4.2 Offensive Great Walls: the U.S.-Mexico Wall & the West Bank Wall
4.2.1 Between peaceful neighbours: ‘The Great Wall of Mexico’ (1996-present)
O aspecto messiânico de Judá aparece em Gn 49,8-12,63 que para Schwantes é uma composição de ditos do 10º século a.C. Essa tradição foi guardada pelas tribos do Sul os quais “teriam seu ‘lugar vivencial’ no encontro das tribos, seja por ocasião de ações militares conjuntas (veja Juízes, 5,14-18) ou de outra solenidade (veja Josué 24)”,64 assim essas tradições foram conservadas no encontro das pessoas para a celebração do lugar comum das tribos.
Judá tornou-se uma grandeza política, possivelmente, através do “povo da terra”, um grupo socialmente organizado do qual faziam parte os
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SIQUEIRA, Tércio Machado. “O rei menino”. In: Revista Estudos Bíblicos, nº 54. São Leopodo/Petrópolis: Sinodal/Vozes, 1997. p. 32.
63
Sobre o messianismo de Judá em Gn 49, 8-12 ver: BAILÃO, Marcos Paulo M. C. Até que venha de Silo: Um estudo do messianismo pré-monárquico a partir de Gênesis 49,8-12. S.B. Campo: Umesp, 1994. (Dissertação de Mestrado) 194p.
64
SCHWANTES, Milton. Marcas de um projeto político-messiânico de Judá – Gênesis 49,8-12, Uma antiga voz judaíta. São Paulo: s/Ed., s/data. p. 2.
camponeses da região da Sefelá, como fora aludido anteriormente.65 Sobre a importância das terras de Judá, neste ambiente político, Faria salienta o seguinte:
As terras do Reino do Sul, Judá, estavam divididas em duas regiões: a) Oriente: deserto de Judá que produzia ovelhas e queijo. Região dos pastores. b) Ocidente: planície fértil, chamada de Séfela, propícia para a cultura de oliveiras, sicômoros, cereais e frutas. Região de agricultores. Essas duas regiões tinham a cidade-estado, Hebron, localizada na parte meridional das montanhas de Judá, como o lugar estratégico de comércio entre oriente e ocidente. O acordo comercial entre pastores e agricultores possibilitavam o fortalecimento do reino de Judá.66
Em Judá, conforme Schwantes, a agricultura e a pecuária estão próximas, uma vez que se tem “criadores de ovelhas e cabritos; havia habitantes na Serra e no Deserto de Judá são marcados pelo pastoreio. As poucas chuvas nestas regiões dificultam a agricultura, em alguns casos havia a formação de muitos rebanhos nestas regiões (1Sm 25)”.67 Em contrapartida, também existiam aqueles que viviam na região produtiva da Sefelá. Havia até os que conjugavam estes dois tipos de produção: agrícola e pastoril. Essa é a conhecida Judá, grupos sociais sob o mando do campesinato.68
Dessa forma, nesta região marcadamente campesina é cultivada a tradição de Davi pastor de ovelhas, que também faz parte deste conjunto sócio- político, e mais tarde teve contornos teológicos muito específicos, no que se refere ao messianismo. A região de Judá conservou, portanto, a história traditiva de um messianismo anti-palaciano, e ao mesmo tempo, anti-sionita.
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Há quem defenda que a ascensão de Davi ao governo foi efetivada pelo apoio recebido deste grupo, bem como dos mercenários que o acompanhava quando ele fugia de Saul (2Sm 22).
66
FARIA, Jaci Freitas. “Essa é a história de Israel?”. p. 25.
67
SCHWANTES, Milton. “Esperanças messiânicas e davidicas”. p. 21.
68
Um dos expoentes dessa tradição de Judá, e aqui da teologia messiânica do campo, é o profeta Miquéias. Este que é contemporâneo de Isaías. Miquéias, que significa quem é como Javé,69 foi o último profeta bíblico do século VIII a.C. Natural da aldeia da Sefelá, em Judá, chamada Morasti-Gati (1.1; Jr 26.18) localizada a 35 km oeste de Jerusalém. Conjectura-se que Miquéias pode ter sido um camponês pobre, um trabalhador do campo ou um proprietário de terra. Mas o que interessa a esta pesquisa é o fato de sua profecia apontar para um messianismo característico do campo.
Miquéias proclama sua mensagem contra as capitais, Samaria e Jerusalém, centros de influência da nação (Mq 1,1). Entretanto, este profeta reconhece a importância geográfica destas capitais no que se refere às transações comerciais. Conforme Milton Schwantes,
Jerusalém é indispensável. Miquéias chega a designá-la como ‘porta de meu povo’. No caso, ‘meu povo’70 são os habitantes de Judá (...). Judá necessita, pois de Jerusalém. E esta cidade é basicamente uma entidade comercial, uma ‘porta’ de chegada e de saída dos produtos: saída da produção de Judá
69
AMSLER, Samuel, et all. Profetas e os livros proféticos. São Paulo: Paulinas, 1989. p. 121.
70
Em Miquéias 6,3 e 5, e outros textos, encontra-se a expressão vocativa “meu povo”. Mas a quem o profeta se dirige ao usar tal expressão? Esta é uma pergunta latente nos textos devido a perícope enunciar como receptores do oráculo “Israel”, “meu povo” e “humanidade”. A primeira vez que ocorre “meu povo” (‘ammi) no Antigo Testamento é em Ex 3.7, onde Deus fala da aliança com os descendentes de Abraão, pois o “meu povo” ali estava sob o poder dos egípcios. Pode-se observar neste texto um primeiro apontamento para saber quem é este “meu povo”, de vez que o texto relata um povo exilado e oprimido. Na monarquia, segundo Siqueira, o “meu povo’ são os camponeses leais ao davidismo” e quem transmite as idéias desse povo são “pelo menos dois possíveis transmissores das tradições do povo da terra: os anciãos dos camponeses do interior de Judá, que Jeremias denomina ‘anciãos da terra’ (26,17-18) (...). É possível supor que as denominações: anciãos da terra e meu povo sejam da mesma grandeza do povo da terra”. Para Schwantes, em 1,9 o “meu povo” são os habitantes de Jerusalém que nada faz, mas sofre pelas injustiças de ricos e poderosos, além de serem desnorteados pelos falsos profetas. Meu povo’ é em geral, a totalidade do sofrido povo de Deus e, em especial, os moradores de Jerusalém acuada (...), estes não são os que antes eram ‘Jacó’ e ‘Israel’ exploradores. Ou seja, este ‘meu povo’ é o povo sofrido e que Jerusalém passa a ser a “porta do meu povo”. O “meu povo”, portanto, eram os camponeses oprimidos, agricultores empobrecidos, da região da Sefelá, os quais eram empobrecidos à espoliação por parte dos latifundiários e chefes da nação. Para maiores esclarecimentos sobre “meu povo”, conferir: SCHWANTES, Milton. Meu povo em Miquéias. Belo Horizonte: CEBI, 1989. (Cadernos do CEBI nº 15). e SIQUEIRA, Tércio Machado. O Povo da Terra no período monárquico. SBC: S/Ed. 1997, p. 52. Conferir também: HAHN, Noli B. A profecia de Miquéias e “meu povo”. Memórias, vozes, experiências. S.B.Campo: Umesp, 2002. (Tese de Doutorado) 283p.
(carnes e cereais), chegada de mercadorias internacionais. Portanto, Judá passa por Jerusalém.71
Deste modo, observa-se que Jerusalém tem a sua importância para Judá, mas não como centro de culto ou de procedência messiânica. Através do profeta Miquéias, Javé roga a Israel e a Judá que volte para Ele, abandonando a injustiça e o culto a outros deuses.
Além deste aspecto há que se ressaltar na profecia de Miquéias a tradição messiânica que provém de Belém, “Mas tu (Belém), Éfrata, embora a menor dos clãs de Judá, de ti sairá para mim àquele que será dominador em Israel. Suas origens são de tempos antigos de dias imemoráveis” (5,1). De acordo com Von Rad,
o oráculo messiânico de seu contemporâneo (Isaías), Miquéias há de ser interpretado no mesmo sentido: se o profeta se dirige ao clã dos efraimitas de Belém, de que saiu Davi, e prediz que deste clã nascerá ‘aquele que há de reinar sobre Israel’ (môschêl, Mq 5:1), é que Javé recomeça sua obra messiânica e a retoma exatamente no lugar donde a fez partir da primeira vez, isto é, de Belém.72
Ainda se destaca o fato de que para Miquéias em 5,3, o messias, ungido de Javé, “apascentará o rebanho pela força de Javé”, a saber, o messias seria alguém do âmbito pastoril, do campo. Para Miquéias, o messias não pode vir de Jerusalém, uma cidade corrompida pela injustiça (Mq 3,9-12). O ungido de Javé deveria ter “suas origens de tempos antigos, de dias imemoráveis” 5,1b. Esta referência diz respeito à tradição davidica do campo, ou seja, quando Davi foi procurado por Samuel para ser ungido rei (1Sm 16), ele estava apascentando o rebanho de seu pai, e pertencia à Belém de Judá. A este respeito, Schwantes assevera o seguinte:
71
SCHWANTES, Milton. “Esperanças messiânicas e davidicas”. p. 21.
72
O davidismo está vinculado à pequenez da vila de Belém, não à arrogância exploradora de Jerusalém (3,9-12). Neste sentido, não ha contradição maior entre uma postura anti-Jerusalém e outra pró-Davi, pois ambas estão enraizadas na mesma realidade: têm sua origem no campesinato judaíta, do qual Miquéias é porta-voz. Os camponeses se opõem à incorporação do davidismo ao mundo cortesão da capital.73
Destarte, encontra-se no texto de Miquéias uma importante tradição messiânica do campo, do qual o Novo Testamento também evoca, por exemplo, em João 10 quando Jesus se revela utilizando a figura do “bom pastor”. Ou ainda alguns sinóticos que descrevem o nascimento de Jesus em Belém (Mt 2,1; Lc 2,4).