7. Forskjellige helseutfordringer i ulike faser av livet for kvinner og menn
7.3. Voksne
O município de São Carlos, localizado no interior do Estado de São Paulo, foi o berço da criação de novas práticas de contabilidade pública que acabaram por
9 SARTORELLI, Isabel Cristina; MARTINS, Eliseu. Machado de Assis e a Contabilidade. 2012. 10 “Funcionário de repartição pública que geralmente fazia cópias, registros e cuidava da
influenciar a remodelação da contabilidade realizada no governo do Estado, no governo federal, e em diversos outros Estados da federação.
Importantíssimo relato sobre este acontecimento foi feito por José Mancini em sua obra sobre Estanislau Kruszynski, publicada em 197811. De origem polonesa, Kruszynski nasceu em 1856 e estudou engenharia mecânica na Escola Politécnica de Zurique, na Suíça. Conforme relata Mancini (1978, p.14), Kruszysnki, em razão da perseguição política realizada pelo Estado russo sobre seu país, emigrou para o Brasil, aportando em São Paulo em 1881. Na cidade de São Paulo, atuou como professor, lecionando geometria, matemática e outras matérias. Posteriormente, foi contratado como professor dos filhos do Coronel Paulino Carlos de Arruda Botelho, chefe político de grande influência na região de São Carlos, onde fixou residência.
De fato, conforme anúncio abaixo, publicado no jornal A Província de S.Paulo em 17 de janeiro de 1882 (1882, p.4), Estanislau Kruszynski fazia parte do quadro de professores do Collegio Morton na cidade de São Paulo:
Figura 2 - Estanislau Kruszynski no Collegio Morton Fonte: Jornal A Província de São Paulo, 1882, p.4
11 Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo de 12 de abril de 1968 (1968, p.11), sob o título “São
Carlos foi o berço da ciência contábil”, com o relato de José Mancini, demonstra que cerca de dez anos antes da publicação de seu livro o mesmo já possuía trabalho escrito sobre o assunto.
Conforme Mancini (1978, p.1), Kruszynski constituiu em São Carlos um escritório de contabilidade, onde ministrava um curso particular de contabilidade, seguindo os métodos e processos em uso na Itália. O curso tinha duração de um ano e dedicava-se ao ensino dos vários sistemas de escrituração, especialmente o método das partidas dobradas e da personalização das contas denominada “Logismografia”, ensinando a escrituração de todos os livros de estabelecimentos como uma casa comercial, uma propriedade agrícola-pastoril, uma instituição bancária ou uma indústria. Kruszynski também ministrava neste curso noções de direito comercial, merceologia12 e matemática financeira. Já o escritório de contabilidade realizava a escrituração mercantil de diversas propriedades agrícolas da região.
Conforme Santos e Schmidt (2008, p.32), a teoria personalista de contabilidade, fundada durante a segunda metade do século XIX, teve grande impulso com o pensamento logismográfico desenvolvido por Giuseppe Cerboni. Cerboni viu no pensamento logismográfico a essência da contabilidade, ou seja, o campo ideal para análise de todos os fatos econômicos, administrativos e contábeis, tanto no campo teórico (estudo das leis que governam as entidades), como no campo prático (estudo das normas que a entidade deve ser administrada para o atendimento de determinado fim).
Segundo Santos e Schmidt (2008, p.34), a logismografia cerboniana é composta de dois sistemas distintos de escrituração, um denominado de sistema patrimonial e o outro de sistema financeiro. O primeiro conduz à elaboração do chamado balanço patrimonial e exige o uso de duas contas, uma aberta ao ente proprietário e outra a terceiros e correspondentes. A escrituração financeira, ou do balanço de previsão, vincula a própria atividade administrativa a uma documentação, prevendo a abertura de duas contas: uma ao ente proprietário e outra ao administrador.
De acordo com Mancini (1978, p.4), a organização da contabilidade da prefeitura municipal de São Carlos foi delineada e orientada por Estanislau Kruszynski no ano de 1892, cuja execução estava a cargo de Carlos de Carvalho, o qual exercia a profissão de guarda-livros e depois de contador do município.
12 “Estudo das técnicas empregadas em compra e venda e dos processos de classificação e
Para evidenciar este fato, Mancini (1978,4) transcreve as folhas 42 e 43 do “Almanaque de São Carlos” do ano de 1894, constando relato do advogado Cincinato Braga, que na época exercia o cargo de promotor público:
Até fins de setembro de 1892 não tinha a nossa Câmara escrituração feita de acôrdo com os preceitos da contabilidade mercantil. Até esse tempo eram apresentados mensalmente balancetes que davam tão somente conta da entrada e saída de dinheiro no correr de cada mês, sendo, consequentemente, impossível fazer-se idéia clara ou exata do movimento total da recebedoria.
Atendendo o grande desenvolvimento a que atingiu ultimamente esta repartição, o Dr. Eugênio de Andrade Egas, na qualidade de intendente, resolveu organizar aí a contabilidade apropriada, na qual se desse conta de todos os negócios públicos.
Foi nomeado, pois, guarda-livros dessa importantíssima repartição o Sr. Carlos de Carvalho, o qual, depois de haver prestado o devido compromisso, começou a escriturar os livros hoje alí existentes, seguindo o método de partidas dobradas, e apresentando mensalmente um balancete no qual figuram o ativo e passivo da Municipalidade e do qual se vê claramente a marcha dos negócios públicos, isto é, como se emprega o dinheiro do contribuinte.
Convém dizer que não havendo antes um método regular de escriturar livros, o Sr. Carlos de Carvalho tomou como base um bem elaborado esquema apresentado pelo hábil contabilista Ten. Estanislau Kruszynski, o qual calculara a receita e a despesa da Municipalidade no primeiro trimestre do exercício de 1892, adotando para êsse importante e bem feito trabalho, o belo sistema de escrituração usada na Itália, nas repartições públicas e conhecido pelo nome de Logismografia de Cerboni, nome do seu inventor. Mancini (1978, p.3) confirma a influência dos ensinamentos de Estanislau Kruszynski sobre Carlos de Carvalho, o qual trabalhou com Kruszynski no período de 1890 a 1905.
Segundo Mancini (1978, p.3) e Revista Paulista de Contabilidade (1929, p.294), Estanislau Kruszynski e Carlos de Carvalho, dentre outras atividades de natureza contábil, colaboraram também na organização do Banco de São Carlos, estabelecimento de crédito que tinha como presidente o coronel Paulino Carlos de Arruda Botelho, ocupando Carlos de Carvalho o cargo de contador e Kruszynski o cargo de tesoureiro.
D’Auria (1953, p.16) assevera que Carlos de Carvalho desempenhava a função de “coletor do Tesouro em S.Carlos”, quando foi convidado a assumir o cargo de chefe da Seção de Contabilidade da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, desempenhando a partir de 1905 o aperfeiçoamento dos processos de contabilidade desta repartição. Conforme Revista Brasileira de Contabilidade (1920, p.6), Carlos de Carvalho foi por algum tempo funcionário público federal em São Carlos, e em 1894 foi nomeado exator das rendas estaduais do município.
A obra de Mancini tem por principal objetivo o resgate da memória de Estanislau Kruszynski, com quem conviveu e trabalhou no período de 1919 a 1924, ano de falecimento de Kruszynski. Segundo Mancini (1978, p.3), nos necrológios e compêndios especializados de ilustres contábeis patrícios como Carlos de Carvalho, não se vislumbra qualquer referência à personalidade de quem foi, segundo Mancini, o verdadeiro mestre da contabilidade no Brasil.
Acrescenta ainda Mancini (1978, p.4):
São Carlos, além de orgulhar-se de ter sido a pioneira do ensino e da prática da contabilidade, deve ainda vangloriar-se de assistir-lhe o direito de reivindicar o título de precursora da implantação da contabilidade pública no Brasil, sendo certo e incontestável que nesta cidade se estabelecia, pela primeira vez, de forma completa e definitiva, a contabilidade pública pelo método das partidas-dobradas, sistema logismográfico, desde que, a nossa Prefeitura Municipal foi a primeira do Brasil a inaugurar a sua contabilidade patrimonial, financeira e orçamentária, com os respectivos sistemas de contas em bases técnicas, nos moldes da contabilidade pública que se praticava na Itália.
E a organização da contabilidade da Prefeitura Municipal de São Carlos foi delineada e orientada por Estanislau Kruszynski no ano de 1892 e por conseguinte, obra inteiramente sua. A execução, na prática, é que estava a cargo de Carlos de Carvalho que aqui exercia a profissão de guarda-livros e depois de contador da Municipalidade Sãocarlense.