6. Reaktive holdninger
6.3 Vurdering av Fischer og Ravizzas kritikk
Felipe participou ativamente do diálogo da professora com a classe. Felipe procurou a professora para mostrar a história que fez. A professora foi até a mesa dele, mas não parou lá. Felipe voltou a procurá-la e, dessa vez, ela o escutou. A seguir, no quadro 18, o diálogo da professora com o Felipe é reproduzido:
Quadro nº 18 – Trecho do episódio do Felipe na 1ª sessão com a professora em sala Enunciados Análise da conversação Felipe – Aqui ela está correndo pra fora do
castelo.
Primeiro enunciado do menino contando a história
Profa – A princesa está correndo pra fora do castelo?É?
Espelhamento e Pede Esclarecimento Felipe – É... A princesa, o nome dela é Fiona. Réplica Elaborada de Concordância Profa – É Fiona? É? Espelhamento e Pede Esclarecimento Felipe – Do Shureck é. Réplica Elaborada de Concordância Profa – Do Shrek é? Espelhamento e Pede Esclarecimento Felipe – É, quando ela era pequena, pôs um
feitiço nela, ela virou feia, ela virou feia.
Réplica Elaborada de Concordância
Profa – Quer colocar o nome? Rompe o diálogo com uma questão fora do tema
O diálogo começou com o primeiro enunciado do menino contando a história. Como a professora se surpreendeu, repetiu e escutou o esclarecimento do menino; ele elaborou suas réplicas transmitindo conhecimento e esclarecimento a ela (Pontecorvo &
cols., 2005). A professora abruptamente interrompeu o diálogo, pedindo para o Felipe colocar seu nome no desenho e foi embora. O diálogo da professora criou ZDP ao dar oportunidade ao menino de falar sobre o que fez, comunicar o significado de seus desenhos ao outro. Ele elaborou suas respostas, ampliou o esclarecimento pedido pela professora. Era importante para ele mostrar a ela o que produzira. Estava motivado pela narrativa que criou, tanto assim que insistiu para que ela o ouvisse. Consideramos que a professora compartilhou do entusiasmo do menino, embora tenha valorizado a formalidade escrever nome e data, mas não elaborou perguntas nem ampliou a conversação quando ele desenvolvia mais do que lhe fora solicitado. A professora ouviu o Felipe, porém poderia ter ido além do que ele dizia. Seus desenhos mediavam os conhecimentos não ditos, mereciam ser questionados para a ampliação e o entendimento da história.
• Interação com os colegas
O diálogo com os colegas foi gerado a partir das Falas Egocêntricas do Felipe. Ao falar o que desenhava, o colega lhe pedia para ver o que ele havia feito, e a menina fez brincadeira com os meninos da mesa. No quadro 19, a seguir, apresentamos o diálogo do Felipe, com análises da conversação e da fala egocêntrica:
Quadro nº 19 – Trecho do episódio de Felipe na 1ª sessão com os colegas em sala Crianças Enunciados Análise da conversação Fala Ego. e Fala Com. Felipe – Bracinho. Enunciado do falante (Partes do
corpo)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – Ó bracinho dela,
ó, ele é cumprido.
Enunciado do falante (Partes do corpo)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – Ela ganhou um
neném.
Enunciado do falante (Desfecho da história)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – Agora eu vou pro
hospital e o neném.
Enunciado do falante (Desfecho da hist. e se coloca na narrativa)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – um carro uuuuu...
Tamo com pressa.
Enunciado do falante
(Continuação se colocando na história)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – Furou Pneu. Enunciado do falante (Cria
situação)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – Chegou no
castelo.
Enunciado do falante (Objetiva a ação) Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Menino – Chegou no castelo? Deixa eu ver.
Espelhamento e Pede para ver o que desenhou
Fala Egocêntrica gera Fala Comunicativa Felipe – Meu carro, meu
carro furou o pneu.
Enunciado do falante (aponta o desenho e continua a narração)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – Menino tacou
uma pedra no carro.
Enunciado do falante (Explica a ação)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante
Quadro nº 19 – Trecho do episódio de Felipe na 1ª sessão com os colegas em sala (cont.) Crianças Enunciados Análise da conversação Fala Ego. e Fala Com. Menino – Quem? Pede Esclarecimento Fala Egocêntrica gera
Fala Comunicativa Felipe – O menino tacou a
pedra. Enunciado do falante (Explica apontando o desenho) Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – Vou fazer primeiro a
torre.
Enunciado do falante (Continua a anunciar)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – O castelo. Enunciado do falante
(Continua a anunciar)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Menino – O rei ali. Fala Egocêntrica do colega Fala Externalizada
Egocêntrica e Relevante Felipe – Tô fazendo primeiro
a torre. Está aqui.
Enunciado do falante (Continua a anunciar)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Menino – Torre, que torre? Espelhamento e Pede
Esclarecimento
Fala Egocêntrica gera Fala Comunicativa Felipe – A torre que a princesa
fica presa.
Réplica Elaborada (Explica apontando o desenho)
Fala Comunicativa Menino – É isso? Pede Esclarecimento Fala Comunicativa Felipe – Isso aqui é a torre e o
castelo. Olha aqui esse o quarto que ela ficou presa, em cima da torre, a torre é bem alta.
Réplica Elaborada (Explicação detalhada apontando o desenho)
Fala Comunicativa
Felipe – O castelo da princesa Fiona, o nome dela é Fiona. Enunciado do falante (Continua a narração nomeando a princesa) Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – Vai ter que dar o
nome.
Enunciado do falante (Explicação para si)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Menina – Do Lucas é princesa
Ana Clara, princesa Felipe.
Réplica brincando com os colegas
Fala Egocêntrica gera Fala Comunicativa Felipe – É princesa Fiona do
Shureke.
Enunciado do falante (Continua a narração)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – É o príncipe Shureke. Enunciado do falante
(Continua a narração nomeando o príncipe)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe – Agora vou fazer o
pinto do Shureke.
Enunciado do falante (Continua a anunciar)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Menina – Shrek. Réplica Elaborada de
Discordância, correção
Fala Egocêntrica gera Fala Comunicativa Felipe – O príncipe, o nome
dele vai ser Shureke.
Enunciado do falante (Continua a narração)
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Menina – Como é o nome que a
tia falou?
Fala para si, querendo lembrar a história
Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante Felipe mostrava o desenho quando solicitado e fazia sua narrativa com Falas
Egocêntricas e Falas Comunicativas. De uma fala egocêntrica do menino, foi levantada a questão sobre o nome do príncipe da história, porque Felipe usava os nomes dos príncipes de outra história conhecida, utilizando conhecimentos prévios advindos de suas experiências (Barbato, 2008) com livros de histórias infantis. Essas questões foram tão evidenciadas que, ao contar para a professora, Felipe só se lembrou do fim da sua narrativa, quando ele relacionou a princesa contada com a Fiona, da torre de seu desenho. A criança se colocou no texto ao dizer “tamo com pressa”, demonstrou sua diversão e seu imaginário. Neste diálogo, os questionamentos das crianças levantaram oportunidades de relacionar conhecimentos novos com os já existentes.
• Fala egocêntrica
Como mostra o quadro nº 19, ao narrar seu desenho, Felipe instaurou uma série de Falas Externalizadas Egocêntricas e Relevantes. A fala organizou sua produção, anunciou a figura da princesa, falou partes do corpo que ia desenhando, passou a desenvolver uma narrativa com várias cenas em sequências,
dando o desfecho da história, isto é, os acontecimentos que vieram depois do casamento dos príncipes. Sua fala egocêntrica gerou diálogo com os colegas que queriam saber sobre o que ele falava do desenho.
• Produções gráficas livres
A fala e o desenho mediaram a construção de conhecimento do Felipe. O desenho significou o conhecimento, colocando o desfecho pedido pela professora. Nota-se que a fala passou a dominar o desenho do Felipe, como podemos verificar na figura 14, porque ele não conseguiu desenhar tudo aquilo que narrava. Quando foi contar para a
professora, começou pelos últimos acontecimentos, talvez porque foi o que mais lhe interessou, distanciando-se do objetivo da atividade. Felipe contou a atividade que fez para a professora, entretanto não apresentou a riqueza de acontecimentos que narrou enquanto desenhava sua atividade orientada por suas falas egocêntricas. No processo de realização
das produções gráficas livres, com a mediação da fala e do desenho, os significados vão sendo construídos e os acontecimentos seguindo a ordem cronológica da narrativa. Quando a criança vai contar para o outro, ela precisa percorrer o mesmo caminho traçado para a realização da história. Ele precisa se lembrar do que quis desenhar, para poder contar todos os detalhes veiculados. O mesmo acontece quando a criança produz a escrita livre; ao ler, nem sempre consegue se lembrar de tudo que quis escrever. É importante observar o processo de construção e não apenas o produto (Vigotski, 1998a).
5.3.1f Resultados da 1ª sessão de Renato em sala de aula