5 Fengsel i frihet
5.5 Velferdsstaten: muliggjørende og begrensende
As primeiras experiências dos participantes na docência já os autorizaram a afirmar que o ‘ser professor’ não é uma tarefa tão simples. Apareceu nos depoimentos a necessidade do professor ter conhecimento teórico sobre educação, ter domínio dos conteúdos e ter capacidade para ‘fazer o aluno aprender’. Para alguns professores iniciantes quanto maior o conhecimento teórico do professor mais facilmente o conteúdo poderá ser transposto aos alunos, o que não necessariamente é verdadeiro, pois saber a teoria não é garantia deuma atuação docente eficaz e eficiente. De modo geral, os participantes consideram que, para ‘ser professor’, é preciso esforço pessoal e muita dedicação.
A ideia de dedicação emerge em diferentes momentos do discurso dos participantes, ora assumindo um significado de doação/entrega (dedicar-se ao outro), ora se referindo à capacidade de empenho/esforço para realização de um objetivo, neste caso, para se constituir como ‘bom’ professor tal como explanado num dos trechos abaixo. A noção de dedicação, como interesse em fazer alguma coisa em favor de alguém, é ressaltada como se esta dimensão fosse mais necessária à docência do que qualquer outra profissão. Para que alguém se ‘construa/constitua’ como professor é necessário estar sempre disposto a aprender, o que implica dedicar-se a aprendizagem contínua.Essa perspectiva mostra que já emerge entre os participantes o entendimento acerca do caráter inacabado da formação docente:
Ser professor é ter dedicação pra aprender sempre. Eu vejo assim que eu vou me criando como professor ao longo do tempo. Igual eu tô te falando, eu não sei brincar de rodinha e cantar. As vezes até contar uma historinha eu não tenho aquela habilidade ainda, sabe? Mas eu estou tentando. Estou procurando sanar essas dificuldades com meus alunos. Eu tô me dedicando pra mim ir me criando como professora. E eu vejo que pra isso só com muita dedicação. Eu tô procurando ler muito sobre educação e aprender mais sobre os teóricos. Pra ser um bom professor é preciso muito conhecimento teórico.
(Professor “A”)
Eu acho que todo professor deve se dedicar muito ao seu trabalho para conseguir alcançar seus objetivos e fazer com que os alunos realmente aprendam. Eu te falo que é preciso se dedicar porque você não pode ficar só com o conhecimento da graduação. Você tem que buscar se aprimorar. E se você não for uma pessoa dedicada você não vai ligar pra continuar estudando, sabe? O que a gente vê na época da faculdade é só o começo. A gente tem que continuar buscando aprimorar todo dia. (Professor “H”)
Embora a maioria dos participantes reconheça que é preciso uma aprendizagem constante para ‘ser professor’, um iniciante declarou que ‘pra ser professor é preciso ter
o mínimo de formação pra aquela pessoa dá uma aula no mínimo preparada’. A ênfase
no mínimo leva a supor que, apenas e/ou somente, o mínimo é necessário para que alguém possa exercer a docência. E se não precisa de muito é porque ser professor pode estar ao alcance de qualquer pessoa, o que remete a noções geralmente veiculadas no imaginário social, como ‘quem não sabe, ensina’. Essa ideia evidencia o quanto alguns professores iniciantes diminuem sua atividade profissional. Além disso, essa perspectiva desmerece o magistério enquanto profissão e enfraquece o estatuto profissional da categoria docente. Por outro lado, a afirmação recorrente entre os participantes de que ‘ser professor’ requer muito preparo/formação também não significa que este reconhecimento se traduza em ação, conforme explicitado no discurso:
Ah ser um bom professor talvez eu não seja porque requer muito preparo. Requer muito estudo, coisa que eu não fiz muito. Requer todos os dias você estar buscando algo diferente. Tá sempre na ponta, bem preparado mesmo. E eu não vejo que eu esteja bem preparado. Até porque eu só tenho o meu segundo grau. Eu tinha que fazer uma universidade, mas eu ainda estou pensando aí no que eu vou fazer. (Professor “G”)
Emerge dos discursos a ideia de que é preciso ‘ser professor’ para a vida. O ‘ser professor’ para vida envolve uma atuação sensível, compromissada e consciente do seu papel, da sua referência e responsabilidade. Essa perspectiva extrapola a dimensão da educação escolar e compreende o professor para além de um simples gestor da aprendizagem. A ênfase nos conteúdos, em detrimento do cuidado e cultivo das/nas relações humanas é condenada por alguns participantes. Nesse cenário, caberia ao professor não somente exercer o seu papel de mediador do processo de aprendizagem, como também o seu papel de formar e preparar o aluno para a vida. Cabe registrar que, ao discursar sobre o que é ‘ser professor’, a maioria dos participantes se remeteu aos professores que teve na escolarização básica. Tanto os professores tidos como os
melhores quanto aqueles considerados ‘piores’ foram mencionados como referências. Neste sentido, o que é ‘ser professor’ para a maioria dos participantes está bastante vinculado ao que eles tiveram ao longo de suas vidas. Isso evidencia o ‘impacto’ que pode ter a atuação docente na/para a vida dos alunos:
Na sala de aula você tem muitos alunos e cada um pensa de um jeito, cada um tem uma angústia, tem um sofrimento e muitas vezes o professor não quer nem saber por que o aluno não tá bem. Ele não procura saber o porquê ele tá sofrendo. Então assim, muitas vezes o professor tem que parar também, pra ouvir esse aluno, tem que ver o que aquele aluno tem o que ele tá trazendo ali, o que ele necessita. É ver no que você pode ajudar. Eu acho que isso é ser professor. Pelo menos os melhores professores que eu tive na vida agiam assim. (Professor “E”)
Um professor deve ser atencioso e preocupado com os seus alunos. Ele deve se preocupar com o aluno como pessoa. Eu tive um professor ruim no ensino médio que só dava matéria, matéria, matéria e não se preocupa com o aluno em si como ser humano. Ele só tava ali pra cumprir mesmo com sua obrigação de dar a aula e tchau. Eu acho que o professor tem que preparar o aluno pra vida e isso não se resume à conteúdo e mais conteúdo. (Professor
“H”)
Interessante destacar que em alguns depoimentos aparece uma lógica discursiva que coloca o aluno como alguém passivo que recebe educação/conhecimentos, sem qualquer participação, reação e/ou interação e do professor como sendo o agente ativo neste processo. ‘O professor tem que passar pra esses alunos conhecimento. Tem que
passar o conteúdo. Isso é ser professor’. Essa concepção considera aluno como se fosse
uma ‘caixa vazia’ na qual devem ser depositados os conhecimentos. Não é levada em conta a sua história de vida e de aprendizagem. Apenas um participante assinalou a preocupação em fazer com que os alunos assumam posição ativa, autônoma, crítica e de interação com seus pares, com o professor e com os conteúdos ministrados. Nessa perspectiva, o aluno dirige, com a orientação do professor, o seu próprio processo de aprender. Neste caso, o professor assume o papel de mediador do conhecimento, e o aluno assume o protagonismo no seu processo de aprendizagem. Assim, o conhecimento resultaria de uma parceria entre aluno e professor:
Hoje com a minha visão de professora eu vejo que o professor é aquele que orienta o aluno para que ele construa o seu conhecimento não como uma obrigação, mas como se fosse um bate papo, alguma coisa que ele sinta prazer em fazer, que ele interaja naquilo, na conversa, na aula, no assunto, dando sua opinião própria, mostrando o seu interesse. O professor tem que mostrar para o aluno que ele é responsável pela sua aprendizagem desde o
começo. Isso pode fazer com que a relação do aluno com o conhecimento, com a escola e com o professor seja melhor. (Professor “F”)