• No results found

Constructing an RDF model based on the Lucene query output

Chapter 3: Implementation

3.3 Executing SPARQL filter clauses through Lucene

3.3.3 Constructing an RDF model based on the Lucene query output

Fonte: Acervo da pesquisa, julho de 2009

Em outro momento, quando conversava com o velho Joãozito, no interior de sua casa, ele narrou-me um caso que agregava alguns elementos próprios da vida cotidiana, como o andar de canoa, caçar e pescar, mas que destacava uma imagem que reproduzia, fortemente, o momento em que os soldados que conseguiram chegar a margem e trepar nas árvores, foram assassinados, resumia-se pelo que lembro, a ida de um conhecido caçador do lugar, que foi até as ruínas do Aproaga, para ficar na espera (esperando a caça), que de repente, viu em uma árvore, três grandes preguiças pretas, preguiças reais, que se acotovelavam, tentando se

198

pendurar na copa da árvore. O homem vários tiros disparou, atingindo os três animais que caíram sobre ele, fazendo disparar mais uma vez a arma, tiro que o atingiu mortalmente, segundo contou, a morte mal explicada do homem, era alvo de diferentes narrativas.

Navegando pelo rio Capim, quando retornava à Sant’Ana, na rabeta chamada Fobléia, tendo a bordo, Alumínio, Guri e menino José no comando da embarcação, em que tentamos sem êxito, chegar às ruínas do engenho Taperuçu, o que não se concretizou, pois a maré dobrou e no caminho de retorno desci na Tapirinha, e encontrei D. América, após me receber em sua casa, quando ouviu falar da Cabanagem afirmou que:

“Eu ouvi dizer que veio essa guerra até ali na foz do Pyrajauara. Quando veio na foz do Pyrajauara o pessoal quis arrecuar e não chegaram a chegar pra cá né. O navio não teve como passar aí de lá mesmo, eles voltaram tudinho, os soldado, e desde esta época não voltaram mais. Meus irmãos foram sorteados, tinha um velho que botava os homens pra guerrear. Tinha que ser bom, ter dente bom, os meus irmãos: o Dudu, e Jorgito e Maromba então eles botaram pra ser soldado, então o papai fez uma promessa pra Nossa Senhora de Nazaré que eles nunca viesse de lá para cá, virem buscar meus irmãos, que eles foram sorteados, que eles toda vez que tivesse festa pra Nossa Senhora de Nazaré eles iam servir de escravos pra ela durante a vida deles e, olhe, graças a Deus nunca foram pra guerra, foram sorteados, mas morreram e não foram pra guerra nenhuma”, (entrevista aberta, outubro de 2009).

De tocaia na margem do rio, escondidos pelos troncos ou protegidos por uma trincheira de Acapu, construída pelos revoltosos na beirada de baixo do Pyrajauara. Fazendo uso das armas e informações fornecidas por Cabralzinho, aproveitando-se inclusive do ponto mais estreito do rio e da aproximação displicente da escolta para facilitar a mira nos embriagados milicianos de Belém, que se somaram aos soldados de São Domingos da Boa Vista, os capienses teriam escolhido os alvos em um primeiro momento, massacrando os expostos soldados, enquanto estes, assustados, tentavam revidar, embora, sem saber de onde vinham os tiros.

Muitos caíram na água, já atingidos pelos tiros que partiam de todo lugar, feridos, e alguns sem saber nadar, debatiam-se n’água até submergir ao fundo do rio. Aqueles que conseguiam chegar à margem eram atirados, ou perseguidos em seguida, com o uso de cachorros caçadores. Esta estratégia servia para denunciar aqueles que haviam escapado dos tiros ou do afogamento, e se escondiam no alto das árvores ou nos solapos existentes nas margens, feitos pelo trabalho erosivo das águas, nestes espaços de refúgio, os legalistas também eram alvo fácil. Interfaces deste embate aparecem na narrativa de Seu Zé Luis,

199

morador do Sauá-Mirim, em área denominada de “ponta”, o esposo de D. Adelaide, que contou o fato assim:

“[...]Esse cunfronto fui que eles marcaru, esse incontro, pá viri aí. Era um bucado de sordado né pá vim pra esse cunfronto aí no Pirajauara. Aí ajetaru esse pessuá do aproagá. Era baburiana, barron, um bucado de gente, age e esses que ajetaru, que era os carrasco daí do aproaga pá levá pá fazê esse cunfronto. Ai fui esse cunfronto fui assim. Eles furo uma semana antes do cunfronto cercaru tudo de estaca de acapu, cum duas linhas. Enton de lá saiu os tiros, quando eles cumeçaru perder, eles suspenderu a bandera de paz, os sordados suspenderu a bandera de paz . Aí eles num respetaro mais nada jugaro fugo pra cima, porque eles vinham matá eles né. Se eles ganhasse aí num tinha bandera de paz né. Aí eles jugaro fugo, aqueles que saiu baliado trepava na mamorana, disque tinha o caçador de canua de tarde, caçavo os que tavo pela bera baliado. O velho daí era ton ruim, que chegu uma afilhada dele e fui cumpra sar, de tarde, lá, aí tava um pediu um gole d’água, aí ela fui pegu um caco incheu de água e butu na buca dele, aí, ele quiria mandá matá a própria afilhada dele, - era o Domingo da Luz - que num era pá dá água era pá dexá murrer de sede, que eles vinho pá fazer o má né. E essa historia que quando eles vinho passando pra cima, que o padre fui e disse – filho cês pudiu num iri tem munto pai de filho e precisa de criá seus filho. Aí um gaiato disse – é saiudo quando nós vié eu venho contigo aí. Aí ele disse – vai, se tu sê um bom filho, tu vorta e se tu sê ruim filho, tu num vorta. Aí vieru, aí esse um, quando chegu - era sordado – quando chegu lá, em São Domingo, que ele buiu fui imbora pra cima, depois fundu e num buiu mais. Murreu tudo, num iscapu nenhum. Era um batalhon, que veio disputá com os utros aí né. Era uns setenta, oitenta puraí né. Eles vinho cum vuntade de matá, mas murrero tudos, os caras subero fazer a arte né. Se ficasse no limpo, se matasse eles murriu tombem [...]”. (entrevista aberta, outubro de 2014).

Foto 39: Moradores da “Ponta”: Seu Zé Luis e D. Adelaide (filha do velho Vergino), que tem no colo a imagem de Nossa Senhora do Livramento