11. FUNDAMENTAL VERDSETTELSE
11.5 A NALYSE AV USIKKERHET
11.5.1 Konkurssannsynlighet
Assim como a medicina tem a mais longa tradição no uso do PBL, é também a área em que a metodologia é mais bem avaliada e suscita debates bastante acalorados sobre a sua eficácia nesse segmento. Jerry A. Colliver, professor e diretor do Departamento de Consultoria de Pesquisa e Estatística da Escola de Medicina da Universidade Sulista de Illinois em Springfield, é enfático ao afirmar que a superioridade educacional do PBL em relação à abordagem tradicional não é clara (COLLIVER, 2000). Ele revisou a literatura das pesquisas sobre educação médica publicadas entre 1992 e 1998 e concluiu que, apesar das alegações de que o PBL é baseado em princípios fundamentais de ensino que deveriam melhorar a aprendizagem, a revisão das pesquisas sobre a eficácia do currículo PBL não mostra evidências convincentes de que o PBL melhora a base de conhecimento e desempenho clínico, pelo menos não na magnitude que seria esperado, dados os extensos recursos necessários para o funcionamento de um currículo PBL (COLLIVER, 2000). O pesquisador atribui parte da culpa ao modo como a psicologia cognitiva é entendida, afirmando que “a teoria é fraca, os seus conceitos teóricos são imprecisos... a pesquisa básica é artificial, usando manipulações que parecem garantir os resultados esperados” (COLLIVER, 2000, p. 264).
Segundo Colliver, um importante, mas negligenciado, aspecto da abordagem PBL é a autoaprendizagem continuada. Porém, em sua busca ele encontrou só um estudo que examinou na prática o efeito do PBL nessa área. Os resultados do estudo sugerem que os graduados na metodologia PBL mantinham-se mais atualizados. No entanto, a curva decrescente da escola tradicional não foi estatisticamente significativa (COLLIVER, 2000).
Sobre o PBL ativar redes de conhecimento, Colliver afirma que a teoria não é tão clara, ou seja, não está realmente evidente o que são redes de conhecimento e não está evidente o que significa dizer que elas são ativadas. Logo, certamente, não está evidente o que as ativa e se diferentes estímulos ativam as redes em diferentes quantidades (COLLIVER, 2000).
Todavia, Geoffrey Norman, membro do Departamento de Epidemiologia Clínica e Bioestatística da Universidade de McMaster no Canadá, e Henk Schmidt, membro do Departamento de Psicologia da Universidade de Maastricht na Holanda, questionam as alegações de Colliver e apresentam provas de que a pesquisa cognitiva não é artificial e
irrelevante. Norman e Schmidt argumentam que Colliver ignora os estudos que demonstram que a discussão de um problema em pequenos grupos ativa fortemente o conhecimento prévio dos participantes e que este não é simplesmente um pacote de fatos que os alunos possuem, mas pode ser descrito como uma teoria “ingênua” que esses alunos têm a respeito do problema em mãos. Por esse motivo, a teoria ingênua acerca do problema, uma vez ativada por meio do debate, facilita o tratamento do problema mediante aquisição de novas informações (NORMAN; SCHMIDT, 2000).
Em resposta às alegações de Colliver, segundo as quais não há evidência convincente da eficácia do PBL em melhorar a base de conhecimento, Norman e Schmidt argumentam que Colliver ignora o fato de as abordagens do ensino tradicional tenderem a ensinar conceitos em blocos identificáveis. O exemplo mais comum é o livro. No final de cada capítulo há uma série de exercícios, onde os alunos deverão aplicar as regras aprendidas para executar os exercícios. Normalmente, a questão coloca-se como “Execute os testes seguindo as orientações”. Norman e Schmidt percebem que, nesta abordagem, está implícita a visão pela qual a aprendizagem ocorre mediante a assimilação de regras as quais devem ser praticadas, e que, uma vez aprendidas, podem ser aplicadas adequadamente em outras situações. Porém, em um contexto real, onde os dados são ambíguos e as regras para classificação dos fenômenos não são explícitas, o ensaio simples não é suficiente. Na abordagem convencional, há muitos exemplos de uma única categoria e subentende-se que os alunos tenham competência para identificar exemplos de diversas categorias em outros contextos (NORMAN; SCHMIDT, 2000, p. 724).
No entanto, Norman e Schmidt estão de acordo com Colliver, no que concerne à necessidade de repensar a promessa do PBL como a melhor e única forma para a aquisição de conhecimentos e habilidades. Qualquer estudo, que trata o PBL como um modo único de “intervenção”, invariavelmente, chegará à conclusão de que há uma diferença mínima entre os resultados obtidos com o PBL e o Ensino Tradicional (NORMAN; SCHMIDT, 2000). O emprego do PBL vai além dos resultados cognitivos e da aquisição de habilidades, na medida em que implica uma alteração da postura do aluno diante de um problema, seja em âmbito escolar ou profissional.
Mark Albanese, membro do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade de Wisconsin, USA, e um dos mais respeitados estudiosos do PBL, escreveu uma resposta ao artigo de Colliver. Albanese concorda que um dos argumentos utilizados para apoiar a superioridade do PBL, e, prontamente criticado por Colliver, é o conceito de aprendizagem contextual, ou seja, quando aprendemos um conteúdo no contexto no qual será
usado, há uma promoção da aprendizagem e da capacidade de usar as informações. Colliver critica a teoria da aprendizagem contextual argumentando que foi elaborada a partir de uma investigação fraca. Para ele, não há como precisar se o contexto de aprendizagem de um currículo PBL realmente leva vantagem sobre o contexto de um currículo padrão e se as diferenças entre os contextos de aprendizagem são realmente significativas na prática. Embora não concorde com as críticas de Colliver acerca da teoria da aprendizagem contextual, Albanese considera a existência de outras teorias que prestam um melhor apoio ao PBL e elas não foram analisadas por Colliver (ALBANESE, 2000). De acordo com Albanese, as teorias que melhor oferecem suportes teóricos para o PBL são:
• A Teoria do Processamento da Informação, que envolve a ativação do conhecimento prévio, a transferência da aprendizagem para outras situações e, consequentemente, a elaboração do conhecimento;
• A Teoria da Autodeterminação, que aborda questões de motivação e de comportamento;
• A Teoria de Controle, na qual todos os comportamentos são baseados em satisfazer as necessidades básicas. Além disso, a teoria postula que ninguém pode fazer alguém realizar alguma coisa, principalmente aprender, salvo se, ao fazê-lo, satisfaça alguma necessidade da pessoa;
• A Aprendizagem Cooperativa, que engloba situações nas quais os indivíduos percebem que podem alcançar seus objetivos, se, e somente se, outros membros do grupo também o fazem (ALBANESE, 2000).
Se Colliver concluiu em seu artigo que não há nenhuma evidência de melhorias significativas trazidas pelo PBL, Albanese considera que talvez a evidência mais convincente de benefício seja a rápida propagação do PBL, dentro e fora das profissões da saúde (ALBANESE, 2000).
Longe das acaloradas discussões entre os defensores e os detratores do PBL, é importante considerar que a efetividade de uma metodologia como o PBL não se limita apenas à sua comparação com a abordagem tradicional, avaliando se os currículos PBL são melhores que os tradicionais, mas, para além das polêmicas, o questionamento a ser feito é se a abordagem PBL é efetiva por si, ou seja, se funciona ou não (SÁ, 2001).
Cumpre ressaltar que a modalidade de PBL utilizada nesta pesquisa é o POPBL. Assim, na próxima seção serão investigadas as características inerentes a essa modalidade.
2.8. Project Organized and Problem-Based Learning (POPBL) – Aprendizagem