4.2 Offensive Great Walls: the U.S.-Mexico Wall & the West Bank Wall
4.3.5 Cracks in the wall: Poïesis, contradiction & unintended consequence
2.6.2.1. Fim do jugo (v. 3)
3. Eis que o jugo (é) sua carga
a opressão (está) sobre seu ombro
a vara que oprimia nele será destroçado como no dia de Midian.
Nesta sub-unidade começa o motivo real pela alegria que as pessoas deveria sentir. Os termos demonstram que o povo estava subjugado por poderes contrários a Javé. As palavras: jugo, opressão e a vara que oprimia, possivelmente referem-se ao trabalho escravo. Ou quem sabe a expoliação por parte de um tirano opressor que poderia ser o próprio rei. Para aqueles, que habitava em regiões de escuridão, o qual era oprimido por políticas e alianças forjadas, só lhes restavam a esperança do raiar de um novo dia, ou seja, o iluminar da presença de Javé em meio a escuridão da opressão.
Quando da política externa Assíria, o rei de Judá chegou a ficar no segundo estágio de vassalagem, o qual deveria pagar pesados tributos. E nesse contexto o povo é quem tinha de submeter-se à expoliação pelas dívidas externas e internas, pois eles eram os responsáveis pelo suprimento da corte, bem como aqueles que detinha o poder.
Para o povo a notícia de uma luz que brilha na escuridão, e ainda, o fim daqueles que os oprimia o faz recordar o momento histórico em que Gideão (Jz 7) que nem chegaram a lutar contra os midianitas e venceram. Segundo texto
no v. 20 “na mão esquerda levavam as tochas acesas, e na direita as trombetas”. Mais interessante é o fato do profeta relembrar um acontecimento traditivo do reino do Norte neste contexto de anúncio de um novo momento para o Sul. Certamente, para o profeta essa criança que nasceu haverá de restaurar a aliança entre os irmãos do Norte e do Sul.
Com o raiar deste novo dia que seria iluminado, o povo vislumbrava um momento histórico novo. O horizonte do profeta se concretiza nos v. 5-6, com a instauração de uma criança que promoverá e consolidará a paz e a justiça. Estranha e maravilhosamente uma criança é o ponto de partida num ambiente de guerra e opressão que chega ao final.
2.6.2.2. Fim da guerra (v. 4)
4. Eis que toda bota que pisa com estrondo e roupa revolvida em sangue
servirá para queima e alimento do fogo.
Há nesta sub-unidade o segundo motivo da alegria, a saber, o fim da guerra. O profeta chama atenção dos seus ouvintes mais uma vez através do ki, e aponta o porque da celebração. Mais uma vez Isaias utiliza-se de instrumentos bélicos para aludir ao fim da opressão.
Com o fim da guerra tanto a bota como a roupa, ornamentos que trazem honra para quem as usa, só servirão para serem queimados e nada mais. Para Croatto esse versículo aponta para o fato de que a opressão terminou e guerra se esvaiu, portanto “não deve restar memória da guerra”.144
O fim de uma era marcada pela guerra é motivo suficiente para alegrar- se diante da face de Javé, no entanto ainda há motivo de alegria, afinal uma criança foi dada para nós, é o que se apresenta nos versos seguintes.
144
2.6.2.3. Nasce a criança (v. 5)
5. Eis que um menino nasceu para nós, um filho foi dado a nós, e será principado sobre os seus ombros e chamará seu nome Maravilhoso conselheiro Deus forte
Pai do tempo perpétuo e Representante da paz.
Primeiro houve o fim da opressão (v. 3), segundo o fim da guerra (4), agora nasce uma criança (v. 5). Há neste poema um resgate da dignidade perdida. Com o fim da opressão o direito e a justiça são observados, com o fim da guerra se estabelecerá a paz. Crianças não ficarão órfãs, mulheres não ficarão viúvas. A sociedade poderá se estabilizar com trabalho honesto e sem medo de que no amanhã haja convocação para os campos de batalha.
Portanto, no v. 5 chega-se ao ponto central da profecia, um menino nasceu para nós. Todo o poema culmina na sentença do nascimento da criança, esta que foi dada, e que trás em seus ombros a esperança por dias de paz. Esta criança já é anunciada como aquela que trará ao povo a alegria de um novo tempo, pois ele nasceu para nós, foi dado a nós. Para Croatto, esta alegria é bem caracterizada, uma vez que:
Termina a opressão (v. 3), termina a guerra (v. 4): por isso a alegria. Mas a alegria tem um terceiro motivo: o nascimento de alguém que terá um nome excelso e estará carregado dos grandes atributos da equidade e da justiça. Não é agora o caso de alguém que descreve o regozijo pela libertação próxima (v. 1-4), mas são os próprios oprimidos e dominados que entoam o anuncio/ação de graças: “um menino nos nasceu, um filho nos foi dado”. É difícil encontrar aqui uma referência a
entronização de um rei (simbolizada no nascimento na esfera divina).145
Este texto aponta, portanto, para um novo projeto messiânico em Isaías, ou seja, um momento de estabilidade na qual a criança é o ponto vital para o acontecimento futuro.
e chamará seu nome Maravilhoso conselheiro Deus forte
Pai do tempo perpétuo e Representante da paz.
A criança tem um nome, ela nasce já com uma identidade. Sabe-se que o nome no Antigo Testamento tem uma importância muito grande. Com ele atribui-se característica própria de cada pessoa. E esta criança nasce com insígnias de príncipe, ao que parece, de origem egípcia. O que também demonstra que seu campo de atuação não se restringe a Jerusalém, ou Judá, mas a todas as nações. Segundo Alonso Schökel e Sicre Diaz, a criança,
Recebe quádruplo nome: quatro cargos da corte, evitando o título de rei – ‘conselheiro’, ‘general’, ‘pai’, ‘principe’ – cada um com determinação que o eleva à esfera divina –‘milagre’, ‘Deus’, ‘eterno’, pacífico’.146
O fato da criança não receber o título de rei é significativo, pois naquela circunstância a pessoa do rei não tinha uma boa reputação. Isso porque eles eram aqueles que foram colocados por Javé, mas não cumpriram sua tarefa de fazer valer a justiça e o direito. Esta omissão, também se constitui uma crítica à realeza naquele instante, pois no contexto do “livro do Emanuel”, o rei não ouve a palavra de Javé através do profeta.
145
CROATTO, J. Severino. Isaías vol 1: 1-39. p. 75.
146
Assim, a criança que nasce aponta para um novo tempo em que haverá uma paz sem fim.