4. Presentasjon av resultater
4.2 Erfaring med hvilke forhold som fremmer inkluderingsmuligheter
A função da consciência estaria, para Walter Freeman, simbolizada na palavras
mesmo”329 Em suas próprias palavras:
“... a consciência tem um papel, mas ele não é iniciar a ação. É preparar o self à luz da experiência...”330
“na visão dinamicista, a intervenção dos estados de consciência (awareness) no processo de consciência (consciousness) organiza a paisagem atratora dos sistemas motores”331
O que isto significaria? Vejamos uma definição mais simples do autor:
“(a consciência) é um nível mais elevado de auto-organização.”332
Considerando as definições anteriores, a consciência seria um processo auto-
organizado (de “alto nível”) que unifica a experiência e a percepção, preparando o corpo para
a ação adequada. Diversas ações seriam construídas inconscientemente, pela
“intencionalidade límbica”, mas apenas alguma delas permaneceria, de acordo com o
“formato” das bacias atratoras geradas, no córtex motor, pelos “estados de consciência”.
Talvez o mesmo se possa dizer da percepção.
Seria o nível da consciência correspondente aos padrões MA hemisféricos a
que Freeman se referia em sua “dinâmica da intencionalidade”? Este excerto mais recente
pode ser esclarecedor:
“Aqui eu proponho que outro nível de hierarquia existe na função cerebral como um atrator hemisférico, do qual os padrões de atividade macroscópica local são os componentes. O membro “para frente” do círculo provê os bursts de oscilações convergindo para o sistema límbico que o desestabilizam para formar novos padrões. O membro “para trás” incorpora os padrões de atividade cortical límbica e sensorial num padrão global de atividade ou parâmetro de ordem que escraviza todos os componentes. A escravização aumenta a coerência entre todos eles, que restringe as flutuações locais ao invés de aumentá-las...”.333
Considerando os trechos anteriores, esta parece ser a descrição de Freeman
para a formação da consciência (enquanto parâmetro de ordem). Podemos observar que o
329 FREEMAN, 2000, Pg.136
330 FREEMAN, W. SEARLE, J. 1998. Do we understand consciousness? In Journal of Consciousness Studies, 5(5-6)
331 Uma proposição de difícil entendimento. FREEMAN, W. 1999. Consciousness, Intentionality and Causality. In Journal of Consciousness Studies 6 (11-12) pg.143-72.
332 FREEMAN, W. SEARLE, J. 1998
“membro de feedback” continua sendo o parâmetro de ordem, o formador de padrões globais
na causalidade circular. Uma informação interessante refere-se à importância dos córtices
sensoriais e límbicos na formação da ordem global (via ação “espalhadora” da consciência).
Isto explicaria por que o autor afirma que a consciência altera as bacias de atração do córtex
motor (que seria devido ao parâmetro global criado pelas duas outras áreas). Contudo,
segundo a arquitetura dinâmica descrita pelo autor, o córtex motor é responsável por criar as
bacias de atração no sistema límbico, enquanto este criaria as dos córtices sensoriais (nas
descargas corolárias). Trata-se, portanto, de um modelo difícil de ser interpretado nos
detalhes, embora não apresente contradições neste aspecto. Afinal, na arquitetura descrita
anteriormente,334 faltava um “membro de feedback” para alterar as bacias atratoras do córtex
motor, o que parece ter sido resolvido com a ação sistêmica do “parâmetro de ordem
hemisférico”.
Este, ao que parece, seria o nível da consciência. Mas o “global”, na prática,
não inclui todas as partes. As principais características do processo consciente estariam
relacionadas, segundo pudemos entender, ao sistema límbico (formulação de hipóteses) e aos
córtices sensoriais (teste destas hipóteses e imaginação).335 Os resultados desta ação alterariam
o estado dos córtices motores, preparando o organismo para a ação adequada. Segundo o
autor, a consciência é uma propriedade global do cérebro, embora neste caso ela seja
determinada predominantemente apenas por algumas regiões.
O conceito de “todo” é mais complexo do que pode parecer à primeira vista.
Afinal, cada todo é feito de partes, que são um todo em outro nível, e assim por diante - talvez
até o infinitamente pequeno ou grande. Isto, por si só, já dificulta uma compreensão global,
embora possa ser resolvido, na prática, com a escolha adequada de referenciais e recortes. A
questão da origem do primeiro movimento não impede, afinal, os físicos de estudarem os
334 Ilustração 17, no capítulo “a arquitetura dinâmica do sistema límbico”.
335 “As construções reveladas pelos padrões MA resultam do que Aquino chamou de imaginação, e o que eu
movimentos de hoje. Mas como poderíamos relacionar estes referenciais entre si? Como
relacionar, por exemplo, o referencial microscópico e o macroscópico? A formulação de
parâmetros de ordem a partir dos resultados empíricos nos parece uma relação a posteriori;
pode, assim, ajudar na construção de tecnologias, mas não esclarece a natureza do processo de
formação de ordem global a partir das flutuações locais. Poderíamos, ainda, tecer diversas
outras considerações a respeito do conceito de “todo”, remetendo-nos, por exemplo, à Teoria
da Gestalt ou às mônadas de Leibnz. Restringindo-nos, entretanto, à questão central deste
trabalho, cabe destacar um estudo sobre as relações entre o “todo”, a neurodinâmica e a
consciência. Srinivasan e seus colegas elaboraram um engenhoso experimento para identificar
padrões neurais globais correlacionados a eventos mentais. Para isto, valeram-se da chamada
rivalidade binocular, fazendo pessoas observarem dois estímulos (um com cada olho)
simultaneamente: linhas horizontais de uma cor oscilando numa certa freqüência e linhas
verticais de outra cor oscilando em outra frequência. A percepção consciente era relatada
pelos sujeitos, que ora viam um padrão, ora outro – resultado da rivalidade binocular.
Enquanto isso, a atividade neural era medida por MEG (MagnetoEncefaloGrama), sendo
posteriormente identificadas as regiões que oscilavam em cada uma das duas freqüências.
Segundo os autores, foram encontradas correlações entre as variáveis neurodinâmicas e
fenomenológicas, pois quando o sujeito percebia linhas horizontais, grande parte do seu
sistema córtico-talâmico oscilava na mesma freqüência do estímulo. Uma parte
significativamente menor oscilava na freqüência do estímulo “não-consciente”.336
Ou seja: o conceito de “todo”, na neurodinâmica, não precisa apresentar uma
forma absoluta, pois pode também representar apenas uma tendência, algo que pode existir
em diferentes graus. A atividade consciente, para Edelman e Tononi, requer um alto grau de
sincronia cerebral, ou seja, de processos globais neste órgão. A esta sincronia global
336 SRINIVASAN, R. RUSSELL, DP. EDELMAN, GM. AND TONONI, G. 1999. Increased Synchronization of Neuromagnetic Responses during Conscious Perception. The Journal of Neuroscience, 19(13)
corresponderia um certo grau de “integração de informações”.337 Quando Freeman se refere
aos “cones de fase” dos chamados “pacotes de onda”, está se referindo justamente a um
padrão de sincronia. Se observarmos as imagens obtidas por Edelman e Tononi, entretanto,
não veremos cones, mas padrões complexos. Assim, talvez as observações mesoscópicas de
Freeman não possam ser diretamente “traduzidas” para o nível macroscópico, embora os
princípios de investigação e explicação sejam os mesmos. De qualquer forma, estes estudos
nos sugerem que a atividade consciente requer uma grande sincronia de eventos cerebrais, ou
seja, uma ação neural que “tende a ser” global, embora não necessariamente presente em todo
o órgão. Esta relativização do conceito de “todo” poderia, por sua vez, nos levar a um último
questionamento: se a consciência humana só existe em seres sociais, por que não incluir a
sociedade no “todo” quando nos referimos à “causalidade circular” entre a mente humana e a
matéria? Por ora, entretanto, parece mais razoável deixar estas reflexões acerca do conceito de
“todo” e retomarmos nosso objeto principal.
A ilustração 19 representa nosso entendimento das circularidades no modelo de
Walter Freeman, onde a ação da consciência seria tanto mais intensa quanto maior a “dúvida”
do sistema em relação à ação a ser tomada. Um reflexo automático ou outro ato inconsciente,
podemos supor, estaria restrito ao “loop” da direita (o ciclo intencional), pois a ação da
consciência não “seria necessária”. Afinal, a intencionalidade, para Freeman, não pressupõe a
consciência. E o organismo, como vimos, é considerado pelo autor uma máquina auto-
organizadora.
Podemos notar o papel central da auto-organização tanto na consciência quanto
na intencionalidade, cada qual com seu ciclo. A natureza das circularidades, entretanto, é
diferente. À direita, temos a causalidade circular entre corpo e consciência - ou entre cérebro e
mente. Segundo Freeman, esta é uma relação entre todo e partes, no sentido de que a
consciência seria uma “ação macroscópica” do cérebro sobre si mesmo. À esquerda, vemos o
ciclo intencional - não incluímos as questões consideradas anteriormente sobre a
simultaneidade ou alternância entre a ação e a percepção. Esta também é uma relação entre
todo e partes, mas de natureza diferente, visto que o sistema é parte do meio em que vive. Ou
seja, segundo nossa interpretação, o modelo de Freeman se fundamenta em duas
circularidades relacionadas aos organismos, ambas possibilitadas pela auto-organização. Elas
podem ser consideradas relações entre todo e partes, porém de naturezas diferentes: à
esquerda, o todo é o meio do qual o sistema é uma parte; à direita, no entanto, o todo e as
partes correspondem ao mesmo sistema, diferindo apenas no modo de descrição
(macroscópico e microscópico).
Ou seja, segundo as considerações do capítulo anterior, o ciclo da consciência
refere-se à relação entre duas descrições do mesmo processo, cada qual referindo-se a um
nível. Em certos momentos, o objeto é adequadamente descrito microscopicamente, segundo
os modelos e computadores disponíveis. A partir do ponto crítico (ver figura 18), no entanto, Ilustração 19: representação das causalidades circulares descritas por Freeman: à esquerda, o ciclo intencional e à direita o ciclo da consciência inserindo-se no primeiro. Para, o autor, a consciência é uma parada no tempo entre a percepção e a ação, embora não seja condição necessária para o comportamento
auto-organizado. Afinal, a intencionalidade não pressuporia a consciência. E a auto-organização explicaria tanto a consciência quanto o ciclo intencional.
a descrição microscópica torna-se confusa e pouco informativa. A partir daí, o sistema pode
se desestruturar e deixar de existir. Mas, algumas vezes, consegue “reorganizar-se sozinho” e
encontrar uma nova forma de equilíbrio em condições anormais. Neste caso, terá ocorrido a
chamada auto-organização, através de alguma sinergia interna, e então a descrição
macroscópica poderá ser útil. Que os seres vivos se auto-organizam, ninguém duvida.
Vejamos, então, um caso concreto deste processo ocorrendo na matéria não-viva.