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Comparing the conclusions to the empirical data

A compreensão e a interpretação estão no ato de traduzir um pensamento em outro pensamento. Esta ação se dá num movimento ininterrupto. Esse movimento se dá porque o signo, na sua relação triádica, tem uma ação bilateral. De um lado, está o objeto representado, algo fora dele; de outro, uma mente interpretadora que irá processar aquele signo em outros signos (SANTAELLA, 1999, p. 52). Pignatari (1974, p. 28) complementa, frisando que é nesse processo que o presente, de tal modo, se funde com o passado recente que torna um devir inevitável. Estamos, assim, na semiose.

No sentido peirceano, semiose (do grego semeiosis; sufixo – sis = ação ou processo) significa ação interpretativa por meio de signos (VALENTE; BROSSO, 1999, p. 81). A semiose está ligada a um crescimento contínuo. Para compreender o processo de semiose, é preciso entender o modo de funcionamento do Signo a partir de sua relação com o Objeto e o Interpretante. Esta passagem de Santaella (2001, p. 43) é valiosa para apresentar o papel que cada um desses elementos desempenha na relação triádica bem como para prestar esclarecimentos sobre os equívocos que a questão terminológica pode levar.

A ação que é própria do signo é a de determinar um interpretante, quer dizer, ação do signo é a ação de ser interpretado em um outro signo, pois o interpretante tem a natureza de um outro signo (mesmo que seja um signo rudimentar, um sentimento, por exemplo, ou uma percepção ou uma ação física ou mental). Objeto não é sinônimo de coisa, embora aquilo que chamamos de “coisa” possa de fato, ser objeto do signo.

Interpretante não é sinônimo de intérprete, embora a figura do intérprete, de fato, corresponda a um dos níveis de interpretante (o interpretante dinâmico). Interpretante também não é sinônimo de interpretação, pois a interpretação se refere ao processo inteiro de geração dos interpretantes.

Com esses esclarecimentos, fica compreensível que, na ação sígnica, o Signo é um primeiro, o Objeto é o segundo, e o Interpretante é o terceiro. Dessa relação, outras e mais outras vão se formalizando, o que é, na verdade, a produção de outros signos, levando, assim, a semiose sempre adiante. Ao signo que alcança esse nível, dá-se o nome de signo genuíno. Contudo, Peirce levou longe a noção de signo, considerando que qualquer coisa que esteja presente à mente tem a natureza de um signo.

Na sua noção ampliada de signo, tudo que é apreendido na consciência, de algum modo e em alguma medida, pode-se considerar como uma espécie de signo. Sendo

assim, fica muito claro que signo não se restringe à linguagem verbal e formas de representação de domínio humano. Todavia, o recorte da ação semiótica nesta investigação está voltado para representações sígnicas em mentes humanas e, para melhor situar nosso objeto, nessa rede complexa da semiótica peircena, vamos tomar os atalhos que nos conduzirão mais precisamente onde intentamos chegar: a relação triádica do signo.

Defino um Signo como qualquer coisa que, de um lado, é assim determinada por um Objeto e, de outro, assim determina uma idéia na mente de alguém, esta última determinação, que denomino Interpretante do signo, é, desse modo, mediatamente determinada por aquele Objeto, Um signo, assim, tem uma relação triádica com seu objeto e com seu interpretante (CP. 8.343).

É importante relembrar, como já exposto anteriormente, que a semiótica peircena abarca todas as formas de linguagem, das naturais às artificiais. Assim, signo, nesta teoria, é tão amplo quanto é o conceito de linguagem, visto que signo e linguagem estão impressos um no outro. Nesta passagem de Peirce (Ms 774, p. 4 apud SANTAELLA, 1994, p. 157), torna-se possível visualizar o entrecruzamento de signo e linguagem:

[...] incluindo sob o termo “signo”, qualquer pintura, diagrama, grito natural, dedo apontando, piscadela, mancha em nosso lenço, memória, sonho, imaginação, conceito, indicação, ocorrência, sintoma, letra, numeral, palavra, sentença, capítulo de um livro, biblioteca, e, em resumo, qualquer coisa que seja, esteja ele no universo físico, esteja ele no mundo do pensamento, que – quer corporifique uma idéia de qualquer espécie (e nos permita usar amplamente esse termo para incluir propósitos e sentimentos), quer esteja conectada com algum objeto existente, que se refira a eventos futuros através de uma regra geral – leva a alguma outra coisa, seu signo interpretante, a ser determinado por uma relação correspondente com a mesma idéia, coisa existente ou lei.

Nessas palavras, encontra-se o suporte para ancorar este estudo. Considerando que o objeto desta investigação volta-se para as apreensões de nível subliminar no ato perceptivo, deve-se levar em conta, de início, o modo como os elementos visuais se fazem representar na mensagem. Deve-se compreender o engendramento desses elementos na urdidura da mensagem que os levam a se mostrar ora mais significativos ora menos, ora mais eloqüentes ora mudos, ora mais visíveis ora velados. A mensagem de um anúncio publicitário se constitui a partir de palavras (texto, nome da marca, o slogan), de figuras e fotografias e ainda todos os recursos ali empregados os quais conferem qualidade ao compósito da peça (contraste, tonalidade, forma, cor, textura, dimensão etc.). Quando Peirce (CP 8.343) classifica Signo como qualquer coisa que se apresente à mente de alguém, entende-se,

portanto, que os elementos presentes nesta forma de comunicação – o anúncio – estão aptos a funcionar como signo. Dada a natureza que um signo pode assumir nessa relação, pode-se afirmar que o modo como um determinado elemento visual se faz representar na mente de um leitor de revista resultará em apreensões de diferentes níveis, dentre os quais se pode conferir o subliminar.

Os níveis de apreensão, no ato da percepção, podem ser explicados a partir da relação Signo/Objeto/Interpretante. Resultante dessa relação, um signo poderá funcionar como tal, porém estar configurado em diferentes gradações, sempre caracterizado pelas tríades semióticas, e sendo assim pode ou não vir a ser interpretado. Santaella (2001, p. 43) apresenta o signo em sua estrutura completa:

(1) o signo é uma estrutura complexa de três elementos íntima e inseparavelmente interconectados: (1.1) fundamento, (1.2) objeto e (1.3) interpretante. (1.1) O fundamento é uma propriedade ou caráter ou aspecto do signo que o habilita funcionar como tal. (1.2) O objeto é algo diferente do signo, algo que está fora do signo, um ausente que se torna mediatamente presente a um possível intérprete graças à mediação do signo. (1.3) O interpretante é um signo adicional, resultado do efeito que o signo produz em uma mente interpretativa, não necessariamente humana, uma máquina, por exemplo, ou uma célula interpretam sinais. O interpretante não é qualquer signo, mas um signo que interpreta o fundamento. Através dessa interpretação o fundamento revela algo sobre o objeto ausente, objeto que está fora e existe independente do signo.