ano de destaque dinâmico-financeiro.
A partir da definição da Renner e da Semp como empresas que mais se destacaram no período, buscou-se recortar o ano em que a medida SV dessas empresas apresentou posicionamento mais acentuado, com o objetivo de estudar as variáveis componentes da medida SV que contribuíram para esse comportamento.
Inicialmente, contudo, vale ressaltar que os indicadores empregados aqui foram estruturados a partir da relativização dos dados dos relatórios econômico-financeiros das empresas estudadas, com a finalidade de buscar anular a influência advinda de fatores macroeconômicos na resultante das medidas utilizadas nas análises realizadas.
Ainda que se entenda a baixa probabilidade de interferência de fatores externos, diante das análises partirem de resultados relativizados, de um modo geral, as empresas comerciais
no ano de 2002 apresentaram grandes0 dificuldades provocadas pela instabilidade no mercado internacional, devido a fortes pressões sofridas pelos Estados Unidos, oriundas de conflitos políticos que atingiram o mercado nacional, por efeito, resultando na desvalorização de nossa moeda. Como se não bastasse esse fato, as tarifas de água, energia, combustível, cobradas pelo governo, sofreram aumentos significativos, resultando na queda na renda disponível para consumo da população. Não obstante o fato de tais fatores haverem afetado o desempenho das empresas comerciais, que apresentaram o crescimento ínfimo de 5,61% no Brasil, segundo dados do relatório de Administração da Renner, disponível no site da BOVESPA, registre-se aqui o destaque do crescimento de 24,1% alcançado por esta empresa, neste ano. Tal desempenho se deu em função, principalmente, das melhorias implementadas no transcurso do ano, que incluíram desde a montagem das coleções e novas tecnologias de comercialização até os processos logísticos e de negociação, investindo na qualidade de formação de seu quadro funcional e diminuindo despesas operacionais. Por outro lado, apesar da Semp ter apresentando um crescimento de 15% em vendas, conforme constatado em seu relatório financeiro anexo, o mesmo desempenho de crescimento não se confirmou em sua dinâmica financeira, como será analisado no desenvolver deste tópico. Com isso, pode-se constatar que o crescimento das vendas pode não garantir boa saúde financeira.
Registre-se, ainda, que o crescimento da Renner no ano de 2002 contribuiu para seu destacado desempenho dinâmico-financeiro, refletido pelo posicionamento de seu indicador SV, que, naquele ano, apresentou o maior resultado do período (SV=1,89), frente aos resultados desse indicador obtidos pelas demais empresas comerciais estudadas.
O planejamento dos investimentos de uma empresa contempla a destinação de recursos para as imobilizações (bens de capital) e para o capital de giro. Vale ressaltar que, para uma empresa comercial, a gestão dos estoques de mercadorias representa uma das principais preocupações dos gestores, por conta dos vultosos recursos aplicados neste ativo,
que consomem uma relevante fatia do montante necessário ao financiamento de capital de giro.
Diante disso, e a partir do estudo da razão entre as variáveis Custos das Mercadorias Vendidas (CMV) e Estoque Final (EF), podemos analisar os significados dos resultados da dinâmica financeira das empresas, do pondo de vista do desempenho de giro de seus estoques de mercadorias. Vale esclarecer, inicialmente, que o CMV representa o saldo acumulado das vendas das mercadorias ao preço líquido de compra, registrado na ficha de controle de estoque das mesmas. Em outras palavras, toda vez que uma mercadoria é vendida, o valor líquido de aquisição dela vai se acumulando na conta CMV. Então, no final do período analisado, espera-se que o saldo acumulado nesta conta de Custo incorpore muitas vezes o saldo registrado na conta Estoque Final de mercadorias, por conta da eficiência das vendas, cuja intensificação eleva o saldo na conta CMV e reduz o saldo da conta Estoque no final do período.
Tabela 9 - Giro dos Estoques(GE) da Renner e da Semp
Fonte: BOVESPA
Os resultados de giro demonstrados pelos cálculos da tabela 9 acima evidenciam o motivo da vantagem obtida pela Renner frente a Semp, no que tange à análise comparativa da eficiência das vendas dos estoques de mercadorias entre ambas as empresas em 2002. Como se observa, o elevado índice de rotação dos estoques da Renner, comparado ao giro dos estoques da Semp, revela a vantagem, isolada, deste indicador, que deve ser confrontado com o de Giro de Pagamento aos Fornecedores de mercadorias para se avaliar o desempenho entre o dinamismo financeiro da primeira empresa em relação ao da segunda. No entanto, embora
ÍNDICES \ EMPRESAS – Ano 2002 SEMP RENNER CMV (custo da mercadoria vendida) 8.018 409.184
EF 6.624 52.106
ainda não se possa inferir a respeito do resultado do dinamismo financeiro entre ambas as empresas, pois ainda não se tem estruturado o Giro de Pagamento aos Fornecedores (GPF) de mercadorias das mesmas, ao se migrar para a análise da extensão do Ciclo das Operações (CO), cujo resultado repercute na extensão do Ciclo Financeiro (CF), a superioridade do índice de eficiência de vendas (GE) da Renner sobre a Semp faz a diferença, conforme demonstrado pelos cálculos da tabela 10 abaixo.
Tabela 10 - Prazo Médio de Rotação dos Estoques de Mercadorias da Renner e da Semp
Fonte: BOVESPA
De acordo com a tabela 10 acima, o resultado do PMRE da Semp aponta evidência significativa da causa de sua deficiência dinâmco-financeira, atestada a partir das pesquisas e cálculos abaixo, devido ao fato de suas mercadorias aguardarem, em média, 304 dias para se renovarem no estoque, o que implica uma quantidade menor de Ciclo de Margens de Contribuição (preço de venda menos o custo das mercadorias e impostos) retornando ao caixa da empresa. Por outro lado, o PMRE da Renner evidencia a robustez de seu dinamismo financeiro, uma vez que suas mercadorias, em média, são renovadas no estoque a cada 47 dias. Esse fato nos possibilita interpretar que a quantidade dos Ciclos de Margens de Contribuição alcançada pela Renner supera em 5,5 vezes [(304dias /47dias)-1] a obtida pela Semp, o que pode explicar a diferença entre o desempenho financeiro dinâmico entre ambas as empresas, que depende, ainda, do exame mais detido da análise do Giro de Pagamento aos Fornecedores (GPF) de mercadorias, cujos cálculos são apresentados abaixo pela tabela 11 a seguir.
ÍNDICADORES \ EMPRESAS – Ano 2002 SEMP RENNER Período anual ( em dias) 365 365
GE 1,2 7,8
Tabela 11 - Giro de Pagamento a Fornecedores (GPF) da Renner e da Semp
INDICADORES \ EMPRESAS – Ano 2002 SEMP RENNER Compras (C) 8.638 410.581 (+) FI (Fornecedor Inicial) 467 100.489 (=) Dívida total junto aos Fornecedores Mercadorias no ano 9.105 511.070 (:) FF (Fornecedor Final) 571 122.670 (=) GPF ( giro pagamento a fornecedores) 15,9 4,2
Fonte: BOVESPA
A partir do GPF da Semp e da Renner apresentados na tabela 11 acima, toma-se o exame dos Prazos Médios de Pagamento aos Fornecedores (PMPF), apresentados na tabela 12 abaixo.
Tabela 12 - Prazo Médio de Pagamento aos Fornecedores de Mercadorias da Renner e da Semp
Fonte: BOVESPA
Conjugando, agora, a interpretação dos resultados do PMRE, apresentado na tabelas 10 anterior, com a do PMPF, e tabela 12 acima, pode-se concluir, com base nos indicadores de análise das demonstrações financeiras, que a gestão da dinâmica financeira da Renner foi muito superior a da Semp, conforme demonstrado pela tabela 13 abaixo.
Tabela 13 – Efeitos da Gestão dos Prazos Médios nos Ciclos Financeiros da Renner e da Semp em 2002
Fonte: BOVESPA
Um exame detido dos resultados de Prazos Médios (PMRE e PMPF) e do Ciclo Financeiro (CF), demonstrados pela tabela acima, permite-nos constatar a vantagem significativa alcançada pela Renner em sua dinâmica financeira, frente à obtida pela Semp, conforme melhor elucidado pela figura 5 abaixo.
ÍNDICADORES \ EMPRESAS – Ano 2002 SEMP RENNER Período anual (em dias) 365 365
GPF 15,9 4,2
PMPF 23 dias 87 dias
ÍNDICADORES \ EMPRESAS – Ano 2002 SEMP RENNER PMRE 304 dias 47 dias (-) PMPF 23 dias 87 dias (=) Ciclo Financeiro ( CF) 281 dias 40 dias
t = 0 t = 23d t = 304d
t = 0 t = 47d t = 87d
Figura 5 - Comparação dos Ciclos Financeiros da Renner e Semp Fonte: Elaborado pelo autor
A interpretação dos dados, com a observação da figura 5 acima, permite-nos constatar os motivos que proporcionaram a Renner obter vantagem sobre a Semp, quanto ao aspecto dinâmico-financeiro. Podemos observar que, enquanto a Semp paga a seus fornecedores a cada 23 dias após aquisição das mercadorias, a Renner o faz a cada 87 dias. Na contraposição ao pagamento dos Fornecedores de mercadorias, pode-se constatar que, enquanto as mercadorias da Semp aguardam em média 304 dias para serem comercializadas, as da Renner são vendidas aos clientes em 47 dias. Esses fatos esclarecem os motivos do posicionamento das medidas SV dessas empresas, conforme podemos observar na tabela 14 a seguir.
Compra Paga Venda
Ciclo Financeiro = 281 d
Compra Venda Paga
CF = - 40 dias
Semp
Tabela 14 - Demonstrativo do SV da Renner e da Semp
Medidas / ano 2002 Renner Semp
CMV (Custo Vendas) 409.184 9.258 (:) EF (Estoque Final) 52.106 6.624 (=) GE 7,85 1,4 SV 1,89 0,08 (=) GPF 4,16 15,9 (:) FF (fornecedor Final) 122.670 571 (=) Dívida c/Fornec. Ano 511.070 9.105 (+) FI (Fornecedor Inicial) 100.489 467 C ( compras) 410.581 8.638
Fonte: Elaborado pelo autor Legenda:
Sentido da Equação Giro dos Estoques (GE)
Medida Sinal Vital
Sentido da Equação Giro de Pagamento aos Fornecedores (GPF)
Vale, então, assinalarmos todos os procedimentos técnicos, fundamentados na análise financeira, que resultaram na classificação dinâmico-financeira atribuída a Renner e a Semp pela medida SV. Primeiramente, descreveram-se todas as medidas financeiras envolvidas na análise. Em seguida estruturaram-se os cálculos das mesmas, que foram demonstrados nas tabelas anteriores, estruturadas para melhor elucidar a compreensão dos fatos. Por fim, e a partir dos resultados das medidas que integram o sistema proposto no objetivo deste trabalho, foram realizadas as análises dos fatores que influenciaram o resultado da medida.