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3 EXPERIMENTAL PROGRAMME

3.5 Curing and preparation of specimens

O Manual de Oslo – Propostas de Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados sobre Inovação Tecnológica foi editado pela primeira vez em 1990 pela OCDE, com o objetivo de orientar e padronizar conceitos, metodologias, construção de estatísticas e indicadores sobre pesquisa de P&D em países industrializados.

No Brasil o Manual de Oslo foi traduzido em 2004 sob a responsabilidade da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos, a partir das edições originais em inglês e francês publicadas sob os seguintes títulos:

Em inglês.

The Measurement of Scientific and Technological Activities — Proposed Guidelines for Collecting and Interpreting Technological Innovation Data: Oslo Manual

Em francês.

La mesure des activités scientifiques et technologiques — Príncipes directeurs proposéspour le recueil et l'interpretation des donnés sur l'innovation technologique: Manuel d'Oslo.

A edição mais recente data de 2005 e a FINEP também fez a atualização do manual em português e, assim como a versão anterior, disponibilizou em seu site da internet http://www.finep.gov.br/. Nessa nova versão foram agregadas as atualizações apresentadas na terceira edição do documento original.

Assim como o Manual de Frascati, o Manual de Oslo também foi elaborado pela OCDE e é a principal fonte internacional de diretrizes para coleta e uso de dados sobre atividades inovadoras.

O Manual de Oslo descreve inovação como:

Inovações Tecnológicas em Produtos e Processos (TPP) compreendem as implantações de produtos e processos tecnologicamente novos e substanciais melhorias tecnológicas em produtos e processos. Uma inovação TPP é considerada implantada se tiver sido introduzida no mercado (inovação de produto) ou usada no processo de produção (inovação de processo). Uma inovação TPP envolve uma série de

atividades científicas, tecnológicas, organizacionais, financeiras e comerciais. Uma empresa inovadora em TPP é uma empresa que tenha implantado produtos ou processos tecnologicamente novos ou com substancial melhoria tecnológica durante o período em análise. (Manual de Oslo, 3ª edição traduzida pela FINEP, 2005).

A partir do conceito de inovação TPP, o Manual de Oslo apresenta os principais componentes dessas inovações e detalha o que é inovação tecnológica de produto e inovação tecnológica de processo.

Inovação tecnológica de produto

A inovação tecnológica de produto pode assumir duas formas abrangentes:

i. Produtos tecnologicamente novos; e ii. Produtos tecnologicamente aprimorados.

Um produto tecnologicamente novo é um produto cujas características tecnológicas ou usos pretendidos diferem daqueles dos produtos produzidos anteriormente. Tais inovações podem envolver tecnologias radicalmente novas, podem basear-se na combinação de tecnologias existentes em novos usos, ou podem ser derivadas do uso de novo conhecimento.

O Manual de Oslo define e exemplifica o que é um produto tecnologicamente novo, facilitando bastante o entendimento do leitor. Abaixo o exemplo do manual para produto tecnologicamente novo:

Os primeiros microprocessadores e gravadores de videocassete foram exemplos de produtos tecnologicamente novos do primeiro tipo, utilizando tecnologias radicalmente novas. O primeiro toca-fitas portátil, que combinava as técnicas existentes de fita e mini fones de cabeça, foi um produto tecnologicamente novo do segundo tipo, combinando tecnologias existentes em um novo uso. Em cada caso, o produto geral não existia anteriormente. (Manual de Oslo, 3ª edição traduzida pela FINEP, 2005).

Produto tecnologicamente aprimorado. É um produto existente cujo desempenho tenha sido significativamente aprimorado ou elevado. Um produto simples pode ser aprimorado (em termos de melhor desempenho ou menor custo) por meio de componentes ou materiais de

desempenho melhor, ou um produto complexo que consista em vários subsistemas técnicos integrados pode ser aprimorado por meio de modificações parciais em um dos subsistemas.

Produtos tecnologicamente aprimorados podem ter grandes e pequenos efeitos na empresa. A substituição de metais por plástico nos equipamentos de cozinha ou mobílias é um exemplo de uso de componentes de melhor desempenho. A introdução de freios ABS ou outras melhorias de subsistemas em carros é um exemplo de mudanças parciais em alguns subsistemas técnicos integrados. (Manual de Oslo, 3ª edição traduzida pela FINEP, 2005).

Inovação tecnológica de processo

Inovação tecnológica de processo é a adoção de métodos de produção novos ou significativamente melhorados, incluindo métodos de entregados produtos. Tais métodos podem envolver mudanças no equipamento ou na organização da produção, ou uma combinação dessas mudanças, e podem derivado uso de novo conhecimento. Os métodos podem ter por objetivo produzir ou entregar produtos tecnologicamente novos ou aprimorados, que não possam ser produzidos ou entregues com os métodos convencionais de produção, ou pretender aumentar a produção ou eficiência na entrega de produtos existentes.

O Manual de Oslo apresenta exemplos de Inovações TPP em indústrias de serviços selecionadas. Não é mera coincidência o MCTI em seu relatório anual da utilização dos incentivos fiscais se utilizar de uma apresentação dos resultados por setor, assim com esses exemplos do Manual de Oslo. Como citamos anteriormente, tanto o Manual de Oslo quanto o Manual de Frascati são referências na área de inovação e entidades públicas, privadas, acadêmicos e profissionais da área de inovação os utiliza como guia.

Segundo o Manual de Oslo, são exemplos de Inovações TPP em indústrias de serviços: Atacadistas de máquinas, equipamentos e suprimentos

 Criação de websites na Internet onde novos serviços como informações sobre produtos e várias funções de apoio podem ser entregues aos clientes gratuitamente.

 Publicação de um novo catálogo para clientes em disco CD compacto. As imagens podem ser digitalizadas e gravadas diretamente no CD, onde podem ser editadas e vinculadas a um sistema administrativo que dê informações sobre o produto e os preços.

 Novos sistemas de processamento de dados.

Empresas de transporte rodoviário

 Uso de telefones celulares para redirecionar os motoristas ao longo do dia. Permite aos clientes maior flexibilidade nos destinos das entregas.

 Novo sistema de mapeamento por computador, usado pelos motoristas para descobrira rota de entrega mais recente (isto é, de um destino para outro). Isto permite oferecer aos clientes entregas mais rápidas.

 Introdução de reboques com oito contêineres em forma de globo, em vez dos quatro habituais.

Empresas de correio e telecomunicações

 Introdução de sistemas de transmissão digital.

 Simplificação da rede de telecomunicações. O número de níveis da rede foi reduzido com o uso de menos centrais de comutação que tenham nível de automação mais alto.

Bancos

 Introdução de cartões inteligentes e cartões de múltiplos propósitos em plástico.  Nova agência bancária sem qualquer pessoal onde os clientes “fazem normalmente seus negócios” por meio de terminais de computadores à sua disposição.

 Banco via telefone, que permite aos clientes realizar muitas de suas transações bancárias por telefone, no conforto de seus lares.

 Mudança de escaneamento de imagem para OCRs Optical Character Readers (em português: Leitoras Óticas de Caracteres) no manuseio de formulários/documentos.

Escritório de apoio “paperless” (sem papéis – todos os documentos são digitalizados para registro em computadores).

Empresas de consultoria e fornecimento de software

 Desenvolvimento de toda uma linha nova de pacotes distintos para os clientes oferecendo aos clientes graus variáveis de assistência/apoio.

 Introdução de novos aplicativos de multimídia que podem ser usados para fins educativos, eliminando-se a necessidade da presença real de um instrutor humano.

 Utilização de técnicas de programação orientadas pelo objeto no desenvolvimento de sistemas de processamento automático de dados.

 Desenvolvimento de novos métodos de gerenciamento de projetos.

 Desenvolvimento de aplicativos de software por meio de computer-aided design (CAD).

Empresas de consultoria técnica

 Novo método de purificação de água extraída de lagos para uso doméstico como água potável.

 Oferecimento aos clientes de novo “sistema de controle de suprimento” que lhes permita verificar se as entregas dos fornecedores estão de acordo com as especificações.

 Desenvolvimento de uma norma para obras de construção em áreas já densamente povoadas (onde é preciso ter cuidado para não danificar qualquer das edificações adjacentes).

Empresas de propaganda e marketing

 Entrega de relações de clientes potenciais em disquetes junto com um sistema de preenchimento de lista (programa) que permita às empresas clientes analisar, elas próprias, e extrair amostras das relações.

 Capacidade de assistir os clientes em campanhas de marketing direto oferecendo-se para distribuir folhetos de propaganda previamente etiquetados, etc., endereçados a domicílios selecionados.

 Iniciar um processo de controle para verificar por meio do telefone com domicílios aleatoriamente selecionados se estão de fato recebendo os folhetos/anúncios que deveriam estar recebendo.

 Entrega de aplicativos de software necessários para que os clientes possam, eles mesmos, analisar os dados junto com bases de dados estatísticos.

Esses exemplos do Manual de Oslo demonstram que a inovação pode ser desenvolvida em setores dos mais diversos, desde a indústria com os bens tangível e maior facilidade de se verificar a inovação, como por exemplo, no setor automotivo quando da invenção de um novo componente para o sistema de injeção eletrônica que reduzirá o consumo de combustível, quanto em uma empresa de serviço, como um banco, uma depositária de títulos e valores mobiliários ou uma bolsa de valores, quando do desenvolvimento de plataformas (softwares) que facilitam a vida dos usuários (sociedade).