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Todos os voluntários entrevistados, um total de nove, foram indicados pela direção de cada uma das escolas estudadas. Inicialmente, a proposta da pesquisa era que, ao ter acesso à lista do registro dos nomes e atribuições de cada voluntário, a escolha fosse feita pela pesquisadora, em parceria com a direção, com ênfase na variação de perfis, para abarcar o maior número de possibilidades de atendimentos ao chamado voluntário que as escolas acolheram. No entanto, ficou evidente que não há registros formais. A prática comum é a pessoa responsável pela direção fazer o chamado em reuniões, para atender às específicas carências do momento. Problemas da área de informática, consertos em parte elétrica, reposição de vidros, pinturas nas paredes, construção de calçadas e quadras de esporte, por exemplo, fazem parte dos relatos sobre as parcerias que são comuns, no cotidiano da escola. Mas a indicação de voluntários para as entrevistas seguiu um modelo comum, observou-se que havia a preocupação em apontar aqueles que se destacaram e contribuíram de uma forma mais marcante, como ficou evidenciado na fala dos gestores. O diretor do Centro de Ensino não atendia aos pedidos de indicação e não fornecia os nomes dos voluntários e, por fim, com a ajuda de uma professora, foi possível localizar e entrevistar uma orientadora educacional, aposentada, que costuma, dentre outras práticas, orientar para a importância de desenvolver atividades de terapias alternativas, como automassagem e exercícios físicos. Depois de muita insistência, o diretor indicou dois voluntários, um pedreiro e um pintor de paredes, e as entrevistas puderam ser efetivadas.

Os nove entrevistados têm, como característica comum, a simpatia pelo trabalho voluntário, não como obrigação, mas como engrandecimento pessoal. São eles: uma dona-de-casa (voluntária 1), mãe de aluno; duas professoras atuantes (voluntárias 2 e 3), voluntárias na mesma escola onde estão lotadas, atendendo em horário contrário em relação à carga regular; um pedreiro (voluntário 4); um pintor de paredes (voluntário 5); uma professora aposentada (voluntário 6); uma orientadora educacional aposentada (voluntária 7); uma instrutora do SENAC (voluntária 8); e uma artesã (voluntária 9).

A dona-de-casa, além de ser presidente da APAM, atua como apoio às atividades do Projeto Educando para a Vida, em duas tardes, por semana. Divide, ainda, com mais duas voluntárias, a tarefa de cuidar de filhos de alunas, bebês em fase de amamentação, no período em que as mães se encontram em aula.

Uma das professoras atua na área de Artes e, como voluntária, coordena as atividades das oficinas que são oferecidas por outros voluntários, no horário inverso ao turno regular. Também é instrutora no curso de dança árabe, com uma turma de 12 alunas:

(...) ofereço oficina de dança do ventre. Trabalha muito essa questão da auto- estima, né?, a gente tenta trabalhar também não só o aspecto da dança , da arte, mas esse aspecto de resgate mesmo, que é um dos lemas do nosso projeto, né? (voluntária 2).

Nas mesmas condições de horário e, com o suporte dos objetivos do PPP da escola, a professora que atua na biblioteca, pela manhã e à noite, ensina dança árabe para outra turma de 8 alunas, no horário vespertino.

(...) a dança ela tem muitas nuances (...) ela trabalha a formação, ela não é uma dança que você vai aprender num mês ou dois (...) é sistematizada, tem

os níveis iniciante, intermediário, profissional (...) meu primeiro objetivo é assim, com a dança, a mulher, ela resgata o eu dela assim feminino, a auto- estima, a beleza... Segundo objetivo é realmente eu procurar parceria com aluna. Aluna que já desenvolve eu já levo ela pra apresentação (voluntária 3).

O pedreiro e o pintor de paredes só podem prestar serviço voluntário nos finais de semana e não têm filhos no Centro de Ensino, onde, de vez em quando, costumam ajudar na limpeza da parte externa. São voluntários cadastrados na escola onde os filhos estudam, uma Escola Classe, na mesma região administrativa, que tem, como diretora, a esposa do diretor do Centro de Ensino:

(...) a gente vai quando dá, né? Costuma ser só um turno (...) vai cedo e, depois do almoço, tá livre (...) é mutirão. Inclusive, nem é serviço de pedreiro, o negócio lá é a limpeza da frente da escola que fica que é só mato e sujeira (voluntário 4).

A professora, agora aposentada, atuava com alfabetização e, por ter material de apoio, a sua colaboração como voluntária é feita junto a professoras de atividades, contando histórias infantis, cantando e ensinando melodias de cunho religioso, reforçando atitudes adequadas de comportamento, e levando a palavra de Deus:

(...) eu gosto de ver a criança assim se entrosar com as coisas de Deus, é bonito, é gratificante, foi o que eu fiz na escola o ano passado, eu dediquei meu tempo mais com o ensino religioso e eles gostavam, eu tinha uma aceitação muito grande. Eu me realizo, também (voluntária 6).

A orientadora educacional, já aposentada, costuma percorrer as escolas públicas próximas a sua casa para oferecer seus préstimos:

(...) eu ensino exercícios físicos, trabalho com a meditação, trabalho também com essas terapias alternativas: automassagem, que aí eu levo informação

sobre unibiótica, né? que é uma atividade física. Ela trabalha o homem integral. É uma filosofia que trabalha o homem integral. Levo informações sobre unibiótica, automassagem, trabalhos de grupos, eu sou orientadora educacional, então eu me ofereço pra fazer trabalhos com os pais, com os alunos. Principalmente aqueles alunos que têm mais dificuldade de relacionamento. Aqueles meninos que freqüentam pouco a escola, eu me ofereço pra trabalhar com os pais (voluntária 7).

A instrutora do SENAC prepara novos cabeleireiros na sua atuação profissional e, como voluntária, atende chamados das escolas para, em dias de atividades de entrosamento com a comunidade, cortar cabelos gratuitamente:

(...) hoje é sábado, vim pra cá e, no outro sábado, vou pra Sobradinho. É difícil um sábado que falha sem atividade assim. Até acostumei, quando não tem, fica faltando uma coisa. ... Só corto cabelo, mesmo. Me sinto útil. Melhor que ficar em casa lavando e limpando (voluntária 8).

A voluntária artesã é propagadora de artes populares, é também oficineira de confecção de bonecos e atua, nas escolas, como voluntária, sempre que é chamada, com teatro de bonecos :

O foco da atividade é sempre voltado pras brincadeiras, pra esses bonecos, sempre voltado pra cultura popular. Tem esses bonecos confeccionados com esse material assim menos comercial. Evito usar espuma, o sintético, sempre uso cabaça, juta, esses negócios assim (voluntária 9).

Observou-se a adequação das atividades desenvolvidas em relação aos objetivos e projetos propostos no PPP da Escola Classe e do Centro Educacional. No caso do Centro de Ensino, não houve convencimento que a atuação voluntária seja efetiva.

Com o processo de observação proposto neste trabalho, buscou-se caracterizar a atuação do voluntário no cotidiano escolar e de que forma é estabelecida a sua relação com a comunidade escolar. Na prática, a primeira visita foi agendada diretamente com a direção e, a partir de então, as escolas permitiram livre acesso e procuraram facilitar o contato com a comunidade escolar e os voluntários. Foram realizadas, no mínimo oito horas em cada escola, observações diretas da atuação dos voluntários, no exercício de suas atividades.

Os aspectos observados referem-se à forma como os voluntários transitam pela escola, como são tratados, com quem se relacionam enquanto exercem suas tarefas, como participam de atividades com a comunidade escolar, ou seja, como se integram na dinâmica diária da escola.

Ficou evidente que os voluntários entrevistados entendem a importância da participação na escola e declararam-se realizados com a prática que desenvolvem.

Por não ter tido acesso ao registro dos nomes e formas de contato com outros voluntários, não foi possível fazer uma análise pormenorizada de como atuam e área mais assistida. Pelas entrevistas, pôde-se perceber, que o maior contingente deles atua pontualmente, atendendo a chamados da direção.

3.3.2) ANÁLISE DOS DEPOIMENTOS: CARACTERIZAÇÃO E VARIÁVEIS

Ao estabelecer relações entre as unidades de base (elementos unitários ou variáveis), para ajudar na reflexão e chegar às considerações relacionadas aos depoimentos, no intuito de observar uma certa seqüência e ordenar os dados qualitativos colhidos,

definiram-se as categorias (reunião dos elementos unitários em conjuntos mais complexos), como relacionado a seguir:

Categoria 1: Relações com Voluntários e Parcerias

A) Sob o ponto de vista dos diretores, observaram-se as variáveis:

(i) conquista da comunidade escolar para a adesão inicial; (ii) aceitação dos voluntários;

(iii) parcerias com empresas e instituições; (iv) focos de atuação.

B) Sob o ponto de vista dos voluntários, observaram-se as variáveis: (i) focos de atuação

(ii) motivação

(iii) entraves, adequação e aprimoramento (iv) receptividade

Categoria 2: Coordenação e Suportes

Sob o ponto de vista dos diretores e da coordenadora, as variáveis: (i) autonomia do gestor

Categoria 3: Avaliação de Desempenho e Implementação

Sob o ponto de vista dos diretores e da coordenadora, as variáveis: (i) participação da comunidade

(ii) motivação, pertencimento e satisfação (iii) implementação do PAE

A opção por fragmentar e relatar os depoimentos mais significativos, utlizando a divisão em categorias e a subdivisão em variáveis, tem a finalidade de respaldar, com mais objetividade e coerência, as considerações finais sobre o tema estudado para, a partir dos depoimentos colhidos com as entrevistas semi-estruturadas, relatar e analisar características iniciais na adesão ao PAE; motivação, receptividade, coordenação, parcerias; focos de atuação dos voluntários; dificuldades e conquistas; implementação; conforme foi especificado na metodologia.

No item a seguir, foi feita a opção por expor as considerações que resultaram da análise apreendida do conteúdo das entrevistas semi-estruturadas, gerando a série de variáveis que estão especificadas, após as categorias. E as transcrições que levaram aos comentários estão, às vezes transcritas, outras parafraseadas, como forma de evidência das constatações permitidas pela análise desse material.

3.3.2.1) CATEGORIA 1: RELAÇÕES COM VOLUNTÁRIOS E PARCERIAS 3.3.2.1.1) SOB O PONTO DE VISTA DOS DIRETORES

Primeiramente, procedeu-se à análise dos depoimentos dos diretores, com foco em quatro variáveis: (i) conquista da comunidade escolar para a adesão inicial;

(ii) aceitação dos voluntários; (iii) parcerias com empresas e instituições; e (iv) focos de atuação.

A primeira variável analisada, (i) conquista da comunidade escolar para a adesão inicial (sob o ponto de vista dos diretores), permite as seguintes considerações:

• A diretora da Escola Classe não teve dificuldades junto à equipe escolar, nem com a comunidade para cadastrar a escola:

“(...) Estou na direção desde 2003, aqui. Tinha tido experiência na outra escola, desde o começo do Projeto e o que é bom, o que é interessante, a gente vai trazendo experiências de outros lugares. Desde que cheguei, procurei desenvolver o Projeto aqui também. (...) já tinha na outra escola... a experiência... foi válida, muito válida. E ficou fácil convencer o pessoal aqui, porque tinha os relatos da outra escola. Tem aí quase sessenta fichas de adesão” (Diretora da Escola Classe).

• Tanto o diretor do Centro de Ensino quanto o do Centro Educacional demonstraram insegurança para proceder à adesão ao PAE. O depoimento do primeiro remete para 2003 o início do interesse em participar, mas, a escola só fez o cadastro em 2006, sem citação no PPP. O depoimento do segundo deixa transparecer que, embora o Projeto maior da escola seja um sucesso (o voluntariado já era prática na escola desde 2000), ele teve que se esforçar muito para convencer a equipe, e que o efeito mídia influenciou a fazer o cadastramento. Mas o PAE não consta do PPP de 2006.

• Nas três escolas, a proposta de adesão partiu do gestor.

A segunda variável analisada, (ii) aceitação dos voluntários (sob o ponto de vista dos diretores), permite as seguintes considerações:

• É recorrente, por parte da equipe escolar, o receio de que haverá embates e superposição de tarefas com os voluntários. Isso exigiu a centralização. Ficou a cargo do gestor a abertura para que o voluntário tenha receptividade, ou não, para desenvolver a sua pretensa oferta de ajuda e solidariedade.

Tem que ser feito um planejamento, e tem que ser feita uma avaliação sistemática disso aí. A pessoa vem aqui pra fazer um trabalho esporádico, dentro do planejamento (...) então existe uma dificuldade, porque o professor não vai entregar o aluno dele pra reforço, pra qualquer pessoa, sem estar totalmente ligado. Então têm certas atividades que a gente prefere que não façam parte do voluntariado, haja vista que poderiam prejudicar o próprio aluno (Diretora da Escola Classe).

Embora seja essa a orientação do fascículo 1 sobre a aceitação de voluntários, o fato de ter sido posto como entrave, identifica que não houve consulta à literatura pertinente ao tema. O fascículo 1 da Coleção Amigos da Escola traz, na página 12, a seguinte orientação:

Ao abrir as portas à participação, a escola poderá receber inscrições de todo tipo, o que não quer dizer que seja obrigada a aceitá-las. Aqui é preciso tomar cuidado para não restringir, de maneira preconceituosa, a participação das pessoas. O importante é que todos sejam bem recebidos e cadastrados (AMIGOS DA ESCOLA, 2000, p.12).

• Em reuniões com os responsáveis, os diretores fazem a sensibilização para que haja adesão de voluntários. Há, portanto, preocupação em incentivar o voluntariado e isso evidencia que a iniciativa de apelar para esse tipo de ajuda é considerada útil e necessária para a escola. Tanto o diretor do Centro Educacional quanto o do Centro de Ensino premiam os voluntários em cerimônias de encerramento do ano letivo e essa criatividade busca cativar e atrair a comunidade para as atividades de solidariedade e parcerias com a escola.

• Cabe ao gestor fazer uso das informações do perfil descrito na ficha de adesão, projetada para ser preenchida pelo voluntário, para convocar o voluntário. A não disponibilização das listas de nomes e dados de voluntários, para serem relatadas nesta pesquisa, (apesar de terem sido solicitadas, várias vezes, inclusive por e-mail) deixa dúvidas sobre haver registros organizados, ou atualizados, sobre as atribuições dos que se propõem a atender os apelos da escola.

• A acolhida ao voluntário é um exercício recente, de aprendizagem prática. Há inexperiência para contornar problemas. Não houve menção aos textos da Coleção Amigos da Escola, que contêm orientações e dicas tanto para os voluntários quanto para o gestor, e poderiam ter sido usados como apoio, para tentar sanar os contratempos vivenciados. Também, quanto à definição dos papéis, na atuação prática, a consulta ao texto teórico poderia prevenir quanto à maneira como os envolvidos devem se relacionar e qual é o limite da atuação de cada um. O fascículo 2, na página 16, trata de Avaliação:

À medida que as ações planejadas (...) vão-se concretizando, descobre-se que muito do que antes parecia inviável, pode se tornar realidade. Algumas questões ajudam a pensar: Aconteceram, de fato, ações planejadas? Que ganhos trouxeram para a escola? Que obstáculos foram encontrados? Como superá-los na próxima etapa? Como os voluntários e parceiros estão se sentindo na relação coma escola? O que pode ser feito? É possível que, nesse processo de avaliação, se chegue à conclusão de que várias das ações planejadas precisam ser redirecionadas (AMIGOS DA ESCOLA, 2002, p.16).

• O mesmo fascículo traz, sob o título A Ação dos Voluntários e Parceiros, pelo menos quinze sugestões de atividades que poderiam ter sido sugeridas para a mãe que precisava ser remanejada e, no entanto, foi convidada a não comparecer mais. A falta de preocupação em consultar as orientações que embasam para que as ações surtam efeito, muitas vezes, pode provocar resultados devastadores. Não há, por parte da SE, a obrigatoriedade para que a escola se cadastre no PAE. Mas, ao abraçar o projeto, a atitude esperada é que as orientações de conduta sejam consultadas e que essa literatura, elaborada com apuro e por quem tem estado envolvido, desde a implantação do PAE, (no caso, o Cenpec), seja levada a sério e permita que os mesmos erros não se repitam em cada unidade escolar que se propôs atuar com voluntários.

A terceira variável analisada, (iii) parcerias com empresas e instituições, (sob o ponto de vista dos diretores), permite as seguintes considerações:

• O Centro de Ensino e a Escola Classe não fizeram menção a alguma experiência com empresas, como parceiras da escola.

• A Secretaria da Saúde, o Ministério da Educação e outros parceiros da área pública disponibilizam equipes preparadas para fazer palestras, dar orientações, e distribuir produtos (preservativos) para a viabilidade do projeto maior, da escola, desenvolvido desde 2000, conforme registrado no PPP, muito anterior ao cadastramento no PAE. São da área pública e têm essa atribuição para orientar e prevenir os adolescentes, junto às escolas, combatendo drogas, doenças sexualmente transmissíveis e prevenindo contra gravidez indesejada, na adolescência. São parceiros e atendem a todos os chamados, duas vezes a cada semestre. A comunidade, conforme os relatos dos voluntários entrevistados, (principalmente da presidente da APAM) participa ativamente dos eventos e tem, nas estatísticas de redução de gravidez em adolescentes, a comprovação de que os profissionais que vêm desses órgãos atuam eficientemente.

• Também a Escola Classe trabalha a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Atua, portanto, em parceria com a Secretaria da Saúde, com o Ministério da Educação, com o Sesi, com o Sesc, com o Senac, que disponibilizam equipes preparadas para fazer palestras, dar orientações, e distribuir produtos (preservativos), conforme especificado no PPP da Escola Classe estudada, que tem o título “Ensinando a Turma Toda”. No caso, o foco é nos pais e responsáveis

por alunos, em sua maioria carentes e sem instrução, que passam a ter a chance de planejar a natalidade familiar.

• Não foi muito boa a experiência da escola com a empresa que ofereceu parceria para selecionar estagiários, conforme ficou destacado na crítica do diretor do Centro Educacional, evidenciada na expressão “troca de favores”. De acordo com o depoimento, os alunos foram requisitados para estagiar e aconteceram embates que frustraram as expectativas de todos os implicados no processo:

Tem o mercado Veneza que veio fazer a seleção de alunos estagiários aqui dentro da escola. Vão como estagiários e têm uma remuneração...Eles contratam o estagiário e não pagam o funcionário...Então é preciso discernir muito o toma lá dá cá. Mas é uma parceria, não deixa de ser. Eles estão sendo treinados, estão ocupados, estão aprendendo a atuar na vida profissional. Está inserindo o aluno no mercado de trabalho (Diretor do Centro Educacional).

• No depoimento do diretor do Centro Educacional, a parceria com empresas passou a ser restrita à permissão para divulgar produtos e cursos de empresas particulares dentro da escola.

Ficou entendido que há a contrapartida que, no caso, é a aceitação de materiais de necessidade prática, para serem utilizados nas instalações físicas da escola, como lâmpadas (Diretor do Centro Educacional).

• O fascículo 1, da Coleção Amigos da Escola, traz a orientação para a escola que se abre para aceder à participação de empresas e passa a lidar com inadequações:

Pessoas que se apresentam com propostas com as quais a escola não comunga, ou que não estão de acordo com as diretrizes educacionais da Secretaria de Educação devem ser informadas claramente sobre os interesses e focos que a escola pretende desenvolver e em seguida dispensados (AMIGOS DA ESCOLA, 2000, p. 12).

A quarta variável analisada, (iv) focos de atuação, (sob o ponto de vista dos diretores), permite as seguintes considerações:

• Os depoimentos indicam que os gestores decidem quanto ao tipo de atuação que precisam que os voluntários desenvolvam, havendo preferência pelos que prestam serviços de manutenção do patrimônio e da parte externa da escola. Os relatos de atuação pedagógica remetem para opção por pessoas conhecidas, que faziam parte da escola e já tinham um histórico na área em que se propuseram ajudar, tanto no Centro Educacional, quanto na Escola Classe, conforme depoimentos e observações em atividades culturais, com presença de ex-alunos (ministrando oficinas) e ex-funcionários (ministrando cursos de cunho moral e religioso).

(...) no pedagógico é difícil. Pra gente colocar em prática um projeto desses, teria que se trabalhar, teria que fazer um planejamento, um processo de avaliação, então essa pessoa teria que estar em compasso. Dá trabalho. Geralmente, essa pessoa não tem esse tipo de envolvimento, esse tipo de compromisso. Já a parte física ... fizemos calçadas... você viu a horta? (...) quando preciso de alguma coisa, eu mando um bilhetinho pros meninos, do tipo: Pai voluntário que conserta televisão... ( Diretora da Escola Classe).

• A diretora da Escola Classe deixa evidente uma preocupação maior: se for atividade de formação, tem que passar, inicialmente, pelo planejamento, com a equipe. Preocupação bastante procedente, tendo em vista que a atividade se destina a crianças que não podem ainda discernir sobre possíveis distorções ou embates com a atuação do profissional titular.

• A Coleção Amigos da Escola sugere que voluntários atuem com reforço escolar, atividades físicas, estímulo à leitura, etc. No período em que se fez a análise relatada neste trabalho, não há depoimento de que essas