2. BUSINESS MODELS & DIGITALIZATION
2.2 D ERIVING A W ORKING D EFINITION OF D IGITALIZATION
A informação confiável pode ser dependente. Em muitos casos, a confiabilidade da informação depende da confiabilidade do método de coleta de dados. Quer dizer, a confiabilidade depende da fonte de informação. Um boato vindo de fonte
desconhecida que os preços do petróleo devem subir pode não ser confiável.
RELEVANTE A informação relevante é importante para a tomada de decisões. A informação de que os preços da madeira de construção devem cair pode não ser relevante para um fabricante de chips de computador.
informação sofisticada e detalhada pode não ser necessária. Na realidade, informação em excesso pode causar sobrecarga de informação, quando um tomador de decisões tem informação demais e não consegue determinar o que é realmente importante.
EM TEMPO A informação em tempo é enviada quando necessário. Saber as condições do tempo da semana passada não ajudará a decidir qual agasalho vestir hoje. VERIFICÁVEL Finalmente, a informação deve ser verificável. Isto significa que se pode checá-la para saber se está correta, talvez checando várias fontes da mesma informação.
Quadro 4: As características da boa informação
Fonte: Stair (1998, p.6 apud MORAES;FADEL, 2007, p.103-104)
Como adrede citado, esses atributos facilitam a atribuição de valor à informação formal e informal, escrita ou oral. Portanto são orientadores na consecução de serviços informativos por meio de comunicação face a face ou de outros meios. Em se tratando especialmente da comunicação formal ainda é comum deparar-se com ambientes empresariais em que a missão, visão e valores não sejam conhecidos ou em que exista problema quanto à abordagem das informações. Roseli Fígaro (2009a, p.139) anota que na comunicação a “pauta de temas é limitada e não trata de assuntos importantes, inclusive aqueles que transcendem os negócios da empresa”.
E Luiz Chinan (2003) trata da desvalorização da mensagem organizacional como fator que as torna irrelevantes e leva funcionários a se considerarem mal-informados sobre suas empresas. Quanto a isso, o autor enumera cinco problemas relevantes, que são: 1) Envelhecimento precoce da mensagem organizacional pela ausência de dados que a tornem mais duradoura – não basta, por exemplo, a mera descrição do acontecimento; 2) Tratamento ordinário da mensagem organizacional, ou seja, sem destacar a exclusividade que garante a relevância e destaque daquele fato retratado; 3) Mensagem organizacional como uma ilha, isto é, falta de contextualização dos fatos/mensagens organizacionais com a realidade social e individual dos leitores. É preciso mostrar como aquele fato foi conquistado, como está conectado com o mundo e o indivíduo; 4) O didatismo, que é resultado de informações irrelevantes que explicam o óbvio e perdem caráter de ferramenta educativa que o jornalismo, mesmo nas empresas, deve ter; 5) O proselitismo – as mensagens não podem ser baseadas apenas no senso comum ou na autoridade organizacional, precisa contar com fontes fidedignas, que ofereçam informações credíveis.
Ao contrário disso, na opinião do autor, a mensagem deve sensibilizar o leitor enquanto cidadão, profissional ou indivíduo; deve ter a missão de informar, explicar, investigar e educar; pode contar com fontes protagonistas, coadjuvantes, personagens ou especialistas, pode ser escrita como orientação, surpresa, constatação e precisa ter uma apresentação que facilite a organização da informação.
Remetendo a essas mesmas deficiências, Duarte e Monteiro (2009), citando Davenport (1997), lembram que muita informação chega às mãos do usuário de forma pouco atraente e em forma de leitura, o que lhe reduz a possibilidade de impacto sobre o comportamento. Na tentativa de superação dessa deficiência recomendam o uso de táticas que aumentem o compromisso com a informação como: “leitura/visualização, ação/discussão, argumentação/defesa, apresentação/ensino e ao vivo/simulado”. Estão listados ainda atributos de melhoria ao nível de transferência e redução do impacto da sobrecarga de informações, tais quais: “o interesse emocional do conteúdo, a originalidade da situação e a experiência percebida do fornecedor da informação, ou seja, da fonte” (DUARTE; MONTEIRO, 2009, p.344).
Finalmente, ressurge a indispensável avaliação e monitoramento de uso. Algo que se arrisca a comparar com a atenção ao feedback, recomendada por Marlene Marchiori (2008b), no sentido de se constatar se o processo comunicativo realmente atendeu as necessidades dos envolvidos. Essa avaliação sustentará até mesmo o monitoramento das necessidades de informação. Ao lado dessas preocupações, cada vez estimula-se que as equipes de comunicação também estejam atentas à memória organizacional e a atualização de seus grupos em relação a suas histórias, como reforço de identidade e imagem.
Reitere-se que esse processo de gestão da informação na comunicação interna contempla tanto as informações disponibilizadas em veículos produzidos pela gerência de comunicação, relacionados a mensagens institucionais, mercadológicas e motivacionais, como também as que circulam na rede informal. Adriana Beal (2004) ressalva a importância da informação não-estruturada, não no sentido de limitá-la, mas de verificar se as oportunidades de interação dialógica estão sendo utilizadas quando deveriam e como poderiam. E até se essas experiências da rede informal tem sido devidamente divulgadas e documentadas/armazenadas. Mcgee e Prusak (1994, p.220) citam um exemplo interessante quanto ao procedimento de empresas em que os colaboradores, ao conhecerem um novo cliente ou voltarem de uma conferência de que participaram, geram relatórios sobre seus aprendizados e os divulgam, ou reúnem-se com colegas interessados naquelas informações para compartilhar características desse novo cliente ou então temas discutidos no evento, que empresas estavam representadas, o que os participantes diziam, colaborando para o aprendizado de todos.
Mediante tal nível de comprometimento com a informação e o comportamento informacional, a organização estimula o desenvolvimento de competências informacionais, as quais precisam ser compreendidas para que as pessoas “se tornem cada vez mais habilitadas
para o desempenho de suas atividades junto a outras pessoas nas organizações” (MARCHIORI;BARTALO, 2009). E a autora Silvânia Miranda (2006) destaca que a competência informacional mobilizada em situações de trabalho é um requisito do perfil profissional independentemente da área de atuação. Conceitualmente, esse termo também designado em inglês como information literacy, é muito utilizado na área de Ciência da Informação, e reúne atributos imprescindíveis para determinar a autonomia do indivíduo em relação à informação – sua busca, acesso, uso, distribuição.
Vale lembrar que o termo competência, ou ainda competências, é complexo e polissêmico, compreende variadas definições coerentes. A concepção mais resumida define competência como conjunto de conhecimentos (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (saber ser, de preferência, saber ser ético), segundo Beal (2004). De acordo com Belluzo (2007) há inúmeros indicadores que caracterizam pessoas competentes em informação. Uma síntese das habilidades que envolvem as diferentes dimensões dessa competência, segundo essa autora, pode ser estabelecida a partir de indicadores descritos no quadro 5.