Cursos, disciplina s e carga horária na Escola de Aprendizes do Entroncam ento
1 \ I n s tr u ç ã o N° O D 1959 - 2 9 !
| C ria ç ã o C u rs o d e E le c tric ista s
j 1 9 6 3 - 1 9 6 4 !i
C u rs o s d e dois a n o s - 1965/66
D isciplinas I o An 2°Ano 3°Ano P A n o 2°Ano 3°A no P A n o 2°Ano
C u rso s 1 s II s 1iS ! E S E |S E s i| E | S E S A ritm ética 4 4 4 4 4 i G eo m etria I 4 4 I 4 4 4 Á lg eb ra 4 6 4 | 4 l 4 4 1 D esenho I I 16 4 114 ] 12 1116 | 8 1 4 . I L U L .1 3 íL i3 . i n T ecn o lo g ia 4 6 4 4
4
1 M ec.T éc n ica 1 L _______ l i ______ _______ i _ J Ü U ! 11 í . l J L J L _ L l J c l j E lectricid ad e 6 8 84
4
P rá t.O fic in a l \ 20 32 36 18. 1 20 12 32 32 | 36 !!
19 1 19 24 32 T otal H oras T eóricas 24 12 8 26 24 32 12 12 8 25 25 20 12 Total H o ras P ráticas 20 32 36 18 20 12 32 32 36 » 19 | 19h i
32 G inástica 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4!
Ed. M oral *•
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T O T A LS E M A N A L 48 48 48 48 48 48 48 48 48 48 48 48 48
S - C urso de S erralheiros E - C urso de E lectricistas
* Só a partir de 1967/68
Podem os considerar que a história do currículo formal ou explícito da Escola de A prendizes do Entroncam ento se pode estruturar em três períodos distintos: o prim eiro vai desde as origens até 1959, à entrada em vigor da Instrução n° O D - 29, O rganização das Escolas de A prendizes; o segundo, de 1959 a 1966, marcado pela criação do curso de electricistas (em 1963/64) e pela redução dos cursos de três para dois anos e o terceiro, de 1966 até ao encerram ento da escola em 1976.
A Instrução n° OD - 29 constituiu-se com o o docum ento estruturante de toda a vida da escola. Trata-se de um texto fundamental que determ ina uma prim eira configuração objectiva e precisa do seu funcionamento. A té ali, pelos docum entos
disponíveis, não é fácil reconstituir os espaços curriculares ou os norm ativos respeitantes à avaliação e ao aproveitam ento.
N a O D -29, o capítulo I refere-se ao funcionam ento e às horas sem anais de cada disciplina por cada um dos três anos do curso, o capítulo II apresenta o program a detalhado de cada disciplina, com indicação dos exercícios a realizar e dos m anuais a adoptar, o capítulo III trata das normas de classificação, tendo por referencial a classificação do pessoal operário e estabelecendo os critérios para a com ponente teórica e para a com ponente prática e, em anexo, apresenta uma tabela de valores para a classificação dos exercícios oficinais e um m apa de classificação de exercícios.255
A aprendizagem durava três anos (até 1966) e a instrução realizada em cada ano dividia-se em três partes: instrução teórica, instrução prática e instrução física. A instrução teórica ficava a cargo do engenheiro responsável pela escola e constava de lições elem entares de aritm ética e geom etria e de desenho linear e geom étrico, no prim eiro ano. N o segundo ano, eram m inistradas aos aprendizes noções de álgebra, tecnologia, desenho de projecções e desenho de máquinas. N o terceiro ano, para além do desenho de m áquinas, eram também m inistradas noções de m ecânica e de tecnologia.
A instrução prática era m inistrada por "um graduado cujas qualidades m orais e profissionais sejam reconhecidas e que acom panha perm anentem ente todo o trabalho dos aprendizes".256 N o prim eiro ano, constava de exercícios de serralharia realizados nas oficinas da Escola de A prendizes.257 O aprendiz com eçava por desenhar as peças, com indicação das sucessivas operações e das ferram entas a utilizar, passando posteriorm ente à execução das peças propriam ente ditas.258 O resultado era a confecção da sua própria ferram enta branca com a qual, m ais tarde, já operário, trabalharia na
255No anexo 16 apresenta-se um a cópia deste docum ento.
256B oletim da CP, n° 183, 1944, p. 165
257 A nexo 13
258 O anexo 12 m ostra a execução de um exercício oficinal.
oficina. Os trabalhos realizados, quer na instrução teórica (os exercícios de desenho), quer na instrução prática (exercícios oficinais que integravam o desenho e a confecção das ferram entas), eram guardados no respectivo caderno oficinal. As peças confeccionadas eram gravadas com o número de escola do aprendiz, constituindo assim uma autêntica assinatura, dado que ao longo de toda a vigência da escola a num eração
se foi sucedendo num a série única.
N o segundo ano de instrução prática os aprendizes eram colocados em rotação pelas diversas secções da oficina, em situação de estágio, fmdo o qual deveriam elaborar o relatório respectivo. Finalm ente,
no terceiro ano de instrução prática, o aprendiz era "dado" a um a secção, presum idam ente na área de especialização onde durante o estágio dem onstrou m elhor aptidão e vocação. N o final dos três anos do curso com bom aproveitam ento, era classificado no prim eiro patam ar da carreira operária.
Ao longo das três décadas de funcionam ento da Escola de A prendizes do Entroncam ento, o currículo escolar dos cursos sofreu algum as alterações. Inicialm ente a instrução dirigia-se essencialm ente à área de serralharia e afins e eram raros os aprendizes que, no final do curso, mediante um a breve especialização, eram classificados com o electricistas. Estava-se no tem po da tracção a vapor e eram necessários, sobretudo, caldeireiros, torneiros, fresadores, traçadores, para além dos serralheiros propriam ente designados.
D e aprendiz a cidadão
o ficinal no p rim e iro ano: m artelo d e pena, inclinòm etro ou torno d e m ão e desa n d a d o r
A evolução tecnológica da CP, com a “dieselizaçào” e a electrificação, impôs a criação, a partir de 1963/64, do curso de electricistas. A lterou-se assim a oferta de form ação da escola, originando a bifurcação dos currículos desde aquela data em diante. Em bora no plano teórico as aprendizagens fossem sem elhantes, passou a existir uma carga horária diferenciada, a disciplina de desenho foi aferida à especificidade de cada curso, sendo m inistrado no 3o ano do curso aos serralheiros desenho de m áquinas e aos electricistas desenho esquem ático. Foi introduzida no novo curso a disciplina específica de electricidade, m antendo-se para os serralheiros a disciplina específica de mecânica técnica. A disciplina de tecnologia foi aferida, mantendo-se a tecnologia m ecânica para os serralheiros e introduzindo-se a tecnologia eléctrica para os electricistas. No plano prático cada um dos cursos passou a dispor naturalmente de um a instrução oficinal diferenciada, continuando os serralheiros a realizar exercícios de serralharia e de m ecânica e executando os electricistas montagens eléctricas em pranchetas, observando instalações e equipam entos e iniciando-se em trabalhos concretos de electricidade.
N um breve relance pela carga horária dos cursos constata-se o peso m aior que globalm ente era atribuído à form ação prática259. No prim eiro ano essa formação era sim ulada, isto é, era realizada nas oficinas da Escola de A prendizes. N os segundo e terceiro anos a form ação prática era realizada em contexto de trabalho, na oficina, em bora fosse acom panhada por um m onitor da escola e alternasse com tem pos de aulas teóricas na Escola de A prendizes.
A pesar de ser considerado no cam po da formação teórica, o desenho era axial na form ação dos aprendizes e envolvia uma fortíssim a com ponente prática. Aliás, o desenho das peças oficinais era considerado na aptidão prática. Ao desenho era
A E scola d e A p ren d izes da CP
reservado cerca de um terço da carga horária no primeiro ano, diminuindo naturalmente nos anos subsequentes para dar lugar ao reforço da com ponente oficinal.
D e a p re n d iz a cida d ã o
Oficina de serralharia da Escola de Aprendizes da Fem ave, Agosto de 2001
Além da instrução teórica e da instrução prática, foram sempre ministradas na escola aulas de educação física e, a partir de 1967/68, também aulas de M oral e Educação Cívica. As aulas de educação física, vulgo ginástica, eram ministradas inicialmente p or operários m onitores da escola que tivessem algum referencial de form ação pertinente.260 Contudo, a partir do ano lectivo de 1966/67, a "ginástica" passou a ser m inistrada por um professor "diplom ado pelo INEF". A partir do ano lectivo seguinte, com eçaram também a ser ministradas, apenas aos alunos do primeiro ano, aulas de "Moral, E ducação Cívica e actualidades". Contudo, ao invés de te r sido
260E m A bril de 1956, e m resposta a um ofício dos serviços c e n tra is em que se solicita a indicação dos ag en tes "p a ra m in istra r a in stru ção teórica e a instrução p rá tic a " e se a escola "dispõe d e in stru to r de gin ástica", é resp o n d id o q u e "a instrução teórica ficará a cargo do con tram estre José G onçalves, q u e tem sido o en carreg ad o d o c u rso d e ap ren d izes, d o op erário de p rim e ira classe José da C osta e d o o p erá rio de 3* ciasse F ern an d o F re ita s. Q u a n to a o in stru to r de g inástica, ju lg o que poderem os co n tar co m o o perário aju d an te João B a g in a M ira n d a , an tig o alu n o da E scola de A prendizes, e que na tropa foi m o n ito r de ginástica."
A E scola d e A p ren d izes da CP
uma necessidade sentida pela escola, tratou-se de uma proposta do padre M ourão261 que invocou a condição de professor de M oral na escola prim ária do B airro Cam ões para se candidatar a professor dos aprendizes.
A frequência com que na docum entação em erge um regulam ento de em préstimo de m anuais aos aprendizes tom a inquestionável a sua existência e releva a importância que assum iam na operacionalização das disciplinas teóricas. 262A escola adquiria os m anuais e em prestava-os gratuitam ente aos aprendizes que, de acordo com o regulam ento, os deveriam conservar nas melhores condições, devolvendo-os no final do ano para serem em prestados aos novos colegas. O incum prim ento desta devolução ou a deterioração do m anual im plicava o pagam ento de multas (que iam de 2$50, por não m eter uma capa no m anual, até ao seu pagam ento integral, em caso de deterioração
* gravosa ou de extravio do m anual).