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Åpne eller lukkede fengsler

3 Tekster, lover og regler som fengselskonene underlegges

3.3 Åpne eller lukkede fengsler

Ao longo da história, desde que a Educação Física foi adotada como disciplina escolar no Brasil, ela tem sido vista como uma área de atividades, o que pode ser constatado pelo que está exposto no Decreto 69.450/71, da revogada Lei nº 5692/71 e também no que expressa a Lei 9394/96. Tais expressões demonstram nitidamente como a atividade física constituía-se no polo de atuação central dos profissionais que atuavam na área de docência.

No entanto, como bem salienta Castellani Filho (1998) apud Romanowski (2007), nessa época a atividade física era vista como uma atividade fim que não agregava saberes, mas tão somente uma conotação pragmática, na qual buscava- se a introjeção de uma cultura de condicionamento do corpo, como atividade final do exercício, sem agregar saberes paralelos ou associados a ele. Nas palavras de Castellani:

O termo atividade ganha à conotação de um fazer prático não significativo de uma reflexão teórica [...] ação não expressiva, caracterizando-se dessa

forma no fazer pelo fazer [...] não como um campo do conhecimento dotado de um saber [...]. (CASTELLANI, 1998 apud ROMANOWSKI, 2007, p. 29).

Muito se tem discutido acerca do verdadeiro papel da Educação Física no contexto escolar, porém, uma concepção mais ampla dessa área de atuação aponta que o pressuposto de que a Educação Física é uma área fim, com intuito apenas de produzir atividades, desconectada da formação de novos saberes está plenamente descartada, visto que nos dias atuais a atuação do profissional de Educação Física se baseia numa proposta muito mais ampla, que visa, sobretudo a construção de uma cultura, que não tem seu eixo centrado apenas na construção de uma atividade corporal, mas também o desenvolvimento social e cultural, motor e existencial do indivíduo.

Essa cosmovisão acerca das possibilidades correlatas ao saber ministrado pelo profissional de educação Física fundamenta-se, sobretudo nas teorias psicogênicas de Jean Le Bouch, que tem em sua égide a formação de um individuo muito mais preparado para entender o mundo que o cerca, do que basicamente um indivíduo que tenha uma excelente cultura corporal, que o permita garantir sua saúde.

A Lei nº 9.394/96 que instituiu as Diretrizes e Bases da Educação traz em seu bojo uma abrangente linha teórica direcionadora, que tem como objetivo transmitir conhecimento que se apresentem ao educando de maneira mais representativa, buscando desenvolver não apenas suas habilidades fins, mas também competências e potencialidades, de maneira que o aluno possa sentir-se inserido num processo inclusivo, que tem como fundamento procurar maneiras mais práticas e fáceis de repasse de saberes e da construção de uma visão critica de mundo.

Os professores, de maneira mais extensa, têm uma grande dificuldade em sistematizar conteúdos, ainda mais quando esses não possuem uma construção metodológica definida. Muitos têm dificuldades de saber o que ensinar, quando ensinar e qual o perfil adequado de cada tipo de educação para cada etapa da vida

do educando. Não raro observam-se professores fazendo uso de práticas que são inadequadas para uma determinada faixa etária ou série. A falta de sistematização de conteúdos pode atrapalhar sobremaneira a forma como se constrói saberes e os colocam à disposição do aluno.

Para Romanowski (2007), a construção de saberes deve estar aliada a um conjunto de condições e estruturalmente disposto em um referencial metodológico que permita ao aluno um “upgrade” em seus conhecimentos e também a formação e uma cultura que permita novos aprendizados e novas inferências. Em suma, a construção de saberes deve estar aliada à proposta de construir um tipo de cidadão que seja mais crítico e mais participante na sociedade em que vive, não meramente um espectador dos acontecimentos.

Em função da necessidade de se produzir uma nova visão educacional capaz de agregar valor intelectual ao indivíduo a concepção moderna sobre a função da Educação Física Escolar foi se modificando aos poucos e na atualidade destoa plenamente da concepção de disciplina puramente voltada para a construção de uma cultura corporal.

Conforme cita Romanowski (2007), o principal questionamento ao planejar as bases curriculares para o curso de Educação Física está diretamente associado a seguinte pergunta: “como organizar os conteúdos ministrados nas aulas de Educação Física na escola?”. Note-se que cada tipo de população tem demandas que são específicas e, embora haja a necessidade de se ter um currículo unificado, em torno de questões fundamentais, há que concordar que as especificidades regionais de cada população não podem ser menosprezadas, no entanto, pelo menos um item deve ser unificador da matriz curricular: a necessidade de produzir cidadãos com uma visão abrangente de mundo. Isso significa dizer que o papel do professor de Educação Física não deve se limitar em apenas ensinar alunos a fazer exercícios, visto que essa é uma prática limítrofe à atividade do professor de Educação Física.

A construção de saberes e a formulação de políticas educacionais, sejam elas na Educação Básica ou na Educação Superior, também são atividades correlatas e, que ocupam mais atribuições do educador físico, do que quaisquer outras atividades que se projetam apenas no plano fim. Os parâmetros que norteiam a formação

desse profissional estão prescritos nas Diretrizes Curriculares do Curso de Educação Física, que em seu Art. 3º salienta a importância de tais diretrizes na formação dos alunos, que deveriam, em tese, ser conhecidas por todos aqueles que adentram o sistema formal de Educação Superior para Educação Física:

Art. 3º - A Educação Física é uma área de conhecimento e de intervenção acadêmico-profissional que tem como objeto de estudo e de aplicação o movimento humano, com foco nas diferentes formas e modalidades do exercício físico, da ginástica, do jogo, do esporte, da luta/arte marcial, da dança, nas perspectivas da prevenção de problemas de agravo da saúde, promoção, proteção e reabilitação da saúde, da formação cultural, da educação e da reeducação motora, do rendimento físico-esportivo, do lazer, da gestão de empreendimentos relacionados às atividades físicas, recreativas e esportivas, além de outros campos que oportunizem ou venham a oportunizar a prática de atividades físicas, recreativas e esportivas. (DIRETRIZES CURRICULARES EDUCAÇÃO FÍSICA).

Como bem salienta as Diretrizes Curriculares para o Curso de Educação Física, a graduação nessa área de conhecimento (não apenas de atividade fim) tem uma proposta acadêmico-profissional com o objetivo de estudar e aplicar os conhecimentos acerca do movimento, com foco inclusive na formação cultural do indivíduo, o que vai ao encontro da proposta de Jean Le Bouch, que vê a atividade física não apenas como uma atividade isolada, mas como parte de um processo de construção psicomotora, que se desenvolve por meio da integração de diversos saberes, que não se resumem apenas ao movimento em si, mas também na ação humana sobre o meio em que vive e na cultura que é desenvolvida a partir das inúmeras interações sociais existentes, conhecimento esse que é um dos pilares da Psicocinética.

Segundo a Casa Civil da Presidência da República, em sua subchefia de assuntos jurídicos, a Lei nº 9.696, de 1º de setembro de 1998 regulamenta a profissão de Educação Física, além de criar os respectivos conselhos regionais e o Conselho Federal de Educação Física.

Como se observa, a atividade de professor de Educação Física é regulamentada por uma Lei Federal e respalda toda a ação do profissional que atua nessa área. Isso é importante para desmistificar a atividade, visto que, durante muito

tempo se associou a prática do exercício físico e das modalidades esportivas a uma falsa ideia de que essa atividade não necessitava de um profissional especializado.

Conforme salienta Staviski e Cruz (2008), a atividade do professor de Educação Física é fundamental para o desenvolvimento de uma cultura corporal, além de desenvolver as habilidades e potencialidades não apenas físicas, mas também cognitivas, que têm por finalidade completar a formação do indivíduo em toda sua abrangência sociocognitiva.

O fruto desse pensamento e da percepção da importância de um profissional de Educação Física fez aumentar, ao longo dos anos, a oferta de vagas nas instituições de Educação por esse tipo de profissional, além de que, também abriu um novo cenário acadêmico para qualificar e preparar professores que pudessem trabalhar as habilitações expressas para a dinâmica do Curso de Educação Física.