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6. SVERIGE SOM TEST PÅ MODELLENS RELEVANS

6.2 H VA KAN VI LÆRE AV DEN SVENSKE DEBATTEN ?

A constituição da identidade e o desenvolvimento humano acontecem mediante a interação com o mundo e com o outro, através da comunicação. No entanto, só será bem- sucedida se houver um ambiente propício. Assim, a linguagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento saudável e pleno do ser humano. A pessoa surda, geralmente, nasce em um contexto desfavorável a essa estimulação linguística, o que ocasiona efeitos adversos ao processo de construção de sua identidade e cidadania.

Capovilla (1997) aponta que a linguagem tem uma função tanto intrapessoal como interpessoal, sendo imprescindível que o indivíduo adquira as condições de se desenvolver linguisticamente até os quatro ou seis anos de idade, período do desenvolvimento considerado crítico ,que, quando não aproveitado, pode gerar grandes sequelas.

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Nesse sentido, a deficiência auditiva severa e profunda é suficientemente grave para impedir a aquisição normal da linguagem oral. A comunicação fica muito prejudicada nas crianças com surdez pré-linguística, pois a linguagem marca o ingresso do ser humano na cultura, construindo-o como sujeito transformador do seu meio.

Geralmente, as pessoas que adquirem a surdez pré-linguística desenvolvem uma relação natural com a sua condição de surdos, principalmente quando são expostas precocemente à língua de sinais, constituindo assim sua identidade. De acordo com Sacks (2010, p. 43):

A existência de uma língua visual demonstra a riqueza e a flexibilidade do organismo humano no processo de adaptação, revelando potenciais desconhecidos, quais sejam os infinitos recursos de sobrevivência e transcendência da nossa natureza e cultura.

A literatura revela que não há um conceito uniforme sobre a identidade, sendo consensual que resulta numa constatação paradoxal de semelhança e diferença, como processos indissociáveis. Porém, durante muito tempo acreditou-se que havia uma oposição entre a identidade pessoal e a identidade social. A partir dos anos 1970, essa concepção clássica começou a ser questionada, avançando-se para uma ideia de complementariedade desses dois polos, considerados até então como antagônicos. Chegou-se a uma constatação de que o sentimento de identidade é resultante de um conjunto de características, tanto pessoais quanto sociais, que se combinam numa configuração particular de cada indivíduo.

A identidade cultural surda se constitui a partir da convivência dos surdos com seus pares, num movimento contínuo de percepção de semelhança com as características do ser surdo e dessemelhança com a pessoa ouvinte. Nesse processo, surge o movimento surdo e a sua comunidade, que representa espaços de luta e resistência pela defesa das necessidades e especificidades desta minoria. Segundo Sacks (2010), a linguagem é desenvolvida somente na transação com outra pessoa. Assim se dá com a língua da mãe, internalizada pela criança, que permite passar da sensação para o sentido, ascender do mundo perceptivo ao conceitual. O mesmo autor afirma que o intercurso social, emocional e também o intelectual têm início no primeiro dia de vida.

A oposição e a complementaridade entre identidade social e identidade pessoal representam um fenômeno subjetivo e dinâmico, resultante de uma dupla constatação de semelhanças e de diferenças entre si mesmo, os outros e alguns grupos. Desse modo, aproximamo-nos principalmente da psicologia social e da sociologia, bem como das

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interfaces com as demais ciências humanas e sociais, para explorar o objeto de pesquisa. O que está em questão é a problemática que envolve a surdez, a identidade e a subjetividade dos surdos, representada no movimento sociocultural dessa minoria, que busca afirmar-se como um grupo identitário, linguístico e culturalmente diferenciado, visando à ampliação de políticas públicas que possam transcender o campo do assistencialismo e promover de fato um desenvolvimento global dos surdos.

É consensual na literatura que o objetivo principal da identidade pessoal e social é satisfazer uma mesma necessidade, ou seja, uma imagem positiva de si mesmo. De acordo com Marc (2005), são as representações que partilhamos com outro, mas das quais singularizamos alguns aspectos, que fazem de nós sermos ao mesmo tempo individuais e coletivos. Para Doise (1982), uma abordagem global da identidade deve considerar a questão da identidade tanto de um ponto de vista intra e interindividual como posicional, relacionado às inserções sociais dos indivíduos, ou ideológico, referido às crenças que atravessam os grupos e a sociedade.

Nesse sentido, ocorrem diversos tipos de representações partilhadas entre os agentes sociais: representação de si mesmo, intergrupos, do social e coletiva, o que possibilita abordar a identidade, articulando aos aspectos intra e interindividuais, ligados às posições que os indivíduos ocupam na sociedade em função de crenças partilhadas num espaço social.

Os processos identitários permitem aos indivíduos elaborar e manter conhecimentos a propósito deles mesmos e de outrem, dos diferentes grupos aos quais eles pertencem e com os quais eles estão em interação, os conjuntos de conhecimentos são as representações identitárias, pois cristalizam as semelhanças identitárias constituindo o sentimento de identidade. As representações coletivas que remetem à concepção do mundo que se impõe a cada um numa dada sociedade orientam os processos implicados nas construções e nas dinâmicas identitárias. Assim, as crenças e os saberes partilhados que temos sobre o mundo social são mais importantes do que a realidade objetiva desse mundo. Para se entender a identidade cultural surda, é necessário que exploremos as representações que a sociedade majoritária ouvinte faz sobre os surdos e sua autorrepresentação.

As políticas públicas inclusivas surgiram como consequência da pressão exercida pelos movimentos das minorias marginalizadas em busca do reconhecimento de suas identidades. Nesse contexto, segundo Hall (2006), as velhas identidades, que durante muito tempo estabilizaram o mundo social, entraram em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, gerando uma crise de identidade. Para o autor, a

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identidade cultural se refere aos aspectos relacionados ao nosso pertencimento às culturas étnicas, raciais, linguísticas, religiosas e, acima de tudo, nacionais.

Hall (2006) afirma que não há uma concepção fixa e essencialista da identidade, esta é constituída de acordo com o contexto sócio-histórico. O autor elege três períodos históricos para associar a constituição da identidade: o sujeito do iluminismo, que tendia para a perfeição humana; o sujeito sociológico, cujas identidades se moldam nas representações sociais; e o sujeito pós-moderno, cujas identidades são fragmentadas.

No iluminismo, a identidade se baseava numa concepção da pessoa humana como um indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado de razão, de consciência e de ação, permanecendo o mesmo desde o nascimento. O conceito de identidade nesse contexto tendia para a perfeição do ser humano.

Na concepção sociológica, a identidade refletia a complexidade do mundo moderno e a consciência de que esse núcleo interior não era autônomo e nem autossuficiente, mas formado numa rede de relações importantes para o sujeito, que mediava a cultura. Nessa concepção, os sujeitos se moldam nas representações sociais. O sujeito possui um núcleo, que é o eu real, mas este é formado através de um diálogo contínuo com os mundos culturais exteriores e as identidades que esses mundos oferecem. Desse modo, ao projetarmos nosso eu nessas identidades culturais, internalizamos seus significados e valores, alinhando os nossos sentimentos subjetivos com os lugares objetivos que ocupamos no mundo social e cultural. Assim, a identidade estabiliza tanto os sujeitos quanto os mundos culturais que eles habitam. Atualmente, vivemos uma crise de identidade, considerando a concepção de identidade na modernidade tardia, ou seja, a identidade unificada e estável está se tornando fragmentada, compondo-se de diversas identidades, às vezes contraditórias ou não resolvidas. As identidades que asseguravam nossa conformidade subjetiva com as necessidades objetivas da cultura estão entrando em colapso, como resultado de mudanças estruturais e institucionais, tornando o processo de identificação mais provisório, problemático e variável. Esse fenômeno influencia a constituição do sujeito pós-moderno, o qual não possui uma identidade fixa, permanente e essencial.

Desse modo, a identidade se torna flexível, transformando-se de acordo com as mudanças sociais e culturais, sendo definida historicamente e não biologicamente. Assim, os indivíduos assumem identidades diferentes nas diversas situações de sua vida. A identidade coerente e unificada torna-se uma fantasia. Podemos nos identificar mesmo temporariamente com os diversos sistemas de significação e representação cultural. O fenômeno da identidade

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na modernidade tardia está relacionado ao processo de mudança denominado de globalização e seu impacto sobre a identidade cultural. A diferença entre as sociedades tradicionais e as modernas é que estas últimas representam sistemas de mudanças constantes, rápidas e permanentes.

Nesse sentido, Giddens (1990) aponta que, na medida em que áreas diferentes do globo são postas em interconexão umas com as outras, ocorrem ondas de transformação social que atingem virtualmente todo o planeta e a natureza das instituições modernas. A sociedade moderna não é um todo bem delimitado. Ela está constantemente sendo descentrada ou deslocada por meio de forças externas e se caracteriza pela diferença, pelos diversos antagonismos sociais que produzem uma variedade de identidades. A articulação dessas identidades é que mantém a coesão do sistema, sendo essa articulação sempre parcial. Segundo Laclau (1996, p. 56):

O deslocamento constante da identidade dentro do processo de globalização possui também características positivas, pois desarticula as identidades estáveis do passado, abrindo possibilidades para novas articulações: a criação de novas identidades e a produção de novos sujeitos.

Alguns linguistas, como Saussure (2000), definem a identidade como uma produção da estrutura linguística. O autor afirma que nós não somos autores das afirmações que fazemos ou dos significados que expressamos na língua. Utilizamos a língua para produzir significados apenas no interior das regras da língua e dos sistemas de significados de nossa cultura, a língua é um sistema social e não individual. Falar uma língua, além de expressar os nossos pensamentos mais interiores e originais, representa também ativar o sistema de significados da nossa cultura. Para Lacan (2000), a identidade, assim como o inconsciente, se revela na língua. Segundo Maher (1996, p. 32):

O outro com o qual interagimos não é sempre o mesmo, o tempo todo, em todas as situações sociais. A identidade não é um fenômeno unitário que contenha em si qualquer essência definida, mas é uma construção permanente feita em múltiplas direções, que podem ser também contraditórias.

O movimento surdo adquiriu visibilidade juntamente com os novos movimentos sociais que emergiram durante os anos 1960, considerado o grande marco da modernidade tardia, juntamente com as revoltas estudantis, os movimentos juvenis contraculturais e antibelicistas, as lutas pelos direitos civis, os movimentos revolucionários do terceiro mundo, os movimentos pela paz e tudo o que está associado a 1968. Esses movimentos convergiam

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contra a política neoliberal do ocidente e tinham uma ênfase cultural própria, pois apelavam para a identidade social de seus sustentadores, constituindo o nascimento histórico da política de identidade, ou seja, uma identidade para cada movimento.

Desse modo, o sujeito visto no iluminismo, como portador de uma identidade fixa e móvel, vai sendo descentrado através dos diversos movimentos, o que resulta nas identidades abertas, contraditórias, inacabadas e fragmentadas do sujeito pós-moderno.

Apesar do avanço no reconhecimento oficial da língua de sinais e do surgimento do paradigma socioantropológico, a identidade dos surdos continua sendo negada ou representada como deficiente, com todos os pejorativos atribuídos pelo senso comum. Os surdos ainda são considerados “surdos-mudos”, “deficientes auditivos” e “especiais”. A ação discriminatória da sociedade ouvinte sobre os surdos ainda prevalece, pois a representação majoritária sobre a surdez continua ocorrendo a partir da deficiência e não a partir da diferença cultural. Segundo Leite (2002, p. 46):

A cultura surda é um patrimônio de uma comunidade específica e está envolvida pela cultura dominante, através de vários fenômenos de interação cultural. A língua está interligada à cultura, por isso a construção do surdo ocorre dentro de uma concepção intercultural, sendo este ao mesmo tempo bilíngue e bicultural.

Para Perlin (2011), a identidade e a alteridade são processos indissociáveis e a identidade cultural dos surdos é reprimida, mas se rebela e se afirma em relação à identidade ouvinte. A identidade surda é uma identidade subordinada ao semelhante surdo, sendo essencial o encontro surdo-surdo para a construção dessa identidade, que não se dilui devido ao meio sociocultural ouvinte; mas, devido às influências ouvintes, assume formas multifacetadas, que lhe impõem regras.

Como aponta Bhabha (1994), a cultura surda não se mistura à ouvinte, sendo necessário manter uma relação intercultural nem que seja de riscos, pois a identidade surda se constrói dentro de uma cultura visual. Sacks (2010) afirma que a língua de sinais representa para os surdos uma corporificação da identidade pessoal e cultural destas pessoas.

Perlin (2011, p. 5), baseada nas concepções de Hall, estabelece algumas categorias para as diferentes identidades surdas:

1- Identidades Surdas - São identidades fortemente marcadas pela militância política e pelo específico surdo, se referem aos surdos que fazem uso da experiência visual e assumem uma posição de resistência;

2- Identidades Surdas Híbridas - São os surdos que nasceram ouvintes e com o tempo tornaram-se surdos. É uma adequação de identidades de acordo com a

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variação dos contextos. Nascer ouvinte e posteriormente ser surdo é ter sempre presentes as duas línguas, mas a sua identidade vai ao encontro das identidades surdas;

3- Identidades surdas de transição - Estão presentes na situação dos surdos que foram mantidos sob a hegemonia da experiência ouvinte e que passam para a comunidade surda, como geralmente acontece, pois a maioria dos surdos é composta por filhos de pais ouvintes;

4- Identidade surda incompleta - Representa aqueles surdos que vivem sob uma ideologia ouvintista e nega a representação surda, temendo ser ridicularizados ou estereotipados;

5- Identidades Surdas Flutuantes - São os surdos que não possuem contato com a comunidade surda. Eles vivem e se manifestam sob a hegemonia dos ouvintes. Há muitos casos de surdos com a identidade flutuante, pois não conseguiram estar a serviço da comunidade ouvinte por falta de comunicação e nem a serviço da comunidade surda por rejeitarem as características surdas, principalmente o uso da língua de sinais.

Os diversos paradigmas que narraram, classificaram e consequentemente marginalizaram os sujeitos surdos, disseminados também nas filosofias educacionais, representam redes de relações de poder sobre os surdos, que dividem, distinguem, reprimem, exploram e controlam uma cultura nativa. O movimento surdo aponta para a necessidade de transformar essa realidade, para que a identidade cultural surda possa se expressar e se desenvolver da melhor forma, pois o discurso majoritário sobre a deficiência encobre o problema da identidade e da diferença, negando-se a alteridade do outro.

A língua de sinais representa um marcador cultural, identitário, da cultura surda, exercendo um importante papel na luta desta comunidade. Quadros (1997) observa que as línguas de sinais envolvem movimentos que podem parecer sem sentido para muitos, mas que significam a possibilidade de organizar ideias, estruturar o pensamento e manifestar o significado da vida para os surdos.

A identidade cultural surda se constitui a partir da experiência visual. Assim como os ouvintes estabelecem suas relações e constroem seus significados no interior da língua oral, da mesma forma o surdo se constitui como sujeito no interior da língua de sinais. Essas modalidades linguísticas, língua oral e língua de sinais, constituem espaços diferenciados de construção de identidades culturais. Desse modo, torna-se importante a adoção do multiculturalismo crítico para a compreensão do processo identitário da minoria surda, pois este possibilita a compreensão do sujeito surdo, que não se enquadra na norma ouvinte e que se constrói na luta oposicional.

A comunidade surda se caracteriza por traços em comum, que lhe conferem uma identidade específica, como a utilização de uma língua de sinais, de modalidade visual gestual, um modo semelhante de ser e de atuar no mundo e uma forma de organizar o

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pensamento e a linguagem que transcendem as formas ouvintes. A comunidade surda surge da necessidade de diálogo entre os surdos. Um espaço criado espontaneamente, onde eles podem, à sua maneira, falar e expressar seus conhecimentos, sentimentos e percepções das coisas e do mundo. É um meio de dialogarem com o mundo no qual estão imersos.

O movimento surdo é impulsionado pelo diálogo, que possibilita pensar a vida em busca de mais liberdade e qualidade. Skliar (2011) aponta que a existência de uma cultura surda, para muitos ouvintes, representa um desvio ou anomalia, devido à influência etnocêntrica.

Atualmente, existe uma tendência de se analisar a inclusão do surdo a partir de uma perspectiva multicultural crítica. Assim, a escola precisa se comprometer a realizar, juntamente com os alunos, sejam eles surdos ou não, a crítica social. A escola deve ajudá-los a entender a dissonância dos ideais e as realidades sociais existentes, pois o autoritarismo social dissimula a divisão, procurando anular a cultura de resistência, posto que representa o perigo para a ordem preestabelecida do mundo dos que ouvem e também dos surdos. Segundo Skliar (2011, p. 52):

A cultura representa a ordem simbólica que, por intermédio das pessoas, exprime de maneira determinada sua relação com a natureza, entre si e com o poder, bem como a maneira pela qual as pessoas interpretam essas relações, sendo que a própria noção de cultura é adversa à unificação.

A comunidade surda não é homogênea, mas possui características próprias, uma forma de perceber e interagir com o mundo e uma produção cultural específica, como ocorre com outros grupos culturais. A diversidade das experiências educacionais e sociais também influencia na constituição das identidades das pessoas surdas.

A percepção familiar que a convivência surda propicia a esses sujeitos surge

basicamente da necessidade vital de comunicação; pois, nas famílias ouvintes, a comunicação com os surdos é superficial e quase não há diálogo. Assim, esses sujeitos, quando encontram os seus semelhantes, consideram-se uma família, constituindo as comunidades surdas.

Muitos autores conceituam “comunidade surda” e “povo surdo” de forma ampla e variada. De acordo com o dicionário Houaiss (2005, p. 782), o conceito de comunidade seria:

[…] conjunto de habitantes de um mesmo Estado ou qualquer grupo social cujos elementos vivam numa dada área, sob um governo comum e irmanados por um mesmo legado cultural e histórico. […] conjunto de indivíduos que utilizam o mesmo idioma. […] Agrupamento de pessoas que, num período específico de tempo, usam a mesma língua ou o mesmo dialeto; essa comunidade pode coincidir

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com uma nação, se esta for monolíngue, ou pode ser o conjunto de povos que tem uma língua em comum, ou grupo regional, profissional, etc. […] conjunto de indivíduos que, em razão de fatores de natureza social-geográficos, históricos, culturais, raciais, etc. Têm em comum certas características que os distinguem de outros grupos no mesmo meio e na mesma ocasião.

Enquanto o conceito de povo seria (HOUAISS, 2005, p. 2.275):

[…] conjunto de pessoas que falam a mesma língua, têm costumes e interesses semelhantes, história e tradições comuns. […] conjunto de pessoas que vivem em comunidade num determinado território; nação, sociedade […] conjunto de indivíduos de uma mesma ou de várias nacionalidades, agrupados num mesmo Estado. […] conjunto de pessoas que não habitam o mesmo país, mas que estão ligadas por uma origem, sua religião ou qualquer outro laço.

Nesse sentido, tanto o termo “comunidade surda”, quanto “povo surdo”, representam referências coerentes para os grupos de surdos. Strobel (2008) relaciona o termo “povo surdo” aos sujeitos surdos, que não habitam no mesmo local, mas que estão ligados por uma origem, por um código ético de formação visual, independentemente do grau de evolução linguística, tais como a língua de sinais, a cultura surda ou quaisquer outros laços. Assim, todos os surdos do mundo constituem o povo surdo.

Geralmente, as identidades surdas são construídas a partir de comportamentos transmitidos coletivamente pelo povo surdo. Isso ocorre espontaneamente quando se encontram nas comunidades surdas. Quando os surdos se identificam com a comunidade surda, ficam motivados a valorizar a sua condição cultural, adquirindo autoconfiança na construção de sua identidade, iniciando-se assim uma relação intercultural com a sociedade ouvinte, se posicionando como pessoa diferente e não mais como deficiente.

O povo surdo representa um coletivo de sujeitos que compartilham os costumes, história, tradições em comum e constroem sua concepção de mundo a partir do artefato cultural visual. Segundo Laborit (1994, p. 75):

O povo surdo é alegre, talvez devido ao sofrimento durante a infância, quando só existia o oralismo como proposta de educação para surdos, mas os surdos têm grande prazer em se comunicar e sempre estão alegres. Em qualquer lugar, a comunicação entre surdos é algo surpreendentemente vivo, falam durante horas, como se houvesse uma sede inesgotável de dizer as coisas, das mais superficiais às mais sérias. A partir dos sete anos, tornei-me falante e luminosa, a língua de sinais