KAP 5 PRESENTASJON AV FUNN
5.2 Relasjoner og mestring
A Bíblia Sagrada é composta por livros e dividida em duas partes, Antigo Testamento e Novo Testamento. A terminologia Bíblia deriva do original grego,
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19 Fundado em 23 de setembro de 1857. Em 21 de novembro de 1889, o Decreto no 09, baixado pelo Governo Provisório da recém-proclamada República, suprimia do nome do Instituto a palavra "Imperial". O Decreto no 193, de 30 de janeiro de 1890, denominava-o Instituto Nacional dos Cegos. Um ano depois, o Art. 2o do Decreto no 1.320, de 24 de janeiro de 1891, deu-lhe o nome de Instituto Benjamin Constant, e permanece até hoje.
20 INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT - 144 ANOS: A REALIDADE DE HOJE - organizado por Antonio João Menescal Conde – Edição 10 de setembro de 1998.
βίβλια, plural de βίβλιον, que transliterado significa bíblion, rolo ou livro. (SCHOLZ e ZIMMER, 2008). A palavra Testamento significa aliança, acordo, pacto, que foi estabelecido entre Deus e o povo. No Antigo Testamento, o pacto foi com os judeus, já no Novo Testamento a aliança se estendeu a todos os povos da Terra.
O Antigo Testamento é marcado pela promessa da vinda do messias, Jesus Cristo, e formou-se em um período de cerca de 1.000 anos e contém, dentre outros conteúdos, a narração de grandes guerras e sacrifícios para que o povo pudesse receber a purificação de seus pecados.
Os fiéis a Deus, no princípio, não dispunham da escrita para escrever sobre Deus ou sobre as experiências de fé. No entanto, utilizavam-se da palavra falada para passar de geração em geração os feitos de Deus. Mesmo depois da criação de um sistema linguístico, os hebreus ainda permaneceram com o costume de narrar as histórias bíblicas. Não eram apenas as histórias que eram passadas pelos contadores de histórias, mas também as orações, os provérbios, poemas e cânticos.
Independentemente das posições religiosas, a Bíblia tem sido considerada como o mais importante livro da história da humanidade. A influência, nos dias atuais, se estende, entre outros, pela ciência, pela arqueologia, pela cultura, pela história, sempre, é claro, em relação a fontes de maior rigor científico e acadêmico.
Não há, no entanto, como negar a forte influência que a Bíblia exerceu - e exerce - sobre o mundo ocidental, fortalecendo-a como o livro ―mais traduzido, mais distribuído ou vendido e mais lido em todo o mundo‖. (SCHOLZ e ZIMMER, 2008). Saber o que a Bíblia fala a respeito da ―pessoa com deficiência‖ e em especial às PcDV, é de suma importância para entender como eram vistos e tratados por um longo período da história da humanidade.
As palavras deficiência e deficiente aparecem apenas uma vez na Bíblia, quando se referem a falha, ressaltando a falha humana de caráter e fé, como apresentado nos textos de 1 Tessalonicenses 3.1021 e Tiago 1.4.22 A Bíblia Sagrada utiliza o termo imperfeito, defeito e defeituoso para identificar que a pessoa tem deficiência. E utiliza as expressões cego, coxo, mutilado, aleijado, paralítico e surdo, para identificar o tipo da deficiência.
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―Orando noite e dia, com máximo empenho, para vos ver pessoalmente e reparar as deficiências da vossa fé.‖ (SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Bíblia de estudo almeida, rev. e atual. ––2005.) 22―Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada
Grande parte dos escritos do Antigo Testamento mostra a questão da deficiência como um castigo ou algo impuro. No entanto, antes da primeira referência dessa forma, é possível encontrar trechos em que se pede respeito à pessoa com deficiência, considerando o desrespeito a esse público como sendo uma afronta ao próprio Deus, e amaldiçoa aqueles que assim procederem:
Não amaldiçoe um surdo, nem ponha na frente de um cego alguma coisa que o faça tropeçar. Tenha respeito para comigo, o seu Deus. Eu sou o Senhor.23
Maldito seja aquele que fizer um cego errar o caminho! [...] 24
Com esse registro, percebe-se que, mesmo antes da vinda de Cristo, a pessoa com deficiência, de alguma forma, era poupada, mesmo que sua deficiência fosse considerada como algo impuro, como mostra mais à frente a passagem bíblica. O ―ser defeituoso‖ era considerado impureza, e a pessoa com algum tipo de deficiência não poderia chegar perto do Lugar Santíssimo referenciado na Bíblia Sagrada, pois tornaria o lugar impuro. Como mostra a passagem:
Diga a Arão, que nenhum descendente dele que tiver algum defeito físico poderá me apresentar as ofertas de alimento. Essa lei valerá para sempre. Nenhum homem com defeito físico poderá apresentar as ofertas: seja cego, aleijado, com defeito no rosto ou com corpo deformado; ninguém com uma perna ou braço quebrado; ninguém que seja corcunda ou anão; ninguém que tenha doença nos olhos ou que tenha sarna ou outra doença da pele; e ninguém que seja castrado. Nenhum descendente do sacerdote Arão que tiver algum defeito poderá me apresentar as ofertas de alimentos; se ele for defeituoso, estará proibido de oferecer o meu alimento. 25
Destaca-se também, no Livro de Deuteronômio, que relata quais eram os castigos para os desobedientes, e coloca a deficiência como uma maldição:
Porém, se vocês não derem atenção ao que o Senhor, nosso Deus, está mandando e não obedecerem [...] vocês serão castigados com as seguintes maldições: [...]
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23 SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Bíblia de estudo. Nova tradução na linguagem de hoje. 2005. Levítico 19.14.
24 Ibidem. Deuteronômio 27.18. 25 Ibidem. Levítico 21.17-21
O Senhor os castigará, fazendo com que fiquem loucos, cegos e confusos. Ao meio-dia vocês andarão sem rumo, como um cego apalpando o caminho. [...] 26
A vida de Jesus, relatada no Novo Testamento, é marcada por curas, milagres e ensinamentos por meio de histórias e parábolas, que, mais tarde, foram escritas por seus seguidores. Como já citado nesta dissertação, é consenso entre estudiosos que o cristianismo trouxe uma nova visão às pessoas com deficiência, que foram vistos também como filhos de Deus, dignos de misericórdia, respeito e amor.
As principais histórias relacionadas à cura estão registradas nos evangelhos27 e seguiram o mesmo formato do Antigo Testamento, ou seja, primeiro apresentava o problema, a situação atual; segundo, a pessoa vê a possibilidade de cura, quando encontra quem possa ajudá-la; terceiro, a cura acontece; quarto, uma prova é mostrada certificando a cura; e, por último, as pessoas se impressionam com o milagre. Como mostra a passagem bíblica, em Lucas 18:35 – 43, Jesus cura um mendigo cego28 :
Jesus já estava chegando perto da cidade de Jericó. Acontece que um cego estava sentado na beira do caminho, pedindo esmola. Quando ouviu a multidão passando, ele perguntou o que era aquilo.
— É Jesus de Nazaré que está passando! — responderam. Aí o cego começou a gritar:
— Jesus, Filho de Davi, tenha pena de mim!
As pessoas que iam na frente o repreenderam e mandaram que ele calasse a boca. Mas ele gritava ainda mais:
— Filho de Davi, tenha pena de mim!
Jesus parou e mandou que trouxessem o cego. Quando ele chegou perto, Jesus perguntou:
— O que é que você quer que eu faça?
— Senhor, eu quero ver de novo! — respondeu ele. Então Jesus disse:
— Veja! Você está curado porque teve fé.
No mesmo instante o homem começou a ver e, dando glória a Deus, foi seguindo Jesus. E todos os que viram isso começaram a louvar a Deus.
É possível observar também que Jesus, em todas as curas registradas na Bíblia, nunca curou alguém que não tivesse pedido a cura. Ele poderia simplesmente colocar as mãos nas pessoas e curá-las, no entanto, era preciso
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26 SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Bíblia de estudo. Nova tradução na linguagem de hoje. 2005. Deuteronômio 28. 15, 28 e 29a.
27 Mateus, Marcos, Lucas e João
– A palavra ―Evangelho‖ tem origem grega: ―evangelion‖, que significa ―boa notícia‖.
querer, pedir e acreditar. A princípio, perguntar ao cego: ―O que queres que eu te faça?‖, parece banal, no entanto, podemos interpretar que Jesus mostrava que a pessoa cega – ou com outra deficiência -, antes de mais nada, era pessoa, tinha seus desejos e vontades e era preciso mostrar isso para afirmar tal ―protagonismo‖. A passagem de Marcos, 10.46-52, mostra mais uma vez essa atitude de Jesus, quando curou o cego Bartimeu: 29
Jesus e os discípulos chegaram à cidade de Jericó. Quando ele estava saindo da cidade, com os discípulos e uma grande multidão, encontrou um cego chamado Bartimeu, filho de Timeu. O cego estava sentado na beira do caminho, pedindo esmola. Quando ouviu alguém dizer que era Jesus de Nazaré que estava passando, o cego começou a gritar:
— Jesus, Filho de Davi, tenha pena de mim!
Muitas pessoas o repreenderam e mandaram que ele calasse a boca, mas ele gritava ainda mais:
— Filho de Davi, tenha pena de mim! Então Jesus parou e disse:
— Chamem o cego.
Eles chamaram e lhe disseram:
— Coragem! Levante-se porque ele está chamando você!
Então Bartimeu jogou a sua capa para um lado, levantou-se depressa e foi até o lugar onde Jesus estava.
— O que é que você quer que eu faça? — perguntou Jesus. — Mestre, eu quero ver de novo! — respondeu ele.
— Vá; você está curado porque teve fé! — afirmou Jesus.
No mesmo instante, Bartimeu começou a ver de novo e foi seguindo Jesus pelo caminho.