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Para a compreensão e aplicação desta proposta de avaliação constitui pré-requisito o conhecimento sobre sua fundamentação conceitual conforme exposta no referencial teórico da presente pesquisa e na interpretação das informações. A atual proposta de avaliação é destinada ao contexto de sala de aula. É pensada para o curso de FLE do meu contexto de trabalho, uma escola pública de idiomas do DF. Remete-se aos professores de francês para ser utilizada no Currículo Específico em uma classe de estudantes do ensino médio, ou a partir dele.

Nesse curso de regime semestral, com duração de três anos, há duas aulas por semana perfazendo, aproximadamente, 40 encontros de 1h40 cada. Ou seja, são cerca de 20 aulas por

bimestre. Faz parte da prática avaliativa aplicar avaliações formais duas vezes por semestre letivo. As notas das avaliações bimestrais são somadas e aritmeticamente calculadas sendo necessário o alcance de 50% para a progressão do estudante. Trata-se, portanto, de uma proposta de avaliação pedagógica orientada para a aprendizagem, embora também possa ser somativa, considerando que uma função não inviabiliza a outra.

A proposta de avaliação tem por base a PA, segundo a qual aprender língua significa ser capaz de usá-la para comunicar e agir com os outros por meio de tarefas ou atividades que as pessoas realizam em diferentes domínios sociais por meio da integração da recepção e produção de textos. Nessa perspectiva, o aprendente é considerado um ator social, ou seja, aprende-se uma língua para agir socialmente, portanto por meio da ação. O foco está na capacidade do aprendente de usar a língua em situações reais, e não somente aprender sobre ela. Na PA os componentes da competência linguístico-comunicativa não se excluem, mas se sobrepõem como um sistema complexo.

No cerne da PA estão as tarefas. Ademais, na presente proposta os gêneros textuais ocupam a frente da cena para mediar as atividades avaliativas como elemento de destaque na realização de tarefas. O uso didático dos gêneros textuais pode auxiliar os aprendentes a desenvolverem a competência linguístico-comunicativa, a compreender e produzi-los para agirem de maneira autônoma e desenvolta. Não significa preterir o uso de tarefas, mesmo porque constituem o coração da PA, mas atribuir ênfase a um elemento substancial, os gêneros textuais.

Outrossim, o emprego de gêneros textuais facilita a entrada de documentos autênticos na sala de aula e enfatizam o desenvolvimento da competência discursiva. A presente proposta de avaliação, assim como a PA, considera a avaliação por meio do uso autêntico da língua, cujas situações, senão reais por se tratar de um contexto pedagógico, devem ser próximas da realidade, o que não as impede de serem lúdicas.

A proposta para o agir avaliativo do professor de que trata esta dissertação considera além das competências gerais-individuais e componentes da competência linguístico- comunicativa, os mecanismos de textualização, os componentes dos gêneros textuais e as capacidades de linguagem. Conforme a interpretação das informações, é indicada a aplicação de atividades avaliativas de PO e PE integradas à recepção da PA bem como das atividades de avaliação informais avaliativas, conforme a preferência do professor.

A aplicação das avaliações formais é de acordo com o alcance dos objetivos da aprendizagem. Geralmente concentram-se ao final do bimestre. Quanto aos momentos de aplicação, proponho que as atividades avaliativas em sendo mais de uma sejam feitas em dias

diferentes previamente comunicados aos aprendentes. Em se tratando da PO, poderá ser feito um agendamento, pois dependendo do tamanho da turma pode não ser possível a sua realização em um único dia. Igualmente, não devem ser longas, sendo guiadas pela exequibilidade. Podem ser aplicadas no decorrer das aulas. É importante variar as atividades avaliativas. A escolha da quantidade das atividades avaliativas de PO e PE e da ponderação ficam a critério da equipe pedagógica da instituição de ensino.

Assim, o plano de avaliação apresenta-se da seguinte forma:

Quadro 5 - Plano de avaliação

Fonte: Autora A compreensão de um texto (recepção) é essencial para a produção do segundo na atividade avaliativa. Em outras palavras, uma atividade de linguagem constitui subsídio para a realização da outra. Mais claramente, se a atividade avaliativa é de PE, pode ser vinculada à leitura (CE). Ou, a partir de uma CO seguida de uma PO, pode-se proceder à PE. As possibilidades de integração variam de acordo com a criatividade do professor, com o programa de ensino e com o estágio de aprendizagem dos aprendentes.

Na presente proposta, as atividades avaliativas devem organizar-se em torno de gêneros textuais direcionados por uma escolha temática. Os gêneros textuais podem ser semelhantes aos tratados nas unidades pedagógicas de ensino do material didático ou compatíveis com os mesmos, desde que da esfera de interesse dos aprendentes e, igualmente, motivantes que despertem o prazer e a vontade de ouvir, falar, ler e escrever.

Mais apuradamente, indico a elaboração das atividades avaliativas em torno de dois temas, que podem ser abordados em espiral60, e, de gêneros textuais diferentes. É preciso considerar que, no contexto da dissertação de que trata esta pesquisa, são no máximo 20 encontros bimestrais e que a avaliação é uma parte do processo pedagógico, cujo tempo é compartilhado entre ensinar, aprender e avaliar. É importante que os documentos sejam

60 Abordar um tema em espiral significa que ele pode ser retomado em diferentes estágios de aprendizagem com

outro enfoque e/ou abordagem.

ATIVIDADES DE AVALIAÇÃO Notas:

Produção escrita x

Produção oral em interação e/ou em continuidade x

Atividades informais: observação, autoavaliação, avaliação por pares, refazer as atividades avaliativas e/ou outras.

autênticos, mesmo que adaptados pedagogicamente, de domínios e fontes diversos e que privilegiam a diversidade social, cultural e francófona.

Trata-se de uma proposta de avaliação cujo círculo se fecha com o feedback, a autoavaliação e com as atividades de regulação retroativa (ALLAL; MOTTIER LOPEZ, 2005), na qual o feedback conduz à seleção de meios para corrigir ou superar dificuldades de aprendizagem encontradas por alguns aprendentes. Esses meios são denominados, também, de técnicas didáticas intervencionistas (CUQ; GRUCA, 2017). A medida que não se limitam somente à remediação das dificuldades, mas também ao enriquecimento da aprendizagem para que as atividades futuras sejam mais bem aprendidas, a regulação reconfigura-se em proativa (ALLAL; MOTTIER LOPEZ, 2005) ou em feedforward (CARLESS, 2007).

Esclarecidas as premissas da proposta de avaliação, apresento a seguir os procedimentos sugeridos para serem empregados no planejamento e elaboração das atividades avaliativas em uma lógica acional.

5.2 Procedimentos para o planejamento e elaboração de atividades avaliativas a partir

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