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II. Foro en materia de responsabilidad extracontractual

2. Foro aplicable: «lugar de producción del hecho dañoso»

2.3. Elementos para determinar el lugar de materialización del daño

2.3.2. Actuación del perjudicado en el mercado afectado

A islamização da Núbia e do Sudão nilótico foi e continua a ser, de fato, um processo permanente. Conquanto a Núbia tenha entrado em contato com o islã no momento da conquista árabe do Egito, no início do século I/VII, a progressão do islã ali se encontrou perante a existência de Estados cristãos e face à forte ligação dos núbios com a sua fé. Os muçulmanos do Egito tentaram, em 31/651 -652, conquistar a Núbia e inclusive aventuraram -se até Dongola, porém eles foram obrigados a pedir uma trégua, em razão da feroz resistência

dos núbios. O tratado concluído, conhecido sob o nome de bakt50, era um pacto

de não -agressão que autorizava o Estado núbio de al -Makurra a conservar o seu estatuto de Estado independente. Ele acordava aos sujeitos de cada parte o direito de circularem e comercializarem livremente no território da outra parte e estipulava que a vida dos muçulmanos da Núbia deveria ser protegida51.

Este tratado permaneceu em vigor durante seis séculos, demonstrando rara longevidade, em se tratando de um acordo internacional. Ele demonstra que os muçulmanos renunciavam à ideia de ocupar a Núbia; o essencial para eles era por fim às incursões núbias e transformar o país em zona de influência. Tentativas eventuais foram realizadas para converter os chefes (por exemplo, no início do reino dos fatímidas no Egito); mas os governos muçulmanos do Egito tiveram como política geral deixar o reino cristão em paz.

As relações amigáveis que se estabeleceram entre dirigentes egípcios e monarcas núbios abriram as portas para a penetração de comerciantes muçul- manos. Mercadores árabes estavam há muito tempo instalados na capital de al -Makurra, onde, segundo um hábito comum ao conjunto da zona sudanesa, possuíam o seu próprio bairro. Estes mercadores não aparentam ter sido zelosos propagadores da religião muçulmana; eles, todavia e contudo, não deixaram de introduzir os primeiros rudimentos desta nova fé em uma região, até então, inteiramente cristã.

A islamização (assim como a arabização) da Núbia foi obra de agentes bem distintos. Desde o século II/VII, grupos de nômades árabes começaram a se movimentar do Alto -Egito rumo à Núbia, escolhendo principalmente a região situada entre o vale do Nilo e o litoral do Mar Vermelho. No século IV/X, eles já se haviam implantado no extremo Norte da Núbia e, na mesma época, alguns núbios instalados ao Norte da segunda catarata se haviam convertido ao islã.

O litoral do Mar Vermelho era outra via de penetração do islã, embora menos importante que o corredor do Nilo. Os mercadores árabes haviam começado a se instalar em cidades costeiras como ‘Aydhāb, Bādī e Sawākin desde o século II/VIII. O interior do país era ocupado por uma cabila belicosa de nômades, os bēdja, os quais durante muito tempo atormentaram o Alto -Egito com repetidas incursões. Os governos muçulmanos tentaram pacificá -los com tratados simi- lares àquele que haviam concluído com os núbios; porém, como os bēdja não possuíam nenhuma organização política centralizada, estes tratados não concer- niam senão a uma parte dos seus grupos. Os chefes bēdja autorizaram contudo

50 A respeito do bakt, consultar mais adiante o capítulo 8.

o estabelecimento de mercadores muçulmanos em seu território, abrindo assim a região à influência do Islã.

Esta influência foi reforçada pela imigração para o país bēdja de grupos de nômades árabes que se aliaram por casamento às famílias dos bēdja; as suas crian- ças tornaram -se chefes de alguns grupos bēdja. Este cenário repetiu -se várias vezes e foi assim que, com o tempo, os muçulmanos impuseram a sua influência. O mesmo fenômeno produziu -se na Núbia, onde surgiram poderosas famílias muçulmanas. A abertura, entre os séculos IV/X e VII/XIII, de rotas comerciais que interligavam o vale do Nilo aos portos do Mar Vermelho, passando pelo ter- ritório bēdja, favoreceu a islamização das populações autóctones. Os grupos bēdja instalados na extremidade norte (Hadāriba e ‘Ababda) foram progressivamente arabizados e chegariam inclusive a inventar ascendências árabes; mas as suas crenças ancestrais afloravam sob o verniz islâmico. Outros grupos foram menos tocados pela influência dos árabes muçulmanos; contudo, eles próprios finalmente aceitaram o islã ou, ao menos, alguns dos seus preceitos. Pode -se dizer que no século VII/XIII, a maioria dos bēdja estava formalmente convertida, ou seja, consideravam -se muçulmanos e eram reconhecidos como tal pelos seus correli- gionários; porém, eles conservavam numerosas práticas e crenças tradicionais.

Neste ínterim, a Núbia do Norte acolheu um fluxo ininterrupto de imigran- tes árabes; enquanto o reino de al -Makurra permaneceu independente, ou seja até o final do século VI/XII, esta imigração limitou -se sobretudo a uma lenta infiltração de pequenos grupos de beduínos. Imiscuindo -se nas querelas internas da família real, os mamlūk transformaram os reis núbios em vassalos ou mario- netes. Em 715/1315, eles escolheram como rei da Núbia um príncipe que já se convertera ao islã; este acontecimento anunciava o gelo para o cristianismo na Núbia. Colocada nas mãos de um muçulmano, a Núbia deixou de ser uma dār

al ‑harb para se tornar uma dār al ‑islām e deixou de pagar a djizya (imposto de

capitação) aos dirigentes muçulmanos do Egito52. Desde logo, o bakt não tinha

mais nenhuma razão de ser.

A desintegração do reino setentrional da Núbia, para a qual a primeira pene- tração árabe muito contribuíra, facilitou o grande avanço dos árabes até as ricas pastagens situadas além do deserto da Núbia. Estes beduínos certamente se diziam muçulmanos, porém não há nenhuma razão para crer que o seu islã fosse, por pouco que fosse, menos superficial que aquele de outros nômades. Pode -se dificilmente considerá -los como defensores fanáticos da sua fé. Em

contrapartida, o fim da dinastia cristã e, por conseguinte, do cristianismo como religião de Estado, provavelmente facilitou em muito a conversão ao islã das populações sedentárias do vale do Nilo. Outros fatores favoreceram o declínio do cristianismo na Núbia, notadamente o crescente isolamento e a deteriora- ção da situação dos cristãos no Egito, de onde vinha à maioria dos membros do alto clericato. O cristianismo não foi varrido em uma tacada, ele sobreviveu por muito tempo antes de sucumbir às suas próprias fraquezas. O islã ocupou paulatinamente o terreno abandonado. No Estado meridional de ‘Alwa, o cris- tianismo resistiu até o século X/XVI antes de ceder à influência conjugada das “tribos árabes” e dos fundj.

Nesta época, os nômades árabes já haviam penetrado na Djazīra (Gezira), entre o Nilo Azul e o Nilo Branco, e na Butana, entre a Atbara e o Nilo Azul. Ali, eles se instalaram na região metropolitana de ‘Alwa e em Sennār, avançando para o Sul, até a ilha de Aba, no Nilo Branco. Eles penetraram do mesmo modo no Kordofān e no Sul do Dārfūr.

No rastro destes nômades vinham os pregadores. Eles tinham nascido na velha terra do Islã ou lá haviam estudado e eram os primeiros a trazer a este país algumas noções da lei canônica, a sharī’a. O mais antigo dentre estes pios missio- nários foi um iemenita, Ghulām Allāh ibn ‘Ayd, cuja chegada na região de Don- gola aconteceu durante a segunda metade do século VIII/XIV; ele encontrou os muçulmanos mergulhados na ignorância, por falta de instrutores53. No curso dos

séculos seguintes, os missionários das ordens sufistas começaram a se instalar no Sudão e contribuíram para propagar o islã. Eles lograram converter os fundj, povo de pele escura originário do alto Nilo Azul. Sob o reino dos reis fundj, o islã foi encorajado e numerosos eruditos e homens pios vieram se instalar no reino. A partir do século X/XVI, a fronteira meridional do Islã estabilizou -se ao longo do 13o paralelo. O processo de islamização acompanhou -se de um processo de

arabização que deixou a sua marca em grande parte do país54.