Esta seção englobou a análise das práticas de acompanhamento de produtividade nas empresas componentes do APL, desdobrando-se em seus objetivos e frequência das medições, instrumentos formais e empíricos utilizados, responsáveis pela medição e monitoramentos e avaliações das medições.
Inicialmente, questionou-se se a empresa realiza algum tipo de acompanhamento do desempenho da produção. Como alternativas de resposta foi oferecido as opções “sim”, “não” e “parcialmente”, cujos resultados são apresentados no gráfico 16.
Gráfico 16 - Empresas que realizam acompanhamento do desempenho da produção
Fonte: Pesquisa direta
Os resultados demonstram que as empresas que realizam algum tipo de acompanhamento do desempenho, ainda que de forma não sistemática, constituem maioria, totalizando um montante de 67% das empresas pesquisadas. A fim de conhecer, de fato, a forma de acompanhamento do desempenho das empresas, foi sondado como é feito o acompanhamento da produtividade, conforme os resultados expostos na tabela 18, abaixo.
Tabela 18 - Formas de acompanhamento da produtividade Tipo de acompanhamento Quantidade de
empresas Tipo de coleta
Quantidade de empresas
Formal 6 (40%)
Coleta Manual 3
Coleta Eletrônica 0
Observação com Registro 2
Observação sem Registro 2
Informal 5 (33%)
Coleta Manual 0
Coleta Eletrônica 0
Observação com Registro 0
Observação sem Registro 5
Fonte: Pesquisa direta
Ressalta-se que os resultados na tabela 18 expressam apenas o tipo de acompanhamento das empresas que realizam alguma forma de acompanhamento da produtividade (11 empresas). Desse modo, fica evidenciado que 40% das empresas pesquisadas realiza acompanhamento formal da produtividade, enquanto outros 33% o faz de forma informal. Percebe-se, ainda, que das empresas que declararam realizar o acompanhamento informal não é utilizado nenhum tipo de registro, ocorrendo apenas uma observação empírica do desempenho.
No caso das empresas que alegaram fazer o acompanhamento formal da produtividade, 3 realizam coleta manual dos dados que servirão de insumo para a geração de indicadores de desempenho, 2 realizam observação com registro e 2 observação sem registro. Houve uma empresa que explicitou que realiza coleta manual e observação com registros, concomitantemente. Não houve empresas que indicaram realizar coleta eletrônica dos dados,
modalidade esta que contava dentre as alternativas do questionamento.
Os resultados expostos na tabela 18 são condizentes com os demais resultados discutidos em seções anteriores, sobretudo nas seções referentes à gestão da produção. A sistematização da forma de acompanhamento da produção está condicionada às práticas de gestão adotadas. Desse modo, quanto maior o empirismo nas práticas gerenciais, menor a sistematização do acompanhamento do desempenho.
Dando continuidade ao rastreamento das práticas de acompanhamento da produtividade, identificou-se que a frequência da medição ocorre conforme indica o gráfico 17.
Gráfico 17 - Periodicidade das medições
Fonte: Pesquisa direta
Dentre as opções oferecidas aos respondentes como alternativas, foram colocadas duas nas quais o respondente poderia descrever a periodicidade das medições ocorridas na empresa, caso as outras alternativas não condissessem com sua realidade. Desse modo, foi apontado por um respondente a periodicidade “diária com validação semanal” e por outro “quando há necessidade”, ambas constantes no gráfico 18. No caso da última não há exatamente a indicação de uma periodicidade, uma vez que a medição é feita de acordo com a conveniência. Registra-se ainda que não houve indicação das alternativas de periodicidade semestral e anual.
De modo geral, os resultados constantes no gráfico 18 apontam para o fato de as empresas concentrarem suas medições em curtos períodos, diário e semanal. Assim, das 10 empresas que responderam realizar acompanhamento do desempenho, 80% realizam suas medições diária ou semanalmente, incluindo a que apontou a periodicidade diária com validação semanal. Esses resultados guardam pertinência com a falta de planejamento e caráter imediatista das práticas de gestão das empresas, discutido em seções anteriores.
Questionados a respeito do motivo das realizações das medições, as respostas se concentram na avaliação de resultados, avaliação dos funcionários e conhecer os custos, como mostra a tabela 19.
Tabela 19 - Finalidade da medição da produtividade
Finalidade da Medição Nº de Empresas
Tomar decisões 0
Avaliar resultados 7
Avaliar os empregados 4
Conhecer os custos 3
Conhecer os retornos dos investimentos 0
Comparar desempenhos 0
Fonte: Pesquisa direta
A primeira opção, tomar decisões, não teve adesão de nenhum dos respondentes. Esse resultado é mais um indício do foco na gestão de curto prazo, por parte dos gestores das empresas do APL, uma vez que essa opção denota a utilização das informações sobre o desempenho da empresa para planejamentos das ações futuras.
Em contrapartida, as finalidades de medição da produtividade que tiveram maior adesão foram “avaliar resultados” e “avaliar empregados”. Estas opções estão mais voltadas para a avaliação operacional, de curto prazo. De fato, o monitoramento também é uma atividade de curto prazo, uma vez que visa monitorar o cumprimento dos planos empresariais. Porém, como visto na revisão de literatura, a gestão da produtividade é dotada de caráter estratégico, quando utilizado como insumo para tomadas de decisões e aquisição de competitividade, caráter esse negligenciado pelas respondentes, conforme averiguado.
Desse modo, a opção de utilização dos indicadores de produtividade como informação útil para a tomada de decisão não está sendo explorada pelas empresas pesquisadas. Isso se confirma pelo fato de nenhuma das empresas utilizar as medidas de produtividade como forma de comparar os desempenhos com outras empresas do setor.
Quanto à finalidade de medir a produtividade para conhecer os custos incorridos no processo produtivo, indicado por 3 empresas, nota-se certo contra-senso, uma vez que é mais comum os modelos de cálculo de indicadores de produtividade demandarem informações de custos do produto, e não o contrário. Nenhum respondente indicou apurar medidas de custos com a finalidade de conhecer os retornos sobre os investimentos.
Em relação ao responsável pela determinação das prioridades de medição, esta função está concentrada no proprietário, tendo sido apontada por 9 respondentes, ao passo que apenas um indicou o gerente como responsável por essa ação.
Esse resultado é previsível, dado o perfil centralizador de atividades gerenciais, percebido nas empresas pesquisadas do APL, e já discutido em seções anteriores, e por se tratar de médias e pequenas empresas.
É plausível que o proprietário seja responsável pela definição da prioridade de medição, uma vez que este gerencia a empresa e, portanto, possui afinidade com essa ação. No entanto, espera-se que o processo de medição seja realizado por outra pessoa, isentando o proprietário de atividades operacionais, de coleta de dados da produtividade. Porém, ao questionar os respondentes sobre quem é responsável pelas medições de produtividade, os resultados apontaram que, em metade das empresas pesquisadas, que realizam acompanhamento da produtividade, o proprietário se incumbe, também, da medição. Esse resultado pode ser visualizado no gráfico 18.
Gráfico 18 - Responsável pela medição da produtividade
Fonte: Pesquisa direta
Apesar de ser uma atividade que demanda tempo do gestor da empresa, a medição da produtividade, feita por este, torna-se uma conveniência, à medida que permite ao proprietário um contato próximo com a mensuração da produção, sobretudo por o acompanhamento da produtividade ser realizado sem registros, na maioria dos casos, como já visto. Desse modo, o gestor ganha mais feeling, por estar em contato com o objeto de análise.
Contudo, a situação mais adequada seria a coleta periódica dos dados da produtividade, mantendo-se registros desses, e a análise e interpretação dessas medições, tomando-as como informações úteis à tomada de decisões gerenciais pelo gestor.