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Vurdering av den digitale transformasjonen i NIF

5.1 Arbeidet med et digitalt løft i norsk idrett

5.1.2 Vurdering av den digitale transformasjonen i NIF

É nesse contexto político e social descrito que se estabeleceu no Brasil o pentecostalismo. Em 1911 os suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg fundaram a Missão da Fé Apostólica, que em 1918 passou a se chamar Assembleia de Deus. De origem sueca, no decorrer dos anos essa igreja se tornou cada vez mais brasileira. Na década de 1930 ela é um movimento (ALENCAR, 2013) popular de caráter carismático e não quer ser conhecida como denominação religiosa. No interior desse pentecostalismo há uma cultura de marginalização que é resultado

14 Fundada em 16 de setembro de 1931 a Frente Negra foi uma organização que chegou a ter 400 membros

inscritos. A sede do movimento ficava localizada no bairro da Liberdade, em São Paulo. Na época, negros não podiam pertencer à corporação militar de São Paulo, de modo que a Frente Negra criou uma milícia paramilitar, que lutou na Revolução Constitucionalista de 1932 e ficou conhecida como a “Legião Negra”. Os membros da organização criaram uma cédula de identidade própria dos membros do grupo, todas com foto de perfil. A Frente Negra também se opôs à ditadura Vargas, tendo sido dissolvida e voltou a existir com o nome de Associação dos Negros do Brasil em 1945 (TEIXEIRA, 1988, p. 89).

de processos de exclusão do Brasil, mas também houve ali influência da cultura pentecostal sueca.

No século XIX e início do século XX, a Suécia era um país pobre, de modo que 80% da população viviam da agricultura. Nesse período, Suécia, Noruega e Irlanda eram os países europeus com o maior número de emigrados. A economia sueca mudou durante a Primeira Grande Guerra e principalmente depois do conflito. Num curto espaço de tempo o país se tornou rico. Vários países do mundo começaram a comprar produtos suecos como aço, fósforo, pastas para papel, telefones e aspiradores de pó. A industrialização levou a um rápido aumento de mão de obra operária e, como consequência, ao crescimento urbano. (ANDERSON, 1984, p. 29).

De maioria luterana, a Suécia do começo do século XX possuía um modelo religioso diferente do denominacionalismo verificado nos Estados Unidos. Em geral, as dissidências protestantes que ocorriam eram reprimidas e marginalizadas, de modo que para Paul Freston esse foi um dos motivos que levou batistas suecos a emigrarem (FRESTON, 1996); muitos desses batistas já tinham experiências pentecostais. Os missionários que chegaram ao Brasil na primeira metade do século XX vinham de uma Suécia que marginalizava as minorias religiosas. Esses grupos protestantes dissidentes nutriam desprezo pela religião estatal com todo seu status político e social.

[...] eram portadores de uma religião leiga e contracultural, resistentes à erudição teológica e modesta nas aspirações sociais. Acostumados com a marginalização, não possuíam a preocupação com a ascensão social típica dos missionários americanos formados no denominacionalismo (FRESTON, 1996, p. 78).

Esses grupos periféricos farão da religião seu espaço de resistência. As relações entre subalternidade e resistência, sofrimento e marginalização se firmarão no assembleianismo brasileiro. Resistência não como oposição explícita, mas como a construção de novos sentidos. Podemos estabelecer certo paralelo com aquilo que Foucault chamou de “linhas de fuga” (FOUCAULT, 2002, p.12) em que o empoderamento discursivo – nesse caso o discurso religioso – no plano simbólico cria condições materiais de emancipação de minorias. Pois os grupos marginalizados “circulam em uma atmosfera que os mantêm atados a uma imobilidade social asfixiante” (SILVA, 2011, p. 38).

O assembleianismo brasileiro inicial teve considerável adesão de mulheres, as quais adquiriam esse empoderamento discursivo através do uso da palavra, sobretudo através dos testemunhos e das experiências extáticas. Todavia, quando falamos em mulheres no pentecostalismo é preciso dividi-las em pelo menos três categorias: mulheres negras brasileiras,

mulheres brancas brasileiras e mulheres estrangeiras (europeias e norte-americanas). Historicamente as mulheres negras são aquelas que estão nos níveis mais inferiores dos processos de subalternidade.

Isael de Araújo no livro 100 Mulheres que fizeram a história das Assembleias de Deus (2011) destaca 60 mulheres estrangeiras, 37 mulheres brancas brasileiras e apenas 3 mulheres negras brasileiras. Em 1925, já no Rio de Janeiro, o casal Frida e Gunnar Vingren separou Emília Costa para o cargo de diaconisa. Negra, Emília Costa, além de exercer atividades de evangelização, participou das Escolas Bíblicas de Obreiros e de Convenções Gerais das Assembleias de Deus. Invisibilizadas, muitas dessas mulheres negras encontraram nas experiências de êxtase formas de empoderamento discursivo.

Pode-se dizer, então, que Emília Costa e Frida Mari Strandberg eram companheiras de ministério. Frida nasceu em 09 de junho de 1891 em Sjalevad, região norte da Suécia e ainda jovem tornou-se membro da igreja Filadélfia de Estocolmo. Na capital sueca trabalhou como enfermeira até comunicar ao pastor da igreja, Lewi Pethrus, seus anseios missionários. Ingressou então num curso bíblico, tendo se tornado professora de Bíblia. Em 1917 ela foi enviada como missionária para o Brasil e casou-se nesse mesmo ano com Gunnar Vingren. Além de sua atuação como pastora, Frida foi uma das fundadoras do jornal Mensageiro da Paz. A primeira edição do Mensageiro da Paz foi lançada em dezembro de 1930 no Rio de Janeiro. De início, a redação do jornal funcionou na residência de Frida e Gunnar Vingren e também nas instalações da própria igreja em São Cristóvão. O primeiro jornal criado pelos missionários suecos foi o Voz da Verdade, em 1917, quando ainda estavam em Belém do Pará. Esse períodico circulou apenas por dois meses e Gunnar Vingren viria a fundar o próximo jornal, Boa Semente, em 1919, também no Pará. Já no Rio de Janeiro foi criado o jornal Som

Alegre, em 1929, que circulou até 1930. O Mensageiro da Paz foi um jornal militante, pois

além de ter uma função evangelizadora servia também para divulgar e reforçar doutrinas pentecostais.

Foi no contexto de enriquecimento da Suécia durante a Primeira Guerra Mundial que a Igreja Pentecostal Filadélfia em Estocolmo, liderada pelo pastor Lewi Pethrus, passou a dar apoio financeiro a seu amigo de infância Daniel Berg e a Gunnar Vingren no Brasil, além de enviar missionárias e missionários para o Brasil e outras partes do mundo. Para isso, Pethrus criou uma organização chamada Missão Sueca Livre. As bases do moderno Estado de bem- estar social sueco foram lançadas na década de 1930. Uma série de leis e reformas relacionadas com a política fiscal, pensões de aposentadoria, previdência social, assistência médica e educação foram aprovadas (ANDERSON, 1984, p. 45). O propósito de tais reformas era o

nivelamento das diferenças sociais, com vistas à igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. O modelo de sociedade sueca passou a ser considerado como o lar do povo, onde as necessidades dos cidadãos deveriam ser supridas pelo Estado. Foi durante as décadas de 1920 e 1930 que chegou ao Brasil o maior número de missionárias e missionários suecos, que coincide com o boom econômico da Suécia. Além disso, a cultura da marginalização social foi sendo substituída por ideias de igualdade e justiça.

Lewi Pethrus nasceu em 11 de março de 1884 em Västra Tunhem, zona rural da Suécia, tendo sido batizado na Igreja Batista de Vänersborg cinco anos depois. Em 1900 mudou-se para a Noruega onde se tornou pastor da Igreja Batista de Arendal e dois anos depois passou pela experiência do falar em outras línguas. De volta a Estocolmo foi estudar teologia no seminário Betel e, em 1906, tornou-se pastor da Igreja Batista de Lidköping.

Em 1907 tem um contato mais direto com o movimento pentecostal a partir de encontros em Oslo, na Noruega, com o pastor Thomas Ball Barratt. Ex-pastor metodista, T. B. Barratt havia recebido o batismo com o Espirito Santo a partir de uma visita a Nova Iorque em 1906 e, quando regressou à Noruega, tornou-se um dos primeiros divulgadores da doutrina do chamado batismo com o Espírito Santo na Europa. A Igreja Pentecostal Filadélfia seria fundada por Pethrus em 1911 na cidade de Estocolmo. Entretanto, sua igreja foi expulsa da União Batista Sueca, tendo em vista que Pethrus ministrava a ceia aberta. Na década de 1940, 1950 e principalmente na de 1960 Lewi Pethrus demostrou cada vez mais interesse em exercer influência na esfera pública sueca. Foi, inclusive, nesse período que ele se desentendeu com o pastor sueco Sven Lidman (1882-1960). Destacado escritor e para muitos o principal nome da literatura sueca do início do século XX, Lidman se converteu em 1917 (ARAÚJO, 2007, p. 567). Seus romances e dramas tinham como narrativa principal religião, sexualidade e mente humana. Em 1920 publicou uma tradução das Confissões de Agostinho e, nesse mesmo ano, iniciou sua amizade com Lewi Pethrus. No ano seguinte Lidman é nomeado ministro da Igreja Filadélfia e passou a dirigir o jornal da denominação.

Nesse período também enviou matérias para o Brasil onde foram publicadas nos jornais

Boa Semente e Mensageiro da Paz. Pethrus e Lidman tinham personalidades muito diferentes,

de modo que em 1948 houve o rompimento da amizade. Há versões diferentes para esse fato. A versão brasileira diz que Lidman foi o responsável pelo fim da amizade, tendo feito acusações à pessoa de Pethrus; entretanto os suecos narram o ocorrido de maneira diferente. Para eles, Lidman não concordava com o uso político que Pethrus fazia do jornal da igreja.

Em 1948 houve uma reunião do Conselho da Igreja Filadélfia e nela foi discutido a respeito dos pastores que estavam na época para se aposentarem. O nome de Lidman fora

citado, de modo que ele interpretou aquilo como uma manobra de Pethrus para tentar afastá-lo de seus cargos. Lidman, então, preparou uma nota e convocou a imprensa. Nessa nota fez uma série de acusações. Entre elas dizia que Pethrus tinha um estilo de liderança autoritária; era admirador de Adolf Hitler e também cometia improbidade administrativa na Filadélfia. Na ocasião, Lidman também leu sua carta de renúncia.

Foi destacada uma comitiva de pastores para atenuar o conflito, pois acreditavam que ambos haviam errado. Pethrus teria, então, pedido perdão, mas Lidman recusou. Em 05 de abril de 1948 Lidman e sua família foram excluídos da Igreja. No ano seguinte escreveu um livro intitulado Viagem ao julgamento, em que fazia ainda mais acusações contra Pethrus. Pethrus escreveria apenas em 1953 um livro para rebater as acusações: Verdade e Decência (tradução livre para o português). Tempos depois Lewi Petrhus confessaria que o conflito com Lidman era a maior dor que carregou ao longo de seu ministério. Dizia que a briga entre os dois se deu em razão do ciúme de pessoas que desejam desfazer aquela amizade; em 1953 voltaram a ser amigos.

Em 1958 Lewi Pethrus se desligou da Filadélfia, tendo criado uma organização filantrópica e, em 1964, o Partido Democrata Cristão (PDC) 15; apenas em 1985 membros do

partido conseguiram ocupar assentos no parlamento. A criação desse partido esteve relacionada com questões religiosas na Suécia. Em 1963 o governo havia decidido retirar a disciplina Ensino Religioso do curriculum das escolas, de modo que Petrhus e outras igrejas evangélicas se manifestaram contra.

A base do partido era constituída de grupos religiosos minoritários que nesse período formavam as igrejas livres da Suécia (pentecostais, batistas, metodistas). Portanto, esse partido era diferente do Partido Democrata Cristão da Alemanha ou da Itália, os quais foram constituídos a partir de grupos majoritários. Entretanto, nesse período o pentecostalismo na Suécia já era respeitado. Lewi Petrhus havia fundado também um jornal chamado Dagen e através dele redigia matérias onde externava seu descontentamento com os rumos das políticas sociais e econômicas da Suécia.

Oficialmente, o partido foi fundado em março de 1964 e na primeira eleição do diretório nacional Pethrus foi eleito seu vice-presidente. Como disse pouco antes, ele foi amigo do famoso escritor sueco Sven Lidman e, em 2001, foi publicado na Suécia o livro Lewi Resa, o qual trata da amizade entre os dois. Lewi Pethrus morreu em 1974 e um fato curioso é que

15 O PDC é hoje um partido de oposição ao governo e uma de suas principais características é o grande número

foram feitas moedas como forma de tributo a um dos fundadores do movimento pentecostal na Suécia.

Nessa primeira fase da pesquisa auscultamos 206 artigos do jornal Mensageiro da Paz e destes analisamos um total de 30. As autoras e autores, todos com expressiva representatividade nas ADs são: Frida Vingren (1891-1940); Gunnar Vingren (1879-1933);

Antônio Torres Galvão (1905-1954) - pastor fundador de igrejas no Nordeste, presidente de

sindicato e governador interino do estado de Pernambuco); Zélia Brito (1907-1988) - realizou trabalhos de evangelização no subúrbio do Rio de Janeiro como Bangu, Realengo e Madureira; foi casada com o pastor Paulo Leivas Macalão); Samuel Nystrom (1891-1960) - foi o primeiro missionário sueco enviado para o Brasil a partir da base de missões criada em Estocolmo pelo pastor Lewi Pethrus. Pastoreou igrejas em Belém, Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas e Acre, além de ter sido presidente da CGADB; Emílio Conde (1901-1971) - jornalista e diretor do

Mensageiro da Paz. Poliglota, destacou-se como escritor e redator na imprensa assembleiana.

Leigo e solteiro, antes de ser assembleiano pertenceu à Congregação Cristã do Brasil; José

Teixeira Rego (1898-1960) - pastor de igrejas no Ceará, Rio de Janeiro e Maranhão, foi também

um dos fundadores da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD); Eurico Bergstén (1913-1999) - missionário finlandês enviado ao Brasil pelo junta de missões sueca. Foi escritor e professor de inúmeras escolas bíblicas; João Pedro da Silva (1895-1934) - pastor de igrejas em Minas Gerais, Sergipe, Bahia e Espírito Santo; Nils Kastberg (1896-1978) - missionário sueco, foi pastor e redator do Mensageiro da Paz; Francisco Pereira do Nascimento (1904- 1966) - primeiro pastor brasileiro das ADs em Belém do Pará; Lawrence Olson (1910-1993) - missionário estadunidense e um dos pioneiros das ADs em Minas Gerais e do ensino teológico;

Francisco Gomes Assis (1906-1996) -pastoreou igrejas no Rio de Janeiro e Maranhão; escritor

de diversos periódicos da CPAD; Bruno Skolimowsky (1884-1961) - de origem polonesa, além de pastor ministrava nas Convenções Gerais.

3.4 TEMPORALIDADES E POLÍTICA NO ASSEMBLEIANISMO BRASILEIRO (1930-