Considerando que se trata de uma avaliação pedagógica e para a aprendizagem, sugiro alguns procedimentos que podem ser considerados no modo de aplicação das atividades avaliativas, realizáveis em parte na sala de aula, em parte com preparo em casa. Primeiramente, conforme o contexto da presente pesquisa, as atividades de avaliação costumam ser realizadas individualmente. Todavia, não é uma regra nem para a PO, tampouco para a PE.
Para a PE o aprendente tem acesso à atividade avaliativa na data62 previamente indicada pelo professor. Porém, pode haver a possibilidade de uma PE com recursos de recepção que não estejam disponíveis para o aprendente na sala de aula. Ou seja, pode ser requerido ao aprendente que se informe sobre determinado assunto a ser o tema da PE. O importante é
62 Em sendo mais de uma atividade avaliativa de PE ou PO por bimestre, é recomendável que não ocorram ambas
disponibilizar as condições necessárias de produção. A complexidade da PE varia de acordo com o estágio de aprendizagem, elementar ou independente, dos aprendentes.
Em relação à PO em interação, considerando que os aprendentes debutantes possuem um repertório linguístico limitado sendo a modalidade de gêneros textuais interativos mais indicados para a demonstração do desempenho linguístico-comunicativo. Dado isso, a ancoragem na vida real ao colocar os aprendentes em uma situação de comunicação quotidiana pode atenuar esse caráter de faz de conta.
Por exemplo, o gênero textual conversa ao telefone, formal ou informal, versando sobre a venda de um computador usado pode configurar um exemplo de uso real da língua. Por outro lado, embora possuam um repertório linguístico em estágio inicial, aprendentes debutantes são capazes de PO em continuidade com atividades avaliativas simples, como por exemplo, uma breve descrição de uma pintura de um artista célebre de um determinado museu ou a apresentação da árvore genealógica de uma família com uma breve descrição de seus membros. Em se tratando da PO em interação é importante que não pareçam memorizadas e tenham um certo grau de improviso. O improviso faz parte das interações reais de comunicação. É relevante evitar que sejam “treinadas” antes, pois isso abala o caráter natural da interação. Devem ser apresentadas na sala de aula diante dos colegas.
Para a avaliação da PO em continuidade indico que o aprendente tenha acesso às instruções com antecedência, de forma que possa preparar-se em casa e, posteriormente, fazer a sua PO em continuidade em sala diante do professor e dos pares. Conferir ao aprendente um tempo maior de preparo e a oportunidade de recorrer a fontes complementares de aprendizagem favorecem a mobilização das competências gerais-individuais. Considero um procedimento adequado para o contexto pedagógico, por ser uma maneira de desdramatizar a situação de avaliação. Ademais, proporciona a inserção de recursos extralinguísticos que também fazem parte da PA.
Ter acesso prévio às instruções das atividades avaliativas de PO e desempenhá-las diante dos pares, pode configurar uma inovação na cultura de avaliar. Primeiro, privilegia na avaliação a interação e a mediação, princípios da PA, pois dessa forma os aprendentes têm a oportunidade de interagir e de aprender com os pares. Segundo, rompe com a tradição da avaliação da PO somente entre professor e aprendente, como em testes de certificações ou entre um duo de aprendentes que devem simular um diálogo diante do professor. Terceiro, realça o caráter social da sala de aula, cujo entendimento é baseado em como o professor e os aprendentes interagem entre si nesse ambiente.
Para a PO em interação mais complexa, são sugeridos debates, discussões e opiniões, por exemplo, em cujas modalidades há mais implicação da personalidade do aprendente e ancoragem na vida real. A PO em continuidade, por sua vez, deve circular em torno de um breve discurso sobre um assunto ou tema precisos, uma pequena comunicação realizada de forma individual ou em pares. Simples ou complexas, de um modo geral, para todas as atividades avaliativas devem ser considerados os estágios de aprendizagem do aprendente.
Em relação ao modo de aplicação das atividades de recepção, em se tratando da CO, mantenho a prática já em voga na instituição de ensino de repassar o áudio por três vezes com um breve intervalo, o qual pode variar em função da extensão do áudio. Nesse interim, o aprendente é convidado a tomar algumas notas sobre o documento. Antes da escuta, o aprendente deve ser orientado a ler as instruções da atividade avaliativa e deve ter esclarecidas, pelo professor, quaisquer dúvidas. Ao usar mais de um documento sonoro é recomendável escalonar as escutas, ou seja, não emendar um áudio no outro se a mensagem é diferente.
Em se tratando da CE como recepção, os elementos pictográficos, se houver, devem estar nítidos e ter relação com o texto. Se o texto contiver léxico que supostamente não seja do conhecimento do aprendente, cuja compreensão seja fundamental para o resultado da atividade avaliativa, é preciso que haja um glossário na língua de ensino.
Ainda em caso de léxico desconhecido, o aprendente poderá acionar a sua competência estratégica, como por exemplo, fazer uma inferência ou ignorar a palavra. Entretanto, essas estratégias já devem ser do conhecimento prévio do aprendente desenvolvidas, por exemplo, a partir das atividades de aprendizagem.
Outrossim, o ambiente deve proporcionar silêncio e favorecer a concentração, necessários à realização das atividades avaliativas. Assim, os modos de aplicação das atividades avaliativas compõem a quarta etapa do processo avaliativo.
Dada a pertinência de os aprendentes conhecerem os critérios de avaliação, a quinta etapa versa sobre a ficha de avaliação para as atividades avaliativas, sobre a qual trato na sequência.