2. Forslag under det enkelte departement
2.9 Nærings- og fiskeridepartementet
2.9.4 Andre saker
descoberta da outra pessoa de outra maneira, ah, tentando que essa pessoa se sinta bem, ou seja, dando prazer e tendo prazer. É uma troca de experiências. Quando não é com sentimento acho que é um pouco mais impessoal, acho que somos um pouco mais egoístas, ou seja, vamos naquela de ter, de nos satisfazermos a nós próprios, ou seja, de termos nós o prazer, não pensando tanto na outra pessoa, sendo um pouco mais egoístas.” (João, 24 anos, estudante do ensino superior, empregado de loja)
Ora, vários/as autores/as (Allen, 2003; Bajos et al., 2008; Bertone, 2010; Connell, 2002; Cvajner, 2010; Ducombe and Marsden, 1993; Ferrand et al., 2008; Fonseca e Santos, 2011; Heilborn e Bozon, 1996; Heilborn et al., 2006 a) e b); Hockey et al., 2007; Hamilton e Armstrong, 2009; Holland et al. 2004 [1998], 2006 [2002]; Holland, 2008; 2010; Jackson, 1993; Jackson e Scott, 1997, 2010; Jamieson, 2005 [1998]; Jaspard, 2005 [1997]; Kimmell, 2000; Pais, 1998, 2012; Vasconcelos, 1997; Vieira, 2009; Weeks, 2006 [1986]) dão conta daquilo que parecem ser duas culturas emocionais distintas para homens e para mulheres, em que a uma sexualidade predatória masculina se opõe uma sexualidade passiva feminina, e em que se associa, por um lado, o sexo e o prazer aos homens, e, por outro lado, o sexo e o amor às mulheres210. Os homens tendem, assim, a ser percebidos como tendo um maior controlo emocional e uma sexualidade mais ativa, racional, autónoma e/ou incontrolável, focada na procura do prazer e na concretização do desejo (sendo que a abertura emocional poderia colocar a sua masculinidade em questão); enquanto que as mulheres são consideradas como sendo mais emocionais, expressivas, carinhosas, tendo uma sexualidade mais sentimentalizada, reativa, recetiva, inferior e mais focada no relacionamento com o/a parceiro/a. Por seu turno os indivíduos com uma orientação sexual não heterossexual são, frequentemente, considerados como promíscuos e os seus relacionamentos sexuais e/ou amorosos pensados como instáveis e de curto termo. Bissexuais, lésbicas e gays são, frequentemente representados como não querendo manter ou não mantendo relações sexuais e/ou amorosas duradouras, com parceiros/as do mesmo género (Mutchler, 2000; Savin-Williams, 2004; Seidman, 1991; Weeks et al., 2001).
Contudo, os resultados de várias pesquisas mostram, ainda, como os homens, especialmente quando se encontram numa relação amorosa e sexual, “séria” e duradoura, ou sem a influência do grupo de pares, também valorizam os sentimentos e as emoções, mesmo como uma pré-condição para a satisfação sexual, procuram relações sexuais e amorosas íntimas, e associam amor e sexualidade (Alferes, 1997; Allen, 2003; 2007; Fonseca e Santos, 2011; Hockey et al., 2007; Holland et al., [2004] 1998; Holland, 2008, 2010; Johnson, 2005; Kimmell, 2000; Maxwell, 2007; Redman, 2001; Richardson, 2010; Seal and Ehrhardt, 2007 [2003]; Vieira, 2009; Wight, 1996)211. Assim, embora os
210 Neste sentido, Holland et al. (2004 [1998]) argumentam que os/as jovens embarcam nas suas primeiras experiências e encontros sexuais num contexto em que a dominação sexual masculina é a norma. Os jovens homens são confrontados com os condicionamentos da masculinidade e as jovens mulheres pressionadas a conformarem-se com uma feminilidade convencional e a conter-se a espaços sociais prescritos. Acresce ainda que os/as jovens contribuem para a construção de si, enquanto determinado tipo de sujeitos, através da sua vontade de se conformarem ao esperado e valorizado.
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Contudo, de acordo com Vieira (2009), os jovens homens, por ela entrevistados, valorizam os aspetos relacionais e românticos, que se podem traduzir numa relação séria, apenas, numa segunda fase das suas trajetórias de vida, e após um período de experimentação.
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homens possam viver a sua sexualidade de forma mais liberta de constrangimentos, muitos consideram que a relação sexual é melhor quando enquadrada pelo amor (Johnson, 2005)212. Por seu turno, outros/as autores/as, como Maxwell (2007), referem, ainda, que os/as jovens utilizam discursos contraditórios, demonstrando diversos níveis de resistência e de acomodação às tradicionais interações de género, estando constantemente a movimentar-se entre discursos no que diz respeito à heterossexualidade. Deste modo, embora possa haver um modelo dominante de masculinidade e de feminilidade, as identidades masculinas e femininas, ao invés de serem fixas, são estão antes frágeis e casuais, estando sujeitas a uma variedade de influências e sendo muitas vezes permeadas por contradições (Weeks, 2006 [1986]). A masculinidade e a feminilidade estão carregadas de mensagens conflituantes e contraditórias, tendo diferentes significados em diferentes contextos. Acresce ainda que a pesquisa tem mostrado como homens e mulheres são grupos muito semelhantes, em termos psicológicos (Connell, 2002)213, e como existem sobreposições significativas em termos de sexualidade masculina e feminina, sendo que uma grande maioria de homens e mulheres se situa a meio termo de um continuum, em que apenas os extremos contrastam (Schwatz e Rutter, in Plummer, 2005). Relativamente aos indivíduos com uma orientação não heterossexual, também vários/as autores/as (Adam, 2007 [2003]; Connell, 2000, 2003 [1995]; Mutchler, 2000; Peplau et al. 2004; Savin-Williams, 2004; Seidman, 1991; Vieira da Silva, 2006; Weeks et al., 2001) mostram como os laços de intimidade são centrais para lésbicas e gays, sendo que vários casais do mesmo género têm relacionamentos sexuais e amorosos duradouros, enquanto que vários/as jovens gays, lésbicas e bissexuais desejam entrar, no futuro, neste tipo de relacionamentos. Estabelecer relações românticas é, geralmente, importante para os/as jovens, independentemente da sua orientação sexual (Savin- Williams, 2004). E se, como se argumentou em acima, o amor é considerado como importante para a maioria dos/as jovens entrevistados/as, este é, na maior parte dos casos, percebido como importante para os indivíduos em geral, independentemente do género214, dando conta da idesão a um ideal de igualdade de género, a que se fez referência no capítulo 1.
212 De forma semelhante, Richardson (2010: 743), refere que, no contexto da sua pesquisa, os jovens homens descrevem o sexo “bom” sobretudo em termos de conteúdo e significado emocional; isto é, sexo que envolve um sentimento de proximidade e de segurança, “com a pessoa certa, no momento certo”.
213 Connell (2002) argumenta que, apesar das diferenças corporais e efeitos sociais serem geralmente articulados através da ideia do carácter dicotómico do género, e da crença neste continuar forte, nos dias de hoje, os trabalhos de pesquisa realizados no domínio das diferenças sexuais, na sua maioria, mostram que homens e mulheres não são assim tão diferentes, numa série de características, sendo mais comum existirem pequenas ou nenhumas diferenças. O conceito do caracter dicotómico, como base do género, é assim refutado, e a similaridade entre homens e mulheres constituída como o padrão principal. No entanto, diferenças de género específicas e situacionais aparecem frequentemente, trazendo alguma luz sobre o modo como as semelhanças e diferenças psicológicas do género não são fixas e constantes, mas produtos mutáveis das respostas ativas que as pessoas fazem de um mundo social complexo e dinâmico.
214 Contudo, não se pode deixar de referir que existem algumas jovens mulheres que consideram que os homens dão menos importância ao amor. Neste sentido, e indo de encontro ao referido pelos/as diferentes autores/as, relativamente aos diferentes investimentos feitos por homens e mulheres em termos de sexualidade e de sentimentos amorosos, estas jovens consideram que os homens mostram menos os seus sentimentos e estão mais interessados em ter relacionamentos sexuais; já as mulheres tendem a ser consideradas como mais sensíveis, frágeis e/ou delicadas, mais afetuosas e investindo mais em relacionamentos amorosos.