4.1 Organisering og sikkerhetsantakelser
4.1.3 Standardisering
através dos possíveis cognatos encontrados.
4.2 Sobre os critérios de seleção das línguas Macro-Jê para a comparação com o Guató
Das doze famílias linguísticas propostas para o tronco em andamento (cf. RODRIGUES, 1999), selecionamos representantes de oito. A escolha das línguas utilizadas na comparação com o Guató foi pautada em quatro critérios: (a) famílias línguísticas com reconstrução de proto-formas; (b) línguas mais próximas geograficamente do Guató; (c) famílias linguísticas que compartilham com o Guató características que não são predominantes na maioria das línguas do tronco Macro-Jê e (d) acessibilidade a dados adequados a um estudo histórico-comparativo.
4.2.1 Critério 1: famílias de línguas com reconstrução de proto-formas
Os itens reconstruídos necessariamente remetem a um tempo anterior à diversificação e, portanto, atenuam as possíveis diferenças decorrentes do desenvolvimento das línguas ao longo do tempo. A justificativa para usarmos proto- formas de famílias do tronco Macro-Jê para este estudo comparativo é a tentativa de encontrar cognatos com as palavras mais conservadoras que o Guató possa ter preservado. Usamos, porisso, os dados do Proto-Kamakã (MARTINS, 2007), do Proto- Purí (SILVA NETO, 2007), do Proto-Jê (DAVIS, 1966) e do Proto-Jê-Meridional (JOLKESKY, 2010)38.
fizemos a partir da seleção das palavras encontradas nesses dois trabalhos e que consideramos adequadas para a realização deste estudo comparativo.
38 A comparação de Davis envolveu representantes de três ramos da família Jê (meridional, central e
setentrional), mas o vocabulário reconstruído se limitou a uma lista de um pouco mais de 100 palavras. Jolkesky (2010), por outro lado, apresenta uma ampla lista de itens lexicais reconstruídos (mais de 1000); no entanto, seu trabalho compreende apenas as línguas do ramo meridional da família Jê (ambas as propostas de reconstruções encontram-se em anexo a esta tese). No intuito de ter uma comparação que abarque o maior número de dados comparáveis, consideramos sensato fazer uso dos dados reconstruídos tanto para o Proto-Jê por Davis (1966), quanto para o Proto-Jê-Meridional por Jolkesky (2010). Estamos
4.2.2 Critério 2 – línguas que estão mais próximas geograficamente do Guató Tanto o Boróro quanto o Rikbáktsa são as duas línguas mais próximas do Guató do ponto de vista geográfico, encontrando-se localizados em Mato Grosso. Consideramos inicialmente a hipótese de que essa proximidade física pudesse decorrer de uma cisão dos povos que as falam em um tempo menos remoto do que a dispersão linguística do tronco Macro-Jê como um todo. Os dados do Boróro são de Albisetti e Venturelli (1962) e os do Rikbáktsa provêm do dicionário organizado por Boswood (2007).
4.2.3 Critério 3 – famílias linguísticas que compartilham com o Guató características que não são predominantes na maioria das línguas do tronco Macro-Jê
São duas as famílias incluídas no tronco Macro-Jê que apresentam algumas características que são compartilhadas apenas com o Guató. Trata-se das famílias Karirí e Yatê.
No caso da Karirí, a característica compartilhada com o Guató é morfossintática, enquanto que com o Yatê o Guató compartilha uma característica fonológica. Isso poderia sugerir um compartilhamento de inovações; permitindo-nos supor que, em um passado muito distante, essas línguas teriam estado mais próximas do Guató.
Essa ideia de compartilhamento de inovações é, como já afirmamos antes, extremamente remota, principalmente devido à localização geográfica das línguas pertencentes às famílias Karirí e Yatê em relação à localização do Guató, pois enquanto o povo Guató vive no sudeste de Mato Grosso do Sul (na fronteira com a Bolívia), o Yatê se encontra desde o período colonialem Pernambuco, ao passo que os falantes das línguas da família Karirí39 foram localizados na Bahia e no Sergipe. Apesar disso,
cientes de que pode parecer estranho submetermos o Guató a uma comparação com proto-formas reconstruídas para um ramo de uma família (como é o caso do Proto-Jê-Meridional)à qual o Guató não pertence. Contudo, consideramos apropriada essa comparação, porque olhar o Proto-Jê-Meridional nos poupa o tempo de olhar os dados do Kaingáng e do Xokléng em busca de palavras que possam ser comparadas às do Guató.
39 As línguas que constituem a família Karirí, segundo Rodrigues (1986) são o Kirirí, o Dzubukuá, o
selecionamos para a comparação aqui desenvolvida as duas línguas documentadas da família Karirí (o Kirirí e o Dzubukuá) e que possuem, como o Guató, preposições em vez de posposições (cf. RODRIGUES, 1999). Os dados do Kirirí utilizados para a comparação são aqueles organizados por Rodrigues (1942), e os do Dzubukuá foram extraídos do trabalho de Queiroz (2008).
Quanto ao Yatê, a característica fonológica que ele apresenta e que é também encontrada em Guató é a presença de tons como elementos distintivos; portanto, um dispositivo fonológico desenvolvido em ambas as línguas, mas que não foi desenvolvido em outros membros do tronco Macro-Jê (cf. RODRIGUES, 1999). Com relação aos dados do Yatê, esses foram extraídos do dicionário organizado por Sá (2000).
4.2.4 Critério 4 – acessibilidade facilitada aos dados adequados a um estudo histórico-comparativo
Utilizamos também para a comparação um dicionário bilíngue Maxakalí- Português / Português-Maxakalí (2005). Trata-se de amplo vocabulário resultado de uma coleta de dados de quase trinta anos junto ao povo Maxakalí que habita o município de Bertópolis no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais.
4.2.5 Objetivos deste estudo
Este capítulo tem como objetivos: (a) apresentar indícios adicionais ao que Rodrigues (1986, 1999) já havia encontrado como prováveis cognatos entre a língua Guató e algumas línguas representantes das famílias linguísticas do tronco Macro-Jê; (b) observar os procedimentos do Método Histórico-Comparativo desde a seleção das palavras do Guató, candidatas a prováveis cognatos com palavras das línguas Macro-Jê
utilizadas nesta comparação40, até a identificação de possíveis correspondências sonoras sistemáticas nos conjuntos de cognatos em potencial que foram previamente selecionados; (d) discutir a possibilidade de as correspondências sonoras encontradas serem vestígios de uma provável afinidade genética do Guató, mesmo que distante, com as outras línguas de famílias do tronco Macro-Jê, ou se essas correspondências são casuais (pura coincidência) ou resultados de empréstimos devidos a contato linguístico; e, por fim, (e) a partir dos resultados obtidos, realizar uma avaliação parcial da consistência da hipótese de Rodrigues (1986) a respeito de o Guató ser um membro do tronco Macro-Jê.
4.3 Conjuntos de prováveis cognatos do Guató com línguas do tronco Macro-Jê