25 VALOBSERVASJON
25.6 A KKREDITERING AV VALOBSERVATØRAR
25.6.2 Akkrediteringskort
Para a produção teórica nos baseamos no conceito de análise de conteúdo construtiva
interpretativa, assim como proposto por González Rey (2005, p. 106-59). Um conceito
desenvolvido como alternativa à Análise de Conteúdo da pesquisa qualitativa tradicional que, na visão desse autor, consiste em uma proposta que se centra no caráter objetivo dos dados, e traz como consequência a separação entre o dado e a ideia.
Na análise de conteúdo construtiva interpretativa, não se desconsidera o papel da empiria na construção das ideias, mas parte-se do pressuposto de que a fonte de ideias não se encontra apenas no empírico, e sim no confronto entre o curso do pensamento e a realidade estudada.
No processo de produção teórica, busca-se considerar elementos relevantes captados pelos instrumentos de pesquisa, que, pela via tradicional de análise de dados, não se incorporam ao corpo de ideias. Com isso, esse autor introduz o conceito de ‘indicador’ para
designar “aqueles elementos que adquirem significado graças à interpretação do pesquisador” e que levam às sínteses provisórias e, consequentemente, a novas questões no curso da pesquisa. Tais indicadores, entretanto, não apresentam relação direta com os ‘dados’ da pesquisa, se considerados em separado.
O conceito de indicador propõe, dessa forma, atuar como orientador do percurso de pesquisa, considerando a realidade como totalidade (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 112-4).
Tal perspectiva considera a produção teórica como um “processo constante, contraditório e variável” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 118). As construções que decorrem da produção teórica, não se verificam nos dados, mas se constroem em diálogos com os dados. Nestas, a teoria se desenvolve enquanto cenário de constituição e desenvolvimento da pesquisa, em que novas ideias integram-se ao já estudado, dando um caráter de sínteses provisórias (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 123).
Enfatiza-se o papel ativo do pesquisador em um processo que é, por natureza, complexo, em contraposição à lógica de objetivação e linearidade proposta pela ciência positivista. “O pesquisador não é só um seguidor de regras, mas um sujeito ativo, que deve enfrentar um conjunto de opções, entre as quais definirá o curso de sua produção teórica sobre o objeto” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 128). Um processo que envolve as capacidades intelectuais do pesquisador diante da realidade complexa, não tão consciente e intencional, em que se organiza, de forma criativa, a realidade estudada e as ideias decorrentes em eixos de
produção teórica (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 132).
E assim, o termo análise de conteúdo construtiva e interpretativa significa:
[...] um processo aberto e irredutível a qualquer das categorias de que dispomos para dar-lhe sentido. Isso supõe uma complexa inter-relação entre os processos teóricos gerais que acompanham nossas ações na pesquisa, e as construções teóricas que produzimos no momento empírico, as quais não podem derivar de receitas gerais de nossa posição teórica (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 155).
A teoria é alavanca para o desenvolvimento da investigação, que, por sua vez, leva a novas reflexões teóricas, em um processo que se retroalimenta. Em contraste com o paradigma positivista, “[...] a teoria representa um processo vivo, em desenvolvimento e construção” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 62).
Nesse processo, a legitimidade da produção do conhecimento se expressa no avanço da “construção teórica do que se estuda, conservando sua continuidade e congruência”. Relaciona-se com o conhecimento produzido “em termo da ampliação do potencial heurístico da teoria” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 134-5).
Dessa forma, ressaltamos que o processo de produção teórica desta pesquisa iniciou-se a partir das primeiras visitas de trabalho de campo, no qual a ferramenta da reflexão se constitui como importante instrumento de levantamento dos ‘indicadores’ desta pesquisa. Ao término do trabalho de campo, de posse do conjunto do material produzido, buscou-se atribuir sentido a todo o corpo do texto. Este foi aglutinado em eixos de produção teórica, assim como proposto por González Rey (2005, p. 132), nos quais se buscou considerar as singularidades e generalidades dos sujeitos e suas práticas.
Os eixos de produção teórica foram confrontados com o referencial teórico adotado, em um movimento de aproximação e diálogo entre teórico e empírico. Nesse processo, foi se moldando a análise de conteúdo construtiva interpretativa, a partir de um trabalho de apropriação dos referencias que interferem diretamente no olhar sobre os resultados da pesquisa. O referencial teórico foi confrontado e dialogado em uma perspectiva de construção, e não de confirmação de hipóteses a priori, relembrando-nos que, entre o empírico e o teórico, estabelece-se uma relação “implícita, indireta, mediata, e com frequência contraditória” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 66).
E assim, a significação do empírico resultou de um processo de construção teórica, uma ampla elaboração na qual se relacionaram fatos e ideias. Ocorreu de forma processual e aberta, o que muitas vezes gerou angústia perante a pesquisa, mas também se configurou como um ‘rico’ momento de criação.
Reconhecemos, entretanto, que os resultados dessa construção teórica são influenciados não só pelo estudo do objeto em um determinado momento histórico, a partir de escolhas que dizem respeito ao processo investigativo e seu aporte teórico, mas expressam também um conjunto de significados que perpassam pela história de vida das pesquisadoras. Nesse sentido, essa pesquisa expressa o contexto histórico cultural que atribuiu um significado aos fenômenos e, com ele, a história do pesquisador. E a produção teórica ocorre a partir da posição do pesquisador diante do outro, mas também “a partir de sua posição diante de si mesmo” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 60).
Dessa forma, alertamos para a importância de essa produção teórica ser considerada como um processo de construção e interpretação das pesquisadoras sobre a realidade estudada, em um determinado momento histórico, longe dos padrões de ‘objetividade e neutralidade’ requeridos pela ciência convencional.
2.6 CARACTERIZAÇÃO GERAL DAS PRÁTICAS DE SAÚDE E DOS SUJEITOS