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D E RITUELLE SCENENES PLASSERING PÅ TEMPELVEGGENE

4. DET DAGLIGE OFFERRITUALET

4.3. D E RITUELLE SCENENES PLASSERING PÅ TEMPELVEGGENE

JUAN BERNARDINO MARQUES BARRIO

M

eu nome é Juan Bernardino Marques Barrio. Nasci em Goiânia, em 26 de fevereiro de 1955. Então, eu sou “goiano do pé rachado”, como a gente costuma brincar. Sou filho de espanhóis. Meus pais moraram no Brasil no período de 1948 até 1973, que foi quando eu fui embora para Espanha também. Nós fomos todos juntos, e lá eu fiz a graduação no curso de Física, com área de concentração em Astrofísica.

Meu pai e minha mãe, saindo da Espanha em 1948, gastaram 22 dias de navio para chegar a Santos, porque avião era impossível. Eles foram para o interior de Minas tomar conta de uma fazenda, por dois anos, e, depois vieram até Goiânia. Por que Goiânia? Porque eles tinham ouvido falar de um espanhol de uma cidade vizinha à dele na Espanha, que estava em Goiânia. E chegaram sem profissão. Meu pai não tinha profissão; nem ensino médio ele tinha feito.

Ele veio na aventura, por questões de família, já que minha avó, mãe dele, não aceitava o casamento com a minha mãe, assim, eles resolveram ir embora. Coisas normais! E tinha ainda a tal conquista da América, desde o final do século XIX e a primeira metade do século XX. Isso foi muito forte para os europeus, entre eles, muitos espanhóis. E vieram muitos da região da Galícia, motivo pelo qual os espanhóis, em geral, são chamados de galegos. Meu pai não era galego, mas era de uma região, de uma cidade muito próxima da Galícia, na fronteira da Galícia, uns 30 Km. Então, praticamente, era um galego.

Como disse antes, primeiramente, eles ficaram na fazenda em Minas Gerais. Como lá não deu certo, vieram para Goiás à procura dessa pessoa que estava em Goiânia, mas que meu pai não conhecia. Vieram de trem para Goiânia. Inclusive, há histórias interessantes da viagem, como na travessia

da fronteira de Minas com Goiás, que eles tiveram que descer do trem, para poder passar a ponte e o trem passar. Depois, eles voltaram, porque a ponte não suportava o peso.

Meu pai chegou aqui, em Goiânia, e como não tinha profissão nenhuma. Pensou: “- Vou fazer o quê?” Foi fazer churros, vender churros nas festas religiosas e em lugares por aí. A experiência que meu pai tinha era de açougue. Com o tempo, ele acabou montando um açougue. Juntando-se com outro espanhol, eles montaram um dos primeiros açougues que vendia frangos já limpos. Normalmente, no início dos anos cinquenta, você comprava o frango em pé na feira. Cada um matava o dele em casa. Eles não! Eles arrumavam e já davam o frango limpo. Isso foi uma das novidades naquele tempo! Estou falando de cinquenta, cinquenta e cinco, sessenta anos atrás, praticamente.

Quando meus pais vieram para o Brasil, eu tinha uma irmã que veio quando eles já estavam em Goiânia. Outra irmã tinha falecido de sarampo na Espanha antes da vinda deles. E aqui, nascemos, meus dois irmãos e eu, em 1955. Um em 1957 e a outra, depois, em 1964.

Em 1958, aos meus três anos, a família foi para a Espanha. Morei lá entre 1958 e 1962. Nós voltamos quando eu tinha sete anos, justo no início da escolaridade. Só que eu fui alfabetizado lá, e aprendi o espanhol, naquele meu início, entre os meus quatro e seis anos. Chego aqui, e entro na escola. Minha vida escolar foi sempre em escola pública, sempre. Eu nunca estive numa escola particular, e sempre fui um aluno, daqueles “meia-boca”, eu acho, nada de “nerd”.

Em 1973, quando nós voltamos para a Espanha, foi toda a família, inclusive, minha irmã mais velha, que já estava casada com um espanhol. O retorno da minha família para a Espanha tinha dois motivos, basicamente: primeiro, a minha irmã casada tivera duas gravidezes, com nascimentos de crianças que morreram, uma com quatro horas de nascimento e outra com três dias. Os médicos diziam que um dos problemas poderiam ser o clima de Goiânia. Tanto é que, depois, quando voltou para a Espanha, ela teve dois filhos sem nenhum problema.

O segundo motivo era: o Juan queria fazer Física e queria ir para o Rio de Janeiro estudar. E eles acharam: “- Não! Então vamos todos para a Espanha, você estuda lá!”. Foi um pouco para resolver os problemas da família em seu todo. Os irmãos mais novos não eram problema. Por quê? A Cristina, que era a pequena, estava com oito anos e o meu irmão Carlos tinha 15. Só eu que estava com os meus 18 e já estava no final do Ensino Médio, e era início da universidade.

Eu tinha meu gosto pela Física e Matemática. Eram áreas em que eu sempre tive facilidade e sempre acabava passando cola para os colegas. Eram certo poder a mais nas relações. E foi uma vida normal. Participei do movimento

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estudantil. Eu acho que é difícil você pegar alguém, entre os anos 70, 72, no atual Ensino Médio, antigo científico, naquela faixa de 15 a 17 anos, e que não tivesse o mínimo de comprometimento social. Eu não vou dizer nem político, mas que não acabasse se envolvendo de alguma forma naqueles movimentos da época da ditadura. Eu tive amigos que desapareceram nesse período, e que estavam na presidência do grêmio estudantil. E isso me fez, eu diria, de alguma forma, pensar muito na minha vida até hoje. Eu passei a ter sempre uma preocupação muito mais pelo coletivo do que pelo individual. É evidente que a gente não vai fazer nada contra si próprio, mas sempre pensando de forma coletiva, eu posso construir algo que seja melhor para viver. Eu acho que a minha vida estudantil foi pautada por esse certo envolvimento político estudantil. Não era uma liderança. Não, eu era um pouco a massa de manobra que os líderes tinham.

Com relação à Astronomia, o meu primeiro contato se deu de forma explícita e muito marcante no período de 1958 a 1962, com meu avô, pastor, na Espanha, onde eu estive com ele duas noites e três dias na montanha, com as ovelhas. Ele me contava as histórias das constelações. Eu acho que há dois grupos de pessoas que têm um conhecimento fantástico do céu: os pescadores do mar, não de rio, e os pastores.

Ele me contou muita história, mas não foi isso que determinou minha ida para a Astronomia. Porque, na realidade, quando eu fui para a Espanha, também não fui para fazer nada ligado à Astronomia. Queria trabalhar com Física Nuclear. Naquele momento, 1973, a usina de Angra estava em plena ebulição. E eu tinha ouvido algumas coisas sobre esta área do Luis Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Está no governo hoje.

Pinguelli trabalhou com a área de Energia Nuclear no Brasil, naquele momento, e isso me atraiu. Eu queria fazer Física Nuclear. Então, fui para a Espanha fazer Física Nuclear. Tanto é que eu participei, durante algum tempo na minha graduação, em laboratório de energia nuclear, que pesquisavam a produção de energia por fusão termonuclear, com um TOKAMAK.

Eu estudei de 1974 a 80 na Universidade Complutense de Madrid. A turma que entrou nesse ano e foi fazer Física, havia 460 estudantes. Pensar em 460 pessoas fazendo primeiro ano Física, é uma coisa de louco!. Foi uma turma muito grande! .

A graduação era de cinco anos. Eu demorei seis. O primeiro ano, apesar de eu ter um certo controle da língua espanhola, não foi fácil, nada fácil, porque uma coisa é você entender a língua, outra é você ser capaz de raciocinar nela. Eu tive muita dificuldade e, então, foi o primeiro ano em que eu, das quatro disciplinas, passei apenas em uma.

Na Faculdade de Física da Universidade Complutense, tinha um grupo de Astrofísica, no qual eu comecei a me identificar com as pessoas, mais do que

com o conhecimento em si. Assim, houve essa identificação, particularmente, com um professor, José Pelayo (Pepe), e com os colegas de turma.

A partir do 3º ano, nós tínhamos que fazer uma opção. Você ia para Física Teórica, Astrofísica ou Física Meteorológica. Estas eram as áreas. Foi aí quando eu resolvi ir para Astrofísica. Então, apesar da vivencia com meu avô na infância, não é uma coisa de dizer que, desde que eu era pequeno, eu queria isso. Não! Foi uma coisa um pouco acidental, eu diria.

Eu acabei escolhendo essa área e não as outras pelo gosto do conteúdo trabalhado. Chamava-me muito mais atenção e, talvez, até um pouco pela forma da Astronomia, as idas a observatórios. Tudo isso começava a mexer comigo. Fui para o observatório de Granada, fui também a um Centro de Radioastronomia, instalado perto de Madri e estive na Estação de Segmento da Nasa, ali perto de Madrid, a 20km da cidade. E tem também o professor Pepe, que foi também responsável por meu retorno para vir trabalhar no Brasil com Astronomia.

Em 1980, quando eu terminei a graduação, o Pepe tinha o contato com o professor espanhol Teodoro Vives, que estava dirigindo o Valongo1. Na época,

eu vim já com uma recomendação para ir trabalhar, exatamente, no Valongo. O Pepe tinha sido orientando do Vives. O Viver já havia ficado uns anos em Belo Horizonte antes de ir para o Rio de Janeiro. Teodoro Vives é aquele que tem o livro de Astronomia de Posição. Ele era professor na Espanha e veio para o Brasil nos anos 70, para trabalhar na Universidade Federal de Minas, e, depois, foi para o Valongo. Ele voltou para a Espanha, em 1982, e foi dirigir o Observatório Astronômico europeu de Almeria.

Eu terminei meu curso em setembro e, em dezembro, eu estava vindo para o Brasil. Eu vim e a ideia era ficar no Rio de Janeiro. Minha esposa, que também é brasileira, foi para a Espanha em 1978, e nós nos casamos lá. Ela também recebeu um convite para trabalhar na UFRJ na área de Imunologia. Ela havia trabalhado na Espanha num laboratório de Imunologia, de certo nível, de validação internacional e ela iria trabalhar com um pessoal no Rio de Janeiro. Então, aconteceram duas questões muito loucas. A primeira, quando eu chego ao Brasil, o meu pedido de contratação como professor colaborador já estava na mesa do reitor da Universidade do Rio de Janeiro. Isso foi em finalzinho de dezembro e, no dia primeiro de janeiro, o Presidente Figueiredo proíbe as contratações. Foi um período no qual ocorreram aquelas primeiras greves que houve na universidade brasileira, de mudança do plano de carreira. Nesse caso, aqueles professores, que eram contratados como colaboradores, eram convidados e, depois, faziam a efetivação.

Desse modo, minha contratação foi suspensa naquele momento. Isso foi logo no final. Então, era janeiro, eu estava em Goiânia. E o que acontece?

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Até no meio do ano, passados três meses, naquele primeiro semestre, eu tive um contato com a professora Zulema, no Centro de Radioastronomia do Mackenzie. Mas também tive uma possibilidade de ir para lá, para São Paulo, porque eu fui preparado para ser um Astrofísico, não um educador. Na verdade, Astrofísico puro.

Na minha graduação, não era nada de licenciatura. Primeiro, porque, na Espanha, não existe uma distinção e, segundo, porque minha formação inicial era em Astrofísica. Eu brinco com essa questão: Astrofísica de altos voos, não de baixos. Estar lá no mundo do Universo! Portanto, eu tinha uma preparação adequada para aquilo. Essas coisas foram acontecendo.

Por outro lado, o professor com o qual a minha esposa ia trabalhar no Rio faleceu. Então, também foi outro problema! Não é para ir para o Rio. E, portanto, eu fiquei em Goiânia e surgiu um concurso para a Católica2 e, nesse

concurso, eu entrei e passei a ser professor lá. Na Católica, eu fiz concurso para professor de Equações Diferenciais e para trabalhar com Física, como professor de Física Geral nos cursos de Biologia, Engenharia e no curso de Física. Era bem eclético. Lá eu comecei em agosto de 1981.

Também nesse primeiro semestre de 1981, eu fui ao Planetário de Goiânia e falei: “- Bem, já que eu estou por aí...” O espaço que eu teria era o planetário. No Planetário de Goiânia, eu fui para conhecer, fazer um contato e ver a possibilidade de poder também começar a trabalhar lá. Afinal, se eu tinha feito Astrofísica, o espaço daqui, de Goiânia, em que poderia usar esse conhecimento, era o Planetário: “- Deixa eu ver o que tem para mim.” Não tinha nada a ver com a questão educacional.

No planetário, senti algo como “aqui não tem lugar para mim”. Fiquei meio desanimado, que lá não era o meu lugar e, de alguma forma, a gente fica sabendo de coisas que acontecem, onde houve uma articulação exatamente dos gestores da época. Naquele período, o reitor tinha contratado como colaboradores algumas pessoas para ficarem no planetário, mas que não tinham nenhuma formação em Astronomia. E eu acho que eles também sentiram um certo receio, do tipo: “- Puxa, tá chegando alguém.” Também havia o Cláudio, que estava já contratado como astrônomo, e, desse modo, eles podiam pensar: “- Nós vamos ter dois astrônomos aqui!” Eu entendo naturalmente, não guardo rancor. Tanto é que, depois, quando eu entrei no planetário, em 1991, ingressei na vaga que era do diretor naquele momento. Para mim, essas coisas são etapas e fases da vida.

A questão da Educação não começa a aparecer para mim, até 1983, 84. Inclusive, quando eu começo as primeiras aulas na universidade, em 1981, eu era aquele professor bem tradicional, conteudista de “cabo a rabo”. Eu fui dar

aula de Física e, talvez, a melhor coisa que me aconteceu, naquele momento, foi que eu tive que dar aula de Física para a área de Biomédicas. Isso sim foi um desafio!. Um desafio imenso, porque eu comecei a enxergar que eu não podia trabalhar com a Física que eu estava trabalhando com os alunos da Engenharia, da mesma forma que com os alunos da Biomedicina. E isso me levou a começar a pensar que o ensinar já era diferenciado, não podia ser o mesmo. Os conteúdos sim, mas a forma, as metodologias que eu teria que utilizar não eram as mesmas.

Então, eu costumo dizer: “- A melhor coisa que me aconteceu em termos profissionais foi isso.” Poder perceber logo que havia uma diferença. Isso, depois, com o tempo, eu vou adquirindo, em 1983, já dentro do curso, já que, no planetário, não me aceitaram.

Mas, em 1983, foi necessário fazer a reforma curricular no curso de Física da Católica. Na época, eram aqueles cursos de licenciatura em Ciências com habilitação em Física, Geologia e Matemática, que era um pouco aquela licenciatura curta, de três anos. A discussão era de que nós precisávamos criar licenciaturas plenas. Foi o primeiro momento em que eu comecei a pensar em algo ligado a currículo e, em função da minha formação daqueles dois anos anteriores, no ensino da Física para diferentes áreas, eu comecei a perceber que a construção do currículo passava por muitas outras questões que não eram só os conteúdos. Naquele momento, eu consegui já criar um espaço para a Astronomia dentro do curso de Física. Logo, fui construindo um espacinho próprio. Ele foi só meu próprio, mas também entendo que um físico, um professor de Física, do Ensino Médio, que não tiver as mínimas noções de Astronomia, ele é capenga, como pode ser em muitos outros conteúdos, mas, talvez, esse é até mais importante do que muitos outros.

Então, esse foi o começo. Comecei a entender a necessidade da Astronomia de diferentes formas. Criei a disciplina Astronomia, na Católica, que era optativa. Na época, se chamava optativa para qualquer curso da universidade. Portanto, comecei a ter alunos de todos os cursos: da Arquitetura, da Enfermagem, do Direito, e assim por diante, e isso me levou também a começar cada vez mais a pensar de que forma o ensino da Astronomia e o ensino de todas as áreas da Física, que eu trabalhava, tinha que ser feito em função do curso que a gente ia trabalhando, mas, em particular, da Astronomia. Eu tinha feito um mestrado na Espanha, quando terminei em 1980. Poderia ter revalidado, mas não o fiz. Em 1986, eu comecei a fazer o mestrado em Belo Horizonte, tendo o prof. Luis Paulo Ribeiro Vaz, como orientador. O mestrado era em Astrofísica. Nada a ver com Educação. Mas já havia alguma coisa das questões do ensino, e de educação dentro de mim.

Comecei a fazer na Astrofísica. Analisando as variáveis físicas que influenciam na curva de luz de Estrelas Binárias Eclipsantes e como

JUAN BERNARDINO MARQUES BARRIO

poderíamos construir a curva com menos pontos observados. Era uma ponte entre algo observacional e teórico na constelação de Hércules. O problema todo era que, naquele momento, a programação para construir a curva pedia milhares de pontos, o que levava muito tempo nos computadores da época.

Nessa época, houve, também, um momento marcante, que foi a passagem do Halley, e o contato com o público, na observação. A Serra da Piedade abriu seus telescópios para o público. Eu acho que foi o meu primeiro contato com a Educação em Astronomia. Eu senti: “- Estou fazendo alguma coisa na área de Educação”.

Foi uma atividade pública, na qual, conversando com as pessoas, tínhamos que explicar e fazê-las entender o que era aquilo que estavam vendo. Então, eu penso que foi realmente, de verdade, o primeiro momento. Porque, mesmo que eu tivesse criado, já em 1984, 85, a disciplina de Astronomia no curso de Física, não era a mesma coisa. Ainda era aquele ensino muito formal, conteudista, em que eu passava aqueles conteúdos para os alunos da Física. Mas acho que, a partir dali, é que eu comecei. Em 1991, eu fui aprovado no concurso para professor da Federal3.

Vale dizer que eu não defendi a dissertação. Ela ficou pronta, impressa, e o Luis Paulo foi para os Estados Unidos fazer o pós-doc dele, e eu assumi a direção de uma unidade acadêmica da Católica. Isso foi em 1990. O mestrado foi com muita dificuldade, porque eu não tive licença. Então, eu saía daqui de Goiânia nos domingos à noite, viajava de ônibus até 2ª feira cedo, assistia aula 2ª, 3ª e 4ª, à noite, eu voltava, dava aulas 5ª, 6ª e sábado. Isso foi durante um ano, para fazer os créditos. No terceiro semestre, eu tive que fazer a disciplina de EPB4 que era às 6ªs feiras. Como só tinha essa disciplina, precisava viajar

só para ela, pois era presencial. Algumas vezes, os colegas assinavam para a gente, mas nem sempre!

Mas não deu certo de defender. E não deu certo por uma questão muito simples: o projeto que a gente tinha era de como nós construíamos uma curva de luz, usando o menor número de pontos para fazer a integração. Para quê? Economizar tempo de computador. Até aquele momento, entre 1990, mais ou menos, os computadores eram aquelas “vacas sagradas”, aqueles recintos fechados, com ar condicionado, que ninguém podia entrar, onde o operador do computador era uma única pessoa e ninguém mais podia ir naquele espaço. Você chegava com o programa, entregava e voltava dois ou três dias depois para pegar aquele punhado de folhas. Portanto, qual era a ideia? Era economizar tempo ali.

3 Universidade Federal de Goiás. 4 Estudo dos Problemas Brasileiros.

Às vezes, uma integração de uma curva de luz levava 9, 10 horas. E isso, porque eu teria que ter milhares de pontos. Então, nós fizemos a curva de luz simplesmente com 28 pontos para integrar. Assim, o resultado estava pronto, só que, naquele momento, entre o Luís Paulo nos Estados Unidos, eu aqui, assumindo a direção da unidade, surgem os primeiros computadores de mesa. E o que a gente gastava 9 horas para fazer no computador grande, você fazia em dois minutos no computador pequeno. E a dissertação acabou perdendo o seu valor. Não tinha mais sentido, naquele momento.

Inclusive, lá mesmo, em Belo Horizonte, nós começamos a ter, naquele momento, as conexões de “internet”, já via telefone, porque o Luís Paulo