1 Innledning
1.4 Polysakkarider
Sendo a sustentabilidade um conceito de âmbito global, a empresa representa uma parcela micro com diferentes níveis de abrangência nesse sistema. Van Passel et al. (2007) refere que as interações da empresa com os diversos sistemas que a circundam revestem-se de grande variedade e intensidade e o seu impacte e importância como agente transformador têm implicações globais, sendo atores privilegiados no contributo para a sustentabilidade, através da sua capacidade técnica e anímica para a alcançar. Na figura 4.2, apresentam-se os fatores de interatividade tendo por base a teoria do capital. Pode-se observar os diversos fluxos existentes entre a empresa e o seu contexto finalizando no HBL.
Figura 4.2: Ciclo de interatividade dos capitais.
A gestão da sustentabilidade corporativa passa por uma gestão equilibrada dos seus capitais disponíveis assim como por uma interpretação mais ampla do conceito de capital. Como refere Dyllick e Hockerts (2002), os capitais que estão associados ao TBL “capital económico,
ambiental e social”, têm propriedades e características diferentes, pelo que deverão ter um tratamento e abordagem diferentes entre eles.
Uma das formas que a empresa tem de dar conta dos fluxos e impactes ocorrido nos seus capitais é através do relato. A informação e os dados relatados pela empresa pressupõem que os mesmos sejam consistentes e representem de forma fiel o desempenho das suas atividades, assim como os compromissos assumidos na implementação de soluções que visem a sustentabilidade. Porém, as atividades desenvolvidas pela empresa estão dependentes do que ela entende por fronteira e pelo que deve ou não ser relatado entre a organização e o seu contexto. Isto significa que uma parte substancial dos seus impactes pode não ser divulgada com precisão, sobretudo os impactes indiretos, focalizando-se a atenção principalmente nos impactes produzidos diretamente e que são controlados pela empresa (Archel et al., 2008). É consensual a existência de três vias pelas quais os compromissos com a sustentabilidade podem ser concretizados pela empresa:
I. Involuntária: não estruturada estrategicamente, não abrangente e que é efetivada pela imposição coerciva de normativos legais (uma estrutura regulatória pode regulamentar as formas mais prejudiciais de comportamentos insustentáveis criando padrões mínimos ou proibindo inteiramente determinadas atividades); II. Voluntária: não está dependente das imposições legais, assume de forma expressa
opções e diretivas diferenciadoras no seu planeamento com vista a resolução dos impactes (diretos e indiretos) e implementa estratégias complementares em prol de soluções de médio e longo prazo;
III. Critérios de mercado: cria as condições de base para que os critérios de mercado sejam iguais para todas as empresas.
Porém, a procura constante do zero resíduos, zero recursos, do impacte zero faz com que se observe um casamento permanentemente instável entre os objetivos financeiros e ecológicos, como refere Braungart et al (2007). Na realidade, o que se observa é que as estratégias para o TBL não resultam em equilíbrios para as dimensões económicas, sociais e ambientais porque os objetivos económicos permanecem sistematicamente como prioritários, enquanto que as metas a serem alcançadas para as outras dimensões são perspetivadas para um desempenho do mínimo aceitável.
As relações existentes entre gerar e acrescentar valor passam pela capacidade que a empresa demonstra em desenvolver estratégias que viabilizem o seu negócio no tempo. Isto levanta um aspeto crítico à empresa, relacionado com a capacidade de balanceamento entre os custos operacionais do curto prazo e os seus eventuais benefícios futuros, para além da necessária manutenção de uma estrutura de capitais que lhe permita garantir a sua capacidade de operacionalidade.
De referir que é reconhecido que determinados custos e valores associados ao TBL estão baseados em conceitos que são de difícil quantificação (intangibilidade dos resultados). Estes
conceitos em si apresentam-se como ideias factíveis. Contudo, quando se pretende atribuir um valor para se poder avaliar e medir o seu contributo para um todo sustentável, este facto revela-se extremamente difícil de objetivar. É o caso, por exemplo, da justiça social, dos serviços dos ecossistemas e da degradação ambiental. De igual modo, esta dificuldade estende-se aos stocks de capitais. Ao abordar a teoria do capital no âmbito do DS, distinguem- se três tipos de ativos com diferentes características: o capital natural, o capital económico o capital social (humano). Mas há ainda a considerar o capital construído. Assim, o capital total será o que é constituído pelo capital natural (recursos) e os capitais económico e social. A relação e combinação entre estes capitais dá origem a duas noções diferentes de sustentabilidade: a sustentabilidade fraca e a sustentabilidade forte (Neumayer, 2010) em que a diferença fundamental entre elas reside nas possibilidades de substituição entre o capital natural e os restantes capitais. No âmbito da empresa, o desenvolvimento das suas atividades repartir-se-á inevitavelmente entre estas duas dimensões de sustentabilidade, sendo que o seu impacte dependerá das estratégias concertadas em optar mais por uma ou outra ou pelo equilíbrio possível entre os dois tipos de desenvolvimento.
4.2.1.1 Sustentabilidade fraca: medidas absolutas para alternativas eficientes
A sustentabilidade fraca assume implicitamente a ideia de que o esgotamento de um ativo não tem de representar um declínio nas possibilidades de consumo, desde que outras formas de capital estejam a aumentar e possam substituir o ativo que desaparece (Neumayer, 1999). Segundo esta abordagem, a hipótese assumida é a da comparabilidade forte, isto é, a possibilidade de se medir todos os fatores naturais e os manufaturados tendo como base a mesma escala quantitativa (Martinez-Alier et al., 1998).
Nesta perspetiva, as atividades desenvolvidas pela empresa podem levar a um desempenho económico favorável em detrimento de uma redução do stock natural, não considerando os impactes de irreversibilidade nos sistemas ecológicos, sócio-económicos ou culturais ou, no caso do capital social, na depreciação desse ativo pela não valorização do seu potencial. Um outro aspeto a destacar tem a ver com o facto da sustentabilidade fraca no âmbito da empresa estar relacionada com soluções e medidas absolutas (Callens & Tyteca, 1999; Figge & Hahn, 2004) em que o valor adicionado pela empresa no desenvolvimento das suas atividades é definido como o benefício obtido menos os custos dos seus processos, pelo que o seu contributo para a sustentabilidade será dado pelos níveis de benefícios globais alcançados para a empresa através de alternativas que tem diferentes níveis de eficiência. Esta abordagem assume o pressuposto da substituibilidade completa dos capitais.
4.2.1.2 Sustentabilidade forte: medidas relativas para soluções eficientes
Por sua vez, a sustentabilidade forte argumenta que o capital natural (ou algumas das suas componentes) e os outros tipos de capital são complementares, ou seja, não pode haver compensação (Daly, 2009). O capital natural, ou componentes dele, deve ser mantido separadamente. Este tratamento baseado na preservação desagregada pode justificar-se por certas funções do capital natural serem insubstituíveis, mas também pela existência de aversão ao risco num contexto em que a incerteza é generalizada e a degradação do capital natural pode ser irreversível.
Esta abordagem também tem sido designada como o “paradigma complementar” (Neumayer, 2010). Operacionalmente, a racionalidade da sustentabilidade forte pode ser relacionada com a comparabilidade fraca, a qual afirma que os conflitos de valores são inevitáveis quando se lida com sistemas sócio-económicos complexos, mas que são compatíveis com uma escolha racional empregando o julgamento prático (Martinez-Alier et al., 1998).
Deste modo, a sustentabilidade forte, no âmbito da empresa, será dada pelas soluções e medidas relativas (Callens e Tyteca, 1999; Figge e Hahn, 2004). Estas medidas comparam o valor criado pela empresa relativamente aos recursos requeridos e aos impactes causados ao meio envolvente – social e ambiental e onde se inclui a noção de soluções eficientes e eficazes (de todas as opções uma se revestirá de maior importância). Porém, o desempenho conseguido pode levar ao crescimento económico e, por consequência, a uma maior utilização de recursos, sendo que os recursos naturais que venham as ser poupados podem igualmente ser utilizados por outras empresas menos eficientes, anulando assim os esforços conseguidos em termos globais (Figge & Hahn, 2004; Figge et al., 2014).
Porém, e apesar de não se poder inferir com as medidas relativas a obtenção de níveis de eficácia, é importante encontrar alternativas que possibilitem a utilização dos recursos ao longo de um maior número de ciclos de produção e consumo em vez de tentar eliminar o desperdício. As estratégias associadas podem passar pela redução de consumo (suficiência), minimização de volume (densidade), design (ergonomia) e características de durabilidade (permanência), entre outras alternativas.