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Nenhuma obra é produto de um autor. Nem sua composição surge como uma visão unificada, una, do seu desejo, interesses e vontade. Suas filiações e afiliações, em

meio a uma leitura contrapontual, demonstram o seu enraizamento no mundo. Ela também não faz parte de um tempo só, ela mesma pudendo ser parte do desdobramento intertextual da Grande Temporalidade334 de alguma outra obra. Ao mesmo tempo, o seu

espaço não pertence unicamente à geografias fixas, determinadas no realismo das nossas geografias imperiais. Vejamos, então, a Gabriel García Márquez, Colômbia, década de 1960-70, Caribe, “el ahogado más hermoso del mundo”, como pontos nodais de uma estrutura imbricada, heterogênea e, sobretudo, como pontos de partida para uma reflexão crítica secular.

Está para além do objetivo desta tese, apresentar uma biografia exaustiva do autor, ou realizar uma apresentação sistemática da sua obra, dentro da qual estaria inserido O afogado. Interessa-me, ao invés disso, trazer aqueles aspectos que irão dimensionar, como pano de fundo, o mal estar político e os processos históricos diante dos quais o conto e o seu autor podem ser interpretados como um “sintoma pós- colonial”, como sendo parte de um gesto agonístico cujos interesses convidamos a serem co/nstruídos nesse entre-tempo da nossa época.

A convocação de eventos históricos, personagens políticos e cenários geográficos converge para o nosso objetivo de construir a mundanalidade do texto. Sem esse enraizamento, como já foi dito, perdem-se a pluralidade de conexões que prendem o texto, a pluralidade de conexões que o texto busca fazer, às quais responde, e sobre as quais se posiciona.

A construção do conto como intervenção política implica, portanto, assumi-lo como um ponto crucial pertencente a uma rede heterogênea (a heterogeneidade histórico-estrutural da qual nos fala Walter Mignolo335) de conexões de vários níveis.

Em algum ponto da nossa análise, pretendemos descobrir aquilo que conecta o conto com a realidade cristológica. Porém, não será o nosso objetivo principal; afinal, uma não-cristologia, como resposta ao contexto imperial e neo-colonial não pode contestar tal retórica ficando presa na lógica cristológica imperial, isto é, não pode se deixar pautar por ela.

O conto é escrito em 1968 (ano que Robert Young associa como a primeira inscrição histórica das lutas anti-coloniais e anti-imperiais em território europeu), e publicado ao lado de outros contos e escritos em 1972. São as datas do início da

334 Veja Mikhail Bakhtin, Estética da criação verbal, op. cit., p. 364

335 Walter Mignolo, La ideia de América latina. La herida colonial y la opción descolonial (Barcelona: Editora Gedisa, 2007 [1ª ed. 2005]), p. 73

teologia latinoamericana da libertação: Rubem Alves, Towards a theology of human fope (1969), e Gustavo Gutiérrez, Teologia de la liberación (1971). É poça de ditaduras no continente, de políticas intervencionistas dos Estados Unidos, e, nas palavras do próprio García Márquez, de imperialismo e neo-colonialismo, como comenta a respeito do cinema:

O cinema colombiano em seus longos anos tem sido uma vítima, assim como todas as expressões culturais na Colômbia, da alienação motivada pela cultura imperialista e neocolonialista que rege a atitude dos governos ‘nacionais’, que durante os cento e cinquenta anos e mais de ‘independência’ dirigiram o poder estatal...336

Para García Márquez, nação e independência são palavras que devem estar entre aspas. Não é mania nem vontade de preciosismos “pós-estruturalistas”, como alguns poderiam pensar; é questão da constatação da complexidade do tipo de pensamento que supera os fáceis binarismos do pensamento ocidental. E isto é importante destacar porque, se por um lado o “deconstruccionismo” e o “pós-estruturalismo” têm sido qualificados como teorias esdrúxulas e eurocêntricas que teriam pouco a ver com uma postura de descolonização (uma postura que é de um essencialismo preocupante, por sinal), por outro lado se desconhece que esse linguajar teórico “extremamente sofisticado” pode ter a sua contrapartida na expressão literária de autores como García Márquez.

O nacionalismo como marco contextual oferece o pano de fundo que permite traçar o perfil de García Márquez como um escritor pós-colonial. Se estivermos certos ao afirmar que Fanon escreve sobre o colonialismo desde a perspectiva de um francês337, compreenderemos que a escrita de um García Márquez é a clara expressão do

que Said chama de sobreposição e interdependência, um tipo de paradoxo ao interior da metrópole, cuja marca pode ser identificada nas aspas ao redor dessas palavras, nação, independência. A nação é, digamos, um realismo mágico colonial338, assim como os

discursos de independência! Já a linguagem do conto, como veremos no decorrer desse capítulo, é a linguagem da interdependência: o estrangeiro que vira “um dos nossos”. “Não mais estamos completos”.

336 García Márquez, citado por Gloria Pineda, “Una aproximación histórica a la concreción de una postura ideológica en el cine político marginal de los años 60’s y 70’s en Colombia”, em Convergencias y configuraciones (Cali: Universidad del Valle, 2012), p. 111. O texto de García Márquez provém do seu artigo “Por un cine militante – cine popular colombiano”, em René Palacios Moré; Daniel Pieres Mateus, El cine latinoamericano: o por una estética de la ferocidad, la magia y la violencia (España: Sedmay, 1976), pp. 110-131

337 Said, Cultura e imperialismo, op.cit., p. 378

338 Mais a frente problematizo a questão do realismo mágico como sendo uma questão exclusivamente latinoamericana. Isto que chamo de realismo mágico colonial é uma referência àquilo que Emilie Townes chama de imaginação hegemônica fantástica, em Womanist Ethics and the Cultural Production of Evil. Black religion, womanist thouht, social justice (New York: Palgrave Macmillan, 2006), p. 7.

Pode a postura teórica (sob a forma da produção literária) estar isenta de influências do clima político e social de onde emerge? Sabemos que não. O que é possível afirmar, a partir do nosso referencial, é que as ideias que produzem as obras de arte, assim como os outros textos da cultura (a produção acadêmica, a produção jornalística, os relatórios burocráticos, as cartas, etc.), encontram-se nessa estrutura espalhada que Spivak e Said chamam, seguindo a Foucault, de “formações discursivas”339. É a distribuição da consciência geopolítica, como dizia Said em

Orientalismo. E, portanto, essas ideias que circulam e estão a disposição para serem usadas na produção cultural, podem e devem ser analisadas nessa dialética da criação cultural humana.

Se estamos no clima do surgimento da teoria terceiro mundista da libertação340 o que estaria na base da diferença entre a postura pós-colonial da produção de um Gabriel García Márquez, e, digamos, a produção pós-colonial dos teólogos da libertação? (o termo pós-colonial é usado nesse caso específico em sentido ambíguo, tanto como descritor temporal, assim como também categoria crítica). Não estariam por acaso ambos grupos de intelectuais (literatos e teólogos) expostos ao mesmo sistema de referências e circulação de enunciados? Dois motivos podem ser levados em conta para responder a essa pergunta: por um lado, fatores pessoais (de García Márquez), e por outro lado, a especificidade do espaço disciplinar (a “literatura”).

Ora, se as obras da cultura ocidental foram lidas pela crítica como não tendo nada a ver com o imperialismo (e a crítica secular de Said é a firme oposição a essa postura), nós não podemos, portanto, continuar a ler as obras (literárias, no nosso caso) de uma cultura de oposição e resistência dos setores ex-colonizados como não tendo nada a ver com a descolonização e a oposição anticolonial e anti-imperial.

A revisão histórica produzida desde a literatura oferece a possibilidade de extrapolar o campo das disciplinas científicas tradicionais mais regidas pelos seus correspondentes inibidores da crítica. No caso da teologia, estes inibidores fazem

339 As obras de Gayatri Spivak (Crítica de la razón postcolonial) e de Edward Said (Orientalismo,

Cultura e Imperialismo, El mundo el texto y el crítico) onde eles elaboram encima da categoria de “Formações discursivas” de Foucault, foram analisadas no capítulo 1. Reveja a discussão no ponto 2.1 “Edward Said…”., e no ponto 2.2, “Gayatri Chakraborty Spivak…”.

340 As diferentes classificações sobre os estagios de desenvolvimento de uma teoria emancipatória nos dois terceiros mundos (two third worlds) difere entre os autores. Robert Young expõe a evolução

passando pelas teorias da dependência que antecedem à teoria da libertação (Postctolonialism, op.cit., pp. ) A periodização que temos em Said compreende uma análise um pouco mais densa e entrelaçada (Cultura e Imperalismo, pp. ). A libertação, como projeto histórico aberto continua sendo o horizonte. Veja também Elisabeth Schüssler Fiorenza para uma postura similar sobre a libertação como categoria crítica do pensamento emancipatório.

convergir elementos tanto da retórica secular quanto da retórica religiosa; em outras palavras enquanto teólogos precisam lidar com as pressões institucionais das religiões a que pertencem, também precisam prestar contas e tentar se alinhar com os critérios desse outro magistério, igualmente institucionalizado e hierarquizado chamado de academia. No meio do jogo, a crítica fica comprometida.

Leremos a García Márquez como a manifestação de uma expressão crítica que procura evidenciar a experiência que une a colonizadores e colonizados341. A literatura

por si só não representa necessariamente uma instância livre das amarras das quais estamos falando. É preciso estudar com maior cuidado o conjunto de interesses, objetivos, meios de expressão, filhações e afilhações, etc., que configuram um conto como O afogado como fazendo parte desse movimento contrahegemônico de descolonização. Quais elementos configuram autor, texto e contexto de modo a formular a escrita de O afogado com essa categorização?

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Algumas pessoas têm criticado as obras de García Márquez por conta do exagerado tom pessoal e anedótico que compõe as suas narrativas342. Não cabe dúvida

que estes mecanismos de excluir do conhecimento científico (ou “literário”, no caso de García Márquez), tudo aquilo que forma parte da vida cotidiana, e da experiência radical dos sujeitos pós-coloniais, acabe impedindo, por exemplo, como no caso do texto de Frantz Fanon, Pele negra, máscaras brancas, de ser recebido como tese aceitável para adquirir o grau de psiquiatra na universidade de Lyon, como declara David Richards343. Esse texto de Fanon também não era convencional a respeito de

vários aspectos –continua dizendo Richards– pois combinava, além da psicanálise, elementos literários e poéticos, distantes da escrita “acadêmica”. Com Gabriel García Márquez, mesmo dentro do campo da literatura, não é diferente.

341 Veja Edward Sai, Cultura e imperialismo, abordado no primeiro capítulo da tese. 342 Veja “Journey Back to the Source, El Manifiesto 1977”, em Gene H. Belle-Villada (ed.),

Conversations with Gabriel García Márquez (Mississipi: University Press of Mississipi, 2006); García Márquez declara: “Sim, talvez minhas brincadeiras tenham contrubuído para o pensamento de que me falta educação literária... Pouco se sabe sobre meus conhecimentos em literatura colombiana. Sem dúvida, as minhas influências, especialmente na Colômbia, são extra-literárias. Para além de qualquer livro, penso que o que abriu os meus olhos foi a musica, as canções do vallenato”, (p.79). E a seguir ele explica como o vallenato possui uma estética narrativa que se assemelhava à forma como a sua avó narrava os fatos da vida cotidiana... quase naturalmente (p. 79). Pode se ver a influência da musica na sua literatura ao longo de quase todas as entrevistas reunidas nesse livro editado por Gene H. Belle-Villada.

343 David Richards, “Framing Identities”, em Shirley Chew, David Richards (Eds.) A concise companion

O que poderíamos dizer sobre o “tom anedótico” na sua produção literária? Será mais uma tentativa de se expressar, através desse julgamento, a tentativa da literatura de se livrar das amarras da sua mundanalidade? Qual é o ‘pecado’ de uma escrita anedótica? Na realidade, sem esse ingrediente do cotidiano imerso e imbricado em seu estilo, a magia da sua escritura não teria emergido.

Se por um lado levarmos em conta como García Márquez é devedor do seu estilo a personagens da sua vida pessoal, como sua avó Tranquilina Iguarán ou sua mãe344, deveremos destacar por outro lado, de alguma forma, que tais vozes, como a voz

de Tranquilina, não teriam um espaço de intervenção possível no nosso mundo a não ser através da brecha aberta pela escrita do seu neto; aquilo que veio a ser chamado de realismo mágico –convenhamos nisso– é realmente inaugurado pela criatividade artística e literária de milhares de avós “colombianas” como dona Tranquilina Iguarán345 cujas histórias tem povoado e fertilizado a nossa imaginação por gerações, e

se cristalizaram de maneira particular na escrita desse autor que traduziu a experiência de todo um povo, um continente e uma época.

De alguma forma, um tipo de expressão literária muito similar ao “realismo mágico” constituiu desde sempre a forma como a humanidade exprimiu as verdades mais profundas sobre a existência. Vemos isso por exemplo, no trabalho de recopilação de histórias e tradições ao redor do mundo que a Psicóloga Youngiana Clarissa Pinkola Estés faz em seu Mulheres que correm com os lobos. Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem346. O que caracteriza o realismo mágico do qual García Márquez é

representante especial, é o contexto pós-colonial, pois junto com ele, toda uma gama de literaturas ao redor do mundo refletiu em uma linguagem mais ou menos similar questões que de forma teórica acadêmica não tinham muito lugar.

Refiro-me a escrita de autores como Salman Rushdie, Carlos Fuentes, Chinua Achebe, Wole Soyinka, Faiz Ahmad, Alejo Carpentier, Jorge Luis Borges, Milan Kundera, alguns dos quais são referidos por Said como expressões literárias que captam “com nitidez os densos fios entrelaçados de uma história que zomba da narrativa linear,

344 Gabriel García Márquez, El olor de la guayaba, conversaciones con Plínio Apuleyo Mendoza (Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1993), p. 36. Ao longo do livro percebemos como os personagens da sua vida cotidiana, familiares ou não, constituem parte essencial e fundamental da sua imaginação literária. 345 Falando sobre como se interessou pelo romance, lendo A metamorfose, de Kafka, diz: “Recuerdo la primera frase: "Al despertar Gregorio Samsa una mañana, tras un sueño intranquilo, encontróse en la cama convertido en un enorme insecto". "Coño -pensé-, así hablaba mi abuela."” (Ibid., p. 35)

346 Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que correm com os lobos, mitos e histórias do arquétipo da mulher

selvagem (Trad. Waldéa Barcellos, Rio de Janeiro: Rocco, 1994 [1ª Ed. ingês, 1992]). As mulheres contadoras de histórias são parte importante nessa questão (cf. Pinkola, p. 30-34).

das ‘essências’ facilmente recuperadas, da mimese dogmática da representação ‘pura’”347.

Esta referência mais global é importante para referir o contexto literário (sitz in literature) da obra de García Márquez. Sabemos que as obras literárias não são hoje e nunca foram no passado, produzidas em um vácuo teórico348/histórico. Sabemos,

porém, que não é uma teoria literária qualquer que vai nos fornecer os meios para inquirirmos a questão do contexto. Estudos exegéticos circunscritos de forma geral ao conjunto de interesses aos quais adscrevemos aqui lançam mão, sobretudo, da crítica retórica, além da análise do discurso e dos estudos subalternos, como afirma Fernando Cândido349.

Para Fernando Cândido, em seu estudo sobre o deuteronômio, figura como algo incontornável a análise da literatura da mesma época para determinar “o mal do arquivo”350. Esse mal, sua doença, está no formato que possibilitou a sua existência, no

caso, o formulário da aliança, a “berit”, e sua disposição retórico imperial. “... o próprio conceito de ‘formulário da aliança’ é devedor de evidências extra e intra-bíblicas, a saber, a estrutura dos tratados de vassalagem vétero-orientais e o emprego do vocábulo berit.”351. Sem ele perceber (pois Said não faz parte do seu referencial teórico), é a

metodologia de uma leitura contrapontual que lhe permite localizar a mundanalidade do seu arquivo:

Ao analisar os tratados do II e I milênios, assírios e neo-assírios ou Hititas, descobre-se que “todo tratado envolve obediência e lealdade”... e a lealdade ao império aparece como a ideologia central dos tratados. (...)“Amarás Assurbanipal... como a ti mesmo” Tratado de Assarhaddon a Humbaresh...352

Da mesma forma, hoje é necessário perceber a genealogia de autores, ideias e correntes, literárias ou não, em meio às quais a escritura de García Márquez, entre outros autores, surge como esse impulso crítico revisionista da modernidade. Said

347 Cultura e Imperialismo, p. 423.

348 Gostaria que leitores e leitoras associassem esta palavra “teoria” em relação direta com a metáfora de “visão de mundo”, “visão”, “percepção”, seguindo sua própria etimologia. Nesse fundamento comum, a “religião” pode emergir também como “uma teoria”.

349 Em Uma aliança abominável e per/vertida: anotações subalternas sobre o arquivo deuteronômico (São Bernardo do Campo: UMESP, 2011 [Tese de doutorado]). A crítica retórica é também quadro teórico fundamental da exegese e hermenêutica crítica da Schüssler Fiorenza, que forma parte do nosso quadro teórico. Veja Elisabeth Schüssler Fiorenza, Rhetoric and Ethic: the politics of biblical studies (Minneapolis: Fortress Pres, 1999).

350 Jacques Derrida, Mal de archivo: uma impresión freudiana (1994), disponível em http://www.jacquesderrida.com.ar/textos/mal+de+archivo.htm.

351 Ibid., p. 106

352 Ibid., p.113-114. À diferença da avassaladora maioria da exegética latinoamericana para a qual o deuteronômio aparece como um livro “de libertação”, a revisão crítica de Cândido relê o arquivo deuteronômico como a colusão do povo santo, um artefato retórico calcado nos moldes da literatura e retórica imperiais da época, cujas colusões, coalizões e colisões o autor se propõe a desvendar.

concebe a escrita dos “realistas mágicos” como parte da cultura de oposição e resistência anti-imperial, cuja obra “sugere uma alternativa teórica e um método prático para reconceber a experiência humana em termos não imperialistas.”353. Se “o que é

teoricamente inovador e politicamente crucial é a necessidade de pensar além das narrativas de subjetividades originárias e iniciais e de focalizar aqueles momentos ou processos que são produzidos na articulação de diferenças culturais”354, teremos, nessa

frase de Bhabha, uma descrição adequada das realizações do momentum literário dentro do qual está inscrita a obra de García Márquez.

Para Said, a obra de autores como “García Márquez, Salman Rushdie, Carlos Fuentes, Chinua Achebe, Wole Soyinka, Faiz Ahad Faiz e muitos outros é... inconcevibel sem a obra anterior de combatentes como C.L.R. James, George Antonius, Edward Wimot Blyden, W.E.B. Du Bois, José Martí”355. Especificamente, no caso da

América Latina, García Marquez pertence a um momentum que o conecta com outros autores do continente para quem a Revolução Cubana, as ditaduras, a violência, o deslocamento forçado, as migrações entre o campo e a cidade, o exílio, o desenvolvimento das cidades, as lutas pela descolonização do continente, a discussão modernista, o imperialismo norteamericano, etc., se torna o clima contextual da sua produção.