4 ADEPTENES VURDERINGER
4.7 H VA HAR VÆRT MEST POSITIVT MED Å VÆRE MED ?
"Sabem os que se vão fazer eleições e por isso, Ex.mo Senhor, m uito lealmente com o é nosso dever, tanto m ais que somos soldados disciplinados da Ditadura, vimos inform ar V. Excelência do descontentam ento manifesto desta gente e, assim , portanto, um am biente desfavorável ao acto a que se vai proceder." Era assim que, em 9 de N ovem bro de 1934, se dirigia ao M inistro do Interior o presidente da Junta de Freguesia do Entroncam ento, José D uarte Coelho, pretextando o suposto descontentam ento da população para insistir, um a vez m ais, na pretensão de elevação da freguesia a concelho.
O conteúdo deste ofício ilustra a cum plicidade que caracterizou o relacionam ento entre o Estado N ovo e o Entroncamento. M eio em inentem ente ferroviário, sem pre foi considerado pelas instâncias do poder com o um foco de subversão latente. Um editorial do jornal O Entroncam ento, titulado por “Os nossos hom ens” , interroga-se a este respeito de uma forma esclarecedora: “N ão sei porque razão os nossos hom ens criaram fama de pouco afectos ao Estado N ovo... Mas a verdade é que os hom ens do Entroncam ento provam pelo seu com portam ento que estão dentro da ordem. O s nossos ferroviários são disciplinados e cum pridores.. E é vê-los nas horas de folga, nos seus quintais e hortas, cavando, plantando e regando a terra, com um carinho que poucos cam poneses igualam ” 194 M esmo com os ferroviários na ordem, foram sempre considerados necessários, quer um controle apertado e um a vigilância constante - situava-se perto da estação dos cam inhos de ferro a delegação da PVDE - , quer uma relação de favorecim ento que esfriasse eventuais descontentam entos.
José D uarte Coelho, "soldado disciplinado da ditadura", sabia isso e disso se aproveitava tam bém para levar a bom term o a tarefa de engrandecim ento da terra que, com o a tantos outros, o adoptara. De outra forma, como com preender que, em tempo de "m althusianism o financeiro com o forma de equilibrar as receitas",195 num a obscura e cinzenta aldeia ferroviária de com eços do século, se realizassem avultadas obras
194 " O E ntroncam ento", n° 24, 19 d e O u tubro de 1947
A E sco la de A p ren d izes da CP
públicas e de cariz social e que nomes como os de Cottinelli Teimo, Luís da Cunha, Henrique Sequeira e António Lino assinassem alguns desses projectos?
À medida que crescia a im portância da estação como entreposto vital para a circulação ferroviária, aum entava também o afluxo populacional e agravavam -se os problemas habitacionais. A Companhia Portuguesa dos Caminhos de Ferro procurou solucionar estes problem as mandando construir bairros de casas económicas destinadas ao seu pessoal. N o Boletim d a CP, de Junho de 1931, escrevia o eng° Jaime M artins que "há m uitos anos atrás a solução teria consistido na construção de grandes prédios maciços, de num erosos andares, tã o vastos quanto fosse necessário para albergar em m aior ou m enor promiscuidade, vinte, trinta e quarenta famílias; hoje, porém, as razões de higiene e de moral estão primeiro que as de ordem económ ica... e com este critério, foram projectados os diversos bairros à maneira das m odernas cidades jardins... C ada indivíduo ou família possui a sua casa e cada casa tem o seu jardim que a separa da rua e das outras casas".196 Ainda o B oletim da CP, evocando o C ongresso Internacional dos Cam inhos de Ferro realizado em 1947 na Suiça, regista com o um a das conclusões da IV Secção "o interesse que haveria p ara as administrações dos caminhos de ferro em construir casas de habitação ou favorecer a sua construção para o pessoal de todos os graus da hierarquia ferroviária.1'197
N o Entroncam ento, entre 1926 e 1940, a CP construiu o bairro da VUa V erde, o Bairro Cam ões, o bairro do B oneco e os bairros da ru a Latino Coelho, a ala N o rte e a ala Sul. Se lhes acrescentarm os o bairro José Frederico Ulrich e o bairro Salazar (hoje
196 B o le tim da CP, n ° 2 4 , 1931, p.97
197 B o le tim d a CP, n °s 2 1 7 a 22 2 , 1947, p .l 14.
C hafariz n o L argo d e S. Jo ã o , n a s Vaginhas, arq. C o ttin e lli Teim o, 1932
D e a p ren d iz a cidadão
bairro da Liberdade), construídos pelo poder centra! poucos anos depois, podem os aquilatar da desconfiança e dos cuidados com que o Estado N ovo tratava o Entroncamento.
A tipologia dos bairros ferroviários não é hom ogénea. D eixando de lado a preocupação de os analisar estética e m orfologicam ente, convém referir o carácter hierarquizante com que são apresentados e a quem se destinavam . Em prim eiro lugar, vam os reparar nos quintais. M ais do que jardins, era de quintais que efectivam ente se tratava.
Ao longo de m uitas décadas, num movim ento ininterrupto que ainda hoje flui, deixaram as suas terras do interior, da Beira Baixa e do A lentejo m ais alto, m ilhares de pessoas que se vieram em pregar no cam inho de ferro. A princípio hom ens sozinhos, a prazo fazendo vir para ju n to de si a m ulher e os filhos. H abituados à terra, com a qual muitos nunca conseguiram rom per durante toda um a vida ferroviária, o quintal representava para eles o cordão umbilical que não era necessário cortar. Para além disso - evidência não despicienda num contexto de salários m agros, e os ferroviários sempre se queixaram de ser mal rem unerados pela com plem entaridade económ ica que as couves e as alfaces do quintal poderiam acrescentar ao m agro orçam ento familiar.
Acresce ainda nesta análise uma outra vantagem segura para sossego do regime: enquanto se ocupavam do quintal, no descanso pós laborai ou ao fim de semana, os ferroviários não se reuniam com os outros operários em sabe-se lá que conversas.
As casas do bairro Cam ões têm um quintal mais reduzido e, enquanto nos outros bairros este apêndice se situa, na sua maior superfície, nas traseiras da habitação, aqui aparece quase todo na frente ou ao redor da casa. Pode falar-se com mais propriedade de um jardim . A s casas deste bairro destinavam -se ao pessoal superior, engenheiros e adm inistradores.
O bairro da V ila V erde foi geralmente ocupado por chefias m édias e intermédias e, sobretudo, por pessoal adm inistrativo. Os bairros do B oneco e da Latino Coelho foram destinados ao pessoal operário. A inda assim, com diferenças: as casas da rua
A E scola d e A p ren d izes da CP
Latino Coelho foram geralm ente habitadas por pessoal do m ovim ento, revisores e factores, ao passo que o B oneco foi destinado ao pessoal da via e obras ou das oficinas.
H ouve na estruturação desta habitação social ferroviária uma clara intencionalidade hierarquizante, prolongando os limites da relação laborai e obviam ente tam bém da sociedade de então.
4.4.2.A E scola C am ões
N o final dos anos 20 existia no Entroncam ento uma escola prim ária pública, a velha escola Cam ões, instalada num edifício da CP arrendado ao Estado. Contudo, estava condenada "pela vizinhança dos com boios, precisando a C om panhia do local em que ela assenta para alargam ento de vias"198. Na m em ória do tem po esfum ava-se tam bém a lem brança de um a senhora professora que, na sua casa situada no Largo das Vaginhas, ensinava m eninas e meninos.
Q uando, em 1926, Luís da Cunha e Cottinelli Teimo, sob encom enda da CP, projectaram o bairro, integraram nele um edifício escolar para serviço dos filhos dos ferroviários (ensino diurno) e dos próprios ferroviários (ensino nocturno) e que manteve a designação de Escola C am ões. A cerca das duas escolas C am ões, que coexistiram durante quase toda a década de trinta, escrevia o jornalista e professor M artinho Rebelo que “no Entroncam ento existem duas (escolas), pertencentes à CP que, sob o ponto de vista arquitectónico, envergonham as do Estado". E, especificam ente sobre a nova escola Cam ões, continuava o m esm o articulista, "esta escola (...) foi traçada por engenheiros que não eram pedagogos mas, aparte deficiências de técnica pedagógica, satisfaz relativam ente a alunos e professores. Pena é que ela não esteja, há muito, oficializada, substituindo a outra. Pena é que todas as escolas do ensino oficial, espalhadas pelo País, não sejam , ao menos, parecidas com esta do E ntroncam ento que, por contraste, m ostram os"199.
198 q Entroncam ento, n°4, 19 3 1.
D e a p ren d iz a cida d ã o
Foi assim herdada a toponím ia da escola que também deu nom e ao bairro. E o bairro Cam ões, bairro social de luxo, com jardins e mansardas, chafariz artístico e lampião exótico, dispunha também de uma escola privativa. A nova escola, designada E xternato Camões, foi autorizada pelo alvará n°298 do M inistério da Educação Nacional e iniciou o seu funcionam ento em 1 de O utubro de 1928.
N ão será pertinente fazer aqui um a análise às linhas arquitectónicas do edifício. D a memória descritiva, contudo, evoca-se a necessidade de destacar algumas considerações e referências teóricas dos autores, com o objectivo de esclarecer e descrever um edifício que foi construído de raiz para ser uma escola. O projecto, como já se referiu, teve com o autores os arquitectos Luís da Cunha e Cottinelli Teimo.
L u is d a Cunha, 1926
Começam o s autores por um esforço de afiliação teórica para ancorar a concepção do projecto: 11 A elaboração de um projecto de tal natureza exige um grande escrúpulo e uma observância rigorosa de todos os preceitos higiénicos e pedagógicos, preceitos que de resto se encontram fixados em diversos livros e representam as
A E scola d e A pren d izes da C P
conclusões de um estudo dem orado e conscencioso po r parte de hom ens em inentes de várias nacionalidades.
A esses dados nos cingim os o mais possível, estabelecendo, no entanto, e sem pre que a lógica o perm itiu, um critério nosso, de adaptação ao nosso clim a, bem diferente do daqueles países que se têm ocupado da questão, do clim a da Suíça, por exem plo, a «Pátria pedagógica da Escola» como diz Trélat.."200
A necessidade de m onitorizar o projecto de acordo com os preceitos higiénicos e pedagógicos pertinentes, é ancorada pelos autores no estudo dos entendidos e citam a Suíça como a "Pátria pedagógica da Escola". A eclosão desta referência não é naturalm ente alheia a todo o m ovim ento renovador da pedagogia e da higiene escolar que, a partir da Suíça, com C laparède e Freinet, influenciou toda a Europa O cidental e teve tam bém defensores em Portugal. N om eadam ente, o discurso higienista teve uma influência m arcante na configuração estrutural e m orfológica do edifício.
A m em ória descritiva é particularm ente cuidada no que respeita à salubridade do local escolhido para a im plantação da escola, à orientação da planta, ao núm ero e dim ensão das salas, ao quadriculam ento do espaço na sala de aula, ao núm ero de janelas e à orientação da luz, à ventilação, à articulação entre as salas através de corredores e “halls” , às instalações sanitárias e ao quadriculam ento do próprio espaço destinado ao recreio dos alunos.
O edifício com põe-se de dois pisos, o prim eiro destinado à escola propriam ente dita e o segundo dividido em quatro habitações destinadas "ao pessoal", isto é, aos professores. Se em relação ao segundo piso a m em ória é quase om issa, tendo em conta a natureza particular da ocupação prevista, no que toca ao prim eiro é bastante cuidada como já se referiu : "A planta do prim eiro pavimento é clara bastante; a sua leitura faz- se facilmente. Subindo os cinco degraus que dão acesso ao alpendre apoiado em fortes colunas, e passando este, entram os no vestíbulo, flanqueado por um a sala para os professores e uma pequena biblioteca. Este vestíbulo dá para um corredor largo, onde se abrem as portas das aulas e nos topos do qual ficam os lavabos e W .C.. Em frente do
D e a p ren d iz a cidadão
vestíbulo existem três salas, em com unicação por m eio de arcos, que correspondem praticam ente a uma sala única com a área de noventa e cinco m etros quadrados, aproxim adam ente. E sta sala, que usualm ente será frequentada pelos alunos nas horas de recreio e quando o tem po não lhes perm itir fazer uso do terreno apropriado para esse fim, ao ar livre, nem m esm o do espaço coberto p or telheiros - desem penhará uma função im portante nas várias m anifestações da vida escolar - exposições de trabalhos, palestras ou exibições de qualquer natureza... As aulas, que são quatro, ficam de um e de outro lado desta divisão de que acabam os de falar."201
A descrição porm enorizada da escola e dos espaços escolares revela, não apenas a influência do ideário pedagógico higienista, com recurso abundante à referência de nom es de autores (Baudin, F aber e Eulenberg, Erissmann, W. H is ) e de países (Suíça, A lem anha, Áustria, Rússia, França, Bélgica), com o tam bém assum e claram ente uma ideia de configuração prévia de todo o trabalho escolar :"A gora que fizem os uma descrição geral do aspecto da nova Escola Camões e dem os um a im pressão da m aneira com o deverão decorrer os serviços escolares, consequência da distribuição das plantas, entrem os no porm enor."202
Tam bém o espaço envolvente da escola é m eticulosam ente tratado. Para além do quadriculam ento do território reservado para o recreio dos alunos, sem pre de acordo com as m elhores referências teóricas, dem arca-se uma área de cerca de mil m etros quadrados que "será ajardinada e dividida em talhões, para horta, prestando-se à execução, por parte dos alunos, de trabalhos de jardinagem ".203
Finalm ente, o que se não fez ou não pôde fazer: "Seria m uito interessante - se se tratasse de edificar uma escola urbana, podendo servir até de m odelo a m uitas escolas estrangeiras - ter-se contado com um ginásio, salas para trabalhos m anuais, canto coral e duches, etc., etc., m as não o fizem os para não cairm os em exageros e serm os levados a
201 A rq. C ottinelli T eim o, “ M em ória d escritiva...” 202 A rq. C ottinelli T eim o, “ M em ória d escritiva...” 203 A rq. C ottinelli T eim o, “ M em ória descritiva...”
N um a época em que se assinalaram entre nós alguns ecos das m etodologias inovadoras da cham ada “ E scola A ctiva” , não surpreende q u e C ottinelli Teim o, espírito cosm opolita e aten to ao que se passava pelo m undo, tenha d eixado aqui e sta referência pedagógica.
A E scola d e A p ren d izes da CP
despesas que muito tardiam ente viriam a ser justificadas, porque, infelizm ente, ainda estam os longe de possuir um a organização de ensino m oderna, quanto m ais os elem entos capazes de a porem em prática."204 Esta últim a referência não pode deixar de ser entendida com o uma crítica velada ao estado das coisas do ensino em Portugal nesse final dos anos vinte: não há organização m odem a de ensino e m uito m enos um corpo docente capaz de a pôr em prática.
O Externato C am ões, escola prim ária privativa da C om panhia dos Cam inhos de Ferro, funcionou de 1928 a 1959, abrindo as suas portas não apenas aos filhos dos em pregados do cam inho de ferro mas a todas as crianças das redondezas. Até ao ano lectivo de 1950/51 tinha realizado 5652 matrículas, segundo nos inform a o professor Raul de M atos Torres, um dos seus m ais nomeados agentes e tam bém por largos anos professor na Escola de A prendizes.205
Entretanto, a população do Entroncam ento crescia a um ritm o acelerado e o Estado N ovo procedeu à construção de três escolas prim árias oficiais. Prim eiro a escola do Jardim (1939), depois a escola do Bairro Novo (1948) e finalm ente a escola da Zona V erde (1955). Culm inando um processo de acom odação da rede escolar às necessidades da população residente, foi ainda construída já nos anos sessenta um a quarta escola, a actual escola prim ária núm ero três.206
4.4.3. A E scola C am õ es, E scola de A p rend izes
A inauguração de escolas prim árias oficiais no Entroncam ento, num espaço de tem po relativam ente curto, tom ou desnecessária a oficialização da nova Escola Cam ões e, a curto prazo, tom ou-a redundante enquanto escola prim ária. Entretanto, a C om panhia dos Cam inhos de Ferro m antinha a funcionar a Escola de A prendizes em dependências da antiga Central Eléctrica adaptadas para o efeito.
204 A rq. C ottinelli T eim o, “ M em ória d escritiva...” 205 B oletim da CP, n°263, 1951, p. 14.
206 A cabada de construir, albergou a secção da Escola Técnica de T om ar (que en tre tan to foi prom ovida a escola autónom a, com o já se viu) entre 1964 e 1977. Só após a inauguração d o edifício da Escola S ecundária do E ntroncam ento é q u e aquela passou a funcionar com o escola p rim ária, v ocação inicial do projecto.
D e a p ren d iz a cida d ã o
A partir de 1955, com o recom eço das adm issões de aprendizes e com o progressivo aum ento do seu núm ero e, sobretudo, com o acréscim o de valências técnicas exigidas à aprendizagem , as condições de funcionam ento eram cada vez mais exíguas. A inda antes de ser encerrada a Escola Cam ões enquanto escola prim ária, já se falava e planeava a m udança da Escola de A prendizes para algum as das suas dependências.
Em Fevereiro de 1958, a D ivisão de Material e Tracção solicitava à Via e Obras "os desenhos das plantas da Escola Cam ões de Entroncam ento a fim de perm itir a esta D ivisão estudar a possibilidade de adaptação do referido edifício a Escola de A prendizes".207 As alterações propostas foram subm etidas à apreciação da D ivisão de Via e O bras que as orçam entou em 30.000500. Tratou-se essencialm ente de suprim ir três das habitações do prim eiro andar para assim aum entar o núm ero de salas de aula e substituir alguns pavim entos do rés-do-chão, em madeira, provavelm ente degradados, por pavim entos em mosaico.
A s obras foram realizadas no verão de 1959 e, desalojada dali a escola prim ária, a Escola de A prendizes inaugurou as instalações no dia 1 de O utubro de 1959. N as obras de adaptação não é feita referência à instalação de oficinas m as um ofício posterior, datado de 6 de N ovem bro de 1959, fundam entando um pedido de criação de um posto de vigilância, refere que "na Escola há grande núm ero de m áquinas ferram entas, ferram entas, m aterial diverso, etc., pelo que seria de aconselhar que se criasse ali um Posto de Polícia Privativa".
D urante dez anos, de 1959 a 1969, a Escola de A prendizes da CP esteve sediada no edifício da Escola Cam ões. A instrução prática dos aprendizes dos segundo e terceiro anos continuou a ser m inistrada no parque oficinal da CP, m as a instrução prática ou prática sim ulada aos aprendizes do prim eiro ano e toda a instrução teórica eram aqui m inistradas. C onstituiu o período áureo da Escola de A prendizes, pelo m enos na m em ória dos activos que ainda hoje laboram no cam inho de ferro.
A E scola d e A pren d izes da C P
Podem os considerar que a mudança para a Escola Cam ões conferiu à Escola de A prendizes uma nova identidade, ou melhor, um a identidade própria. A ntes, a aprendizagem confundia-se com o dia a dia ferroviário, com a rotina operária dos trabalhos nas oficinas. N a Escola Cam ões afirm ou-se uma cultura própria do meio escolar configurada, quer pelo perfil ascendente das habilitações literárias dos aprendizes, quer pelos ventos de mudança que com eçavam a sacudir as instituições escolares dos anos sessenta.
A transferência para o Centro de Formação, em 1969, apesar das novíssim as e m odelares instalações, significou para os aprendizes o fim do idílio, o regresso aos portões da em presa e, portanto, da oficina de onde afinal nunca tinham realm ente saído.
Por isso a Escola Cam ões se assum iu como um espaço de liberdade, a diferença entre estar dentro ou fora dos m uros da oficina. Por isso a Escola C am ões hoje, edifício semi abandonado e degradado,208 continua a constituir local de rom aria nos encontros dos antigos aprendizes que perscrutam cada recanto na procura de um indício que avive uma m em ória adorm ecida.
208 A pós a saída da E scola de A prendizes, em 1969, ainda albergou, por brev es anos, um a secção d o liceu Sá da B andeira, de Santarém . C om a unificação do ensino secundário e com a inauguração da nova escola