1 Innledning
1.6 Vannbinding i muskelvev
A empresa deve procurar não condicionar a sua atuação com o argumento do primado da conveniência. A este respeito Gray e Bebbington (2000: p1) referem, “implicit assumtions about the primacy and desirability of the conventional business agenda”, sendo esta uma atitude dominante por parte da empresa sobre as questões sociais e ambientais.
O primado da conveniência deverá dar lugar ao primado do relacionamento que privilegie relações de criação de valor seja com o ambiente através da utilização eficiente dos recursos, seja socialmente, através de alternativas eficazes.
Os ganhos mútuos conseguidos por este tipo de posicionamento fazem com que as dimensões sociais e ambientais fortalezam a dimensão económica da empresa. A partir desta perspetiva, a utilização dos recursos disponíveis não só de forma mais eficiente mas também de forma eficaz permitirá a obtenção de sinergias e complementaridades entre as dimensões. Esta situação permitirá a obtenção de valor sustentável (Figge & Hahn, 2004; 2005; 2013).
Assim, em cada momento a empresa deve, de forma sistemática, avaliar as suas alternativas (combinações das opções disponíveis - capitais) e quantificar os resultados obtidos (dependência dos recursos disponíveis - custos e proveitos) nas suas relações híbridas. Isto faz com que tenha que procurar sistematicamente as melhores combinações em função dos seus recursos disponíveis em cada momento.
Desta forma, o objetivo das relações híbridas é o de obter o melhor resultado possível entre as dimensões do TBL, minimizando os efeitos conflituantes e adversos nas suas interseções. Os desequilíbrios existentes com impacte de significância no HBL podem comprometer a qualidade e proteção ambiental, saúde pública, bem-estar e a própria motivação da empresa em continuar a promover a sua evolução. As decisões assumidas pela empresa no desempenho das suas atividades devem ser tomadas no sentido de não colocar em perigo nem comprometerem as relações que se verifiquem nas interseções.
As combinações híbridas estão relacionadas com as dimensões bidimensionais existentes entre as relações que se estabeleçam no âmbito económico-ambiental e económico-social. A identificação das combinações e a sua maior ou menor contribuição pode estimular a procura de melhorias visando a obtenção de combinações que se prevejam mais equilibradas. Há que referir que a eficácia dos processos estará dependente das estratégias desenvolvidas pela empresa e que estas podem maximizar ou minimizar os impactes desejáveis ou indesejáveis.
Um outro aspeto a ter em conta tem a ver com a compensação que em cada momento se observa entre os níveis dos indicadores, uma vez que estes estão em permanente alteração. Este facto pode ocasionar a impossibilidade de obter uma função “utilidade” e uma “trajetória” que nos dêem o percurso pretendido, que é motivado pelas constantes compensações. Teremos, nestes casos, um sub-ótimo entre os resultados máximos e mínimos dos indicadores que estão na relação híbrida.
Descreve-se a seguir a conjugação bidimensional dos possíveis efeitos e dos objetivos a ser observados nas relações híbridas. Na figura 4.6, apresentam-se as relações híbridas economia-ambiente e economia-social e as combinações dos resultados esperados quanto à eficiência e eficácia, assim como a transição para o processo osmótico sociedade-ambiente (a ser descrito no próximo ponto).
I. Relação híbrida economia/ambiente: estas relações oscilam entre a conjugação da eficiência (capacidade de dispor de algo para conseguir um determinado efeito) e a eficácia (capacidade de cumprir o objetivo pretendido).
a) Os sistemas ecoeficientes permitem, por um lado, manter ou aumentar o valor do capital económico e, ao mesmo tempo, diminuir o impacte da atividade económica sobre o sistema ambiente, para além de permitirem minimizar o volume, velocidade e toxicidade do fluxo de matérias utilizados (Figge & Hahn, 2013; Figge et al., 2014).
b) No caso da ecoeficácia estamos a considerar estratégias que perspetivem a desmaterialização do produto e o transformem em algo que seja incorporado no sistema ecológico e que tendam para ciclos de cradle to cradle (Braungart et al., 2007).
II. Relação híbrida economia/social8: estas relações oscilam entre a conjugação da eficiência (produzir o efeito pretendido) e a eficácia (capacidade de cumprir os objetivos pretendidos).
a) O sistema sócio eficiência relaciona-se com a forma como se distribuem os recursos na sociedade tendo em consideração os custos e benefícios (internos e externos). Assim, o bem-estar social está dependente das opções a serem tomadas e estas dependem dos métodos utilizados para cada situação e dos resultados que se pretendem atingir (Dyllick & Hockerts, 2002).
b) Sócio eficácia está diretamente relacionada com o impacte absoluto positivo ou negativo que as atividades desenvolvidas pela empresa podem alcançar no âmbito social. Este impacte encontra-se relacionado com a
8 Segundo Sen (19771992), a economia de um agente de mercado (egoísta e individual) está centrada nas preferências do indivíduo, o que se designa como preferência do “dilema do prisioneiro”. No entanto, em situações em que o resultado das preferências depende das ações de outras pessoas para além da preferência da ação própria, o dilema do prisioneiro irá resultar em desastre social, chamando a tais ações de preferência racional como “tolos racionais”. Desta forma a mudança do paradigma deve passar por deixar de ser “tolos racionais”, para passar a ser “cidadãos socialmente racionais”.
melhoria de vida proporcionada, qualidade do trabalho e benefícios para a comunidade (Dyllick & Hockerts, 2002; Dyllick & Muff, 2015).
III. Suficiência para as relações híbridas: assumiremos a abordagem da economia de suficiência e que promove “…a middle path based on three components, namely moderation, reasonableness and self-immunity leading towards the development of a more resilient and sustainable economy. It also seeks to generate outcomes that are beneficial to the development of the country in order to better cope with the challenges arising from globalization and other changes in today’s society.” (UNDP, 2007).
Figura 4.6: Sistema híbrido: combinações e resultados eficiência, eficácia e suficiência.
Os eventuais efeitos de refluxo ocasionados por ganhos ou perdas associados por estratégias de eficiência não estão aqui tratados. Porém, existe presentemente um amplo debate e interesse nas suas causas (por exemplo: Brannlund et al., 2007; Ouyang et al., 2010; Frondel & Vance, 2013; Figge et al., 2014).