• No results found

1. Sysselsetting og tidsbruk blant kvinner og menn

1.4. Sektor, yrker og næringer

Utilizaremos a terapia familiar sistêmica e o psicodrama, por meio do Sociodrama Familiar Sistêmico.

O Sociodrama Sistêmico considera a família em tratamento, como um sistema, um todo organizacional e como já foi citado anteriormente, constituindo o que Bentovim (2000) denominou “sistema organizado pelo trauma”. Esse sistema faz tentativas constantes de elaboração do trauma e busca maneiras de sobreviver numa sociedade que reproduz a insegurança, a violência e a impotência.

O Sociodrama Familiar Sistêmico, considera:

“(...) a família é um sistema aberto, mantendo interação constante com o social. (...) Por isto, dizemos que o sociodrama trabalha ao mesmo tempo com os três contextos: grupal (elementos da família presentes na sessão, mas a equipe terapêutica), contexto dramático (pessoas que participam da dramatização naquela sessão) e contexto social (pessoas, elementos, idéias, etc, que os presentes trazem à sessão, oriundos do meio social em que vivem e também através do co- inconsciente familiar), mantendo uma interação intra-sistêmica e social permanente” (Seixas, 1992, p.128).

Nas sessões de terapia familiar identificamos três fases básicas:

1- Aquecimento – consiste em procedimentos que permitem estabelecer contato uns com

os outros e de onde surge o tema grupal, o tópico central da ação. Serve para colocar o sistema em movimento, criando condições para que ele se revele. O pesquisador/diretor apresenta a metodologia de trabalho e pode utilizar técnicas específicas. Pode-se subdividir o aquecimento em: aquecimento inespecífico (acima descrito) e aquecimento específico, onde se prepara a ação sociodramática ou a narração. Trabalhamos com as questões trazidas pelas famílias e identificávamos o que iríamos trabalhar;

2- Dramatização - ação dramática, onde cada um pode se deparar com seus papéis; onde se

concretiza e observa as inter-relações. A Dramatização é a produção dramática dos processos emocionais da família com o compromisso de “tornar o conhecimento objetivo e a verdade como resultados das várias perspectivas dos integrantes da família,

onde as diferenças coexistem e são legitimadas” (Zampieri, A., 2002 p. 148). Utilizamos várias técnicas como; duplo, espelho, inversão de papéis, escultura;

3- Compartilhar – onde se compartilha o que se sentiu, pensou e vivenciou e se elabora. Os

comentários no final visam um compartilhar destas vivências e a possibilidade de articulação entre o vivido e a realidade objetiva, de “reflexão das emoções, das idéias e pensamentos surgidos na etapa anterior. Nesse compartilhar, o conhecimento co- construído é elaborado e sistematizado” (Zampieri, A., 2002: p. 148).

Estas etapas acontecem dentro do atendimento da família, não existindo bastidores. O pesquisador é membro co-participante. Os dados de observação que o pesquisador obter durante as entrevistas também farão parte do material de análise.

Trabalhamos durante as sessões com “tarefas” para elaboração do trauma baseadas nas propostas de Pauline Boss (2001):

1- Confrontar-se e aceitar a realidade da perda;

2- Reconhecer as emoções que surgem com a perda;

3- Adaptar-se à vida sem a presença da pessoas ou coisas que se perdeu;

4- Reinvestir as energias emocionais em um novo projeto de vida que leve as pessoas a

concentrarem-se na vida e nos vivos.

O Sociodrama Sistêmico adota técnicas entrelaçadas das duas teorias. O “drama” é vivenciado por todos, em um novo contexto e portanto são histórias re-contadas, co-criadas. A ação pode situar as palavras assim como as palavras podem ser o indicador para a ação: se o conteúdo de uma narrativa for palavras, então a ação é o processo e vice-versa. É preciso ressaltar que não utilizamos técnicas dramáticas em muitas das sessões, tendo trabalhado com questões interventivas.

No sociodrama familiar pensamos na interação das pessoas levando em conta o momento, por meio das características das relações (coalizões, expulsões, alianças, superenvolvimento) e das formações diádicas, triangulares e as tele-relações.

O trabalho terapêutico é um elemento provocador de mudança, pois cria um novo contexto às situações vivenciadas. A narração de suas vidas tem um final aberto: as ações vividas e os acontecimentos futuros tendem a ser incorporados na trama presente, no “aqui e agora”. “O que se faz significativo e interessante é o modo como ocorrem as conexões entre os eventos. A histórias de nossa vida falam da interação entre o previsível e o inusitado, a matéria-prima da comédia e da tragédia” (Farmer, 2004, p.26).

Os membros da família desse modo devem ser compreendidos em sua particularidade vivencial, em que cada membro da família expressa o seu modo de ver o trauma e a repercussão na vida dele mesmo. É nessa perspectiva de que a família e seus membros estão em constante troca e interação que propomos a existência de um espaço de ação-dialógica em que se possam construir histórias e dar outros significados às suas experiências.

Podemos concluir que há dois assuntos centrais na abordagem deste “luto” após o seqüestro: a escuta clínica e a possibilidade de se proporcionar o espaço onde se permita desconstruir, reconstruir e construir sua própria história de uma maneira mais crítica, reflexiva e funcional. Quando se adota o modelo do luto, é importante saber que não se trabalha com uma única perda, a última, mas que implica em um processo em que se realçam diversas perdas nas quais não se tinha dado conta e que muitas vezes são obstáculos para resolver a perda atual.

A abordagem dos conflitos vivenciados e narrados pelos seqüestrados e suas famílias podem propiciar o Fim do Silêncio. Entendemos que uma compreensão e uma identificação da violência sofrida quer pelo indivíduo, quer pela família, instituição ou sociedade, poderiam não só favorecer intervenções, para novas construções de relacionamentos, como também seriam úteis para justificar programas sociais.