Chapter 3: Human resources
3.1 R&D full-time-equivalent (FTE) and R&D personnel (headcount) in Norway
Ao longo desta pesquisa tentamos demonstrar a primazia da metonímia sobre a metáfora, para tanto nos utilizamos da transcrição de três corpora em que participantes de grupos focais discutiam a respeito da violência urbana na cidade Fortaleza. Destacamos desses corpora as metáforas sistemáticas que foram comuns em todos. Identificamos e analisamos, com base em trechos, as metonímias e as metáforas que emergiram ao longo da discussão tentando demonstrar a primazia daquela sobre esta. Foi um trabalho árduo, pois em uma discussão em tempo real, metáfora e metonímia, muitas vezes, interagem uma com a outra, em alguns casos de maneiras bastante complexas. Um dos tipos de interação mais importante discutido ao logo desta pesquisa foi o da metáfora baseada em metonímias, o caso em que a metáfora é motivada conceitualmente por uma metonímia pelo fato de as relações metonímicas prevalecerem em nível de contexto. Outro tipo interessante de interação entre metáfora e metonímia foi a da metáfora metonimicamente motivada, que pôde ser encontrado na interpretação de várias expressões linguísticas predominantemente marcadas por relações metonímicas em nível de enunciado.
Podemos afirmar que as análises propostas exploram extensamente o referencial teórico na tentativa de encontrar possíveis respostas aos problemas norteadores desta dissertação, quais sejam: há realmente um limite ou uma hierarquia entre metáfora e metonímia? E, caso haja, existe, de fato, algum critério convincente capaz de estabelecer a primazia de uma figura sobre a outra, dada a complexidade de tal assunto? Nesse ínterim, também procuramos verificar em que medida as hipóteses formuladas se sustentam. Para isso, esta dissertação teve como referencial teórico a Teoria dos Sistemas Dinâmicos Complexos, a Teoria Fractal e a abordagem da Metáfora Sistemática, apresentados no capítulo dois e que contribuíram efetivamente para a análise, orientada para verificação da primazia da metonímia sobre a metáfora no discurso dos participantes dos grupos focais.
No capítulo 1, apontamos, de forma sucinta, a discussão em torno da metáfora e da metonímia e destacamos quais pesquisadores discutem esse assunto atualmente. Nele está contido nossos objetivos, hipóteses e perguntas norteadoras que não foram respondidas de maneira satisfatória, pois não conseguimos estabelecer um limite entre metáfora e metonímia, mas, ainda assim, conseguimos perceber o primado da metonímia sobre a metáfora em alguns excertos. Também não logramos êxito em descobrir os critérios que estabelecem a primazia de uma figura sobre a outra. Já o capítulo 2, em que consta nossa fundamentação teórica,
explicamos o que é, como surgiu e qual a relevância dos Sistemas Dinâmicos Complexos e do paradigma da complexidade, assim como a Teoria Fractal e metáfora sistemática. No capítulo 3, destacamos os procedimentos metodológicos desta pesquisa para coleta de dados e organização dos corpora, assim como também, organizamos os critérios para análises dos dados como a identificação de tópicos discursivos, a identificação e a codificação dos veículos metafóricos e as relações metonímicas que nos serviriam de base para considerar metonímica alguns veículos dos corpora.
No capítulo 4, encontram-se as análises dos nossos dados composto de dez metáforas sistemáticas que emergiram nos três corpora coletados. Para cada metáfora sistemática, retiramos um trecho que comprove a sua emergência em cada um dos corpora. Nesse mesmo capítulo, as hipóteses (1) e (2) foram confirmada, pois os discursos gerados pelos participantes dos grupos focais forneceram dados altamente relevantes para a investigação da conceitualização da categoria violência através de metonímias e de metáforas, as quais podem ainda ser explorados em novas pesquisas que focalizem aspectos mais específicos de determinadas manifestações linguísticas. Os dados revelam ser uma fonte de insights para novas hipóteses sobre a estruturação da categoria violência.
Ao longo desse capítulo tivemos algumas boas surpresas como a identificação de da relação metonímica AÇÃO PELO AGENTE, no excerto 27, em que determinada participante diz se sentir ameaçada por um assalto ou por uma batida, quando na verdade a ameaça vem dos agentes por trás dessas ações, os quais sem eles não existiriam. Essa relação que permeou o discurso não é utilizada por autores renomados da área. Outro caso interessante, ainda no excerto 27, foi o uso de uma onomatopeia para representar uma metonímia através da relação de causa e efeito. A participante diz que não pode ver uma bicicleta ou mobilete que o seu coração começa, BUM, BUM, BUM, e esse som da batida do coração é um efeito do medo causado por atos violentos de qualquer natureza.
Todas essas observações estão relacionadas às hipóteses (1), (2) e, em parte, à (3) que não se confirmou por completo, pois, em alguns enunciados, ficou constatado que a metáfora é motivada por uma metonímia, não obstante, demonstrar com precisão a relevância da metonímia sobre a metáfora no processo de conceitualização não é tarefa fácil e carece de um estudo mais aprofundado com procedimentos metodológicos mais empíricos.
O funcionamento da metáfora e da metonímia no discurso, explicado pela Teoria dos Sistemas Dinâmicos Complexos e da Teoria Fractal, trouxe-nos algumas respostas significativas para questões inquietantes no âmbito desses dois tropos por enfatizarem não
apenas o cognitivo, mas a interação entre este, o social, o cultural e o biológico. Outras, pela sua amplitude, não caberiam nesta dissertação por uma questão de coerência metodológica, pois não se enquadravam em nossos objetivos, como é o caso das hipérboles serem ou não consideradas extensões ou funções metafóticas. A mesma inquietação apareceu em relação ao eufemismo, extensão metafórica, ou metáfora com função de polidez linguística?
A análise de nossa pesquisa, à luz da teoria dos Sistemas Dinâmicos Complexos e da Teoria Fractal, revelou que a metonímia, no processo de conceitualização, é tão essencial quanto a metáfora, quiçá mais importante, visto que as relações que a caracterizam permeiam tanto o contexto quanto o enunciado em si. A Linguística Cognitiva prioriza bastante estudos e pesquisas que dão ênfase à metáfora, deixando a metonímia em segundo plano. Nesta pesquisa, contudo, verificamos que muitas metáforas são decorrentes de metonímias e esperamos que ela seja no mínimo instigante e possa estimular outros estudiosos a desenvolverem pesquisas que comprovem a importância dessa figura para a emergência do significado. Faz-se necessário deixar claro que, em momento algum, descartamos o caráter cognitivo das metonímias, o qual consideramos pré-linguístico, nosso objetivo, porém, eram os aspectos linguísticos e contextuais que contribuíssem para manifestação de tal figura no processo de conceitualização da violência, deixando claro que a transnominação que envolve a metonímia é mais ampla que a que envolve a metáfora, pois relações como CAUSA E
EFEITO, PARTE PELO TODO, INSTITUIÇÃO PELOS RESPONSÁVEIS,
CONTROLADOR PELO CONTROLADO, AGENTE PELA AÇÃO, etc., atravessam qualquer discurso fazendo emergir o significado.
Apesar de estarmos conscientes de que estes resultados precisam ser apoiados por uma análise mais ampla e detalhada, pensamos que, as questões aqui apresentadas, são fundamentais e essenciais para compreender e explicar a complexa relação entre metáfora e metonímia, não só sob os pressupostos da Teoria Fractal e dos Sistemas Dinâmicos Complexos, mas qualquer outra concepção teórica e ou metodológica. Por isso, gostaríamos de ver o nosso trabalho de pesquisa, não como a resposta final para estas perguntas, mas sim como um trampolim para futuras investigações sobre a natureza da interrelação entre metáfora e metonímia.
A partir do ponto de vista acima, esta dissertação realizou um estudo sobre a interação entre metáfora e metonímia no discurso real de vítimas diretas e indiretas de violência urbana na cidade de Fortaleza e, como resultados satisfatórios, podemos destacar primeiro que a metáfora, bem como metonímia, são dispositivos primários para a
compreensão de conceitos abstratos, tais como o de violência. Segundo, que uma série de metáforas provém de metonímias o que mostra que, apesar de a metáfora e a metonímia interagirem entre si, em alguns casos, há primazia desta sobre aquela.
Esta dissertação apresenta-se, pois, relevante para os estudos que têm como aportes teóricos tanto a Linguística Cognitiva como a teoria dos Sistemas Dinâmicos Complexos, contribuindo, no mínimo, para o avanço das discussões metodológicas na área e para a avaliação do potencial descritivo-explanatório de seus modelos teóricos, por meio dos resultados alcançados nas análises. Ao mesmo tempo, esta pesquisa ratifica as contribuições que estudos sobre o prisma do paradigma da complexidade, como também da teoria dos Sistemas dinâmicos podem trazer para a área de concentração do Programa de Pós-Graduação em Linguística, em especial para as linhas de pesquisa Linguística Aplicada e Aquisição, desenvolvimento e processamento da linguagem.
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CORPUS 1
TRANSCRIÇÃO GRUPO FOCAL FIC/UFC
1. Mateus meu nome é Mateus Malveira, 2. ..terminei, com a professora Leila,
3. o terceiro semestre da faculdade FIC de Direito, 4. ...estudei no colégio militar,
5. da quinta
6. ..série ao terceiro ano,
7. .. acho que em relação a cursos acadêmicos, 8. ..não tenho muito o que falar
9. ... só minhas artimanhas pessoais.
10. Mateus My name is Mateus Malveira, and I finished the third term at law with professor
Leila, I studied at Colégio Militar from the 5th grade till the senior year in High School, and I
do t ha e u h to sa a out a ade i ou ses, just hat I did self.
11. Mod mas acho que já nos disse bastante. Seu nome e o que tem feito. Tá certo.
12. Mod I thi k ou e told us e ough, ou a e a d hat ou e do e. All right.
13. Elisa eu sou Elisa Pereira, 14. ..estudei na FIC também 15. me formei em Jornalismo lá,
16. ..e agora tô fazendo a especialização 17. também na FIC.
18. Assessoria de comunicação 19. ...participei de pesquisa
20. na administração científica da FIC.
21. Elisa I a Elisa Pe ei a, I studied at FIC as ell. I g aduated at jou alis the e a d o I
taking a specializing course at FIC as ell. <X…X> I took pa t i the a age e t esea h at FIC.
22. Mod você foi bolsista lá?
24. Elisa é. 25. <X...X> 26. então 27. tem assim,
28. ...acho que uns dois anos 29. de pesquisa.
30. ElisaYes. <X…X> it s ki d of, I thi k I ha e ee esea hi g fo t o ea s.
31. Igor meu nome é Igor Pessoa, 32. ..eu faço direito na FIC, 33. tô no terceiro semestre, 34. quer dizer,
35. terminei o terceiro semestre. 36. ...faço Letras inglês na UECE também 37. ..tô no terceiro semestre.
38. ..já fiz Jornalismo,
39. fiz quatro semestres de jornalismo na UNIFOR. 40. desisti de Jornalismo
41. escolhi Direito
42. ..faço parte do grupo de iniciação cientifica da professora Leila, 43. que a gente analisa a metáfora do discurso jurídico.
44. Igor M a e is Igo Pessoa, I stud La at FIC, I taki g the thi d te , I ea , I e
finished the third term. I also study English, Arts and Lette s at UECE, I taki g the thi d te . I e studied jou alis ; I studied fou te s at UNIFO‘. The I ga e up o jou alis and I chose Law. I take part in the research group led by professor Leila, there we analyze the metaphors in the forensic discourse.
45. Mod então tá no terceiro semestre nos dois cursos? Não tá muito difícil não, de levar os dois?
46. Mod“o, a e ou taki g the thi d te i all ou ses? Is t it ha d to keep up ith the ?
48. na verdade não.
49. eu tiro mais a UECE como um prazer, 50. porque eu gosto muito de ler. 51. então,
52. o curso de letras, 53. ele é muito leitura 54. ele é muito debate 55. ..então,
56. pra mim, 57. sai mais hobby, 58. ..agora Direito não, 59. Direito é trabalho duro.
60. Igor Not really, in fact, I study at UECE more for fun, because I like reading. Then, Letters is
much more about reading and debating, for me it is like a hobby, but Law is hard work. 61. Renato meu nome é Renato Tavares,
62. ..eu faço UFC, 63. Educação Física.
64. RenatoMy name is Renato Tavares, I study Physical Education at UFC.
65. Mod E tá no quinto semestre, que você já tinha me falado antes, né?
66. Mod á d ou e i the fifth te , ight, cause you had told me that before.
67. Ana Lívia meu nome é Ana Lívia,
68. eu sou formada em turismo pelo CEFET, 69. fiz publicidade na FIC,
70. mas eu fiz iniciação por dois anos, 71. ..agora eu tô lecionando lá no pro-jovem, 72. já é a segunda vez que participo do pro-jovem, 73. dando qualificação profissional na área de turismo.
74. Ana LíviaMy name is Ana Lívia, I graduated in Tourism at CEFET, I studied publicity at FIC,
but I esea hed fo t o ea s, o I tea hi g at adults fo P o-jo e , a d it s the
second time I take part in the program, teaching professional qualification in the area of tourism.
75. Vânia Meu nome é Vânia Silva
76. eu tô terminando agora 77. ..jornalismo,
78. na FIC
79. e fui aluna pesquisadora com a Leila 80. por quatro anos
81. na iniciação científica
82. VâniaM a e is V ia. I a out to g aduate i jou alis at FIC a d I as a esea h
student of professor Leila for four years.