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Developments in international R&D

Chapter 2: International trends in R&D

2.1 Developments in international R&D

EXCERTO 31, CORPUS 1: 1954. VÂNIA: e não aceita, 1955. VÂNIA: justamente porque

1956. VÂNIA: ninguém aceita ser criticado, 1957. VÂNIA: ninguém aceita ser apontado, 1958. VÂNIA: porque,

1959. VÂNIA: de certa forma rebaixa

1960. VÂNIA: ..que acaba passando de uma outra forma 1961. VÂNIA: e violentando mais ainda

1962. VÂNIA: a outra pessoa, 1963. VÂNIA: ..aí é um ciclo.

A ideia da violência como uma invasão emergiu nos três corpora, porém, foi mais utilizada pelos participantes do corpus três. Na seção metodologia desta pesquisa, foram listados quatro critérios para se considerar uma palavra em seu sentido mais básico ou literal em oposição ao sentido contextual do veículo metafórico, dentre eles, dois são

imprescindíveis para compreendermos a emergência da metáfora em análise: aqueles cujo significado seja mais concreto, ou seja, mais fácil de imaginar, sentir, ver, ouvir, cheirar ou sentir gosto; e aqueles cujo significado seja historicamente mais antigo.

Lançando mão do primeiro, o termo invasão é compreendido como o ato de penetrar em local ou espaço físico, ocupando-o pela força, acepção essa que não condiz com ideia defendida pela participante Vânia no trecho acima, pelo menos em parte, pois não há evidência de nenhum espaço físico no discurso da participante. Não satisfeitos, fizemos uso do segundo critério, pesquisando a origem da palavra, e descobrimos que ela vem do latim invado/invadis significando atacar e sempre fazendo uso da força militar. Essa outra acepção, nem de longe, predomina no contexto do excerto acima, contudo, podemos perceber, de forma simbólica, um ataque resulta numa invasão, conforme podemos inferir da unidade de entonação da linha 1956, em que Vânia diz que ninguém admite ser criticado, pois ao julgarmos alguém estamos, de certa forma, invadindo sua intimidade e isso é uma intromissão

desrespeitosa na vida do outro e que ninguém “aceita”. Essa palavra foi considerada um

veículo metafórico porque, em seu sentido mais básico, ela envolve oferenda e conota recebimento. Na linha seguinte, 1957, Vânia afirma que ninguém admite de “ser apontado”, esse veículo remete a imagem do gesto que fazemos quando julgamos alguém de forma agressiva, apontando-lhe o dedo indicador, mais um caso inédito de relação metonímica presente nesta pesquisa, O GESTO PELA AÇÃO SIMBOLIZADA, visto que o ato de apontar simboliza a ação de julgar, e esse julgamento, consoante o enunciado da linha 1959,

“rebaixa”, ou seja, humilha e a humilhação é uma forma de violência.

É curioso o veículo usado por Vânia na linha 1963, “é um ciclo” que remete as

características de um fractal, isto é, padrões que nunca terminam, infinitamente complexos que são autossimilares em diferentes escalas. Eles são criados pela repetição de um processo simples em um ciclo de realimentação contínua. Impulsionada por recursão, os fractais são imagens de sistemas dinâmicos, pois a ideia de invasão emerge a partir de várias imagens, primeiro critica-se, depois é apontado, como efeito, vem a humilhação para fechar o ciclo de imagens em torno da metáfora, permeada pela relação de causa e efeito, pois a violência como invasão é um efeito da humilhação que, por sua vez, é fruto do julgamento.

EXCERTO 32, CORPUS 2:

632. EDUARDO: eu acho que a violência 633. EDUARDO: Acaba sendo também 634. EDUARDO: nem por conta do professor,

635. EDUARDO: ..mas uma aversão ao próprio sistema 636. EDUARDO: que impõe ao cara

637. EDUARDO: que ele tem que aprender 638. EDUARDO: genética, por exemplo,

639. EDUARDO: ..Quando ele pode ser um bom cartunista 640. EDUARDO: e nunca precisar de genética

641. EDUARDO: na vida dele. [...]

646. EDUARDO: Muitas vezes, ocasiona uma reação, também, 647. EDUARDO: desse aluno a um sistema macabro.

648. EDUARDO: Do meu ponto de vista, 649. EDUARDO: um sistema falido?

Nesse excerto do corpus dois, é digna de atenção, a forma como os enunciados das linhas 635 e 636 denotam a ideia de invasão por meio de uma unidade de entonação que

metafórica e metonímica ao mesmo tempo, já que a “aversão”, não é contra o sistema em si,

mas contra as pessoas que regem esse sistema, assim como o sistema não impõe, quem impõe são as pessoas que fazem parte do sistema, temos, pois, uma metonímia regida pela relação INSTITUIÇÃO PELOS RESPONSÁVEIS que, caso seja desfeita, os veículos metafóricos

“aversão” e “impõe”, deixam de ser metafóricos. Tudo isso está atrelado ao cenário de

invasão, pois a aversão dos alunos contra o sistema que impõe o que ele tem que aprender e que, de acordo com o participante, o aluno pode não precisar fazer uso de tal conhecimento em sua vida futuramente. Impor é tornar obrigatório, é, muitas vezes, forçar alguém a fazer ou cumprir algo contra sua vontade, isso é uma forma de invadir a vida de uma pessoa, pois não lhe é dada o benefício da escolha.

Para encerrar, Eduardo faz uso da hipérbole nos veículos das linhas 647 e 649,

pois o veículo “macabro”, em sua acepção mais básica está diretamente relacionado à ideia de morte ou temas afins, já o veículo “falido”, é usado exageradamente para conceitualizar o

sistema como fracassado, mas que, mesmo nesse estado, invade a vida dos alunos e professores impondo o tipo de conhecimento que deve ser ensinado nas escolas. É importante

destacar que o veículo “falido” pode ser inserido no agrupamento PLANEJAMENTO

FINANCEIRO, base para a organização de outra metáfora já analisada nesta pesquisa, nos remetendo à metáfora em rede que caracteriza o sistema dinâmico e o paradigma sistêmico e

que consiste na interdependência dos conhecimentos, isto é, os conhecimentos estão todos interligados e em colaboração uns com os outros.

Não é a primeira vez que a hipérbole aparece em nossos dados, e o mais intrigante é que ela emerge como um veículo metafórico, tanto nos dados do Brasil como nos do Reino Unido, conforme vimos nos exemplos listados Cameron (2010), em seu artigo:

“Responding to the risk of terrorism: the contribution of metaphor”, na análise da metáfora anterior. Essa recorrência suscita um questionamento: será a hipérbole uma figura de linguagem? Ou uma extensão da metáfora? O uso reiterado de tal tropo por nossos participantes nos leva a crer que a hipérbole é apenas uma função exercida pela metáfora para dar mais ênfase ao que se diz, além de revelar a opinião negativa do participante em relação ao sistema educacional.

EXCERTO 33, CORPUS 3:

126. MARÍLIA: acho que é muito mais nesse sentido.

127. MARÍLIA: <Q . . . Q> Quando invade o espaço um do outro, 128. MARÍLIA: agora quando eu falei sobre princípio,

129. MARÍLIA: quando você perde essa noção 130. MARÍLIA: de que o mesmo direito 131. MARÍLIA: que você tem de discordar, 132. MARÍLIA: o outro também tem de discordar, 133. MARÍLIA: isso não significa

134. MARÍLIA: que vocês tenham que se bater,

A forma como Marília conceitualiza o espaço que é invadido nesse excerto do corpus três é digna de atenção, pois envolve a o conceito de liberdade de expressão, e quando

“perdemos”, linha 129, essa noção as pessoas podem entrar em conflito. Marília defende que

todos têm o direito de discorda das ideias ou opiniões dos outros, porém, isso não seria

motivo para “se bater”, que, cremos, de acordo com o contexto do excerto, não é um bater físico, mas uma divergência de pontos de vistas diferentes. O veículo “perder” da linha 129,

foi considerado metafórico por não estar significando perder a posse de alguma coisa, mas sim de desfazer-se de alguma, livrar-se de alguma coisa, no caso do excerto, a noção de respeito, pois é preciso cautela para não fazer com que as informações transmitidas pela nossa

mente tornem-se armas ferinas capaz de magoar quem quer que seja por um capricho de ideias diferentes. Essa ideia continua no próximo excerto.

EXCERTO 34, CORPUS 3:

135. MARÍLIA: .. Quando você perde isso,

136. MARÍLIA: ..parece que disso nasce os atos violentos, (sic) 137. MARÍLIA: não é só uma questão

138. MARÍLIA: de se beneficiar financeiramente disso, 139. MARÍLIA: .mas o fato, por exemplo,

140. MARÍLIA: de eu discordar de ti em alguma coisa, 141. MARÍLIA: ..não me dá o direito

142. MARÍLIA: de impor sobre você 143. MARÍLIA: .o que é que eu penso, 144. MARÍLIA: ..então,

145. MARÍLIA: .Isso, 146. MARÍLIA: pra mim,

147. MARÍLIA: parece inversão de valores,

148. MARÍLIA: porque, você pensar ao contrário do outro 149. MARÍLIA: não faz de ti dono da vontade do outro

Esse excerto é a continuação do analisado anteriormente e nele a participante atribui à origem dos atos violentos à perda de respeito pela opinião do outro o do direito do outro discordar. Se não há respeito pode haver divergência, origem da violência, de acordo com o discurso de Marília, conforme autoriza o veículo “nasce os atos violentos” introduzido

pelo o anafórico “disso”. Na linha 138, a participante faz questão de esclarecer que o ato violento não é um “benefício financeiro”, mas uma discordância sobre a ideia de alguém. Um fato curioso surgiu no veículo “beneficiar financeiramente”, pois é forma polida de dizer que

um ato violento não é só roubar algo de valor, mas invadir o espaço de alguém, impedindo-lhe de se expressar livremente. Seria mais um tropo que a tradição denomina de eufemismo, o que mais parece uma função exercida pela metáfora, a de polidez, pois esse veículo nada mais é que uma maneira sutil para se referir a roubo de objetos de valores em que o gatuno sai beneficiado financeiramente. Benefício financeiro, por sua vez, seria um veículo atrelado à metáfora SISTEMA EDUCACIONAL É UM PLANEJAMENTO FINANCEIRO. Conforme a

hipótese (2), esse veículo emergiu de forma fragmentada, ou seja, já foi mencionado anteriormente no discurso e agora novamente retomado estando, portanto, inter-relacionado a um mesmo tópico discursivo, porém, em escala de tempo diferente.

Na linha 142, temos, mais uma vez, o veículo “impor”. Esse verbo, mesmo em

seu sentido mais básico, conota uma ideia de violência, pois impor é forçar alguém a fazer alguma coisa e, a partir do momento que obrigamos alguém a fazer alguma coisa, invadimos seu espaço, impedindo-a de agir livremente, o que, para Marília, acarreta na “inversão de

valores”. Em todo o excerto predomina a relação de causa e efeito, pois, de acordo com a

participante, tudo parece ter origem na perda de certos valores. Para finalizar, emerge o

veículo “dono da vontade do outro”, ou seja, quem é dono tem completo controle ou poder

sobre o outro e pode, portanto, interferir em suas decisões, uma forma de invasão.

É importante destacar que as análises aqui proposta não são definitivas, pois o significado é relativamente estável, e conforme os pressupostos do Sistemas Dinâmicos Complexos, aberto à interferência do ambiente, ou seja, contexto, logo não há uma possibilidade empírica de provar o primado da metonímia sobre a metáfora, o que expomos foram dados reais em nível de enunciado e contexto de casos de metáforas que emergem de metonímias. Pretendemos, portanto, com essas análises, trazer à baila aspectos importantes e relevantes para a discussão em torno da conceitulização envolvendo metonímias e metáforas, propondo possíveis respostas a algumas inquietações que permeiam tal assunto, mas não uma garantia de que tal investigação dê conta de todos os elementos que a compõem.