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Continued insurgency and elevated US cooperation

As duas concepções - a primeira, a que se restringe à percepção de estímulos embutidos e a outra, referente à percepção daqueles que estão subentendidos -, no entanto, não negam o poder de influência que essas apreensões despercebidas provocam na mente humana. São defensoras da idéia de que essas mensagens atuam como armadilhas, ou armas

de poder, ou uma cartada final que pessoas – a fonte, segundo seus interesses - possam usar para o ataque a mentes desprovidas de defesa.

Essa idéia se popularizou, o que se tornou comum pensar que em tudo pode haver uma marca de subliminar. De fato, essa idéia ganha força e, mais ainda, um reforço quando as pessoas passam a exercer o papel de “caçadores de subliminar”. Para esses olhares detetivescos, uma forma, um esboço, um contorno, um contraste, uma cor que sugerisse algo mais daquilo ali representado, já podia ser considerado uma técnica subliminar. E dessas demonstrações, milhares de páginas da internet estão repletas. Ser um caçador de formas no corpo da mensagem passou a ser, talvez, uma maneira de se poupar dessa guerra da invasão subliminar.

Em contrapartida, Reis (2004), integrante do Projeto Ockham, afirma que procurar mensagens subliminares escondidas em propagandas – os iconesos para Calazans (1992, p. 44) -, como imagens de mulheres nuas em copos de vodcas, genitália masculina ou feminina, palavras obscenas, é a mesma coisa que procurar formas familiares em nuvens ou manchas. Para descrentes de fenômenos dessa natureza, a pareidolia fornece explicação psicológica: “é um tipo de ilusão ou percepção equivocada em que um estímulo vago ou obscuro é percebido como algo claro e distinto”, no entanto, essas formas identificadas não têm nenhum significado (REIS, 2004).

Uma Organização Não Governamental de Estudos e Pesquisas em Mensagem Subliminar, fundada por professores e pesquisadores em maio de 2002, com sede em São Vicente – SP, tem por objetivo desenvolver análises de casos veiculados pelas mídias. Esse grupo promove palestras, conferências e seminários sobre o tema, assim como divulga a ocorrência de emprego de mensagens subliminares (mensagens subtextuais, nas entrelinhas de letras de músicas, gestos nas coreografias). Revelações apresentadas por esse grupo mobilizaram algumas ações penais contra algumas empresas, dentre elas, MTV. Declaram ter a seu favor provas que documentam os casos denunciados (ONG MENSAGEM SUBLIMINAR, 2006).

Buscando analisar os efeitos de mensagens subliminares, uma pesquisa apresentada pelo Committee on Thechnique for the Enhancement of Human Performance (Comitê em Técnica para o Aumento da Performance Humana) revelou que produtos de auto- ajuda subliminar podem apresentar resultados positivos – benefício anunciado pelo produto - mesmo não contento mensagens embutidas. Uma série de fitas avaliadas – de áudio e de vídeo produzidas e comercializadas por algumas empresas nos Estados Unidos – não continham

mensagens subliminares. Enquanto que nas instruções que acompanhavam o material indicava o contrário (DRUCKMAN; BJORK, 1991, p. 112). O conteúdo dessas fitas prometia um melhor desempenho pessoal (saúde, aprendizado, livrar-se de vícios etc.). No entanto, mesmo não contendo estímulos subliminares, parte das pessoas testadas acreditava que essas fitas haviam produzido o efeito anunciado. Considera-se que esse resultado esteja ligado à crença do experimento vicarista, que se popularizou na segunda metade do século XX.

Um estudo sobre o novo poder das comunicações de massa, demonstrando como se constrói o discurso das propagandas silenciosas - televisão, cinema e internet, que atuam como fábricas de ideologia, e visam ditar regras e modos de vida, de certa forma, exercendo um controle sobre o pensamento do receptor -, é apresentado por Ramonet (2002, p. 21). “É tanto mais fácil dominar, quando o dominado permanece inconsciente”, afirma esse autor. Assim como se induz a compra de produtos, induz-se a compra de idéias. Neste sentido, esse autor partilha da mesma linha de pensamento de Ferres (1998).

A necessidade que se potencializa no receptor para o consumo de produto, serviços e, em especial, idéias, é um poder exercido pelas mídias modernas.

Trata-se de revolução copernicana. Antes a mídia vendia informação (ou distração) a cidadãos. Agora via Internet, vende consumidores e anunciantes. Doravante, a mídia não se dirige a nós para transmitir-nos informações objetivas, mas para conquistar nosso espírito (RAMONET, 2002, p. 20).

Para esse autor, essa é uma forma de propaganda silenciosa, que, de forma velada, comercializa ideologias. Estão presentes nas narrativas cinematográficas e televisuais, bem como nos comerciais publicitários e internet. É persuasão clandestina.

Comerciais publicitários para televisão têm como característica estabelecer uma ação de frente, de impacto, já que o tempo de duração é curto (média de 8 a 30 segundos). Podem, até, ser produzidos com uma única imagem. Esse procedimento tornaria a publicidade invisível, imperceptível, caracterizando-a como imagem subliminar. Mas até que ponto uma imagem não percebida pode afetar o julgamento de uma pessoa? Esta é uma questão que, há mais de um século, inquieta muitos especialistas, esclarece Ramonet (2002, p. 47).

O mesmo autor aponta que alguns estudos não evidenciam que uma pessoa possa agir sob influência de uma percepção subliminar, enquanto outros sustentam que a influência existe. Complementa que “Experiências provaram que esse tipo de propaganda

silenciosa não suscita, a rigor, senão necessidades grosseiras (vontade de beber, comer, de fumar, refrescar-se) e não pode absolutamente impor uma marca precisa de produto”. A duração do efeito subliminar é muito reduzida. Não se mantém por tempo suficiente para uma pessoa deslocar-se a um supermercado para adquirir o produto. Há um esvanecimento do efeito (MERIKLE apud RAMONET, 2002, p. 48). São os estímulos ligados ao conceito de imagens taquicoscópicas, a quarta técnica apontada por Key (1996).

Tiski-Franckowiak (2000a, p. 62) faz uma crítica quanto à impropriedade do emprego, por Key (1996), de termos e conceitos psicanalíticos e comportamentalistas. Quando esse autor descreve a técnica subliminar de figura/fundo que esta se dá na região central da retina, portanto visão consciente e aquela na região periférica, por isso subliminar, concepção reiterada por Calazans (1992, p. 40). A autora contesta, “Nada disso acontece, pois os olhos são apenas receptores e retransmissores dos efeitos luminosos. Quem decide se um estímulo é consciente ou inconsciente é o cérebro, os olhos não interpretam”. Ferrés (1998, p. 27) também confirma que:

Se o homem percebe como percebe não é pela retina, mas pelo cérebro. O olho atua como um simples sensor. É o cérebro que processa os sinais luminosos enviados pela retina. É a mente que realiza a operação de estruturar as formas, conferindo-lhes significação.

Para comprovar essa técnica, Tiski-Franckowiak (2000a, p. 62) realizou uma experimentação para testar os efeitos subliminares de um dos experimentos, citados por Key (1996, p. 127), o qual já mencionado acima, sobre a imagem estampada em camiseta, em que a palavra sex estava embutida no meio das hastes de quatro flores, formando o efeito de figura / fundo. O autor confirma que a venda elevada se deu pelo fato de seu efeito subliminar. Enquanto Tiski-Franckowiak (2002a, p. 62) afirma que: “Ambas as figuras suscitaram efeitos emocionais perturbadores. Não tanto pela palavra sex, mas pela posição e pelos efeitos sugestivos, visíveis das flores. Podemos notar que o efeito subliminar foi muito pequeno”.

Ramonet (2002, p. 47) cita um experimento de 1989, matéria publicada em Le Monde, jornal francês de 2 de setembro de 2002, realizado pelo pesquisador Boris Sidis, em Havard, em que os sujeitos-cobaia que apenas distinguiam um “ponto-vago” em cartões colocados a distância, foram capazes de nomear as letras, e o número de acertos foi superior ao que resultaria do acaso.

Os que assumem de forma radical mostrar os efeitos desse fenômeno, dentre eles Key (1996), asseguram que muitas pessoas têm consciência do poder de persuasão das mensagens publicitárias e, até, são capazes de identificar alguns mecanismos que são utilizados para influenciar o seu comportamento. No entanto, esse conhecimento não é suficiente para torná-las imunes a essas influências.

Há consonância entre Ramonet e Ferrés, ao defender a existência de mensagens dissimuladas no engendramento do discurso. Este mais extremado em relação aos efeitos e aquele menos radical. Calazans se mantém na linha de frente ratificando a idéia de estímulos enviados por meio da técnica taquicoscópica – os iconesos. Enquanto Tiski- Franckowiak alerta para a distinção entre estímulo condicionante (exposição instantânea) e estímulo subliminar (exige mais tempo de exposição), caracterizando indução subliminar. Sendo assim, para esta autora, projeções taquicoscópicas ou outras exposições instantâneas não passam de estímulos condicionantes.