamentais PIPE Avaliação global dos projetos
Eficiência de escala Média 0,925348 Desvio padrão 0,145377 Mínimo 0,163 Máximo 1,00 Freqüência
Retorno crescente de escala 63 (45,98%) Retorno constante de escala 42(30,65%) Retorno decrescente 32 (23,35%)
A eficiência de escala média foi de, aproximadamente, 92 %, com desvio padrão de 14 %. Isso significa que os projetos fomentados estão em uma escala de produção similar e com possíveis expansões. Cada fase de escala contém uma denotação específica para interpretar os resultados:
A escala crescente significa que ao aumentar as variáveis de entrada (recursos
financeiros, anos de experiência e número de consultoria) ocorre um aumento desproporcionalmente maior nas variáveis de saída (patentes e artigos publicados) para os 63 projetos desta categoria. Neste caso, a instituição Fapesp deveria concentrar investimentos em projetos desta escala, pois obteria com isso um rápido desempenho no âmbito acadêmico, proporcionado pelos ganhos de escala possíveis de serem alcançados por 45,98% dos projetos analisados. Dos 63
projetos com escala crescente, 61 foram considerados ineficientes e 2 projetos foram classificados como tecnicamente eficientes (100%);
Em escala constante aparecem 42 projetos. Em outras palavras, estes projetos
conseguiram transformar os recursos financeiros obtidos por fundos governamentais, próprios e de terceiros, proporcionalmente, em resultados no âmbito científico;
Na escala decrescente, com 32 projetos, os recursos financeiros aplicados
superaram o nível ideal, sendo representados por projetos com uma característica fortemente relacionada ao âmbito da invenção. Do ponto de vista de desenvolvimento tecnológico, estes projetos não são recomendados para obter maiores recursos, pois eles iriam trazer benefícios proporcionalmente menores do que as taxas de investimentos concedidas. Uma das razões dessa ineficiência de escala é decorrente do grau de inovação associado aos projetos inovadores, pois não se permite divulgar os resultados das pesquisas sem um processo de patenteamento anterior, devido ao risco de imitação.
Para analisar a primeira hipótese, foi necessário o desmembramento em hipótese nula (H0) e hipótese alternativa (Ha). Como a hipótese 1 contempla três proposições referente às fontes de recursos financeiros, as hipóteses nula e alternativa se apresentam como a seguir:
Proposição 1
H 0.: A média do capital FAPESP investido é igual entre o grupo dos projetos eficientes e ineficiente
Ha : A média do capital FAPESP investido é diferente entre o grupo dos projetos eficientes e ineficiente
Proposição 2
H 0: A média do capital próprio investido é igual entre o grupo dos projetos eficientes e ineficiente
Ha : A média do capital próprio investido é diferente entre o grupo dos projetos eficientes e ineficiente
Proposição 3
H 0.: A média do capital terceiros investido é igual entre o grupo dos projetos eficientes e ineficiente
Ha: A média do capital terceiros investido é diferente entre o grupo dos projetos eficientes e ineficiente
A amostra composta por 137 projetos apresenta dados não normais, conforme ilustrado pelos histogramas no Apêndice F. A validação dos dados utilizou o teste estatístico Mann-Whitney (Tabela 6.20) com diferentes níveis de significância (95% e 99%). A utilização deste tipo de teste é recomendada pela literatura DEA (BANKER, 1993; BANKER; ZHENG; NATARAJAN, 2010; SUEYOSHI; AOKI, 2001; DIAZ-BALTEIRO et al., 2006) em especial por Simar e Wilson (2002).
Tabela 6.20 – Resultado do teste estatístico Mann–Whitney para hipótese 1 Variável Grupo dos eficientes n = 45 Grupo dos ineficientes n = 92 Teste U Teste Z Capital FAPESP Média 253471,82 363314,93 1453,50 - 2,823 DP 185307,84 205050,48 ρ=0,004** Capital próprio Média 212474,74 492575,93 874,00 -5,478 DP 543635,48 809063,75 ρ=0,000** Capital de terceiro Média 15925,36 150164,10 1754,00 -2,11 DP 71081,93 694833,01 ρ= 0,03*
* = nível de significância α = 0,05; **= nível de significância α = 0,01
Para a primeira proposição, o p-value é menor que o nível de significância 0,01 (99%) e, assim, a hipótese nula deve ser rejeitada. Com o p-value = 0,004, constatou-se que há evidência de que o capital FAPESP(V33) quantidade média de investimentos recebidos pelo grupo dos projetos ineficientes é significativamente maior do que a do grupo dos projetos eficientes.
Já para a segunda proposição o p-value também apresenta um resultado menor que o nível de significância 0,01 (99%) com um p-value = 0,000. Comprovou-se, portanto, que o capital próprio (V34), de uma maneira geral, é diferenciado para os grupos de projetos eficientes e ineficientes sendo maior para o segundo.
Na seqüência, a terceira proposição apresenta um p-value =0,03, menor que o nível de significância 0,05 (95%) em relação ao capital de terceiros (V35). Dentre as fontes de recursos,
capital de terceiro (V35) apresenta uma média significativa menor em relação às demais variáveis. Com os resultados, a Tabela 6.21 sistematiza a análise da hipótese 1 com as proposições 1, 2 e 3 por meio do teste estatístico Mann-Whitney.
Ao transpor este resultado para a hipótese conceitual, o montante proveniente das três fontes de recursos de investimentos diferencia-se significativamente entre os grupos dos projetos eficientes e ineficientes. Diante do exposto, os resultados dos grupos conduz a refutar a hipótese 1 mediante as três proposições desenvolvidas.
Isso significa dizer que os projetos ineficientes, com uma taxa de investimento maior, não priorizam as variáveis de resposta (número de patentes, número de artigos e o menor tempo de desenvolvimento). Com menos recursos financeiros investidos, o grupo dos projetos eficientes, por outro lado, buscou maior apoio das universidades para auxiliar no desenvolvimento inovativo, parceria esta que pode ser responsável pelo número de patentes e artigos publicados. Ademais, com os seus orçamentos em média mais restritos, a tecnologia desenvolvida pelas empresas eficientes tende a ser menos complexas e, com isso, seu tempo de desenvolvimento menor.
Tabela 6.21 – Análise da hipótese 1 com as respectivas proposições formuladas