3. EN MODELL FOR RATIFIKASJONSPROSEDYRER
3.3 M ODELLENS TEORETISKE IMPLIKASJONER
Durante todo o processo da pesquisa, chamaram-nos a atenção alguns aspectos emergentes, a saber, a dificuldade de execução conjunta entre a redução fenomenológica e a intervenção terapêutica e a dupla importância de uma atividade como um clube de leitura, com um viés de atividade extracurricular e um viés terapêutico
Em relação à redução fenomenológica, sentimos dificuldade em colocar esse método em prática nesse contexto que se constituía também de possíveis intervenções terapêuticas. A redução fenomenológica, pelo seu caráter intrínseco, consiste num distanciamento temporário das teorias que sustentam a ação requerida, enquanto que a intervenção terapêutica é em si mesma a própria ação.
Essa dificuldade de compatibilidade entre redução e intervenção se complementa na própria postura que os participantes (do Clube do Livro Identidade) assumem enquanto grupo, isto é, no autoquestionamento sobre se é um grupo de leitura ou um grupo terapêutico. Deparamo-nos com essa dificuldade no momento em que pedimos maior autorevelação por parte de uma participante e ela se negou “a ir por esse caminho”. Ora, mesmo em um momento formal de uma terapia grupal qualquer, um participante tem autonomia de se recusar a se expor de tal maneira quando se sentir desconfortável. Contudo, acreditamos que as
intervenções teriam maior efeito e as participantes apresentariam maior adesão e disponibilidade pessoal nos exercícios propostos se o grupo se assumisse, desde o início, como um grupo terapêutico (na entrevista individual, Raquel chegou a expressar sua opinião de que o grupo funcionaria melhor psicologicamente se desde o início o facilitador trouxesse temas específicos a serem trabalhados).
Quanto à importância de uma atividade como um clube de leitura, algumas observações podem ajudar a refletir sobre a demanda dessa atividade. No desenrolar do recrutamento de participantes para a pesquisa, o número de voluntários ultrapassou a cota planejada de 15 participantes, situação que nos remeteu à necessidade de fazer uma seleção dos inscritos. Com a notícia do Clube do Livro no site do IFB, tivemos interessados de outros campi e mesmo de fora da instituição que se dispuseram/quiseram participar da pesquisa. Servidores de outras unidades nos contataram querendo saber mais sobre o projeto e da possibilidade de implantar essa iniciativa em suas unidades de ensino.
Isso nos indica que a escola e demais meios acadêmicos carecem de espaços com atividades extracurriculares voltadas a uma forma alternativa, lúdica e de interação social – oportunidades para “ler e compartilhar com outras pessoas” (Raquel) ou uma atividade não ministrada por um professor (Bárbara) – sem deixarem de ser, por isso mesmo, intelectualizadas. Não foi objetivo deste trabalho verificar a possibilidade de um clube de leitura funcionar como atividade extracurricular no âmbito acadêmico, mas não poderíamos deixar de notar a importância que tal atividade pode representar e o apelo da falta que tais iniciativas fazem nesse ambiente.
O Clube do Livro Identidade, desde seu início, inspirou a criação de outro clube de leitura (no Campus Gama11) e, atualmente, decidiu por continuar suas reuniões – agora
desvinculadas da formalidade de uma pesquisa acadêmica – com outra coordenação e novos membros participantes.
11 Durante o período de divulgação da pesquisa (fevereiro de 2015), fomos convidados a implantar o clube de
leitura no Campus Gama, porém, devido às dificuldades burocráticas e de cronograma, resolvemos trabalhar somente no campus Brasília, não deixando de dar ideias de implantação e funcionamento do grupo, quando convocados.
A respeito da finalidade terapêutica – sempre pensando no sentido amplo que demos a esse termo – o Clube do Livro Identidade mostrou-se como um instrumento de rica potencialidade.
Na sessão de feedback, Raquel sentiu que “As discussões são boas para o crescimento
pessoal”. Samara foi mais contundente. Fazendo uma relação com o contexto que está
vivendo com os filhos gêmeos, afirmou, sobre nosso grupo, que “Me trouxe mais uma
terapia; ‘terapia’, essa é a palavra”.
As entrevistas individuais foram ainda mais reveladoras. Sueli ressaltou que esse tipo de atividade “faz você repensar muita coisa (...) como eu sou, como eu vejo as coisas”. Sueli citou a situação de como comparou sua opinião com a opinião do restante do grupo no decorrer das sessões e afirmou que descobriu mais de si mesma, como uma pessoa “descolada”. Fechando com Bárbara, a respeito de suas reflexões posteriores aos encontros, inicialmente hesitou quanto ao caráter terapêutico do grupo, porém depois chegou a outra conclusão: “reflexivo, talvez não terapêutico porque... não, talvez terapêutico, porque quando
você faz a reflexão e muda né?!, você melhora, você evolui como pessoa então, terapêutico sim!”. No final de todas as entrevistas individuais, invariavelmente a conversa caminhou para
temas mais íntimos das participantes.
À guisa de conclusão, percebemos como são necessárias maiores iniciativas (como a do clube do livro), promotoras de autonomia e reflexão, que visam a incrementar saúde mental e bem-estar subjetivo, em diversos ambientes e contextos, que não sejam somente no âmbito da clínica tradicional particular.
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APÊNDICE A
APÊNDICE B
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia
LISTA SUGESTIVA DE CLÁSSICOS PARA O CLUBE DO LIVRO
01) Machado de Assis (1839-1908) – Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
Ambientada na segunda metade do século XIX, a obra conta a história autobiográfica de Brás Cubas que, depois de falecer por causa de uma pneumonia (que ele culpa a insistência de uma ideia fixa por isso) escreve, em seu post-mortem, sobre toda a sua vida, desde sua concepção (em seu encontro com Pandora, a mãe natureza), ao longo de suas travessuras de infância, amores da adolescência e aventuras e desventuras da vida adulta com os casos amorosos e adúlteros, insucessos na vida profissional e a consequente solidão na velhice. Há uma boa adaptação dessa obra para o cinema (André Klotzel, 2001).
A sugestão para essa obra justifica-se por, além de ser, reconhecidamente, uma das maiores obras literárias do cenário nacional (a melhor obra escrita em língua portuguesa, na opinião do autor desta dissertação), acreditarmos que ela é rica em elementos e questões contemporâneas para discussão, como a ânsia pelo reconhecimento social, a grande influência das normas sociais – e o paralelo desprezo a elas – os sentimentos comuns à infância, adolescência, maturidade e velhice e a ironia das consequências das escolhas que fazemos ao longo de nossa vida.
Destacamos, a nível pessoal, a passagem em que Brás Cubas, em sua adolescência, é obrigado a se mudar para Portugal para estudar Ciências Jurídicas e tem que deixar seu amor (Marcela, uma mulher mais velha) ficando com vontade de se embriagar até morrer. Por essa passagem, invocamos memórias pessoais de quando, pelas circunstâncias, somos obrigados a
deixar alguém de quem estamos enamorados e sofremos bastante por acreditarmos ser essa pessoa o amor da vida toda (sentimentos ordinários a muitos adolescentes). Posteriormente, há a eventual superação dessa condição de tristeza e o esquecimento de Marcela através de outros amores e de outras condições de vida na Europa.
02) Giuseppe de Lampedusa (1896-1957) – O Leopardo (1957)
Ambientada na transição do século XIX para o século XX, esta obra é contextualizada no período da revolução de Garibaldi na região italiana da Sicília, que busca – apoiada nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa – a reunificação da Península Itálica, mostrando a decadência de uma nobreza passiva e conformada com essa situação e a ascendência de uma endinheirada burguesia, os novos ricos, que queriam se unir a nobreza pelo status social enquanto esta se permitia unir à burguesia para continuar sustentando seu estilo de vida econômico. Tal relacionamento entre essas classes sociais se justifica na mais famosa frase do livro “É necessário mudar, para que tudo continue na mesma”. Há uma adaptação dessa obra para o cinema (Luchino Visconti, 1963) mas consideramos que a película dá pouco destaque à faceta solitária de Don Fabrizio Salina priorizando mais sua faceta saudosista e apaixonada.
A sugestão para essa obra justifica-se por, além de ser um dos grandes clássicos da literatura italiana, acreditarmos que ela traga temas importantes para discussão como a prática religiosa coerente da família de Salina, o jogo de comportamentos de interesses para a ascensão social e o cenário cambiante desse jogo que muitas vezes praticamos.
Destacamos, a nível pessoal, o apego à solidão (dimensão do humano que deve ser refletida e discutida) que o protagonista manifesta ao longo de todo a obra, sozinho com seus pensamentos, reflexões e paixões ocasionais, reconhecendo a ironia de sua situação, a inevitável mudança sociopolítica que está por vir e seu inquebrantável orgulho a respeito disso, tal como o leopardo, animal orgulhoso de sua superioridade no topo da cadeia alimentar, símbolo da família de Salina.
03) Marcel Proust (1871-1922) – Um Amor de Swann (1913)
Retrata o estilo de vida da aristocracia francesa, cuja ociosidade lhe permite participar de frequentes e pequenas reuniões com amigos, de grandes bailes com várias personalidades sociais e o deleite às artes, principalmente em sua forma literária. Nesse cenário, Swann tem
um leve interesse por Odette, assumindo uma posição de superioridade na relação, posição essa que vai se invertendo quando Odette demonstra interesse por outras pessoas e o ciúme de Swann passa por vários níveis de crescimento, o que se torna difícil ao leitor não se identificar (em seus próprios momentos de ciúmes ao longo de sua vida) com pelo menos um estágio desse ciúme. Esta obra é uma parte autônoma do grande clássico Em Busca do Tempo
Perdido.
A sugestão dessa essa obra justifica-se por, como é usualmente atribuído a esse livro, ter a capacidade de evocar no leitor muitas reminiscências de sua vida, mostrando situações gerais que despertam sentimentos e pensamentos que facilmente podem ser reconhecidos pelo leitor a respeito de situações de sua própria vida.
Destacamos, a nível pessoal, a passagem em que Swann experimenta sentimentos de confusão e rejeição quando, saindo de um estágio de ser querido e admirado no grupo que participa frequentemente, passa a se sentir como não desejado pelo grupo, sentindo-se inseguro já que nem a mulher que antes muito lhe queria, demonstra qualquer interesse nele. 04) Emily Brontë (1818-1848) – O Morro dos Ventos Uivantes (1847)
Emily Brontë, ao morrer de tuberculose aos trinta anos, havia lançado - um ano antes - um único romance, O Morro dos Ventos Uivantes. Publicado em dezembro de 1847 sob o pseudônimo de Ellis Bell, o livro chocou os leitores da época, uma vez que, para contar a história de amor entre Catherine e Heathcliff, a jovem autora expôs os sentimentos e a alma dos personagens de uma maneira pouco comum ao mostrar suas falhas de caráter e revelar o abismo social que separava os dois irmãos de criação, mantendo, assim, a tensão ao longo de todo o romance. A trama ganha contornos sombrios quando Lockwood, o novo locatário da Granja da Cruz do Tordo, faz uma visita ao seu senhorio, Heathcliff, proprietário do Morro dos Ventos Uivantes, e, durante uma terrível nevasca, precisa se abrigar na casa. A partir dessa noite nada convencional revela-se a história da paixão entre Heathcliff e Catherine. Emily Brontë criou um mundo próprio, perpassado pelo sobrenatural, para escrever uma das mais trágicas - e igualmente românticas - histórias da literatura inglesa. [Sinopse de L&PM Pocket].
A sugestão para essa obra justifica-se por, além de ser uma das principais obras da literatura inglesa, é uma boa dica para discussão devido às questões que podem ser levantadas
e por ser uma obra que o autor da dissertação e facilitador do Clube do Livro ainda não conhece, aparecendo assim, uma oportunidade de sessão de discussão de uma obra que o facilitador não conhece atualmente, apenas previamente à sessão de discussão. Há várias adaptações para o cinema.
05) Jane Austen (1775-1817) – Orgulho e Preconceito (1813)
Tendo como pano de fundo a Inglaterra do final do século XVIII (Inglaterra Rural), esse romance retrata a forma de organização de sociedade da época, em que se buscava a ascensão social através de um vantajoso casamento, o que era quase impossível a uma jovem sem um dote promissor, como a protagonista, que ainda tem outras 4 irmãs, a quem nenhuma será destinada a herança da família por ser costume da época a herança se destinar para o parente masculino mais próximo. A trama gira em torno das desventuras (muitas vezes impostas pelas normas sociais) no relacionamento entre a socialmente simplória Elizabeth Bennett e o rico aristocrático Fitzwilliam Darcy. Há uma famosa adaptação para o cinema (Joe Wright, 2006) que consideramos pouco profunda em relação à obra. Por outro lado,