3.5 Oppsummering
4.2.3 Brukernes vurdering av tilbudet til tiltaksarrangørene
Como se trata de um trabalho de base funcionalista e que, portanto, prioriza a investigação da linguagem em uso, é necessário que os dados que comporão o corpus sejam efetivamente reais. Para investigar que propriedades e/ou condicionamentos de ordens morfológica, sintática, semântica, pragmático-discursiva e cognitiva estão envolvidos no processo de gramaticalização do verbo chegar, utilizaremos dados históricos e dados contemporâneos do português brasileiro e europeu.
Para termos uma visão mais ampla e resultados mais confiáveis no estudo do percurso dos diferentes usos do chegar, lançaremos mão de uma abordagem pancrônica. Essa abordagem é justificada por ser a gramaticalização um fenômeno tanto diacrônico quanto sincrônico. Nos estudos funcionalistas, sobretudo de Hopper (1991), Traugott e Heine (1991), Bybee et al (1994), Givón (1995), Thompson (1995), observamos uma orientação cada vez mais acentuada para a investigação diacrônica dos fatos lingüísticos associados à descrição sincrônica, pois para se chegar a uma análise mais completa, é necessário observar, além da função de uma construção, os processos que explicam como essa construção passou a assumir essa função. Segundo Hopper e Traugott (1993, p.28)
ao mesmo tempo em que uma perspectiva diacrônica pode oferecer mais que um mero comentário de interesse histórico sobre fatos sincrônicos; os fatos sincrônicos não são distinguíveis dos diacrônicos e dos processos pragmáticos discursivos que os apreendem87.
Assim, os dados do Português Brasileiro e Europeu contemporâneo servirão para detectar os atuais empregos de chegar; e os dados diacrônicos, para verificar em que período da história da língua portuguesa o verbo chegar foi incorporando novos sentidos e começou a ser usado com valor gramatical, e para referendar as análises das alterações que distinguem e explicam os diferentes empregos atuais desse verbo.
Com o propósito de estudar os diferentes usos do verbo chegar, utilizaremos, para a análise da língua escrita do português, o Corpus Mínimo de Textos Escritos da Língua
87 at the same time that a diachronic perspective might offer more than merely an interesting historical comment on synchronic facts; the synchronic “facts” were indistinguishable from the diachronic and discourse pragmatic process they were caught up in.
Portuguesa – COMTELPO, organizado por Figueiredo-Gomes e Pena-Ferreira (2006). Esta
proposta de corpus é constituída por textos em suas variadas formas, que os autores denominam
gêneros, no sentido de textos empíricos. Os gêneros que compõem este corpus são os mais
freqüentemente usados na sociedade em diferentes épocas – em Portugal, desde o século XII, e, no Brasil, do século XIX ao século XX.
Dividimos os textos coletados em cinco agrupamentos de gêneros, como os propostos por Dolz e Schneuwly (1996):
a) Gêneros da ordem do narrar (GON): O domínio social desse gênero é o
da cultura ficcional e a capacidade de linguagem dominante é voltada à recriação da realidade, por meio da montagem de uma intriga no domínio verossímil. Como exemplos deste gênero podemos citar: fábula, conto de fada, lenda, conto, narrativa policial, narrativa de aventura, narrativa de ficção científica, gibi, crônica, cordel, romance, texto teatral, poema, letra de música, charge, novela etc.
b) Gêneros da ordem do relatar (GOR): O domínio social desse gênero é o
da memória e o da documentação das experiências humanas vivenciadas e a capacidade de linguagem dominante é a de representação pelo discurso de experiências vividas e situadas no tempo. Como exemplo desse gênero, podemos citar: diário, chamada jornalística, notícia, crônica jornalística, noticiário de rádio e TV, relatório etc.
c) Gêneros da ordem do argumentar (GOA): O domínio social desse
gênero é o da argumentação de assuntos sociais controversos, visando a um entendimento e posicionamento perante eles e as capacidades de linguagem dominantes são as que envolvem a habilidade de sustentar, refutar e negociar posições. Podemos citar como exemplo desse gênero: carta do leitor, editorial, resenha crítica, debate, texto escolar (argumentativo) etc.
d) Gêneros da ordem do expor (GOE): Esse gênero veicula o
conhecimento mais sistematizado transmitido culturalmente, como o conhecimento científico e afins. A capacidade de linguagem dominante é a apresentação textual de diferentes formas de saber. Podemos citar
como exemplo desse gênero: seminário, conferência, palestra, verbete, resenha, resumo, esquema, colóquio, texto escolar (dissertativo) etc. e) Gêneros da ordem do instruir ou prescrever (GOP): Tais gêneros
englobam textos variados de instrução, regras e normas, e pretendem, em diferentes domínios, a prescrição ou regulamentação das ações. A capacidade de linguagem dominante é a regulação mútua de comportamentos. São exemplos desse gênero: bula, instruções de uso, regras de jogo, receita, cheque, leis, normas, testamentos, finitos etc. De acordo com essa divisão proposta por Dolz e Schneuwly (1996), foram selecionados textos escritos – originais, fac-símiles ou transcrições com grafias preservadas ou editadas de manuscritos ou impressões originais – do século XII ao século XX. Estivemos preocupados, na feitura do corpus, em equiparar ou aproximar os gêneros mais representativos e o mesmo volume para a amostra de cada século.
O nosso objetivo na recolha dos diferentes gêneros é diversificar a amostra de modo a flagrar o maior espectro de valores do chegar, mas não apresentamos hipóteses sobre o condicionamento de cada um deles em tais usos.
Como o propósito desta tese é estudar por meio de uma abordagem pancrônica o processo de gramaticalização configurado nos diferentes usos do verbo chegar do português arcaico ao contemporâneo, utilizaremos, para referendação histórica, os textos selecionados de diferentes gêneros – GON, GOR, GOA, GOE e GOP – datados do século XIII ao século XVIII, do português europeu; e textos do século XIX e XX, do português europeu e brasileiro88. De cada século, foram utilizados todos os gêneros e, de cada um deles, selecionamos, em média, cinqüenta (50) páginas, para rastrearmos as ocorrências de chegar, de modo que foram selecionadas, no total, 2000 páginas, para a pesquisa diacrônica89. Nosso objetivo, no recorte de várias sincronias, é identificar a provável data de entrada, em uso na língua, dos tipos de chegar
88 Devido ao baixo número de textos referentes ao século XII, no corpus em questão, documentos desse século não foram selecionados, para esta pesquisa.
89 Como o nosso corpus ainda não se encontra digitalizado, tivemos, de início, dificuldade em equiparar o volume textual. Tentamos compensar essa falta, computando, em alguns casos, o número de linhas, de forma que volume textual, em cada gênero, ficasse equilibrado.
encontrados na coletânea, para então alocá-los em um cline90. No total, registramos 795 (setecentos e noventa e cinco) ocorrências do verbo chegar em seus diferentes usos.
Com o propósito de verificarmos se os diferentes usos do verbo chegar ocorrem, indistintamente, nas modalidades de expressão oral e escrita, ou se há alguns usos que ocorrem, preferencialmente, em uma dessas modalidades, decidimos analisar, também, como material de apoio, uma amostra de fala. Para tanto, utilizamos ocorrências do português brasileiro, do século XX, pertencente ao corpus do Projeto NURC. O corpus NURC – Norma Urbana Culta – pertence a um projeto maior, o da Gramática do Português Falado, cujo objetivo é organizar uma gramática referencial da variante culta do português falado no Brasil, por meio do registro de amostras de fala coletadas em cinco capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Porto Alegre. Computamos 444 (quatrocentos e quarenta e quatro) ocorrências de
chegar, resultado de 1.357 minutos de gravação, assim divididos entre os três tipos de inquérito
do corpus: 455 minutos de DID (Diálogo entre informante e documentador), 447 minutos de D2 (Diálogo entre dois informantes) e 455 minutos de EF (Elocução formal).
Embora consideremos bastante representativa nossa amostra, em alguns momentos, ao longo desta tese, utilizaremos alguns exemplos de chegar coletados de forma não controlada, a que denominamos CORPUS NÃO SISTEMATIZADO - CNS, para salientar certos usos que, mesmo não tendo sido registrados em nossos corpora, são amplamente identificáveis na fala cotidiana.