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不識廬山真面目,只緣身在此山中。 31

7. The Challenges of Site Museum Management in China

7.2 Challenge of Preservation and Use of Heritage Sites

Inicialmente cogitávamos fazer o recorte unicamente sobre emissoras que tivessem na programação boletins ou programas jornalísticos regulares, isto é, com horário fixo na programação e uma equipe responsável pelo trabalho. Porém, à medida que o estudo avançava, observamos que este seria um universo pequeno, falso e incompleto. Pequeno, porque poucas rádios no Brasil têm noticiário regular; falso, porque embora a grande maioria das rádios não tenha boletins ou noticiários no sentido tradicional, praticamente todas divulgam informes para a comunidade; incompleto porque embora muitas não tenham nada que se assemelhe a um noticiário os que fazem a rádio já têm uma idéia (uma proposta, um conceito) de como ele deveria ser.

A partir daí estava claro que o recorte da pesquisa não poderia excluir o que é comum nas emissoras comunitárias: esse “jornalismo” no seu sentido mais amplo; um jornalismo que pode ser noticiário, informe, boletim, leitura de notícias de jornal, prestação de serviço, ou algo parecido.

Tínhamos dois universos de pesquisa:

1) emissoras com um radiojornalismo tradicional, rotineiro;

2) emissoras sem esse radiojornalismo tradicional, mas que divulgam informes, fazem leitura de jornais, boletins, etc.

Optamos por pesquisar nos dois grupos. E esta escolha facilitou a pesquisa. Primeiro, porque este é, de fato, o quadro empírico que mais se aproxima da realidade do país; segundo, porque permitiu a coleta e o cotejamento de informações a partir de diferentes contextos.

Também estabelecemos como critério não exigir que todas as amostras de rádios estivessem enquadradas no “modelo ideal de RC” apresentado no Capítulo II.8. Pesquisamos “rádios comunitárias modelo” e também rádios que não se encaixam neste modelo. Este cenário heterogêneo, pareceu-nos, estava mais próximo da realidade nacional.

Finalmente, estabelecemos que as emissoras em estudo deveriam estar minimamente distribuídas pelo país. Com isto, esperávamos, seria possível fazer um comparativo do jornalismo praticado - ou pensado - em distintas geografias. “Pensado” porque, muitas vezes, o radiojornalismo é um ideal da rádio que não foi colocado em prática, embora possa estar preliminarmente conceituado.

Considerando o fator geográfico, estivemos pessoalmente nas seguintes rádios comunitárias:

a) Do Nordeste, na Bahia, Santa Luz FM (município de Santa Luz) e Rádio Valente (município de Valente); em Pernambuco, Rádio Sol (Olinda) e Rádio Guabiraba (Recife).

c) Do Centro-Oeste, no Distrito Federal, Rádio Utopia (Taguatinga), Rádio Líder (Recanto das Emas) e Nova Vida (Recanto das Emas).

Integrando o primeiro universo de pesquisa (emissoras com radiojornalismo rotineiro) identificamos: Santa Luz FM e Valente FM, na Bahia; Rádio Heliópolis, em São Paulo. As demais fazem parte do segundo universo de estudo (emissoras sem o radiojornalismo convencional). Observamos as instalações das emissoras, a história de cada uma, como fazem o jornalismo e o que entendem por jornalismo. Ouvimos os responsáveis pelo jornalismo em cada uma.

A pesquisa, porém, não se restringiu às emissoras e seus dirigentes. Uma vez que o radiojornalismo das rádios comunitárias se constitui num fenômeno ainda recente no Brasil, e que ele é mais pensado que praticado, consideramos importante ouvir a opinião de algumas pessoas que estudam o tema no campo acadêmico e outras que fazem a prática radiofônica. Estas pessoas formaram conceitos sobre a radiodifusão comunitária.

Ouvimos:

Cicilia Peruzzo - professora da Universidade Metodista (SP), com diversos

livros e artigos publicados sobre comunicação comunitária e popular. Contatada, Cicilia Peruzzo optou enviar suas respostas por email

Jose López Vigil – autor dos livros “Manual urgente de radioapaisonados”, e

“Radio ciudadania”, além de diversas cartilhas sobre o tema, é referência latino- americana e mundial em rádios comunitárias. Foi contatado e nos respondeu por email.

Jerry de Oliveira – Militante de rádios comunitárias, é criador da rede de

jornalismo de rádios comunitárias de Campinas (SP). Preferiu emitir suas opiniões por telefone.

Denise Viola – Antiga militante do movimento das rádios comunitárias, integra

a Rede de mulheres do rádio. Gravou a entrevista num contato pessoal com o autor, em Brasília.

Altamiro do Nascimento Costa (Mirim) – Dirigente da Rádio Novos Rumos,

no município de Queimados, Baixada fluminense, Rio de Janeiro. A rádio Novos Rumos é uma das mais antigas do país. Mirim gravou a entrevista num contato pessoal com o autor, em Brasília.

Entrevistamos os responsáveis pelo radiojornalismo das oito emissoras. Não fizemos uso de um questionário acabado, com perguntas definidas. Considerando a peculiaridade do meio, este caminho poderia ocultar informações importantes. Optamos por gravar entrevistas abertas, com uma linha de conversa focada em seis pontos:

1) O institucional - localização da emissora, data de fundação, se sofreu repressão estatal, dados sobre o entrevistado, dados sobre a sustentabilidade da emissora.

2) Relação com a comunidade - Como se dá a participação da comunidade na emissora.

3) É comunitária? – Justificativas do entrevistado para assegurar que sua emissora é comunitária.

4) Produção do jornalismo – Indagamos sobre a rotina de produção e a equipe envolvida. Pesquisamos sobre quem faz o quê, se é remunerado, a formação escolar dos responsáveis pelo jornalismo. A formação escolar do responsável pelo jornalismo ou pela rádio pareceu-nos um referencial importante para averiguar sobre as práticas de jornalismo da emissora

5) Radiojornalismo – Indagamos se há jornalismo na emissora, se existe um programa específico de notícias, noticiários ou boletins; qual o formato desse noticiário; que fontes são utilizadas. Indagamos ao entrevistado o que ele entende por valor-notícia; o que é pauta e como se define a pauta; se e como a rádio lida com a cobertura local, regional, nacional e internacional; se ela faz reportagens; qual o conceito de radiojornalismo.

6) Existe “radiojornalismo comunitário”? Em caso positivo, quais os critérios para defini-lo? – Sendo a nossa hipótese de trabalho, era importante que essas pessoas que fazem RC expressassem o conceito sobre o tema.

Não tratamos do conteúdo do jornalismo de RC e muito menos da audiência da rádio porque são questões que fogem ao foco da nossa pesquisa.

A escolha dessas oito emissoras não levou em conta se elas eram reconhecidas ou não pelo Estado. Ter a autorização de funcionamento não foi critério para as nossas escolhas. Isto porque autores como Lima e Lopes, e o Relatório do Grupo de Trabalho Interministerial (MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, 2005)12, revelaram que o processo de outorga de emissoras comunitárias está submetido a influências religiosas e políticas, o que nos leva a questionar a legitimidade das emissoras que obtiveram autorização. O Relatório do GTI reconhece a paradoxal existência de rádios comunitárias autorizadas, mas que não são comunitárias:

A classificação “autorizada pseudo-comunitária” é empregada quando a emissora não desenvolve em sua programação o escopo para o qual lhes foi concedida a exploração deste serviço, estando sujeita, neste caso, às sanções previstas na lei. (MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, 2005, p. 12).

Enfim, ter Autorização de funcionamento (a concessão do Estado para emissora operar) não é o bastante para a emissora ser considerada como comunitária. Trata-se de um parâmetro burocrático e político que não nos aproximaria do objeto de pesquisa. Para nós está claro que não há nenhuma relação entre a qualidade da emissora (conforme nosso modelo ideal estabelecido no Capítulo II.8) e a autorização concedida pelo Estado. Uma autorização burocrática (e suspeita) não garante que estejamos diante de uma rádio comunitária.