• No results found

H VA ØNSKER ADEPTENE AT VAR ANNERLEDES ?

4 ADEPTENES VURDERINGER

4.8 H VA ØNSKER ADEPTENE AT VAR ANNERLEDES ?

Desde os finais dos anos trinta que a CP, num a tentativa de m elhorar a sua capacidade de concorrência com outros meios de transporte e de ultrapassar a grave crise financeira que se m antinha crónica, procurava optim izar a prestação dos seus serviços, investindo sobretudo em material circulante m ais m oderno e mais económ ico.222

219 £ m ofício d atado de 28 de Jan eiro de 1960, o Eng° M onteiro, da D irecção de M aterial e O ficinas, solicita ao 2° G rupo O ficinal q u e indique quantos aprendizes serão necessários para de futuro serem colocados nas oficinas d o E ntroncam ento, quantos para a F igueira da Foz e quan to s para L isboa P. A crescenta que o cálculo pode se r baseado no núm ero de operários das referidas p rofissões que em m édia e anualm ente deixam o serviço d a C om panhia. O s núm eros apresentados na resp o sta d o 2° G O referem saídas, nos anos de 1958 e 1959, respectivam ente, 45 e 35 no E ntroncam ento, 23 e 21 em L isboa P e 19 e 19 na Figueira da Foz. R ecorde-se que as três oficinas integravam à época a 2a zo n a de M aterial e T racção.

220A lém da procura de m ão de obra de substituição, M orgado C ân d id o d istingue ainda com o determ inantes a procura derivada d o aum ento da actividade económ ica e a p ro cu ra que resulta de inovações tecnológicas. (L .M o rg ad o C ândido, E volução re ce n te da estrutura esc o la r portuguesa, F.D .M .O ., Lisboa, 1965, p.23)

221 N um a perspectiva m ais global talvez se possa dizer sim plesm ente n ecessid ad es do m ercado de trabalho dado que m uitos aprendizes, por vezes m esm o antes de concluída a sua fo rm ação na E scola de A prendizes, eram aliciados com salários m ais elevados para o utras em presas na área d a m etalom ecânica. Para exem plificar a ex istência d este quebra-cabeças para a C P, evoco a referência ao V íto r que, cham ado à guerra colonial um ano após a conclusão do curso na E scola de A prendizes, no reg resso de Á frica optou por ingressar na M ague p o r lhe te r sido oferecido o dobro do salário que teria se regressasse à CP. Aliás, conta Sérgio G rácio, na d écada de sessenta, em presas co m o a L isnave e o s E staleiros N avais do A lfeite tinham grande d ificu ld ad e em recrutar operários qualificados.

222 £ m 4/8/39 foram adquiridas doze locom otivas diesel eléctricas à G eneral E lectric e vinte e oito carruagens m etálicas à E dw ard G .B u d d M anufacturing C om pany, am bas norte-am erican as; na E uropa

A E scola d e A p re n d ize s d a C P

O início da segunda grande guerra agravou a penúria de carvão, encareceu o seu fornecim ento e im pôs a procura de soluções alternativas que passaram essencialm ente pela substituição do carvão por lenha e pela adaptação das locom otivas a vapor à queim a de óleos. Do mesm o modo, intensificou-se o processo de m odernização através da aquisição de novo m aterial circulante. M esm o assim, os prim eiros anos da década de quarenta, os anos da guerra, são assinalados por quebras substanciais no fornecim ento de serviços de transporte.223

Q uer a aquisição de m aterial circulante com novas tecnologias, quer a adaptação das caldeiras à queim a de óleos e a posterior readaptação ao carvão, qu er ainda os investim entos estruturais necessários no parque oficinal, implicaram a necessidade de m ão-de-obra com um a qualificação mais exigente que o simples aprendizado em pírico era incapaz de satisfazer. Sobretudo a partir de meados de cinquenta, com o início da electrificação das linhas férreas, tom ou-se m ais prem ente na em presa a necessidade de mão de obra com níveis de qualificação m ais sustentada.

A criação da escola do Barreiro esteve naturalm ente relacionada com as N ovas O ficinas G erais do Cam inho de Ferro do sul e sueste; tam bém a escola do Entroncam ento se tem de relacionar com a construção das O ficinas da G rande Reparação e, m ais tarde, com as novas oficinas de m otorizados diesel eléctricos.

Q uanto à econom ia portuguesa em geral, a carência de m ão-de-obra qualificada, nom eadam ente com as qualificações nas áreas da serralharia, m etalom ecânica e electricidade obtidas na Escola de A prendizes, passou a fazer-se sentir m ais vivam ente a partir da década de cinquenta com o I Plano de Fom ento (1952) e com o II Plano de Fom ento (1958) e dos pressupostos desenvolvim entistas que lhes estavam subjacentes.

Sérgio G rácio evoca as dificuldades de algumas grandes em presas que, na década de sessenta, lutavam contra a falta de operários qualificados. Refere,

foram adquiridas vinte locom otivas diesel m ecânicas ( “O C am inho de Ferro rev isitad o ” , in O C am inho

d e fe r r o em P o rtu g a l d e 1856 a 1996, CP, Lisboa, 1996, p.260)

22 ^ U m co m unicado d o conselho de adm inistração da C P de 11.02.1942 inform ava que, d evido à falta de com bustível, o serviço de passageiros sofreu um a redução de 48% e o de m ercad o rias de 16%. (“ O C am inho de F erro...” , p. 261).

D e aprendiz a cida d ã o

nom eadam ente, os casos da M ague e das O G M A , que recrutavam pessoal m unido com o curso industrial das escolas técnicas, da Lisnave, que, "não obstante os seus próprios dispositivos de form ação, tinha grande dificuldade em os recrutar, especialm ente os soldadores, procurando-os de Norte a Sul, com propaganda em todas as escolas industriais do País", 224 e dos Estaleiros N avais do A lfeite, que se queixavam da "falta de desenhadores e operários qualificados e do abandono da em presa por um a parte destes últim os, atraídos por salários mais altos da indústria privada".225 O m esm o autor refere ainda um inquérito realizado em 1966 pela A IP às em presas filiadas onde se conclui que os diplom ados das escolas técnicas para as profissões m etalom ecânicas eram em núm ero in su fic ien te .226

Aliás, nào faltam testem unhos da época a denunciar o atraso geral da escolarização da população portuguesa e a salientar as insuficiências do ensino técnico. "Não existe em Portugal um a política de educação seguram ente definida, atendendo às necessidades do m undo contem porâneo", escrevia o econom ista José de M atos Torres em 1961.227 E evoca o desenvolvim ento m ais acelerado representado pelo II Plano de Fom ento e "o ingresso irreversível no m ovim ento de cooperação europeia"228 para fundam entar a necessidade da urgente resolução dos problem as da educação portuguesa e da form ação de quadros qualificados. Tam bém num estudo já citado, M orgado Cândido procura escalpelizar o estado da educação e da form ação profissional em Portugal, afirm ando que "a esm agadora m aioria dos jovens portugueses ingressa na actividade económ ica sem qualquer preparação profissional".229

As causas do problem a diagnosticadas por este autor resultam da exígua escolaridade obrigatória ("a m ais curta da Europa"), do apreciável absentism o a essa escolaridade, da proporção dim inuta dos jov ens que continuam estudos para além da escolaridade obrigatória, da insuficiente cobertura do país em estabelecim entos oficiais

224 Sérgio G rácio, E nsinos Técnicos..., p. 130 225 S érgio G rácio, E nsinos Técnicos..., p. 130 226 Sérgio G rácio, E n sin o s Técnicos..., p. 130

227 José de M atos T o rres, A spectos quantitativos..., p.64 228 Jo sé de M atos T orres, A sp ec to s quantitativos..., p. 64 229 L .M orgado C ândido, E volução recente..., p. 16

Faculdade de Psicologia Instituto de Educação Universidade de Lisboa

A E sco la de A p ren d izes d a CP

para o ensino secundário e da falta de pessoal docente devidam ente qualificado e, finalm ente, da baixa produtividade da quase totalidade dos ram os de ensino traduzida pelo elevado núm ero de abandonos e pela fraca percentagem dos alunos que concluem os respectivos cursos.230

No caso concreto do ensino técnico, este autor aponta alguns problem as de fundo que ajudam a perceber m elhor a configuração da realidade escolar portuguesa ainda na prim eira m etade dos anos sessenta. Em prim eiro lugar, a reduzida percentagem de alunos que prosseguem estudos pós prim ários (20,8% ). R efere a seguir a "irregularíssim a penetração da escolaridade nos diferentes distritos do país... pois os distritos de Lisboa e do Porto absorvem cerca de 50% dos candidatos ao ensino secundário, o que significa encontrarem -se as restantes zonas num atraso ainda mais preocupante".231 Por último, a rem atar o diagnóstico da escolarização técnica em Portugal, refere as elevadas taxas de reprovação nos exames de adm issão e a tendência dos estudantes portugueses para estudos de índole não técnica. 232Problem as velhos que já anotám os antes e que, apesar dos esforços escolarizadores no ensino prim ário, com o adensam ento da rede e com a cam panha nacional de alfabetização, e no ensino técnico, com a reform a, persistem em se m anter como*estruturais.