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2.4 Institutional profile of Micro-Credit and Small-Loan Centre (MASLOC)

2.4.9 Economic activities that qualify for funding

A profissionalidade daqueles que atuam na educação infantil está e sempre esteve em xeque. Guardar a natureza do que é específico dessa modalidade de ensino e, ao mesmo tempo, não perder a característica do que compõe o trabalho docente, é sempre um desafio presente nas propostas de formação para esses profissionais.

A frente de formação dedicada à dupla gestora, dentro do programa A Rede em rede, apresentou uma estrutura programática que intencionava trazer esses profissionais para uma observação mais atenta de seus respectivos locais de trabalho, conforme demonstrado nos excertos de pauta apresentados nas seções anteriores, com vistas a propostas de intervenções nos mesmos, justificadas pela necessidade de qualificar o atendimento às crianças nos CEI e EMEI.

Tal intervenção esteve pautada na observância da proposta curricular da rede paulistana para a educação infantil, que deveria acontecer sob a égide de uma gestão pedagógica e compartilhada. Portanto, do perfil profissional do gestor da educação infantil, o programa tinha como pontos básicos a serem destacados, como elementos fundantes da

formação em rede e que revelam os contextos da produção dos textos que o compõem, os aspectos a seguir elencados.

O primeiro, é que os gestores das unidades de educação infantil – diretores e coordenadores pedagógicos – deveriam ser capazes de coordenar com autonomia os processos formativos de educação continuada de todos os profissionais de educação vinculados às suas respectivas unidades de trabalho. O local de trabalho – CEI e EMEI – deveria, segundo pressupostos do programa, se constituir em espaço de aprendizagem e de construção da profissionalidade que, segundo Nóvoa (1992b), deve conjugar as ideias de que o local de formação não pode se distinguir do dia a dia dos professores nas escolas.

O segundo, é que diretores e coordenadores pedagógicos, em parceria e pautados nos princípios da gestão democrática, deveriam mobilizar os profissionais dos CEI e EMEI para um envolvimento com a gestão pedagógica dos tempos, espaços e interações que promovessem as aprendizagens das crianças, em ambientes institucionalmente organizados para tal, de maneira compartilhada – a responsabilidade pela gestão não seria exclusividade de apenas um ou outro profissional, mas de um coletivo, articulado pelos gestores.

O terceiro, igualmente importante para o programa, é o fundamento de que os gestores, em consonância com as Orientações Curriculares e Expectativas de Aprendizagem

para a Educação Infantil, seriam os responsáveis por articular a proposta pedagógica dos

tempos e espaços de toda a unidade educacional, com vistas a desenvolver as atividades que contemplassem a implementação da proposta curricular, organizando os planos de formação para que tal objetivo pudesse ser alcançado ao longo do programa de formação.

Um quarto ponto, foi o de que a rede municipal de educação infantil paulistana, por meio do programa de formação, se apoiou na ideia de que os profissionais da própria rede, em todas as instâncias administrativas – SME/DRE/UE – fossem responsáveis diretos pela implantação e execução do programa de formação na rede paulistana, em todo o seu período de vigência, sempre apoiados por uma assessoria contratada. Essa ideia tinha por objetivo viabilizar, de certa forma, a formação de todos os profissionais de educação infantil em exercício nos CEI e EMEI.

Por fim, a gestão pedagógica e compartilhada dos gestores da educação infantil deveria pautar os planos de formação numa cadeia formativa que considerasse como ponto de partida, para quaisquer atividades de formação, as aprendizagens das crianças.

Dito dessa maneira, o papel do gestor proposto pelo programa, traz como fundamental e estruturante para o exercício profissional, a articulação da equipe gestora dos CEI e EMEI num processo de gestão compartilhada da formação continuada sem, contudo, perder de vista

a dimensão e as especificidades de cada uma das funções dos cargos de diretor de escola e de coordenador pedagógico. Não se tratava de descaracterizar as funções específicas de cada profissional, mas de articulá-las a favor das aprendizagens das crianças em ambientes institucionais que respeitassem as especificidades da educação infantil.

Ao finalizar este capítulo sobre o programa de formação A Rede em rede – a formação continuada na educação infantil, a partir das considerações sobre as concepções de gestão,

formação, qualidade e profissional de educação infantil, presentes nos textos das pautas de formação da frente de formação destinada aos gestores, pode-se inferir que os conceitos de gestão pedagógica e compartilhada foram conteúdos tratados com destaque nos encontros de formação.

A formação que deve acontecer nos contextos de trabalho do CEI e da EMEI e coordenada pelos gestores das unidades, também é marca reiterada nos conteúdos da formação.

Para tanto, o profissional de educação infantil, principalmente os gestores escolares, deveriam estar imbuídos num trabalho que se pautasse nas aprendizagens das crianças e que pudesse se construir nos coletivos de profissionais de cada unidade, sem desconsiderar os pressupostos de trabalho que norteavam toda a rede municipal de educação infantil paulistana, ou seja, a partir de parâmetros comuns da rede.

No entanto, segundo o que sugere Nóvoa (2008, p.23), é fundamental compreender em que medida os profissionais da rede municipal paulistana de educação infantil teriam conseguido favorecer, no cotidiano dos CEI e EMEI, “o que precisa ser feito” para a efetivação das concepções acima expostas.

O próximo capítulo trata da análise das imagens e das apropriações das gestoras que participaram da frente de formação destinada à dupla gestora sobre a concepção de gestão, formação, profissional e qualidade para a educação infantil, bem como apresenta as impressões dos gestores entrevistados sobre o programa de formação, em especial no que tange aos conteúdos tratados e sua pertinência ou não para a atuação gestora, às permanências e novidades nesse processo de formação e as necessidades formativas reveladas pelos gestores num conjunto de entrevistas coletadas.

Dessa forma, para a compreensão do programa como política de formação para a rede paulistana, se faz necessário revelar, além dos contextos de produção dos textos oficiais do programa tratados neste capítulo, também os contextos de prática dos gestores e suas relações com o programa de formação.

CAPÍTULO 4

O programa de formação A Rede em rede e a dupla gestora: aproximações e distanciamentos

Até o momento, a análise do programa A Rede em rede ocorreu em função dos documentos produzidos para ou pelo próprio programa. Contudo, para analisar um programa de formação, é preciso considerar os contextos da prática.

Segundo Ball e Bowe (apud Mainardes, 2006), “o contexto da prática é onde a política está sujeita à interpretação e recriação e onde a política produz efeitos e consequências e pode representar mudanças e transformações significativas na política original”.

É no estudo das imagens dos gestores em relação ao programa de formação e a relação que se estabelece nos seus respectivos cotidianos de trabalho que se pretende abordar o programa. Essas imagens constituem o que Ball e Bowe (apud Mainardes, 2006) denominam de a terceira perspectiva de análise do ciclo de políticas – os contextos da prática.

As pautas dos encontros de formação, conforme já descrito no capítulo anterior e que constituem o contexto da produção de texto do referido programa de formação, trazem as concepções que os formadores pretendiam compartilhar com o grupo de gestores participantes dos encontros. Revelar essas concepções e as apropriações destas por parte dos gestores que passaram por esse longo processo de formação é fundamental para responder à pergunta principal desse trabalho sobre quais contribuições, limites e possibilidades a formação continuada do programa A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil trouxe para a construção dos saberes dos profissionais de Educação Infantil – diretores e coordenadores pedagógicos – da rede municipal paulistana, na perspectiva do exercício de uma gestão pedagógica e compartilhada dos CEI e EMEI.

A resposta à pergunta inicial pode ser apoiada pela análise das entrevistas das gestoras – diretoras e coordenadoras pedagógicas – realizadas entre janeiro e abril de 2015, dois anos após o término das ações de formação do programa.

O grupo entrevistado apresenta relativa experiência41 na gestão de unidades educacionais da rede paulistana dedicadas à educação infantil e, cada uma das duplas

41 Todas as gestoras entrevistadas têm, no mínimo, dez anos de exercício na função de diretora de escola ou de

coordenadora pedagógica. Esse tempo de exercício na função pode ser interpretado como suficiente para que as profissionais tenham adquirido certa experiência em relação às atribuições e exigências do cargo que exercem, podendo ser consideradas gestoras que conhecem as atribuições e a rotina de trabalho de suas respectivas funções.

entrevistadas, se constitui como equipe gestora na mesma unidade por um período compreendido entre oito e onze anos.

As entrevistas buscaram apreender as imagens que essas gestoras têm de qualidade, gestão, profissional de educação infantil e formação, categorias de análise utilizadas nesta pesquisa. Para a compreensão das contribuições e limites do programa, também foram investigadas as impressões das gestoras sobre as contribuições e limites dos conteúdos tratados nos encontros de formação para a ação gestora, bem como o que o programa trouxe de novidade ou no que se repetiu em relação a outros, anteriormente propostos pela rede municipal paulistana.

É sabido que as propostas de formação extrapolam as ideias contidas em seus textos. A interpretação e reinterpretação de cada gestor frente às ações formativas do programa se dão de modo particular e a partir da história de formação e de exercício profissional de cada um dos participantes. Por esse motivo, Mainardes (2006) alerta para o fato de que a abordagem de análise pela perspectiva do ciclo de políticas requer assumir que:

Os professores e demais profissionais exercem um papel ativo no processo de interpretação e reinterpretação das políticas educacionais e, dessa forma, o que eles pensam e no que acreditam tem implicações para o processo de implementação das políticas. (MAINARDES, 2006, p. 53)

Outra perspectiva de análise para as entrevistas é a identificação e compreensão das contradições que se apresentam no interior da proposta de formação do programa, principalmente a partir dos documentos produzidos, mas também considerando as incoerências e as convergências reveladas pelas gestoras, captadas a partir dos discursos das entrevistas. A contradição aqui é entendida não como algo externo ao programa de formação, mas presente na sua estrutura, de maneira interna e universal, definida nas palavras de Mao Tse-Tung (1975) de que:

A universalidade ou caráter absoluto da contradição tem um duplo significado: primeiro que as contradições existem no processo de desenvolvimento de todos os fenômenos; segundo, que no processo de desenvolvimento de cada fenômeno, o movimento contraditório existe desde o princípio até o fim. (TSE-TUNG, 1975, p. 529)

É no conceito de contradição de Tse-Tung (1975) e na perspectiva dos contextos da prática do ciclo de políticas de Ball e Bowe (apud Mainardes, 2006) que se apoia a análise das entrevistas das diretoras e coordenadoras pedagógicas em relação às ações de formação do programa A Rede em rede destinadas à dupla gestora.

As análises foram divididas em sete seções, dado o volume de informações coletados nas entrevistas. A primeira das seções apresenta os contextos de trabalho das entrevistadas. As

quatro seções subsequentes tratam das categorias de análise – qualidade, gestão, profissionalidade e formação – adotadas neste trabalho. A penúltima seção apresenta as imagens e apropriações das gestoras sobre o programa de formação. A seção final destaca as aproximações e os distanciamentos das gestoras frente aos pressupostos do programa e trata da contradição identificada no programa de formação.