O uso das tecnologias de informação e de comunicação no ensino, além de enriquecer metodologicamente as aulas de Língua Portuguesa, pode resgatar e valorizar conhecimentos e habilidades que os alunos já possuem que servirão de ponte para a aquisição de novos conteúdos, por meio de um ensino e uma aprendizagem mais contextualizada e significativa, possibilitando, ainda, um trabalho pedagógico voltado para a reflexão acerca de tais tecnologias e de suas práticas discursivas.
Em termos educacionais, a rede social Twitter pode ser utilizada como um espaço de escrita colaborativa, criando e desenvolvendo textos, que serão postados para outros interlocutores, além da escola.
Estas atividades podem possibilitar aos alunos a prática de pensar e refletir sobre sua própria aprendizagem, como uma atividade metacognitiva,
além de aprimorar sua competência comunicativa, já que nesse suporte tecnológico, Twitter,há uma relação sincrônica na forma de comunicação, exclusivamente escrita. Além disso, como é necessário até 140 caracteres para a mensagem, o poder de síntese e de criatividade linguística são habilidades requisitas para este fim.
O Twitter tornou-se uma plataforma das redes sociais bastante difundidas entre os adolescentes. A utilização desse suporte tecnológico nas aulas de Língua Portuguesa motivará o aluno e o fará se sentir como protagonista no processo de ensino e de aprendizagem, uma vez que muitos já utilizam e alguns dominam essa ferramenta na produção de seus textos em seu cotidiano, fora da situação escolar. Além disso, a possibilidade de ter seu texto, seu tuite, comentado por um interlocutor que não seja o seu professor, faz com que essa produção ganhe ainda mais relevância, mais importância no processo acadêmico, pois ultrapassará os muros da escola.
Cumpre-se, assim, a verdadeira função da escola: proporcionar, ao aluno, ensino e educação. O ensino, por meio de atividades organizadas que atentem à questão da polissemia na linguagem, e, a educação, integrando o ensino à vida, à medida que inclui, no espaço acadêmico, uma ferramenta, amplamente, utilizada pelos jovens para a produção de seus textos no dia a dia.
Segundo José Manuel Moran (2000, p. 23), em Novas tecnologias e
mediação pedagógica:
Aprendemos quando descobrimos novas dimensões de significação que antes nos escapavam, quando vamos ampliando o círculo de compreensão do que nos rodeia, quando, como numa cebola, vamos descascando novas camadas que antes permaneciam ocultas à nossa percepção, o que nos faz perceber de uma outra forma. Aprendemos mais quando estabelecemos pontes entre a reflexão e a ação, entre a experiência e a conceituação, entre a teoria e a prática; quando ambas se alimentam mutuamente.
A proposta de produção textual com a utilização da plataforma Twitter, não pretende apenas explicar e mostrar, mas buscar o fazer. Para isso, o aluno deverá criar analisar e refletir sobre a sua produção, para que ela cumpra sua
função de forma eficiente, levando todos os interlocutores que terão acesso a ela a compreendê-la.
O tema não é apenas o Twitter ou a polissemia, mas a comunicação, a cultura, a escrita e, nesse caso, sem desconsiderar a força de interação que as redes sociais tomaram entre os jovens a partir do século XX.
Natalia Zuazo, pesquisadora da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, pioneira na investigação das possibilidades didáticas sobre o uso do
Twitter como ferramenta pedagógica para trabalhar a produção de textos,
afirma que:
Os novos discursos são construções, na maioria das vezes, baseadas em identidades prévias, das quais nos apropriamos e as modificamos para criar algo novo, mas nunca é completamente novo. Da mesma forma que uma carta e um email são duas variedades do gênero epistolar e um blog pode ser uma variação do gênero diário, da autobiografia ou até mesmo do ensaio, um tuíte é um microrrelato construído em uma nova plataforma, que permite outras possibilidades de interação. (http://revistaescola.abril.com.br/lingua- portuguesa/pratica-pedagogica/entrevista-natalia-mirta-twitter-
627845.shtml?page=1# 2009, p.12 - 27)
Os gêneros emergentes com a tecnologia são relativamente variados, mas a maioria tem similares em outros ambientes, tanto na oralidade como na escrita. Na sociedade da informação, a Internet é uma espécie de protótipo de novas formas de comportamento comunicativo. Se bem aproveitada, ela pode tornar-se um meio eficaz de lidar com as novas práticas interacionistas da linguagem.
Segundo Marcuschi (2010, p.16)
Parte do sucesso da tecnologia deve-se ao fato de reunir em um só meio várias formas de expressão, tais como texto, som, imagem, o que lhe dá maleabilidade para a incorporação simultânea de múltiplas semioses, interferindo na natureza dos recursos linguísticos utilizados. A rapidez da veiculação e sua flexibilidade linguística aceleram a penetração entre as demais práticas sociais.
Considerando a penetração e o papel da tecnologia digital na sociedade contemporânea e as novas formas de comunicação, é fundamental pensar nessa tecnologia de maneira menos tecnicista e mais sócio-histórica. Essa visão já aparece claramente nos textos oficiais sobre ensino e educação, que apontam a abordagem acadêmica sobre e-mail, blog, chat e outros gêneros digitais.
Sobre tal questão, Marcuschi (2010, pp.19-20) expõe:
Certamente, não será fácil dar uma noção clara sobre tema tão complexo a respeito do qual, desde a década passada, proliferam as publicações. Já se pode indagar se a escola deverá amanhã ocupar- se de como se produz um e-mail e outros gêneros do “ discurso eletrônico” ou pode a escola tranquilamente continuar analisando como se escrevem cartas pessoais, bilhetes e como se produz uma conversação. Também se pode indagar se o modelo de interação face a face, proposto por Sacks, Schegloff e Jefferson nos anos 70, já deve ser revisto em alguns pontos essenciais. Quanto à escola, a resposta já está nos novos manuais didáticos do ensino fundamental que trazem reflexões sobre e-mail, blog, chat e outros gêneros. E quanto ao modelo conversacional, seguramente algumas revisões já estão sendo feitas.
Embora não se possam desconsiderar alguns aspectos importantes com relação ao efeito da Internet na linguagem, em especial, com relação ao uso e à natureza enunciativa da linguagem e aos gêneros realizados, sãoincontestáveis que todos os gêneros ligados à Internet são eventos textuais baseados na escrita, que continua essencial apesar da integração da imagem e som.
A tecnologia, em especial com o surgimento da Internet, redefiniu uma imensa rede social, virtual, que liga os mais diversos indivíduos pelas mais diversificadas formas em uma velocidade espantosa. Isso dá uma nova noção de interação social, trazendo para reflexão uma nova forma de uso tanto da língua na escrita quanto da prática interativa.