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Lamon (2012) afirma que ter raciocínio proporcional é ser capaz de lidar com situações onde existe uma relação invariante (constante) entre duas quantidades ligadas mas que variam juntas. Pelo seu lado, Cramer, Post e Currier (1993) salientam como componente crítica das situações proporcionais a relação multiplicativa que existe entre dois espaços de medida, como por exemplo: M1 (número de maçãs) e M2 (preço). Esta relação apresenta-se de dois modos:

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 Relação multiplicativa entre quantidades em dois espaços de medida M1 (

) e M2 ( ), isto é M1 = k M2 e suas respetivas quantidades e neste

caso o fator multiplicativo ( ) é constante, o valor unitário ( ocorre que ) (invariância). A representação gráfica desta situação apresenta sempre uma linha reta que passa pela origem e inclina-se para a direita. Em representação de fração, pode apresentar diferentes razões que são apresentadas como frações equivalentes em que a forma irredutível é a razão unitária (valor unitário).

 Relação multiplicativa dentro das duas quantidades de cada um dos

espaços de medida: M1 (

) e M2 ( ), sendo que ( , ocorre que ), neste caso não representa um valor unitário mas corresponde a “quantas vezes se aumenta a quantidade a para chegar a b então aumenta-se c o mesmo número de vezes para dar d” (covariância).

A complexidade do raciocínio proporcional requer flexibilidade na forma de pensar e exige o envolvimento de vários conceitos fortemente interligados (Service Ontario, 2012) tal como se ilustra na Figura 1.

Figura 1. - Conceitos interligados no raciocínio proporcional (Service Ontario, 2012, p.4).

As interligações apresentadas proporcionam uma compreensão de cinco conceitos que integram o raciocínio proporcional, nomeadamente:

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(i) Unitização e raciocínio espacial, envolvendo ser capaz de visionar uma quantidade particular, fazendo agrupamentos. É fundamental para desenvolver o conceito de valor unitário uma vez que “a capacidade de usar unidades compostas é uma das diferenças mais óbvias entre os alunos que trabalham bem com proporções, daqueles que não o fazem”.

(ii) Pensamento multiplicativo, ser capaz de raciocinar simultaneamente sobre várias ideias ou quantidades. Requer pensar em situações em termos relativos em vez de termos absolutos. Ajuda os alunos a fazerem transição do pensamento aditivo para o pensamento multiplicativo que deverá ocorrer o mais cedo possível.

(iii) Compreensão das relações entre quantidades e da sua alteração, o que envolve relacionar quantidades em termos relativos e perceber a relação de covariância, ou seja, perceber como a variação de uma quantidade coincide com a variação da outra. Este conceito de relacionar e alterar quantidades desempenha um papel central em nossas vidas diárias e é essencial ao desenvolvimento do pensamento algébrico.

(iv) Divisão, medição, taxas unitárias e raciocínio espacial, conceitos ligados ao raciocínio proporcional porque envolvem a divisão de um todo em partes iguais, determinando a comparação relativa, ou seja, a comparação das medidas de duas coisas diferentes através de estratégias como estimar e verificar, medir, efetuar divisões sucessivas de uma unidade. A compreensão de porções iguais, valores relativos e taxas é a pedra angular da matemática e das situações do dia-a-dia. Atividades de divisão, partição, exigem o uso de estratégias de equivalência e permitem avançar no seu nível de transição do pensamento aditivo para o multiplicativo.

(v) Compreensão dos números racionais: Os números racionais, que se podem representar por frações, são um desafio para a compreensão dos alunos, uma vez que representam números expressos em relação a outros números, em vez de quantidades fixas, como números inteiros. As frações são o suporte para a compreensão da Álgebra.

O percurso de desenvolvimento do raciocínio proporcional permite a aquisição de diversas capacidades. Procurando salientar as suas características mais importantes, Lamon (2012) indica que os alunos, usualmente:

 Não pensam unicamente em termos de uma unidade ou de taxas unitárias, tais como

mas pensam em termos de

unidades complexas, aplicando a razão não reduzida à unidade [unidade composta]

.

 Exibem maior eficiência na resolução de problemas pois possuem a capacidade de pensar em termos de unidades compostas, por exemplo, em casos em que o preço unitário produz dízimas infinitas. Se 3 laranjas custam 0,68€, é mais eficiente pensar no preço de 12 laranjas como 0,68€ 4 (4 grupos de 3), ou seja 2,72€

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 Compreendem a equivalência e o mesmo valor relativo.

 Observam uma unidade exibida em uma matriz e veem imediatamente quantos objetos estão em

, …

 Interpretam quantidades de forma flexível. Por exemplo, sabendo que 3 maçãs custam 24 cêntimos, interpretam que o custo por maçã é de 8 cêntimos ou que de maçã custa 1 cêntimo. Prestam atenção ao valor por unidade.

 Apresentam flexibilidade no trabalho com frações e números decimais.

 Desenvolvem estratégias (às vezes estratégias pessoais) para lidar com problemas como encontrar frações situadas entre duas determinadas frações.

 Usam mentalmente divisores exatos, com vantagens no cálculo. Por exemplo para determinarem facilmente relacionam esta fração com , ou para determinar 80% relacionam esta percentagem com 10% ou 20%.

 Têm o sentido de covariação. Isso significa que conseguem analisar quantidades que se alteram em simultâneo, discutindo a direção de mudança (o que se alterou e como) e a taxa de mudança, e determinam relações que permanecem inalteradas.

 Identificam contextos quotidianos em que as proporções são ou não são úteis. Distinguem situações proporcionais de não-proporcionais e não aplicam cegamente um algoritmo se a situação não envolver relações proporcionais.

 Desenvolvem um vocabulário para explicar seu pensamento em situações proporcionais.

 Usam estratégias escalares, raciocinando para cima e para baixo, tanto na descoberta do valor em falta como em problemas de comparação, trabalhando com quantidades expressas em frações, numerais decimais ou em percentagens.

 Entendem, no 7.º ou 8.º ano, as relações em situações proporcionais simples e inversamente proporcionais, podendo descobrir por si mesmos o algoritmo de multiplicação e divisão cruzada.

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