6 Bruk av hepatitt B-vaksine i Norge til nå
6.2 Vaksinasjonsdekning
Neste capítulo é apresentado o estudo dos restos de moluscos recuperados no sítio de naufrágio. Os materiais foram recolhidos durante a campanha de 2002 e estudados de acordo com as abordagens comuns na investigação de conchas provenientes de sítios arqueológicos (Claasen 1998). Refira-se, porém, que esta amostra corresponde apenas a parte do numeroso conjunto que se pode observar à superfície, disperso entre o fundo de blocos, sobre a areia e agarrados às concreções.
A identificação dos moluscos foi efectuada através da consulta de material
disponível em linha, nomeadamente no site: http://seashellsofnsw.org.au/Cypraeidae/Pages/cypraea_moneta.htm. Procurou-se ainda
analisar temas como a ecologia, os processos tafonómicos e a utilização antrópica da colecção, através da avaliação da coerência da amostra e determinação da origem dos táxones constituintes. Os principais aspectos tafonómicos aqui tratados dizem respeito a fenómenos biostratonómicos (pós-morte e pré-enterramento) que podem fornecer informações relevantes sobre os processos de formação do registo arqueológico (incrustação ou bioerosão).
9.1 Identificação, análise ecológica e tafonómica
A amostra é constituída unicamente por restos de conchas da espécie Cypraea
moneta (Fig. 52). Tratam-se de moluscos gastrópodes, que no seu conjunto correspondem a um total de 40 exemplares, que pertencem a um número mínimo (NMI) de 40 indivíduos.
Na actualidade, os cauris ocorrem em áreas rochosas da zona intertidal onde podem ser encontrados sobre e debaixo das rochas em águas pouco profundas e em recifes expostos na baixa-mar (Tabela 13). Alimentam-se de algas e vegetação marinha que crescem em rocha solta ou em restos de coral (http://seashellso fnsw.org.au/Cypraeidae/ Pages/cypraea_moneta.htm).
Fig. 52 - Cauris recuperados durante a campanha de 2002.
São comuns em águas tropicais Indo-Pacíficas, como as ilhas Maldivas e as Lakshadweep (um arquipélago localizado no Mar Arábico ao largo da Índia, 200 a 300 km da costa de Kerala), embora nestas últimas os cauris sejam das espécies
Monetaria moneta moneta, M. m rhomboides e M. m. annulus (Varadarajan, 1998, 28-
30).
Alguns dos exemplares apresentam processos tafonómicos que resultam das condições de jazida. Com efeito, apesar do grau de rolamento observado no material ser, no geral muito baixo, a maioria dos restos apresentam evidências de incrustação, com o aparecimento de revestimentos de crostas calcárias no exterior da concha. Outras conchas apresentam ainda forte infestação de estruturas bioerosivas. Esta incrustação de origem biogénica e as estruturas bioerosivas indicam exposição prolongada sobre o fundo, com colonização de outros organismos. De referir ainda que alguns exemplares apresentam desgaste mecânico da superfície das conchas produzido por processos de abrasão/ rolamento. Tal evidência parece indicar que os mesmos sofreram processos de remobilização após deposição no sítio arqueológico.
Classe Gastropoda
Família Cypraeidae
Género Cypraea
Espécie Cypraea moneta (Linnaeus, 1758)
Nome vulgar Cauris ou búzios da Índia
Observações É comum nas águas tropicais Indo-Pacíficas. Ocorrem em áreas rochosas
da zona intertidal. Pode ser encontrada sobre e debaixo das rochas em águas pouco profundas e em recifes expostos na baixa-mar. Alimentam- se de algas e vegetação marinha que crescem em rocha solta e restos de coral
Dimensões Mínima: 1,5 cm; Máxima: c. 4,4 cm
Tabela 13 – Descrição da espécie identificada. 9.2 Síntese
A amostra de conchas provenientes do sítio de naufrágio da NSL é constituída exclusivamente por moluscos gastrópodes da espécie Cypraea moneta (cauris), também conhecidos, na documentação moderna, como búzios da Índia173. Esta espécie é comum nas Maldivas e em Socotorá (Godinho, 1965, 330-331). A sua presença entre os vestígios do naufrágio indica relacionasse com a sua utilização como moeda.
De acordo com os dados históricos e arqueológicos disponíveis, os cauris assumiram até finais do século XIX funções monetárias e simbólicas importantes, sobretudo nos continentes Africano e Asiático. Por exemplo, no Hindustão, a partir de inícios do século XVI chegaram a substituir as moedas de cobre que predominaram na economia local durante séculos (Godinho, 1965, 320). No império chinês, foram utilizados até ao século II a.C., enquanto que na Índia o seu uso perdurou até ao século XVIII. Por outro lado, no continente africano, desempenharam um importante papel no comércio de escravos, sobretudo na África Oriental. Nesta região, alguns grupos
173 Além dos cauris, foram utilizados outras conchas marinhas ou produtos com funções monetárias
acreditavam ainda que os cauris possuíam funções mágicas e religiosas, colocando-os, por exemplo, ao pescoço para obter protecção dos raios174 (Godinho, 1965, 330-331).
Neste quadro, com o desenvolvimento da navegação e comércio na costa Africana, os cauris passaram a ser introduzidos no continente principalmente através de São Tomé, embora a sua expansão tenha atingido o Benim, o Congo, Angola e a África Central. A importação para a África Central fez-se ainda pela costa de Moçambique, onde os portugueses se instalaram logo no início do século XVI (Santos, 1998, 233).
No século XV, os cauris seriam transportados das Canárias e Cabo Verde e atingiram valor comercial relevante. Por exemplo, em Sevilha a troco de uma concha eram obtidos 20 a 30 pesos de ouro; na Andaluzia, atingiram valores na ordem dos 20 reais de prata (Godinho, 1965, 331).
Com a abertura da Rota do Cabo, a Coroa teve acesso a uma fonte privilegiada de cauris, comuns em águas tropicais Indo-Pacíficas, como as ilhas Maldivas, as Lakshadweep, ou Socorotá (arquipélago localizado no Oceano Índico, na extremidade sudoeste da Península Arábica) e na África Oriental (Varadarajan, 1998, 28-30; Santos, 1998, 233)175.
Deste modo, passaram a fazer parte da carga de algumas naus durante a torna- viagem (Godinho, 1965, 330-331) e foram reconhecidos em vários sítios de naufrágio, nomeadamente no São João (Burger, 2003). Esta realidade sugere que os portugueses introduziam igualmente os cauris através de Lisboa, de onde eram depois distribuídos pelo império, o que está também fundamentado em fontes escritas (Santos, 1998, 233).
O processo de armazenamento e transporte das conchas nas naus da Índia não é bem conhecido. João de Barros (Década III, Liv. III, cap. 7) refere que as naus carregavam 2000 a 3000 quintais como lastro nas Maldivas (Godinho, 1965, 332). Por outro lado, documentos holandeses do século XVIII relatam a existência de tanoeiros especializados no fabrico de vasilhas para o transporte de cauris nos navios da VOC (Gawronski, 1987, 73).
174 Com esta função foram utilizados até ao século XVI-XVIII.
175 As Maldivas, por exemplo, após 1815 exportavam cauris para África em troca de óleo de palma, ou,
para Bengala, em troca de arroz. Com a monetarização da economia em inícios do século XX, primeiro em Bengala e depois em África, a procura diminuiu e ficou confinada a certas partes de África, onde ainda são utilizados em ritos funerários e em cerimónias de casamento (Varadarajan, 1998, 28-30).