4.5 Brukervennlighet
4.5.3 Brukergrensesnitt
Segundo Câmara Jr. Jr. (1967), é a evolução fonética que desempenha, em geral, o papel de impulso inicial para a evolução de todo o sistema linguístico. Para ele, só a evolução fonética elimina séries de morfemas, que de outro modo persistiriam pela simples aderência do automatismo linguístico aos padrões formais. Em consequência da eliminação fonética de certos morfemas, Câmara Jr. Jr. (1967) afirma que isso conduz a uma reestruturação da frase, isto é, a uma evolução sintática.
Conforme Jeffers e Lehiste (1979), a investigação da natureza e os tipos de mudanças que afetam os sons de uma língua é o estudo melhor desenvolvido na área de mudança linguística. Segundo os mesmos estudiosos, o termo mudança sonora é usado para se referir a alterações nas formas fonéticas de segmentos e de traços suprassegmentais que resultam da operação de processos fonológicos.
De acordo com Jeffers e Lehiste (op. cit) existem duas classes de mudanças fonéticas: as não-condicionadas e as condicionadas. As primeiras afetam o som em todos os ambientes em que estes aparecem; já as condicionadas restringem às transformações sonoras a ambientes específicos em que eles ocorrem. Nesse último caso, podemos falar de quatro tipos de mudança: assimilação, dissimilação, reordernação de segmentos, inserção ou apagamento de segmentos.
Classificam-se também as mudanças em fonêmicas e não-fonêmicas. A primeira altera o inventário fonológico da língua, a segunda não produz nenhum efeito sobre o inventário fonológico de uma língua (ocorrência de alofones) (cf. CAMPBELL, 1998).
Para Campbell (1998), a concepção básica e mais importante da linguística histórica é que a mudança sonora é regular. Dizer que uma mudança é regular significa que a mudança ocorre onde o som ou os sons que sofrem a mudança são encontrados em circunstâncias ou ambientes que condicionam a mudança. Isso é chamado de
princípio da regularidade. Nos próximos tópicos, apresentamos as mudanças sonoras mais comuns identificadas nos estudos históricos de diversas línguas do mundo.
2.12.1 Assimilação
É o processo que ocorre entre dois sons que acabam se tornando mais parecidos um com o outro, devido ao fato de estarem no mesmo nível sintagmático e linear. Consoantes podem assimilar-se a outras consoantes ou a vogais. A assimilação pode ser completa ou parcial. Sendo completa, significa dizer que um som tornou-se igual ao outro. Sendo parcial, apenas contraiu alguns traços de um outro som, conforme Bloomfield (1935), Antilla (1972), Jeffers e Lehiste (1979).
A assimilação pode ocorrer em duas direções. A primeira é aquela em que um som pode assimilar outro que o segue; e a segunda, o som que o precede. Conforme Jeffers e Lehiste (1979), chama-se de assimilação progressiva quando um som assimila o que o segue e de assimilação regressiva quando um som assimila o que o precede. Se o segmento condicionante é imediato, temos, então, uma assimilação adjacente, caso o segmento condicionante da assimilação não seja imediato, a essa chamamos de assimilação distante.
Outros dois casos de assimilação, mas que ocorrem exclusivamente com vogal são o umlaut (termo utilizado especificamente para descrever a assimilação regressiva de vogal, isto é, quando a vogal condicionante segue a vogal que sofre uma mudança na sua qualidade) e a harmonia vocálica (ocorre quando a vogal condicionante precede o segmento vocálico que sofre a mudança – assimilação progressiva) (cf. JEFFERS & LEHISTE, 1979).
Conforme Campbell (1998), um tipo muito comum de assimilação é a nasalização. Segundo o autor, é extremamente comum que consoantes nasais assimilem o ponto de articulação de oclusivas que as seguem; sendo que, em algumas línguas, isso ocorre com qualquer consoante que segue uma consoante nasal.
Normalmente também, vogais são nasalizadas em ambientes de consoantes nasais. Em alguns casos, a consoante nasal nasaliza a vogal precedente e em seguida sofre elisão (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.2 Dissimilação
Conforme Jeffers e Lehiste (1979), dissimilação é o fenômeno que descreve a situação na qual um som tornou-se menos parecido com o seu vizinho, mas nem todas sequências de sons são responsáveis pela dissimilação de outros.
2.12.3 Reordenação de segmentos
O caso mais comum é o da metátese (descreve uma situação nas quais a mudança de ordem afeta segmentos adjacentes). Pode ser esporádica ou regular e geralmente resulta em mudança linguística.
A metátese ocorre, na maior parte das vezes, em sílabas que incluem uma sibiliante e uma oclusiva, bem como em sequências de líquidas e vogais. O outro caso, não muito comum, é chamado de esponerismo (refere-se a tais mudanças quando os segmentos envolvidos aparecem em diferentes sílabas, ou mais comumente, em diferentes palavras), é um fenômeno esporádico, um erro de produção (cf. ANTILLA, 1972).
2.12.4 Apagamento e inserção de segmentos
Conforme Jeffers e Lehiste (1979), a perda é comumente associada com o desenvolvimento de um sistema acentual inovador ou com uma mudança na posição do acento28. São classificadas em três tipos, basicamente:
a) aférese: perda de som no início da palavra; b) apócope: perda de som no final da palavra; c) síncope: perda de som no interior da palavra.
No caso de acréscimo ou inserção de vogais, tal fenômeno ocorre buscando facilitar a pronúncia. Também são de três tipos:
a) epêntese: desenvolvimento de um som entre dois segmentos sonoros; b) prótese: desenvolvimento de um som em início de palavra;
c) paragoge: desenvolvimento de um som em final de palavra.
28 Línguas de substrato e adstrato causam, muitas vezes, mudança no padrão acentual (D‟ANGELIS,
De acordo com Jeffers e Lehiste (op. cit), um outro caso de perda de segmentos é chamado de haplologia. Nesse tipo, ocorre a queda de uma sílaba em uma sequência envolvendo uma duplicação de sílabas.
Em relação ao acréscimo de consoantes, temos o caso chamado de consoantes excrescentes: desenvolvimento de uma consoante de forma imprevisível. Exemplos: vendré (espanhol) < venire (latim)
Estre (francês) < essere (latim)
Hombre (espanhol) < hominem (latim) Umerum > omro > ombro.
Perdas de consoantes ocorrem geralmente em contexto intervocálico, sendo comumente o último resultado de uma série de processos. Em muitos casos, a perda de uma consoante é precedida por uma aspiração ou mesmo um glide (cf. JEFFERS & LEHISTE, 1979).
Um outro processo existente é o chamado sandhi que é a perda, introdução, ou alteração de um som em um contexto de uma transição de uma palavra para outra (cf. JEFFERS & LEHISTE, 1979).
2.12.5 Fusão e cisão
Considera-se fusão quando dois sons distintos fundem em um só, deixando muito menos sons distintivos no inventário fonológico do que havia antes da mudança. Considera-se cisão quando um som se divide em dois, ampliando o conjunto de sons distintivos de uma língua (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.6 Duração das vogais
Basicamente, dois tipos de processos envolvem a mudança da duração de vogais: alongamento de vogais curtas e o encurtamento de vogais longas, ambos em contextos específicos. Pode ser também que algumas perdas de som sejam compensadas com o alongamento de outro, geralmente, uma vogal. A esse fenômeno dá-se o nome de alongamento compensatório (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.7 Rotacismo
Conforme Campbell (1998), refere-se à mudança em que um s (ou z) torna-se r. Normalmente ocorre entre vogais ou glides, alguns admitem que, muitas vezes, os casos de rotacismo ocorrem por meio de estágio intermediário de -s- > -z- > -r-, onde o s é primeiro vozeado e, então, transformado em r.
2.12.8 Ditongação e Monotongação
Ditongação é qualquer mudança em que uma simples vogal muda para uma sequência de dois segmentos vocálicos, que juntos ocupam o núcleo de uma sílaba. Enquanto que a monotongação é a mudança de um ditongo para uma simples vogal (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.9 Ensurdecimento em posição final
Segundo Campbell (1998), uma mudança muito comum é o ensurdecimento de oclusivas e obstruintes em final de palavra. Algumas línguas também ensurdecem as sonorantes (l, r, w, j e nasais), e algumas ensurdecem vogais finais. É possível também que em outras línguas, o ensurdecimento ocorre tanto em final de palavra quanto em final de sílaba.
2.12.10 Vozeamento
São muito comuns vários sons se tornarem vozeados entre vogais. Isso afeta apenas oclusivas em algumas línguas, fricativas e obstruintes em outras. Geralmente, o vozeamento não ocorre apenas em contexto intervocálico, mas também pode ocorrer entre os glides w e j. Campbell (1998) afirma que muitas línguas também sonorizam oclusivas (algumas também outras consoantes) após nasais ou após qualquer som vozeado. Algumas também sonorizam qualquer som quando eles vêm antes de sons vozeados (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.11 Palatalização
De acordo com Campbell (1998), a palatalização ocorre geralmente antes ou depois de i e j, ou antes de outras vogais anteriores, dependendo da língua. Contudo, a palatalização não-condicionada também pode ocorrer. Um exemplo comum de palatalização é a mudança de uma velar ou alveolar para uma palato-alveolar, como em k > tS ; t > tS ; s > S .
2.12.12 Levantamento e abaixamento de vogal
O levantamento de vogal é a mudança de vogais baixas para vogais médias (ou altas), ou de vogais médias para vogais mais altas. Campbell (1998) observa que vogais longas ou tensas frequentemente sofrem esse tipo de mudança e que o levantamento de vogal normalmente ocorre em final de palavra. Já o abaixamento vocálico é uma mudança oposta: abaixam-se vogais altas, mudando-as para médias ou baixas; e as vogais médias mudam para vogais baixas. Normalmente, ocorre o abaixamento de vogais antes de consoantes uvulares ou faringais, ou quando uma vogal mais baixa ocorre na próxima sílaba. Além disso, o abaixamento de vogais nasais ocorre com muita frequência (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.13 Enfraquecimento e Fortalecimento
O enfraquecimento, de um lado, corresponde a uma articulação mais fraca de um som. Geralmente, são incluídas nesse tipo de mudança (a) o caso das oclusivas e africadas que mudam para fricativas; (b) o caso de duas consoantes que mudam para uma; (c) o caso de consoantes que mudam para glide (j ou w); ou (d) o caso de consoantes surdas que mudam para sonoras em diversos ambientes. Cabe ressaltar aqui que o enfraquecimento de um som pode levar à sua perda.
O fortalecimento, por outro lado, é a produção mais forte de um som mais fraco do ponto de vista articulatório (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.14 Geminação
Chama-se de geminação o redobro de consoantes, ou seja, a mudança que produz uma sequência de duas consoantes idênticas a partir de uma simples consoante. Vale lembrar que um fenômeno inverso também pode acontecer: uma sequência de duas consoantes idênticas é reduzida a uma simples ocorrência (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.15 Africação
Refere-se a mudanças em que um som, normalmente uma oclusiva, algumas vezes uma fricativa, torna-se uma africada. Por exemplo: t > ts / ___ i, e k > tS/ ___ i, são muito comuns (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.16 Fricação
Um som africado pode enfraquecer e se tornar uma fricativa, assim como uma oclusiva pode também se tornar uma fricativa. Uma situação oposta, às vezes, pode ocorrer: uma fricativa pode se tornar uma africada (cf. CAMPBELL, 1998).
2.12.17 Mudanças em cadeia
Conforme Campbell (1998), diversas mudanças sonoras parecem estar relacionadas, causando um impacto maior no sistema fonológico de uma língua, visto que essas mudanças não acontecem de forma isolada uma da outra, mas aparecem conectadas. A esse tipo de fenômeno dá-se o nome de mudança em cadeia „chain shifts‟. Acredita-se que os sons de um sistema sonoro estejam integrados dentro de um todo, cujas partes estão tão interconectadas que uma mudança em qualquer uma das partes desse sistema pode ter implicações para as outras partes. A ideia geral, além das mudanças em cadeia, é que sistemas sonoros tendem a ser simétricos ou naturais, e aqueles que não são, isto é, aqueles que possuem uma lacuna no inventário, tendem a mudar por si mesmos precipitando outras mudanças a fim de refrear os efeitos, como uma reação em cadeia (cf. CAMPBELL, 1998).
De acordo com Campbell (1998), as mudanças em cadeia são classificadas em dois tipos: pull chains ou drag chains e push chains. Em um drag chain, a mudança pode criar uma assimetria (uma lacuna) no padrão fonêmico. Essa mudança é seguida
por outra que preenche a lacuna por “puxar” algum som de qualquer lugar no sistema e mudando o som de lugar para satisfazer as necessidades de simetria/natural preenchendo a lacuna, e se o som que mudou para preencher o espaço original deixar um novo espaço em qualquer lugar no sistema sonoro, então algumas outras mudanças podem “puxar” alguns outros sons para preencher a lacuna (idem).
O push chain é a noção de que línguas querem manter diferenças entre sons no sistema a fim de facilitar o entendimento. Se um som inicia mudanças ao se mover dentro do espaço articulatório de outro som, na visão do push chain, isso pode precipitar uma mudança onde o som move para outro lugar a fim de manter importantes distinções para o significado. Com isso, ele empurra o som que era produzido em um determinado espaço articulatório, resultando numa reação em cadeia; posto que a língua trabalha para que sejam perceptíveis as diferenças sonoras. Por exemplo, se uma língua tem somente três vogais esperamos que elas ocupem espaços articulatórios bem diferenciados (i, u, a) ou (i, o, a); e se uma língua tem quatro oclusivas, esperamos que elas ocupem pontos de articulação diferenciados, ou seja, nada de elas serem todas labiais (p, b, ph, pj) (idem).