5 MENTORENES VURDERINGER OG ERFARINGER
5.1 M ENTORENES VURDERING AV MENTORROLLEN OG RAMMENE RUNDT
Os prim eiros aprendizes adm itidos na escola eram apenas subm etidos a um exam e médico. As condições e os critérios de adm issão aparecem pela prim eira vez sugeridas num docum ento de Janeiro de 1947 onde se estipula a idade de dezasseis anos com o idade m ínim a de adm issão e os vinte anos como idade m áxim a perm itida para poder frequentar a Escola de Aprendizes. Contudo, ao com pulsar as listas de classificações anuais, aparece pela prim eira vez, na classificação respeitante a 1947/48, datada de O utubro de 1948, a indicação da idade dos aprendizes que frequentam a escola, oscilando entre os quinze anos (apenas um aprendiz) e os vinte anos. Em relação
230 L .M orgado C ândido, E volução recente..., p.10 231 L .M orgado C ândido, E volução recente..., p.p. 18-19 232 L .M orgado C ândido, E volução recente..., p. 19
D e a p ren d iz a cidadão
com esta questão, surge tam bém pela prim eira vez, na adm issão de Janeiro de 1955, uma declaração dos pais ou tutores dos aprendizes na qual afirm am assum ir a responsabilidade pelos actos dos seus educandos até que atinjam a m aioridade.
N ão é feita referência explícita a um diplom a de habilitações literárias m as pode inferir-se que não pudesse ser adm itido nenhum candidato que não possuísse pelo menos o 2o grau da instrução primária. Aliás, num telegram a dos serviços centrais datado de 20 de F evereiro de 1956, ao esclarecer a prioridade a conceder aos filhos dos operários, afirm a-se que se deve dar preferência aos filhos dos em pregados (e não apenas filhos de operários) da em presa dos cam inhos de ferro e a "estranhos com habilitações superiores à 4“classe, com o curso industrial ou parte dele". Daqui se pode concluir que a 4aclasse era a habilitação m ínim a exigida, sendo condição de preferência para estranhos à com panhia a posse de habilitações superiores àquele nível. No m esm o docum ento se estipula igualm ente como mínima para adm issão a idade de quinze anos e com o idade m áxim a para aquele ano ter "menos de dezoito anos em 31/12/56". Na resposta a este telegram a, a 3a Circunscrição de M aterial e O ficinas (futuro 2°Grupo O ficinal) envia aos serviços centrais oitenta requerim entos de candidatos a aprendizes "que aqui foram entregues". Este número de candidatos, dos quais alguns "não obedecem às condições exigidas quanto à idade e às habilitações literárias", perm ite inferir que, a m anter-se o perfil indicado, apenas filhos de em pregados e estranhos com habilitações superiores à 4a classe, a base de recrutam ento nesta altura não deveria ser muito alargada.
Nesse ano lectivo, em 1956/57, dos oitenta candidatos foram adm itidos trinta e dois aprendizes em 27 de A gosto. Embora não se conheçam os requerim entos nem se encontre qualquer registo da selecção realizada, é a prim eira vez que se pode confrontar o núm ero de candidatos com o núm ero de aprendizes efectivam ente adm itidos.
Pode considerar-se que a exigência da 4aclasse como habilitação m ínim a para o ingresso na Escola de A prendizes funcionou com o estím ulo para m aior indução de procura de educação, não apenas da instrução prim ária - im aginem os na aldeia o menino a quem dizem “tens que tirar pelo menos a 4°classe para poderes entrar nos aprendizes”
A E sco la d e A p ren d izes d a CP
- , m as também de patam ares m ais elevados de habilitações. Era de presum ir que sendo necessária a 4“classe para entrar nos aprendizes, aquela habilitação tam bém passasse a ser indispensável para ingressar na empresa. Se, por isso, todos a possuírem, dificilm ente alguém logrará distanciar-se social e profissionalm ente se se mantiver conform ado com tal diplom a. Daí que, mesmo sem um a exigência explícita de habilitações superiores à 4aclasse, passasse a ser frequente os aprendizes candidatarem - se à adm issão m unidos de habilitações mais elevadas e não eram raros os que, em paralelo com o curso de aprendizes, frequentavam cursos nas escolas té c n ic a s.233
Em M arço de 1958, num oficio dos serviços centrais, equaciona-se, pela prim eira vez, a necessidade de planificar a adm issão dos aprendizes, isto é, de aferir o núm ero de aprendizes adm itidos ou a adm itir pelo núm ero de operários necessários aos diversos estabelecim entos oficinais da empresa. Eram definidas as áreas de influência de cada grupo oficinal e pelas necessidades de cada área deveriam ser aferidas as adm issões de aprendizes. N esse sentido foi feito um levantam ento dos agentes que nos últim os anos deixaram de prestar serviço na em presa e uma previsão dos que a curto prazo atingiriam a idade de reform a.
N o ano seguinte, em O utubro, em novo ofício do engenheiro chefe da D ivisão de M aterial e O ficinas, considerava-se ser para desejar que o recrutam ento de operários fosse equacionado entre os aprendizes que frequentaram as escolas de aprendizes, com excepção de algum as profissões que as escolas de todo em todo não form avam (p.ex., carpinteiros). Daí que, de futuro, as zonas, e não apenas os grupos oficinais, deveriam indicar o núm ero de aprendizes a adm itir tendo em conta as suas necessidades. Igualm ente se afirm ava a necessidade de que no terceiro ano do curso se "fixe o número de aprendizes que se destinam a cada profissão."234
233 N o inquérito realizado, responderam 76 ex-aprendizes, tendo 53 (70% ) d ec la ra d o ter frequentado em sim u ltân eo a escola industrial (A n ex o 18). Para além dos benefícios da v alo rização esco la r e profissional que dai poderiam advir, co m o capital escolar que haveria de render, a E scola de A prendizes não ce rtifica v a para o exterior a form ação ali m inistrada. Por isso, para os ap ren d izes, a frequência da escola p ública em paralelo era tam bém um a form a de certificação da form ação receb id a en quanto aprendizes. 234 O ficio de 15 de O utubro de 1959.
D e a p ren d iz a cidadão
N o m esm o sentido se interpreta um novo ofício do engenheiro chefe da Divisão de M aterial e O ficinas, em Janeiro de 1960, a solicitar ao 2° G rupo O ficinal a indicação de quantos aprendizes seriam necessários para de futuro serem colocados nas oficinas do Entroncam ento, nas oficinas da Figueira da Foz e nas oficinas de Lisboa P (a zona de influência do 2o G rupo O ficinal), nas profissões de electricistas, serralheiros e suas derivadas.
Podem assim sintetizar-se as condições de admissão: em prim eiro lugar, a posse de habilitações escolares ao nível do segundo grau da instrução prim ária, ter entre quinze e dezoito anos de idade e ser considerado apto no exam e m édico. Em segundo lugar, a preferência concedida a filhos de em pregados, como estratégia para uma m elhor e m ais rápida integração e acom odação aos valores da em presa.235 Tam bém pode analisar-se esta preferência à luz dos benefícios de natureza social concedidos aos em pregados: podiam habilitar-se às casas de habitação social da em presa, eram -lhes concedidos títulos gratuitos de transporte para si e para os fam iliares e eram -lhes disponibilizados serviços vários, com o o abastecim ento nos arm azéns de víveres, os serviços m édicos e as farm ácias da com panhia. Sendo os ferroviários um grupo social num eroso e tradicionalm ente mal remunerado, aqueles benefícios não podem deixar de ser entendidos com o um com plem ento salarial e, portanto, com o estratégia corporativa destinada a esfriar eventuais tensões sociais e políticas.
A posse de habilitações superiores à 4a classe era condição de preferência para os candidatos estranhos ao m eio ferroviário. N este contexto, eram privilegiadas as candidaturas com habilitações da escola industrial nas áreas da serralharia e da electricidade236. N o entanto, surgiam com algum a frequência candidatos com o 2o Ano do liceu e até, por duas ou três vezes, ex-sem inaristas.
235 N o inquérito realizado, 78% d o s inquiridos declararam ser filhos ou sobrinhos de ferroviários. 236 N o m esm o inquérito, em 76 candidatos, apenas 7 referiram a 4 “ classe com o h abilitação de acesso; os outros, 38 declararam habilitações ao nível do ciclo preparatório ou equivalentes (6 tinham o 2° ano do liceu), 2 tinham o cu rso industrial e os restantes distribuíam -se pelos vários anos de frequência d o curso industrial. (A nexo 18)
A E scola d e A p ren d izes da CP
A partir da década de sessenta, passou a ser condição indispensável a aprovação num conjunto de provas realizadas para o efeito, o exame de adm issão. N os anos setenta, às provas já referidas juntaram -se também os exames psicotécnicos.
D a parte da CP, as adm issões na escola eram ponderadas, dado que, na prática, se traduziam na adm issão de pessoal na com panhia. Para além das im posições de ordem estrutural ou de natureza tecnológica que exigiam novas adm issões ou o aum ento dos contingentes, foram frequentem ente realizadas estimativas para determ inar o número adequado de aprendizes a adm itir. Por isso, o núm ero de candidatos aprovados no exam e excede quase sem pre o núm ero de candidatos efectivam ente adm itidos.