6. Reaktive holdninger
6.4 Sosial praksis assosiert til reaktive holdninger
A professora utilizou com Daniel o mesmo Tipo de Diálogo utilizado com Ana para saber as palavras que ele havia escrito, fazendo diferença no momento em que encontrou uma palavra que ela sabia que o Daniel já conhecia. Márcia Pede Explicação da palavra escrita, levantando a hipótese de falta de letra à palavra. Em seguida, o menino refez acertadamente a palavra.
A avaliação das palavras escritas pelo menino, feita pela professora, na mesa dele, contribuiu para a significação da produção gráfica livre, desencadeando ZDP. A professora interagiu com ele ao perceber uma palavra escrita de forma diferente da norma; utilizou a estratégia de perguntar o que estava faltando, auxiliando-o, assim, a descobrir o erro. Indiretamente a professora desencadeou ZDP em Daniel no momento em que fazia a
avaliação com Ana, quando a menina disse ABELHA para a letra A. Daniel entendeu o emprego da palavra abelha na letra A. Assim, ao decidir a palavra que faria na letra A, passou a soletrá-la, na tentativa de descobrir quais letras empregaria para escrevê-la, fazendo a relação fonema/grafema. Usou de repetições, como se, ouvindo várias vezes o som, conseguiria relacionar uma letra. Retomemos suas falas: “Pode ser abelha; A B B A, não A B; A B BO ABELHA; A BE; A BE LHA. A de novo.” Dessa forma, Daniel vai tomando consciência dos sons das letras ao repeti-las para empregá-las na escrita. Está empregando os conhecimentos que traz da família, porque é curioso e gosta de perguntar sobre as letras, ou das próprias condições de alfabetização da escola, ao pedir a relação letra e som, como relatado no início desta sessão.
• Interação com os colegas
O Daniel interagiu com os colegas. Felipe anunciou uma palavra começada com determinada letra. Iniciou-se um diálogo, reproduzido no quadro nº 21, que permitiu aos componentes da mesa demonstrarem seu conhecimento sobre a letra.
Quadro nº 22 – Trecho do episódio de Daniel, Felipe e Renato na 2ª sessão em sala Crianças Enunciados Análise da Conversação Felipe - E aí, o que falta pra o morango. Enunciado do falante
Renato – Não tem morango aqui. Réplica Elaborada de Discordância Felipe - Mas morango começa com M. Réplica Elaborada, manutenção do
enunciado inicial
Daniel – Morango não começa não. Réplica Elaborada de Discordância Felipe – Ahn! Ahn! Réplica Mínima, manutenção do
enunciado inicial
Daniel – Não começa. Réplica Mínima de Discordância Renato - Olha ali. Dêitico; prova mostrando o cartaz Daniel - Tá escrito, cadê? Ahnnn! Tá bom!...
Maaaçãã, maçã começa com M.
Réplica Elaborada de Concordância, olha, aceita e propõe outra
Felipe – Tem que fazer a letra de morango... Réplica Elaborada de Discordância
Daniel – Também. Réplica Mínima
Felipe utilizou-se do dêitico para mostrar aos colegas a veracidade de seu enunciado, apontando para o cartaz afixado na parede. Daniel evidenciou seu estilo de aprendizagem: nega-reflete-muda. A dinâmica do diálogo evidenciou as possibilidades de aprenderem uns com os outros. Dialogaram sobre a escrita de palavras que começavam com a letra proposta por um deles e, desse modo, desencadearam ZDPs.
Outro desencadeamento de ZDPs deu-se pela Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante de soletração da relação fonema/grafema do Daniel, que gerou as soletrações de Felipe e Renato, o que chamamos de soletração “coletivizada”, uma oportunidade de aprendizagem coletiva. Apresentamos esse diálogo no quadro nº 23:
Quadro nº 23 – Outro trecho do episódio de Daniel, Felipe e Renato na 2ª sessão em sala
Crianças Enunciados Fala egocêntrica
Daniel SAPO SAPO é A. Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante
Felipe – É sa sa po ó ó sapó, começa com S SAPO.
Fala Egocêntrica geradora da Fala comunicativa
Daniel – Não é. Ah! É ó. Estilo do Daniel nega/reflete/conc. a Felipe – SA A PO O. Fala Extern. Egocêntrica e Relev. Renato – Cadê o sapo. Fala Egoc. geradora da Fala
Cominucativa
Daniel – Aqui SA PÓ PÓ é Ó. Fala Egocêntrica coletivizada Renato – SA SA PO. Fala Egocêntrica coletivizada Felipe – S S A PO PO Ó. Fala Egocêntrica coletivizada
Daniel – O P Ó. Fala Egocêntrica coletivizada
A criança que não conhece as letras, ouve a resposta do colega e vai aprendendo. A atividade de aprender com o outro, pode consolidar o que já se sabe, mas principalmente gerar novas aprendizagens do que não se sabe, gerando ZDP, ou seja, as possibilidades de desenvolvimento que estão por vir (Vigotski, 1998a).
• Fala egocêntrica
Daniel apresentou Fala Externalizada Egocêntrica e Relevante ao soletrar em voz alta a palavra ABELHA, conforme consta no quadro nº 21. Utilizou também esse tipo de fala ao realizar suas produções gráficas livres com outras palavras.
• Produções gráficas livres
Nota-se a mediação de escrita livre; de fala egocêntrica, tanto na organização da relação fonema/grafema, como na geração da fala comunicativa com os colegas para a construção de conhecimento.
Daniel usou a estratégia de olhar os
cartazes de desenho e escrita e se aproveitou das trocas dialógicas entre a professora e a colega e dos diálogos com os dois colegas, para realizar sua tarefa. Suas produções gráficas
livres caracterizam-se como tentativas de escrita, utilizando sempre a primeira letra pedida na tarefa. Preocupado com o som das sílabas, utilizava geralmente vogais e tentava escrever algumas palavras que sabia de memória (fig. 18). Essas tentativas indicam, primeiramente, que o menino já compreende que se escreve a fala, pois se preocupa com o som da palavra (Colello, 2004; Teberosky, 1989; Tolchinsky, 1997; Vigotski, 1998a). Ele repete a palavra várias vezes, tentando identificar alguma letra conhecida com aquele som. Acreditamos que existiu um esforço intelectual de Daniel ao buscar a letra a ser aplicada na palavra que estava escrevendo (Calkins, 2002), ao tentar tomar consciência dos sons, por repeti-los várias vezes, e ao tentar identificar a relação fonema/grafema em conhecimentos prévios, já discutidos anteriormente na categoria interação com a professora.
5.3.2e Resultados da 2ª sessão de Felipe em sala de aula